sexta-feira, 14 de maio de 2010

A moral

A moral


O homem deve fazer o bem e evitar o mal. Só assim ele se assemelhará de fato ao Pai que o criou, e poderá gozar d'Ele no céu. Só a prática do bem nos assegura a proximidade do sumo Bem, realizando o nosso destino.

Mas o homem precisa conhecer o bem que deve fazer e o mal que deve evitar. São as normas mesmas de sua vida. São os caminhos que deve trilhar, para chegar ao termo  a que se destina. É este o "caminho da vida", da única verdadeira vida - a vida eterna.

Noção de moral

1 - Dando ao homem capacidade para conhecer e querer o bem e o mal, Deus quer que o homem faça isto e evite aquilo. A vontade de Deus sobre o homem é a regra primeira de toda a Moral. Chama-se também a lei eterna. Tudo o que lhe é conforme é moral; tudo o que dela se afasta é imoral. É a regra suprema de bem e do mal.

2 - Para conhecer esta regra eterna Deus deu ao homem a razão. Não estando perturbada pelas paixões, nem desviada pelos prejuízos, a reta razão manifesta ao homem os ditames da Razão Eterna. É o meio natural que temos de conhecer o que quer de nós a vontade divina.

3 - Moral é um conjunto de regras que dirigem os atos livres do homem, de acordo com a reta razão e a vontade positiva de Deus.

4 - Para que um ato seja moral exige-se que o homem o pratique em pleno domínio de si mesmo. É necessário que conheça e decida o que faz, em perfeita consciência e deliberação. O ato moral é portanto, o ato consciente e voluntário. A ele chama-se - ato humano...

Moral natural

A Moral se divide em natural e revelada.

1 - A Moral natural regula os costumes pelos ditames da razão. A razão distingue o homem dos outros animais. Para permanecer na altura da própria dignidade, o homem deve seguir o que lhe dita a reta razão.

2 - Em vista, porém, do pecado original, é difícil o homem manter-se em equilíbrio. As paixões influem na razão, escurecendo-a, desviando-a. Vêm daí os perigos e a insuficiência da moral natural.

Moral revelada

A Moral revelada, que é a Moral Cristã, baseia-se na própria natureza humana. Mas Deus, vendo a impossibilidade de seguir o homem um caminho seguro, ditou-lhe leis, dando de modo positivo o que já tinha posto na própria natureza humana.

Submete o homem inteiramente a Deus, seu Criador, e lhe orienta a vida não para o prazer, ou para o interesse, ou para os outros homens (a sociedade), mas para o próprio Deus. Oferece uma recompensa ao bem e um castigo ao mal. É uma lei natural, divina e imutável.

Erros

Vários têm sido os erros a respeito da Moral, todos eles fáceis de percebermos.

1 - A moral do prazer ensina que tudo o que dá prazer é lícito.
2 - A moral do interesse ensina que é lícito tudo quanto é útil ao homem. Se a utilidade é comum a moral chama-se social.
3 - A moral científica acha que só a ciência pode impor aos homens normas de agir.
4 - Crítica

a) Nestas morais o homem traça normas a si mesmo, em vez de recebê-las de Deus.
b) Todas essas coisas - prazer, interesse, ciência - são variáveis; ao passo que a Moral é por si imutável.
c) Todas são também de livre escolha: ninguém é obrigado a procurar o prazer ou o interesse; ao passo que as normas da Moral são obrigatórias.

A verdade Moral

1 - A Moral Cristã é a única verdadeira. Consulta, por igual, a situação atual do homem e os seus destinos eternos.

Não se baseia na sensibilidade, no interesse ou na simples razão; inspira-se mais alto. Põe em Deus - Criador, Legislador, Juiz e Remunerador - toda a autoridade. Crer em Deus e admitir outra moral é absurdo.

2 - Deus manifestou positivamente a Sua vontade. É a Moral Revelada.

Nenhuma atende tão perfeitamente às necessidades humanas, porque nenhuma corresponde tão bem à natureza do homem. Reconhece que o homem foi feito para a felicidade: mas esta não se encontra no prazer e sim na alegria de uma boa consciência. Prega o amor do próximo e o bem social, mas sem assentar nisto as bases da moral, - mesmo porque a moralidade é pessoal, e a pessoa anterior à sociedade.

Imutável nos seus princípios, tem vencido todos os tempos, aplicável a todos os povos e situações.

Para viver a doutrina

1 - Temos as normas da vida traçada por Deus. Assim temos a certeza de que agimos conforme a vontade de Deus, quando cumprimos os Mandamentos.

2 - O espírito do mundo introduz princípios facilmente aceitos pelos próprios cristãos. Incautos, eles os vão absorvendo insensivelmente. O desejo imoderado de gozar a vida, a procura desabalada do conforto, a busca ao que traz proveito, o abandono do que não apresenta vantagens práticas são outras tantas manifestações das condenadas morais do prazer e do interesse. No entanto, são muito correntes, ainda entre cristãos que querem viver a sua fé. Precisamos acautelar-nos.

3 - Grave perigo é julgar que certas coisas são permitidas, porque estão em uso. Antigamente podiam ser proibidas, e mesmo deviam, porque o mundo não estava preparado. Mas hoje já evoluímos muito - dizem. O que viola a lei de Deus é condenado em todos os tempos e para todos os homens.

4 - Devemos dar muitas graças a Deus pelo dom da revelação. Sabemos o que devemos fazer. Temos normas seguras e absolutas. Firmes em trilhá-las, podemos ficar tranqüilos de estar no caminho da vida.

5 - Há muitos povos que ainda deconhecem a Moral revelada. E as trevas do paganismo envolvem uma grande parte da humanidade. A obra das Missões é um dever para nós, a fim de que brilhe para os pagãos a luz do Evangelho.

(Excertos do livro: O caminho da vida, do Pe. Álvaro Negromonte)

PS: Itálicos do autor, negritos meus.
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