sábado, 23 de março de 2013

Doutrina Cristã - Parte 25

Nota do blogue: Acompanhar esse Especial AQUI.

Monsenhor Francisco Pascucci, 1935, Doutrina Cristã, 
tradução por Padre Armando Guerrazzi, 2.ª Edição, biblioteca Anchieta.

OS SACRAMENTOS EM GERAL

Definição

            A palavra Sacramento teve primeiro um sentido lato e significou, em geral, coisa sacra e re­ligiosa. Em tal sentido, eram chamados Sacramen­tos alguns ritos, segundo os pagãos.
            No Antigo Testamento houve também Sacramen­tos impropriamente ditos ou ritos religiosos, como a circuncisão, os sacrifícios, o banquete do cordeiro pascal, etc., os quais não produziam a graça nem a renovação interior, mas apenas uma justiça exte­rior e legal. Em o Novo Testamento os Sacramentos são sinais eficazes da graça, instituídos por Cristo para nos santificarem.

            Desta definição transparece que três são os ele­mentos: sinal sensível, produção da graça, instituição divina.
            Sinal sensível, o qual, caindo sob os nossos sentidos, nos indica o efeito invisível da graça; as­sim por ex. no Batismo a ablução externa indica a ablução interna produzida pela graça.
            Produção da graça, enquanto o sinal sensível é eficaz, isto é, não só indica, mas produz por si a graça.
            Instituição divina, pois somente Deus pode dar a um rito qualquer o poder de conferir a graça.

Número

            6- Os Sacramentos são sete, porque segundo o ensino infalível da Igreja, tantos são os que instituíra Jesus Cristo. Os teólogos quiseram encontrar, para esse número centenário, uma razão de conveniência, comparando as necessidades da vida espiri­tual com as da vida natural. O homem, efetivamente, nasce, tem necessidade de se robustecer, de se nutrir, de se curar das enfermidades, de receber especiais cuidados na última doença, e, na vida so­cial, precisa de ser governado e de se perpetuar: assim, na vida espiritual, o homem nasce com o Batismo, se fortalece com a Crisma, se nutre na Eucaristia, sara com a Penitência, recebe auxílios e conforto para a última viagem na Extrema Unção, recebe a hierarquia para o governo das almas pela sacra Ordem, e se perpetua no Matrimônio.


Necessidade

            7.— Os sete sacramentos são necessários todos. Cinco são necessários ao individuo e dois (Ordem e Matrimônio) à sociedade.
            Dos cinco primeiros, dois se dizem necessários de necessidade de meio, isto é, indispensáveis para con­seguirmos a vida eterna: — o Batismo, a todos os homens, e a Penitência, àqueles que pecaram mortalmente depois do Batismo.
            Os demais são necessários de necessidade de pre­ceito, porque existe um preceito de os recebermos, como a Penitência, uma vez por ano, e a Eucaristia, ao menos pela Páscoa, e em perigo de morte, co­mo Viático.

Efeitos. — Graça santificante

            8 — Os Sacramentos nos santificam, ou dando-nos a primeira graça santificante, que apaga o pecado, ou aumentando-nos a graça que possuímos já. Dão a primeira graça o Batismo e a Penitência, que se dizem sacramentos dos mortos, porque dão a vida da graça às almas mortas pelo pecado. Dão a segunda graça, isto é, aumentam a graça já possuída — a Crisma, a Eucaristia, a Extrema Unção, a Ordem e o Matrimônio, que se dizem Sa­cramentos dos vivos, porque, para os recebermos, de­vemos já ter na alma a graça. Recebê-los em pecado mortal é cometer um pecado gravíssimo de sa­crilégio, porque se receberia indignamente uma coisa sagrada.

Graça sacramental

            9. — Além da graça santificante, os sacramen­tos conferem a graça sacramental, isto é, o direito de receber de Deus as graças atuais necessárias pa­ra conseguir-se o fim próprio de cada sacramento.
            Jesus Cristo instituiu os sacramentos por um fim geral — o de nos santificar.
            Além desse fim, Jesus Cristo assinalou a cada sacramento um fim particular: — o Batismo nos torna cristãos, a Crisma nos faz soldados de Jesus Cristo, a Eucaristia nutre a alma, etc.
            Para alcançar esse fim próprio, temos necessida­de do auxilio de Deus, isto é, das graças atuais: — o direito a se receberem estas graças diz-se “graça sacramental”.

Caráter

            10— Alguns sacramentos produzem na alma um terceiro efeito, a saber: — imprimem caráter, sinal espiritual que não se cancela nunca, mas permanece mesmo na vida futura, para glória dos bons e confusão dos maus.
            O caráter tem dois escopos: a) faz-nos capazes de receber ou cumprir certos atos relativos à religião; serve para distinguir quem recebeu o sacramento de quem o não recebeu.
            Três são os sacramentos que imprimem caráter e podem ser recebidos uma só vez: — o Batismo, a Crisma e a Ordem.
            O Batismo imprime o caráter de cristão; a Crisma, o de soldado de Jesus Cristo; a Ordem, o de seu ministro.

Como operam os sacramentos 
Validade e liceidade

            11— Os sacramentos produzem esses efeitos por virtude própria, independentemente das disposições do ministro, com a condição única de que quem os receber não ponha obstáculo algum, como o sol por sua virtude ilumina um ambiente, contanto que não se fechem as janelas e não se lhe ponha obstáculo.
            Cumpre distinguir-se entre validade e liceidade de um sacramento.
            Um sacramento é valido, quando o sinal sensível, o ministro e o sujeito têm todas as condições exigidas para que o rito seja sacramento.
            É licito, quando quer o ministro, quer o sujeito têm as disposições requeridas pela Igreja para conferi-lo e recebê-lo. Um sacramento, portanto, pode ser válido, mas ilícito: assim por ex. o ministro, que não esteja em estado de graça, opera ilicitamente, embora o sacramento seja válido e frutuoso, isto é, produza o efeito em quem o recebe. Pelo contrário, se o sujeito, ao receber um sacramento dos vivos, não anda em estado de graça, o sacramento é válido (sen­do que na Crisma e na Ordem imprime caráter), mas ilícito e infrutuoso, porque não produz o efeito isto é, não aumenta a graça santificante.

Matéria, forma e ministro.

            12.— Para ter-se um sacramento são necessárias três coisas: — matéria, forma e ministro.
            Matéria é o elemento sensível, que se requer pa­ra fazer o sacramento, isto é, a parte do sacramento que nos cai sob os olhos; assim a água no Batismo, a acusação dolorosa dos pecados na Penitência, etc.
            Forma são as palavras que o ministro deve pro­nunciar no próprio ato de aplicar a matéria. Elas indicam a que fim se quer empregar a matéria e, por isso, dão a esta uma forma determinada; assim por ex. no Batismo a ablução da água, que por si representa somente uma ablução externa, — por meio das palavras “Eu te batismo, etc.” passa a significar um lavacro espiritual.
            Ministro é a pessoa capaz, que faz ou confere o sacramento em nome e pela autoridade de Jesus Cristo: assim o Bispo na Crisma, o Sacerdote no Batismo, os esposos no Matrimônio, etc.

Parte essencial e cerimônias

            13. — Na administração dos sacramentos importa distinguir-se o que é essencial e as cerimônias que acompanham o rito. O que é essencial foi instituído por Jesus Cristo e não pode ser modificado. As cerimônias, porém, foram dispostas pela Igreja — a) para gerarem nos fiéis estima e reverência ao sacramento; b) para darem a compreender melhor os efeitos do sacramento; c) para inculcarem as obrigações que o sacramento impõe. Só a Igreja pode modifi­car essas cerimônias.
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