sábado, 13 de março de 2010

Ela esperava ...

Ela esperava...


O nascimento de seu primeiro filho, aquecida a alma por monólogos com a esperança. Sentada junto à mesa, a jovem mãe tricotava os casaquinhos para seu bebê. Jovens mães ficam então conversando com o filhinho. E dizia assim a mãezinha do caso:

- Filhinho, você vai me desculpar muita coisa. Não tenho caminha rica para você. Nem vestidos muito bonitos. Mas a lã que eu escolhi para fazê-los é a mais macia que encontrei. Não quero que seu corpinho fique maltratado. Escute, bem pode ser que um dia da torneira continue correndo a água porque não temos quem venha consertá-la... suas roupinhas mamãe é que lavará. Não posso ter lavadeira. Contudo, filhinho, uma coisa eu tenho para lhe dar... para embelezar sua infância. Tenho... meu tempo. Meu tempo, ouviu, bem? Será todo seu...

Família leitora, quanta criança tem tudo e não tem o tempo de sua mãe, traduzido em presenças e carinhos! Hoje muitas mães correm cedinho para seus empregos. Querem trazer mais um ordenado para a casa. Nem sempre esse ordenado faz falta. Para outras a presença, as ocupações em casa lhes parecem insignificantes e vazias. Confiam os filhos a pajens, a jardins de infância. Pouco contato existe com eles.

E aquela mãezinha não enveredou por este caminho no seu monólogo. Prometeu ao nascituro que jamais iria correr, de um lado para o outro, em busca de ordenados. E até assegurou-lhe restrições na modesta casa, para em nada roubar o tempo ao filho. Garantiu-lhe que, já crescido, de volta para a casa sempre a encontraria esperando-o. Perto dele sentar-se-ia, quando tivesse que preparar as tarefas para a escola.

O primeiro Pai-Nosso você aprenderá de meus lábios” – prometeu a cristã...
À tarde, ao voltar o marido, disse-lhe a esposa:
- Nosso filhinho vai ser muito rico...
- Mas com a riqueza que temos? Com o pouco ordenado que recebo?
- Meu bem, riqueza não depende de dinheiro. Depende do coração...

Aí está um monólogo que pede resposta a muita mãezinha, remissa em vários pontos. Dar tempo ao filho... Que moeda valiosa, mas tão rara, hoje! Família ouvinte, sejamos francos. O tempo parece que existe mais para os de fora, para a vida social, divertimentos, compromissos secundários. Para os filhos, sobretudo pequenos, em muitos casos apenas as sobras. Tudo isso é contra os planos do Criador e da representação de sua paternidade e providência confiada aos pais e as mães...

(Excertos do livro: Mundos entre berços – Pe. Geraldo Pires de Souza)

PS: Grifos meus
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