quarta-feira, 19 de maio de 2010

Aggredere! Aprende a agir!

Aggredere! Aprende a agir!



Para formar um caráter, não basta renúncia "Abstine", nem perseverança, "Sustine". É preciso, ademais, a ação corajosa da vontade ativa: o "Aggredere". A sorte favorece aos audaciosos. - Conheço jovens que não têm dificuldade alguma em praticar a renúncia e a perseverança, mas que não gostam do trabalho ativo, positivo. Não é a perfeição. Por "moço de caráter" não entendemos o covarde que baixa a cabeça e não sai do seu canto.

A renúncia está longe de ser fácil, e a vida cristã absolutamente não consiste num repouso calmo e tranqüilo: é, antes, uma atividade transbordante. Não denominamos nós a felicidade celeste de "vida celeste"? A nossa religião não tem só mandamentos que nos dizem o que não devemos fazer, - tem outros que nos mostram o que devemos fazer. Portanto: "Aggredere!" - "Age!"

Dizem que a sorte tem um pulso de ferro que pode abater o universo. Não importa! Porque tu, tu tens uma alma que te pode fazer mais perseverante, mais resistente e mais maleável que todo o mundo material.

"Se queres ação, é pôr-lhe a mão", diz o provérbio. A lâmina de aço verga, mas resiste. E quem então lhe deu essa maleabilidade e solidez extremas? Foi a têmpera de fogo, o ardor das chamas.

A vida humana não é mais que uma teia de pequenos acontecimentos. Considerados um a um, parecenm bem insignificantes, mas, no fundo, é deles que é feita a vida toda. O maior edifício não é mais que um amontoado de pequenas pedras; a mais longa vida não é mais que uma seqüência de miúdos acontecimentos; e as maiores quedas morais começaram por pequenos desvios.

Não as temamos pois, essas grandes quedas morais, se nos soubermos pôr em guarda contra as pequenas faltas. - Que é que faz cair as pessoas na rua? Não são as grandes pedras, que elas exnvergam de longe; é uma sementezinha de fruta que lhes falseia o pé.

"Irritam-me tanto com todas essas "coisinhas!", exclamam não raro os jovens, e por esse termo "coisinhas" entendem todas as pequenas ordens que recebem e a que não ligam nenhuma importância.

Entretanto, é coisinha não se ajustarem as rodas duma esplêndida máquina, coisa de apenas um centímetro? É coisinha se, no violino, tomas somente meio tom mais alto do que seria mister? É coisinha se, em alemão, aplicas a conjugação fraca a um verbo forte? Pergunta aos que entendem de cavalos, que enorme diferença de preço pode haver entre dois desses animais de igual raça, igualmente impetuosos, de cor igual, se um tem apenas uma pequena, uma pequenina mancha branca na testa.

As mais pequenas coisas têm, do mesmo modo, grandíssima influência na vida moral... Muitas vezes, também, a perda de um jovem não começa senão por pequenas falhas, nem inocentes em aparência.

Na escola, desobedece um ponto do regulamento, - mente uma ou duas vezes para desculpar sua preguiça, - vai brincar com maus colegas em vez de fazer seus exercícios, - isso não é coisa tão horrorosa! Porém as ações repetidas, cedo se tornam hábitos; as boas, bons hábitos; as más, maus hábios.

No início, a consciência exprobra-lhe o abandono dos bons princípios para agradar a maus condiscípulos, - mas "é tão bom estar com eles!". E desde a terceira, desde a quarta vez, já se tornou tão fácil isso de ceder ao desleixo, tão cômodo abafar a voz da consciência!

(Excertos do livro: O moço de caráter - A juventude católica - Dom Tihamér Tóth)

PS: Grifos meus.
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