domingo, 3 de novembro de 2013

CONFORMIDADE COM A VONTADE DE DEUS - Parte 2

Nota do blogue: Grifos e negritos meus. Acompanhe esse Especial AQUI.

CONFORMIDADE COM A VONTADE DE DEUS


Composto por
Santo Afonso de Maria Ligório 
e publicado na língua portuguesa pelo 
Revmo. Padre Thomaz Hurst
1913

II.

Tem sido sempre este o fim que os Santos todos tem levado em vista: a con­formidade com a vontade de Deus. Conhe­cendo muito bem que, nisto consistia a pu­reza da alma. O beato Henrique Suso, disse: «Deus não quer que nos abundemos em luzes espirituais, mas sim que em tudo nos con­formemos com a Sua divina vontade.» E Santa Tereza: «Tudo o que se deve pro­curar no exercício da oração, é a conformidade da nossa vontade com a vontade di­vina, tendo por certo, que nisto consiste a maior perfeição

«Aquele que for mais superior nesta prática, receberá maiores mercês de Deus, e fará os maiores progressos no caminho da perfeição.» A Beata Stephania de Soncino, religiosa da Ordem de S. Domingos, sendo arrebatada em espírito e levada ao Céu em uma visão, viu algumas pessoas que conhecia e que tinham morrido colocadas entre os Serafins, e lhe foi dito que tinham sido exaltadas a tão alto grau de glória, em consequência de sua conformidade com a vontade de Deus, enquanto estiveram sobre a terra: e o beato Suso, que acima mencionamos, falando de si mesmo, exclama: «Eu antes queria ser o mais vil inseto que se arrasta pela terra, pela vontade de Deus, do que ser um Serafim por minha vontade

Nós devemos neste mundo aprender dos Santos, que estão no Céu, à maneira de amar a Deus. O amor puro e perfeito que os Bem-aventurados no Céu tem para com Deus, consiste em uma perfeita união da Sua à divina vontade. Se os Serafins entendessem ser esta vontade, que eles levantassem montes de área sobre as praias do mar, por toda a eternidade, ou que arrancassem erva nos jardins, eles o fariam com o maior prazer e gosto. E mais ainda: se Deus lhes significasse que seriam queimados no fogo do inferno, eles desceriam imediatamente ao abismo, para cum­prirem a vontade divina. E é o que Jesus Cristo nos ensina a pedir, que se faça a vontade de Deus na terra, como os Santos o fazem no Céu. (S. Mat. VI. 10.) Nosso Senhor chama a David «um homem segundo o meu coração, porque cumpriu todas as minhas vontades.» (Atos, XIII. 22.)

David sempre estava pronto a abraçar a divina vontade, como ele mesmo declara. «O meu coração está pronto, oh! meu Deus, o meu coração está pronto.» (Ps. LVI. 8.) E tudo quanto ele pedia ao Se­nhor, era que lhe ensinasse a cumprir a Sua divina vontade: «Ensinai-me a fazer a Vossa Vontade.» ( CXLII. 10)

Um ato de perfeita uniformidade com a vontade divina, basta para constituir um Santo. Veja-se S. Paulo: no tempo em que era o perseguidor da Igreja, foi iluminado e convertido por Jesus Cristo: e depois como procedeu? Que disse? Tudo quanto fez foi oferecer-se à divina vontade, di­zendo: «Senhor, que quereis Vós que eu faça?» (At. IX. 6.) E o Senhor lhe decla­rou, que seria um vaso de eleição e o Após­tolo dos gentios.» (Atos IX. 15.) Aquele que entrega a Deus a sua vontade, entrega-Lhe tudo. Quem dá seus bens em esmolas, seu corpo às disciplinas, e seu alimento ao jejum dá uma parte do que possui: mas aquele que entrega a Deus a sua vontade, dá tudo, e pode dizer: «Senhor eu sou pobre, mas eu vos dou tudo quanto possuo, dando-vos a minha vontade, e nada mais tenho que vos dar.»

É isto só que Deus espera de nós: «Filho, diz Ele a cada um de nós, dai-me o teu co­ração.» (Prov. XXIII. 26.) isto é, a tua vontade; nós, diz Santo Agostinho, não po­demos oferecer a Deus coisa que mais agradável Lhe seja, que dizer-Lhe: «Senhor, tomai posse de nós: nós vos entregamos a nossa vontade, fazei-nos saber o que exigis de nós, e nós o cumpriremos.»

Se, pois queremos dar um grande prazer a Deus, devemos conformar-nos com a Sua divina vontade; mas não só conformar-nos, porém unirmo-nos aos Seus mandados; con­formidade, expressa a união da nossa com a vontade de Deus; mas uniformidade quer dizer mais, quer que a vontade divina e a nossa seja uma só: de maneira que não de­vemos desejar, senão o que Deus deseja e quer. É esta a maior perfeição à qual de­vemos aspirar: este deve ser o objeto de todas as nossas ações, de todos os nossos desejos, meditações e orações. Para isto devemos pedir o socorro do nosso Anjo da guarda e Santos, nossos advogados, e sobre tudo a proteção da Santíssima Mãe de Deus, a qual é a mais perfeita entre todos os Santos, e porque foi quem mais perfei­tamente abraçou a vontade divina em todas as ocasiões.
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