sábado, 22 de dezembro de 2012

7.º Dia da Novena - 22 de dezembro

Canta-se o cântico: Puer Natus 

Dor que causou a Jesus Cristo a ingratidão dos homens 
Veio para os que eram Seus e os Seus não O receberam. 
(Jo. 1,11) 



Em certo Natal andava São Francisco pela floresta e pelos caminhos gemendo e suspirando, e, ao perguntarem-lhe a causa de sua tristeza, respondeu: "Como quereis que não chore vendo que o amor não é amado? Vejo Deus inebriado de amor pelos homens e os homens tão ingratos para com esse Deus". Se tanto afligia essa ingratidão dos homens a São Francisco, consideremos quanto mais afligirão ao Coração de Jesus. Tão logo foi concebido no seio de Maria viu a cruel correspondência que havia de receber dos homens. Tinha vindo do céu para atear o fogo do amor divino, e esse desejo O tinha feito descer à terra e sofrer um abismo de penas e ignomínias: "Vim trazer o fogo à terra e que quero senão que se ateie?" (Lc. 12,49). E depois via o abismo de pecados que cometeriam os homens apesar de terem sido testemunhas de tantas provas de Seu amor. Esse foi, disse São Bernardino de Sena, o que Lhe fez padecer uma dor infinita. 

Ainda entre nós, quando alguém se vê tratado ingratamente por outro é uma dor insuportável, pois a ingratidão freqüentemente aflige a alma mais que outra dor ao corpo. Que dor, pois, ocasionaria a Jesus, que era nosso Deus, ver que, por nossa ingratidão, Seus benefícios e Seu amor seriam pagos com desgostos e injúrias? "Deram-me males em troca de bens e ódio em troca do amor que eu lhes tinha". (Ps. 108,5). E ainda hoje se lamenta Jesus Cristo: "Fui um estrangeiro para meus irmãos" (Ps. 68,9), pois vê que não é amado nem conhecido de muitos, como se não lhes tivesse feito bem nenhum nem tivesse sofrido nada por seu amor. 

Ó meu Deus, que caso fazemos, mesmo os cristãos, do amor de Jesus Cristo? 

Apareceu um dia Ele ao Beato Henrique Suso como um peregrino que mendigava de porta em porta, sendo sempre posto fora com injúrias. Quantos são semelhantes àqueles de quem falou Jó: "Eles diziam a Deus: Retira-te de nós, e julgavam o Onipotente, como se não pudesse fazer nada; sendo que ele cumulou de bens as suas casas "(Job, 22,17). Nós, ainda que no passado nos tenhamos unido a esses ingratos, queremos continuar com nossa ingratidão no futuro? Não, porque não o merece aquele amável Menino que veio do céu padecer e morrer por nós para que O amássemos. 

Reza-se o Terço e a Ladainha de Nossa Senhora 

Oração: Senhor Jesus, que descestes do céu para que nós Vos amássemos, tomando uma vida cheia de trabalho e a morte numa cruz, como pudemos tantas vezes dizer-Vos: "Retirai-Vos de nós", não Vos queremos, ó nosso Deus, se não fôsseis bondade infinita nem tivésseis dado a vida para perdoar-nos, não nos atreveríamos a pedir-Vos perdão; mas sabemos que Vós mesmo nos quereis dar a paz: "Convertei-Vos a mim, diz o Senhor Deus dos exércitos e eu me voltarei para Vós" (Zach. 1,3). Vós mesmo, Jesus, que Sois o ofendido, intercedeis por nós. Não queremos, pois, ofender-Vos ainda uma vez, desconfiados de Vossa misericórdia. 

Arrependemo-nos com toda a alma de Vos ter desprezado, meu sumo Bem. Dignai-Vos receber-nos em Vossa graça pelo sangue derramado por Vós. "Pai, não sou digno de ser chamado teu filho" (Lc. 15,21). Não, nosso Redentor e Pai, não somos dignos de ser Vossos filhos, porque tantas vezes renunciamos ao Vosso amor; mas Vós nos tornais dignos com Vossos merecimentos. 

Que só o pensamento da paciência com que suportastes nossos pecados durante tantos anos e das graças que nos concedestes, depois de todas as injúrias que Vos fizemos, faça-nos viver ardendo nas chamas de Vosso amor. Vinde, pois, Senhor, que não Vos expulsaremos mais, vinde habitar nosso pobre coração. Amamo-Vos e queremos amar-Vos para sempre, e Vós abrasai-nos sempre mais, com a lembrança do amor que nos tivestes. 

Canta-se o cântico: Adeste, Fideles
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