segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Tenhamos Compaixão das Pobres Almas! - Aos leitores & Declaração (Parte I)


Nota do blogue: 
 Acompanhe esse Especial AQUI.

Tenhamos Compaixão das Pobres Almas!
30 meditações e exemplos sobre o Purgatório e as Almas
por Monsenhor Ascânio Brandão

Livro de 1948 - 243 pags
Casa da U.P.C.

Pouso Alegre


AOS LEITORES...


Um historiador francês publicou trabalho curio­so e interessante sobre as velhas e tocantes tradições religiosas da França. Numa obra intitulada “Les Rouleaux des morts”, M. Leopold Delisle lembra um velho costume da piedade católica medieval:

“Houve outrora na Idade Média, piedoso costu­me entre os Monges. Era o rôlo dos mortos. Que sig­nifica isto? Não havia então como hoje as facilida­des da via férrea, do avião, do telégrafo e do tele­fone. Dificílimas e longas as comunicações. O zelo pelos mortos inventou o rôlo. Era um grande perga­minho escrito à mão onde em cada Mosteiro se escre­viam os nomes dos Monges falecidos. E um piedoso Irmão leigo chamado o‘rotuliger’, partia a pé em caminhadas longas a rezar o De profundis e a me­ditar na morte. Ao chegar à porta de um convento da Ordem, batia e mostrava ao Abade o rôlo: — ‘Re­zai pelos mortos e escrevei aqui o nome dos que pas­saram desta para a vida eterna, para que rezemos todos por eles. Tende compaixão das pobres almas!’.

E ali se inscreviam no pergaminho os nomes dos falecidos Monges, mais recentes.

E o rotuliger seguia a viagem após um breve descanso. E assim se foi estabelecendo em toda Eu­ropa tão piedoso e santo costume”.

Havia de ser impressionante ouvir-se o rotuliger clamando à porta dos mosteiros e pelas estradas: Ten­de compaixão dos fiéis defuntos! Lembrai-vos dos mortos! Rezai pelos mortos!

Pois, meus leitores queridos, com este livro quero ser o rotuligerdos fiéis defuntos. Quero bradar à porta de todas as paróquias, de todos os conventos, colégios e comunidades, quero bradar à porta de to­das as famílias católicas: Tende compaixão das po­bres almas! Tende compaixão das pobres almas! Re­zai pelos fiéis defuntos! Quero seja este livrinho o rôlo dos mortos e o seu Autor o “rotuliger das almas”. Notei, sempre edificado, a devoção da nossa gen­te pelas santas almas do purgatório. Há com ela mui­ta superstição, é verdade, e o espiritismo tem explo­rado o culto dos mortos de uma forma dolorosa, apro­veitando mesmo a inclinação da nossa gente e o sen­timentalismo do brasileiro pelos mortos. Creio, e dis­to estou convencido pela experiência, que a verda­deira devoção às santas almas do purgatório, bem compreendida e bem praticada, será o melhor remé­dio a este mal, o melhor combate a esta praga espírita entre nós. Talvez seja mesmo a ignorância deste dog­ma tão racional, no dizer de José De Maistre, a causa da propaganda espírita tão avassaladora entre nós. Por todos os títulos a devoção às santas almas do pur­gatório é necessária e oportuna. Vamos, pois, a esta obra de caridade sem igual. E, permitam-me que como o rotuliger das pobres almas, vá bradando sem­pre por aí afora com meu livrinho: Tenhamos compaixão das pobres almas! Rezai pelos fiéis defuntos! E, meus leitores, um pedido final: em vossos sufrá­gios não vos esqueçais de minha alma, si um dia vos chegar a notícia de minha morte.

Mons. Ascânio Brandão




DECLARAÇÃO


Na doutrina, procurei evitar questões mais sutis e curiosas, que edificantes e de proveito para os fiéis. As opiniões dos Santos Doutores e Teólogos seguros, foram as sobre as quais me firmei para estimular os fiéis na de­voção às santas almas. Entretanto, como na doutrina do purgatório, a Igreja tem pouca coisa definida em matéria de fé, tudo o mais fica aos doutores, aos teólogos e ao testemunho muitas vezes invocado das revelações particula­res bem provadas e muitas delas sujeitas a rigoroso pro­cesso canônico para averiguação da verdade. Ainda assim procurei os autores mais abalizados e seguros, evitei nar­rações legendárias e duvidosas, e procurei as mais garan­tidas, edificantes e impressionantes.

Todavia, si alguma coisa aqui se encontrar que possa estar em desacordo com a boa e sã doutrina ou com qual­quer determinação da Santa Igreja Católica Apostólica Romana, desde já humildemente quero ter a glória de me submeter à minha Mãe a Santa Igreja, da qual sou filho obediente e em cuja fé quero viver e morrer.

O AUTOR
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