domingo, 9 de maio de 2010

Capítulo I - A PRESENÇA REAL

Nota: Veja a introdução deste livro aqui.
PS: Esse livro foi digitalizado ver AQUI (atualizado dia 16/08/2011)

Sol Eucarístico e trevas protestantes, por
Pe. Julio Maria

Capítulo I


A PRESENÇA REAL

É difícil introduzir uma divisão lógica no panfleto do Sr. Nobre; porém, a verdade fundamental que ele procura combater é a presença real de Jesus Cristo na divina Eucaristia.

Provemos pois esta verdade, pela palavra da Sagrada Escritura, para mostrar ao ilustre mas ignorante pastor presbiteriano que, para combater dogmas católicos não é bastante ter no coração o ódio à Igreja Católica. É preciso também um pouco de raciocínio no espírito e um pouco de compreensão da palavra de Deus e não se apoiar sobre jogo de palavras, verdadeira brincadeira de criança, como o Sr. Nobre faz em sua brochura, chamando isto ciência...

Não há nisto ciência alguma, como em seu livreco não há nem vislumbre de: absurdo de um dogma, mas apenas absurdo de ignorância protestante, ou então, triste mania de combater tudo o que a Igreja Católica ensina.

I - O que é a Eucaristia

A palavra Eucaristia significa ação de graças, e designa a presença real e substancial de Jesus Cristo debaixo das aparências de pão e vinho.

Os protestantes hodiernos pelas suas contínuas mudanças, suas centenas de divisões em seitas, não acreditam mais na presença real de Jesus Cristo na Hóstia Sagrada.

Lutero, menos tolo que seus netinhos, sempre acreditou nesta presença e se encarregou de responder, ele mesmo, as objeções de seus degenerados filhos.

Em uma carta a seu amigo Argentino (De euc. dis. I. art.), falando sobre o texto evangélico: "Isto é o meu corpo", ele diz:

"Eu quereria que alguém fosse assaz hábil para me persuadir de que a Eucaristia não contêm senão pão e vinho: esse me prestaria um grande serviço. Eu tenho trabalhado nessa questão a suar; porém confesso que estou encadeado, e não vejo nenhum meio de sair daí. O texto do Evangelho é claro demais"
(textus Evangelicus est nimis apertus).

O mesmo Lutero diz ainda: "Que me apresentem a sua Bíblia, e mostrem-me onde se acham estas palavras: "Isto é o sinal do meu corpo!" Uns torturam o pronome isto; outros apegam-se ao verbo é; um terceiro dilacera a palavra corpo; outros, enfim, tratam como algoz o texto inteiro"
(alli totum textum excarnificant - In Ap. Com. Dom. V. 17 p.100).

II - A negação desta verdade

Escutai o vosso pai, ó protestante, só este desvio e esta mudança são uma prova de que estais fora da verdade. A verdade não muda: O vosso ensino mudou e muda; está pois errado.

Escutai ainda Lutero a refutar a vossa ousadia: "A despeito de todos os meus desejos - diz ele - e de todos os meus esforços, jamais pude impelir o meu espírito a essa negação atrevida."
(Ep. Cor. amic.)

Em outra parte ele diz: "A negação da presença real é uma evidente blasfêmia, uma negação da veracidade divina". Ele chama aqueles que a negam:

"Um bando de miseráveis endiabrados".

Mas então, ó protestantes, qual é a vossa religião?
Não é a da Bíblia, pois a Bíblia diz o contrário.
Não é a de Jesus Cristo, pois o Cristo diz o contrário.
Não é a da IgrejaCatólica; ela também diz o contrário.

Donde vem a vossa religião?... donde?... se não vem de Deus, nem dos homens?
Donde vem? Respondei! Só sendo do demônio!

Pobres protestantes! A vós também o Cristo poderia repetir as palavras que dirigiu aos fariseus (S.João 43,45):

"Porque não podeis ouvir a minha palavra. Vós tendes por pai o demônio, e quereis fazer os desejos de vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio e não permaneceu na verdade, porque não há verdade nele. Quando diz a mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira. Mas a mim, quando falo a verdade, não credes."

Eis o que o Cristo vos brada... Ele afirma que está presente e vós O negais. Lutero, o vosso pai, apesar de seu desejo de negar este mistério, declara ser impossível fazê-lo, porque o Evangelho é claro demais! - entretanto, vós protestantes, tendes a ousadia de fazer tal negação! Só o demônio: Vos ex patre diabolo estis (ib.44)!

Refleti um pouco, e vereis que não há outra saída.

III - Os culpados do erro

Tenho dó e compaixão dos pobres ignorantes iludidos pelos pastores satânicos, que enganam por interesse ou orgulho; porém, sinto a indignação invadir-me contra aqueles que Lutero chama: um bando de miseráveis endiabrados.

Notai isso caros pastores! O epíteto não é meu; é um mimo do vosso pai Lutero!
... Vós, pastores ou sois ignorantes estupendos ou sois perversos, desvergonhados.

No primeiro caso, precisais estudar para conhecer a verdade; no segundo caso, é preciso criar sinceridade e não enganar os pobres cristãos, que fazeis apostatar, renegar a fé de seus pais, para adotar uma seita em que vós mesmo não acreditais, nem podeis acreditar.

Um homem inteligente não pode acreditar no protestantismo, porque é uma balburdia, um labirinto sem saída, uma pura negação.

Sois vós os culpados, ó pastores, vós que vos intitulais ministros, sem missão e sem autoridade. Vós que explicais a Bíblia, dizendo ao mesmo tempo que ela não precisa de explicação, porque é clara como a água cristalina. Sois vós os culpados!

Ó fariseus, sois bem aqueles mestres mentirosos, que introduzem seitas de perdição, dos quais predisse São Pedro (2. Pd. 2.1) e que depois, conhecendo o erro - pois é impossível que um homem de bom senso o não reconheça - sustentais este erro por orgulho ou por um sórdido interesse.

Se São Paulo ainda estivesse na terra, vos escreveria ainda com mais veemência do que escrevia aos romanos. (2,19-13):

Confiais, ó pastores, que sois guias do cegos e luz dos que estão nas trevas; instruidores dos néscios, mestres de crianças, que tendes a forma da ciência e da verdade da lei. Vós, pois, que ensinais nos outros, não vos ensinais a vós mesmos? Vós que pregai, que vos gloriais na lei, desonrais a Deus pela transgressão da lei.

IV - Quem tem razão

A Igreja Católica, apoiada sobre a palavra do Cristo, diz: Jesus Cristo está verdadeiramente presente na Eucaristia. O protestante hodierno diz: "O Cristo não está presente, porque eu digo que não está."; é a única razão da negação.

Qual dos dois terá razão: o Cristo-Deus ou o protestante revoltoso?

Vamos aqui examinar o fato, não somente com um texto, mas com uma série de textos, que o pastor (se ainda acredita na Bíblia) terá a bondade de verificar e de meditar, porque é uma página divina que vou citar aqui; devia-se lê-la de joelhos e em atitude de adoração.

Eis, em São João, os termos e que Jesus Cristo se serviu, falando a primeira vez deste grande Sacramento (6,48-59):

48 - Eu sou o pão da vida; vossos pais comeram o maná do deserto e morreram.
50 - Este é o pão que desceu do céu, para que o que dele comer não morra.
51 - Eu sou o pão vivo que desci do céu.
52 - Se alguém comer deste pão, viverá eternamente, e o pão que eu darei é a minha carne, para a vida do mundo.

Que clareza nestas palavras!...

Que quer dizer isso, ó pastor: Eu sou o pão vivo - o pão que eu darei é a minha carne?
É, ou não é, a carne do Cristo?
É ou não é o Cristo que será o pão que deve ser comido?...

Deixe de cegueira e compreenda a palavra de Deus. Deus sabia falar e compreendia a significação das palavras!... Ou o amigo quer dar ao Cristo uma lição de gramática ou de sintaxe?

V - Uma página divina

E não é só isso! ... Cristo continua, casa vez mais positivo e mais claro:

54 - Se não comerdes a carne do Filho do homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós.
55 - O que comer a minha carne e beber o meu sangue trá a vida eterna.
56 - Porque a minha carne é verdadeira comida, e o meu sangue é verdadeiramente bebida.
57 - O que come a minha carne e bebe o meu sangue fica em mim e eu nele.
58 - O que come...viverá por mim.
59 - Este é o pão que desceu do céu... O que come deste pão viverá eternamente.

Que página divina!

Oh! diga-me, caro pastor, trata-se aqui do corpo de Cristo feito pão para ser comido ou não? - Ou trata-se simplesmente de um pedaço de pão de padaria?...

Minha carne é comida - O que me come... Não é isso o próprio Jesus Cristo feito pão, para ser comido?
Como se pode interpretar isto de outro modo?

Ou o amigo não acredita na Bíblia, na palavra do Cristo, ou deve confessar que o Cristo se deu verdadeiramente como comida aos homens na Sagrada Eucaristia.

Então: ou rasgue a sua Bíblia, ou se faça católico!
Não há, logicamente, outra saída.
Protestante não pode ficar!
Ou ateu - ou católico.

Ou não acredite mais em nada, ou tem de acreditar no ensino católico!

VI - O Cristo e o protestante

O Cristo afirma, repete, reafirma e explica que o pão que Ele vai dar é o seu próprio corpo, - que seu corpo é uma comida - que o seu sangue é uma bebida - que é um pão celeste que dá a vida eterna. E tudo isso é positivo, repetido mais de 50 vezes, sem deixar subsistir a mínima dúvida, a mais leve hesitação.

E o infeliz pastor Nobre tem a audácia de dizer: O Cristo não está na Eucaristia!... O corpo de Cristo não é comida. Tudo isso é uma imagem, é uma representação, é uma ceia, onde se come um pedaço de pão em honra do Cristo.

Pobre, pobre protestante!... o sr. é um cego, ou um ímpio - ou é mais que o próprio Deus ou é Satanás!

O Cristo diz: Isto é o meu corpo.
O protestante exclama: Não, Senhor, é um pedaço de pão!

O Cristo ajunta: Minha carne é verdadeiramente comida.
O protestante objeta: Não, Senhor, este pão não é tua carne!

O Cristo completa: O que me come... viverá por mim.
O protestante insiste: Não, Senhor, não comemos a ti, e simplesmente um pedaço de pão!

O Cristo repete: O que come a minha carne fica em mim...
O protestante blasfema: Não, Senhor, não é a tua carne, porque eu não o quero; é uma ceia, uma simples lembrança!... Tu estás enganado, ó Cristo, não entendes a Bíblia... De tudo o que tu afirmas, nada é verdade.

Este pão do céu não existe.
Este pão não é o teu corpo...
Este vinho não é o teu sangue.
Teu corpo não é comida.
Teu sangue não é bebida.

VII - Pobre protestante

E, se o Cristo, num gesto de infinita compaixão para com o louco protestante, lhe perguntasse:
- Mas porque não o é? Eu, que sou Deus onipotente, eu digo que é, como podes tu dizer o contrário?
O protestante responderia:
- Não, este pão não é teu corpo; teu corpo não é comida... porque eu não o quero!

Pobre, pobre protestante!
Reflita um instante e compreenderá que está em revolta contra Deus.

O senhor faz da Bíblia um ídolo e o adora, desprezando as verdades que ela lhe ensina. Oh! como São Paulo teve razão quando escreveu aos romanos (I,21,22):

"Tenho conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus... antes se desvaneceram. Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos."

Ó homens de bom senso, cujo coração não está ainda obcecado, dizei-nos:

Quem tem razão: Nós católicos, que aceitamos a palavra de Deus em seu sentido óbvio, natural e positivo, ou o pobre protestante que a deturpa, violenta e rejeita?

Quem diz a verdade: Jesus Cristo que é Deus, ou o protestante, que é um revoltoso?

Quem conhece melhor a Bíblia: O Cristo, que afirma, ou o protestante que nega? Oh! deixe, de graça, pobre pastor, deixe de blasfemar contra Deus! Seja maometano, budista ou judeu, se quiser, renegando e insultando os ensinos do mesmo Cristo.

Um tal procedimento revolta o bom senso, a lealdade, a consciência humana.

Se o Cristo voltasse à terra, com que veemência Ele repetiria em frente das vossas casas de culto, dirigindo-se aos vosso falsos ministros:

"Ai de vós, fariseus hipócritas, que fechais aos homens o Reino dos Céus, porque nem vós entrais, nem deixais entrar aqueles que desejam." (Mat. 23,13)

"Ai de vós... hipócritas, porque percorreis mar e terra para fazer um prosélito, e depois de o ter ganho, o fazeis filho do inferno, duas vezes mais do que vós."(ib. 15)

Viva o Cristo: Só Ele possui a verdade! Abaixo os blasfemadores e protestantes, que, como judeus, beijam o Cristo na fronte para melhor atraiçoá-lO e vendê-lO!

Vai! O brasileiro é católico e não vende nem a sua fé, nem a sua alma!

VIII - Promessa da Eucaristia

Para não deixar subsistir a mínima dúvida a respeito da Sua presença real, na Sagrada Eucaristia, Jesus Cristo permite que haja oposição da parte dos judeus e escândalo da parte dos próprios Apóstolos.

As palavras que Ele acaba de proferir:
Minha carne é verdadeiramente comida. O que me come, vive por mim (João. VI. 56 e 58) são tão positivas e tão claras que os judeus não são iludidos.

Eles entendem que se trata verdadeiramente da carne do Cristo, que deve ser comida, e a prova é que se revoltam.

Como, dizem eles, pode este dar-nos a sua carne a comer? (ib. 6,53)
Jesus ouve, compreende, e sabe que os judeus vão afastar-se del'E por não poderem suportar uma verdade tão nova e tão inverosímil.

Retiram-se murmurando: É duro demais, quem pode ouvir uma tal linguagem! (Ib.61).
Até no meio de seus discípulos está se produzindo uma divisão: Desde então, muitos de seus discípulos o abandonaram e já não andavam com ele. (ib. 67.)

Que fará Jesus? Irá Ele buscá-los? Se fosse simplesmenste uma comparação, uma figura, um tropo, não devia Ele dissipar o equívoco?

Entretanto, nada disso!
Vira-se do lado dos Seus apóstolos, e num tom que não admite réplica. Ele pergunta á queima-roupa: E vós também quereis abandonar-me? (ib. 68).

É como dissesse: É a tomar ou a deixar! A verdade é esta, e não muda.

E foi nesta hora que São Pedro lançou o seu brado de fé: Senhor, para quem havemos de ir? Tu tens as palavras de vida eterna. E nós cremos e conhecemos que Tu és o Cristo, o Filho de Deus! (ib. 67,70)

IX - Crer ou blasfemar!

Como tudo isto é sublime! ... é divino!

É a cena da promessa da Eucaristia; não é a instituição ainda, porém se vê como Jesus preparava o espírito dos Seus apóstolos para a cena inaudita da instituição deste divino Sacramento.

Ó pobre protestante, seja sincero e diga-me: seria possível o Cristo ser mais claro e mais positivo?
E de outro lado, seria possível - seria o extremo do ridículo! seria possível o Cristo empregar palavras tão solemes, tão majestosas, para prometer-nos simplesmente um "pedaço de pão", que devemos comer em Sua lembrança?

Não sente, ó pastor, que seria indigno de Deus?! ... Fazer um tal discurso... expôr-Se a perder Seus discípulos fiéis... unicamente por causa de "um pedaço de pão"!

Não!... É impossível! Jesus Cristo fala aqui de Seu próprio corpo que deve na Sagrada Eucaristia, ser o alimento vivo das nossas almas. O erro é impossível... não há outra saída senão a revolta e a blasfêmia.

É o que fizeram os discípulos infiéis... é o que estais fazendo, pobres protestantes!
Crer ou blasfemar!

Não quereis crer na palavra divina... por isso blasfemas a mais sublime das invenções do amor de Deus, repetindo em pleno século da luz, o brado revoltoso dos fariseus do Evangelho: Como pode este dar-nos a sua carne a comer? Não é a carne do Cristo, é simplesmente um vulgar pedaço de pão!

X- A Instituição

O espírito dos apóstolos estava admiravelmente preparado para receber o DOM da Eucaristia. Por isso, na última ceia, não há mais nem discussão, nem contestação, nem admiração. Os apóstolos conhecem o Coração do divino Mestre; conhecem o Seu poder; sabem o que Ele vai fazer. Calam-se e adoram.

Leia as palavras da instituição, tudo é de uma simplicidade divina e de uma clareza mais divina ainda.

O dia está escolhido: é a véspera da morte do Salvador, em meio das ternuras lacerantes do adeus, neste momento, em que, ao se deixar aqueles que se ama, fala-se com mais coração e com mais firmeza, pois, estando-Se para morrer, não se explica ou interpreta mais as próprias palavras.

Neste momento, pois, num festim preparado com grande solenidade (Luc. 22,12), impacientemente desejado (ib.15) eis o que se passa:

Quando estavam ceiando, Jesus tomou o pão, benzeu-o e partiu-o, e deu-o a seus discípulos, dizendo: Tomai e comei, isto é o meu corpo, que é dado por vós. - Fazei esto em memória de mim! (ib. 19).

E, tomando o cálice, deu graças e o entregou a eles, dizendo: Bebei deste todos, porque isto é o meu sangue do novo testamento, que será derramado por muitos, para a remissão dos pecados (Mat. 26,27-28)

Que simplicidade e que precisão nos termos!... que ausência de frases: sente-se em cada palavra uma autoridade divina!

O original grego é mais forte ainda:

Isto é o meu corpo, meu próprio corpo, o mesmo que é dado por vós. - Isto é o meu sangue da nova aliança, o sangue derramado por vós em remissão dos pecados.

E no texto siriaco, tão antigo como o grego, e feito no tempo dos apóstolos, diz-se:
O que se nos dá  "é o próprio corpo de Jesus, seu próprio sangue".

Que simplicidade, ainda uma vez! Leia isso, pobre pastor, e veja se há jeito de dar a estes textos outro sentido senão o da PRESENÇA REAL do corpo e do sangue do Cristo, no pão e no vinho eucarísticos!

Se Jesus quisesse dar um simples sinal, Ele o teria dito. Ele usa de parábolas, de tropos ou similitudes, Ele o faz de modo que todos o compreendam. Aqui, sem nada explicar, nem antes, nem depois, Jesus diz: isto é o meu corpo.

Ó Jesus! que precisão! e ao mesmo tempo: que autoridade!
Quanto poder nestas palavras: - Lázaro sai do sepulcro! E Lázaro sai imediatamente.
Mulher, estais curada! E ela fica curada.
ISTO É O MEU CORPO! E esse é o corpo de Cristo!

"Estas palavras, diz Melanchton, um dos fundadores do protestantismo, têm o brilho do relâmpago, e o espírito nada pode objetar." (De verit. Corp. Christi in I Ep. ad Cor.)

Eis a verdade, meu caro pastor, a verdade clara, positiva, irrefutável, a verdade fulgurante como relâmpago, imponente como a majestade divina. Ainda uma vez - pois é a conclusão que se impõe: OU CRER OU BLASFEMAR! o aceitar a verdade católica, ou tornar-se um miserável ímpio.

Medite isso, e tenha a coragem de escutar a sua consciência e a voz de Deus, e de repetir com a Igreja: O Cristo está verdadeiramente presente no Santíssimo Sacramento do Altar!
Creio, Senhor, aumentai a minha fé!

XI - Uma conclusão necessária

Que tal, meu amigo Nobre, não basta ainda de textos da Sagrada Escritura, para provar as verdades que tem a ousadia de atacar?

Já citei uns vinte, que provam explicitamente que Jesus está verdadeiramente presente na Eucaristia. Podia ajuntar muitos outros, até perfazer um total de 100; porém, de que serviria a lista comprida e necessariamente fastidiosa de tantos textos a provar a mesma verdade?

A negação desta verdade prova clara e publicamente as seguintes verdades:

 - Ou que o pastor NÃO CONHECE a Bíblia.
- Ou que está de MÁ FÉ, conhecendo tais textos, e não lhes dando crédito.
- Ou que é ESCRAVO DO ESPEITO HUMANO, e não tem a coragem de voltar á Igreja Católica, na qual nasceu.
- Ou NÃO SABE o que está dizendo e, neste caso, não passa de um ignorante.
- Ou está agindo sob a influência de qualquer analfabeto ENDINHEIRADO; neste caso, é um vulgar vendido.
- Ou, enfim, está na BOA FÉ, e procura conhecer a verdade; neste último caso, conhecendo as verdades expostas nestas linhas, deve abraçá-las e voltar ao grêmio da Igreja verdadeira, que é a de São Pedro, ou de Roma.

O resultado há de mostrar a qual destas categorias pertence e qual o epíteto que merece.

*
*  *

Para completar a grande verdade exposta por São Mateus, São Marcos e São Lucas, vejamos uns textos do grande São Paulo, cujos escritos os protestantes tanto apreciam.

Para não abusar da paciência de ninguém citarei apenas alguns versículos da primeira Epístola aos corintíos. (11,23-30):

23 - Eu recebi do Senhor... que, na noite em que foi traído, tomou o pão.
24 - E tendo dada graças, o partiu e disse: Tomai, comei: isto é o meu corpo que será entregue por vós; fazei esto em memória de mim.
25- Do mesmo modo, depois de ceiar, tomou o cálice, dizendo: Este é a nova aliança no meu sangue, fazei isto, todas as vezes que beberdes, em memória de mim.
26- Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice, anunciais a morte do Senhor, até que venha.
27 - Portanto, qualquer que comer este pão e beber o cálice do Senhor indignamente, será culpado do corpo e do sangue do Senhor.
28- Examine-se, pois o homem a si mesmo, e assim coma deste pão e beba deste cálice.
29 - Porque o que come e bebe indignamente, come e bebe para si mesmo a sua própria condenação, não discernindo o corpo do Senhor.
30 - Por causa disto há entre vós muitos fracos e doentes e muitos que dormem (o sono da morte).

XII - Refutação do erro protestante

Vamos lá, agora, meu caro sr. Nobre, diga-me, com sinceridade:
Acredita na Sagrada Escritura, ou não acredita?

Qual é o sentido óbvio dos textos citados?
São Paulo diz com esta lógica que lhe é peculiar: Quem comer este pão...indignamente, será culpado do corpo do Senhor (I Cor. 11,27- e ainda no mesmo sentido:
o que come indignamente, como sua própria condenação, não discernindo o corpo do Senhor. (ib.29)

Que quer dizer isso?
Uma criança é capaz de responder.

São Paulo nos diz que, comungando indignamente, somos culpados do corpo de Jesus Cristo. Ora, como é que alguém pode ser culpado do corpo do Cristo, se este corpo não estiver no pão que come?

Comer pão da padaria, sem devoção e com a alma manchada pelo pecado, pode ser um crime?

É ridícula, caro pastor, uma tal asserção.
Para comer pão da padaria, é o bastante ter fome, nenhuma disposição se exige da parte da alma.

E como alguém pode comer sua própria condenação, engolindo um pouco de pão?
Tudo isso é o cúmulo do ridículo! e só um homem obcecado é capaz de sustentar um tal absurdo.

Aliás, São Paulo é positivo; e como para refutar de antemão as ímpias asserções dos NOBRE, ele ajunta e explica - É culpado do corpo do Senhor e come a sua própria condenação quem não discerne o corpo de Cristo de um vulgar pedaço de pão (ib27,29) e come este pão indignamente sem purificar a sua alma e o seu coração.

A gente só responde por aquilo que come. Se o crente tomar uma dose de mercúrio ou de estricnina, é culpado de ter tomado estes venenos; mas tomando simplesmente pão, não pode ser culpado de ter tomado veneno.

Prova que este pão celeste de que fala São Paulo, e de que tanto falou o próprio Jesus, é verdadeiramente o corpo do Cristo.

Por isso, conclui o Apóstolo: examine-se o homem para ver se está em graça com Deus antes de comer deste pão. A dúvida, é pois impossível! Ou é preciso rejeitar a Bíblia inteira e declarar-se ATEU, ou então aceitar esta verdade por ela cem vezes repetida, explicada e comentada.

Porém, lê-la, dizer que nela acredita, proclamar-se seu crente e negar uma verdade cristalina positiva e afirmada tantas vezes é uma inconseqüência de louco, ou então uma obcecação de ímpio.

Cuidado, pobres protestantes! Pobres vítimas do fanatismo cego, ignorante e interessado de uns homens sem consciência, que se intitulam "pastores" e que são, no dizer do Cristo, lobos devoradores, vestidos de pele de cordeiro, para mais facilmente iludir, enganar e perder as almas.

Queridos brasileiros, lembrai-vos que sois filhos de católicos - que fostes batizados na Igreja Católica, que é a única verdadeira - lembrai-vos que recebestes a fé católica com o leite materno, e talvez os vossos pais adormeceram para sempre, murmurando os doces nomes de Jesus e de Maria!

Vós teríeis a ousadia de desprezar e de renegar a fé destes pais queridos, para aceitardes o espírito de revolta, de ódio e de satânica cegueira de uns vendidos, de uns apóstatas, sem fé, sem crença e sem convicção? Eles ontem eram católicos e hoje se intitulam pastores protestantes, porque são pagos pelos americanos para fazerem propaganda e para semearem a desunião em nosso querido Brasil.

Aqui tendes mais uma prova insofismável da má fé e da ignorância supina destes pastores cegos. As verdades aqui expostas são irrefutáveis. Se tendes uma Bíblia, caros "leitores", procurai  verificar os textos citados, e dixei se, sim ou não, o Cristo está presente na Hóstia sagrada...

Convencidos, como o haveis de ficar, devereis confessar que os tais pastores andam errados, estão fora da verdade, e, em vez de ensinar-vos as verdades contidas na Bíblia, vos ensinam as idéias grotescas e ímpias de suas próprias cabeças...

Em vez de vos mostrarem o caminho do céu... vos levam ao inferno.

Refleti, caros amigos! o protestantismo, que é falso neste ponto, o é nos outros, como continuarei a prová-lo.

E convido, provoco mesmo, qualquer um destes pastores ignorantes e de má fé a refutar as teses aqui defendidas. Encarrego-me de desmascará-los imediatamente, e demonstrar, a nú, os seus chifres de demônio, ou então suas orelhas de lobo.

Viva, pois, o Cristo, o Salvador, o Pai querido, verdadeiramente presente na Eucaristia triunfador e vencedor de Seus blasfemadores e de Seus inimigos, os protestantes!

(Sol Eucarístico e trevas protestantes - Pe. Julio Maria)

PS: Grifos meus.
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