sexta-feira, 1 de novembro de 2013

A Mãe segundo a vontade de Deus/ IV- Instrução religiosa; sua necessidade

Nota do blogue: Acompanhe esse especial AQUI.

A Mãe segundo a vontade de Deus ou Deveres da Mãe Cristã para com os seus filhos, 
do célebre Padre J. Berthier, M.S
Edição de 1927


IV- Instrução religiosa; sua necessidade

Nada mais acrescentamos acerca da instrução intelectual, porque não é essa a que hoje mais escasseia. Os pais que a não receberam na sua mo­cidade, lamentam vivamente essa falta; os que a receberam, por sua própria experiência lhe reconhe­cem as vantagens, e todos à porfia a querem procu­rar para seus filhos.

Mas há uma outra espécie de instrução, sobre que devemos mais insistir, porque é mais necessária, e mais desprezada que a instrução intelectual: que­remos falar da instrução religiosa.

É a mãe obrigada em consciência a dar ou a mandar dar a seu filho uma instrução cristã? Não hesitamos em responder: É; é a isso obrigada, é esse um dos mais graves e dos mais sagrados dos seus deveres. Em quantas passagens dos nossos san­tos Livros, reitera Deus aos pais a ordem de instruir os seus filhos nas verdades e nas práticas da reli­gião? «Instruí vosso filho para que ele vos não leve ao desespero» está escrito no livro dos Provérbios. E noutra parte: «Instruí vosso filho, e educai-o com cuidado, afim de que vos não cubra de confusão». E ainda num outro sítio: «Instruí vossos filhos, e desde a sua mais tenra idade, vergai-o sob o jugo da lei de Deus». Os santos doutores, intérpretes da palavra divina, dizem aos pais, com S. João Crisóstomo: «Não te esforces em fazer do teu filho um sábio, mas fá-lo instruir, de forma a fazer dele um cristão. Vós sois, ó pais, os apóstolos de vossas famílias, perten­ce-vos governá-los e instruí-los». Os vossos lábios são os livros onde os vossos filhos devem encontrar o conhecimento dos seus deveres de cristãos.

«Sem a fé, disse o grande Apóstolo, é impossí­vel agradar a Deus» e, por conseguinte, sem ela, é impossível à criança viver da vida da graça. Mas como terá fé essa criança, se não foi instruída nas verdades reveladas? Além disso, a fé sem as obras, é morta, e incapaz, por conseguinte, de abrir o Céu a ninguém. É pois necessário que a criança, ao mesmo tempo que aprende as verdades da fé, seja formada na prática dos deveres, que ela impõe. Mas a quem pertence dar o conhecimento da verdade, e dos costumes virtuosos, senão a seus pais, e sobretudo a sua mãe? Encarregada de fornecer aos filhos o pão de cada dia, não o é também a mãe de lhe ensinar a doutrina santa? Ela, que é o guia, desde o berço, para os costumes da vida, não tem também o dever de formá-lo para a vida sobrenatural e di­vina? Se ela deixasse de cumprir esta nobre tarefa a criança seria ordinariamente condenada a morrer na ignorância; porque, como se sabe, o pai não tem muitas vezes zelo, senão para os interesses terrestres e mortais. Mas num século em que a fé se não alimenta, senão com dificuldade, mesmo nas almas mais seriamente instruídas, sendo, como é, atacada pelos discursos e pelos livros ímpios, que nos aparecem de toda a parte, que seria da criança, que não tivesse recebido educação religiosa? Cegas são, pois, as mulheres, que não procuram dar a seus filhos, senão a ciência do mundo, e os conhecimentos pro­fanos; como se a ciência da salvação não fosse a única necessária, e como se o conhecimento de Deus não fosse de todos o mais nobre, e o mais estimável. Mães insensatas, que não compreendem, que a im­portância exclusiva dada hoje à instrução científica e literária, não forma senão homens enervados e viciosos, isto é, muito maus cidadãos. Esta observa­ção é de um homem a quem a experiência revelou as chagas do nosso século[1]. 

Só a instrução reli­giosa é capaz de fazer homens virtuosos. Assim o compreenderam todas as santas mães cristãs, que deram eleitos ao Céu. S. Francisco de Sales, não sabendo ainda ler, sabia já todo o catecismo, «por­que M.me de Boisy, sua mãe, escreve M. Hamon, ao mesmo tempo que lhe ensinava o alfabeto, se apli­cava ainda mais a dar-lhe a inteligência das santas verdades, por meio de claras explicações e de varia­das comparações; e a inspirar-lhe o espírito da lei de Deus, isto é o amor e o temor filial; enfim a ex­plicar-lhe a prática por seus exemplos, e por suas palavras.» A mãe de Santa Rosa de Viterbo estava atenta a vigiar o primeiro despertar da inteligência de sua filha, para a virar para Deus. E, para que objetos piedosos fixassem os primeiros olhares desta criança, tinha cuidado de rodiar o seu berço de imagens e de estátuas.

Todos os dias Virgínia Bruni consagrava uma hora inteira a explicar o catecismo a seus filhos. Mesmo muito doente, encontrava no zelo materno bastante força e energia, para exercer sem interrupção, este piedoso ministério. À quem insistia com ela, para tratar da sua saúde : — «O meu primeiro dever, respondia, é instruir meus filhos, e este dever não cessarei de o cumprir, até ao meu último suspiro.»

Nota:
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[1] «Coisa deplorável, acrescenta ele: as estatísticas dos hospitais e das prisões da Europa demonstram que as enfer­midades, a alienação mental, o suicídio e os outros crimes aumentam com a instrução e o pretendido progresso das luzes (Doutor Descureis).
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