terça-feira, 6 de abril de 2010

O dever - Nada simpático

O dever
Nada simpático



Inegavelmente, à primeira vista não é nada simpático o dever. Apresenta-se com ares de poucos amigos. Não traz "o melhor dos seus sorrisos" nos lábios com que dita uma obrigação. Vários motivos lhe dão essa fisionomia.

É obrigatório..., e por isso não pede, nem convida. Manda: senhorita, faça isto e deixe aquilo! Por assim dizer, leitora, pega-te pelo braço e coloca-te no teu posto sem olhar o tempo que há no céu. Despede-se novamente com uma ordem: Teu lugar é aqui, ouviste?

É multiplo..., e por isso se faz contradiço em toda parte. Não há vereda ou atalho da vida e do dia em que ele não esteja à espera de tua graça. Nas várias relações sociais, nos diversos compromissos religiosos, ei-lo escondido, sempre pronto a ditar uma ordem. Varia, como os lugares e as pessoas com que convives, lidas, te divertes, trabalhas.

É incessante... quase importuno. Pois pega de uma criatura no berço e só a deixa na sepultura. Está dentro de cada hora da vida, de cada palavra da boca, de cada desejo do coração, de cada ato da vontade livre. Quando falas com Deus, ei-lo a teu lado. Se pensas no passado ou indagas do futuro, logo o dever exclama: Presente!

É prosaico..., nada possuindo de poético, de emotivo para a fantasia da jovem leitora. Pois todo o mundo tem um dever a cumprir, vive às voltas com ele. Por ser tão "de cada dia", figura entre as coisas fora de menção. Raras vezes se erguem arcos de triunfo para celebrar o cumprimento do dever. Mais raro ainda lhe é acenderem uma chama votiva.

Mas assim mesmo, leitora, o dever é sagrado por ser a expressão da vontade de Deus. É abençoado porque melhora e dignifica o homem que o cumpre. O que faz a água fria com o ferro em brasa, faz o dever com a vontade do homem fiel: tempera-a, enrija-a, dá-lhe resistência.

O dever é como uma fornalha. Devora por isso a ferrugem da vontade que se entrega às suas chamas, tornando-a incandescente na presença do ideal.

Pobre moça, que foge dos seus deveres, que os sonega, que os ilude, que os regateia e deles se esquece! Pois a vida não tem bens suficientes para indenizar do esquecimento de um só dever...

(Excertos do livro: Audi Filia! Páginas para moças - Pe. Geraldo Pires de Souza)

PS: Grifos meus e itálicos do autor)
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