sexta-feira, 15 de novembro de 2013

CONFORMIDADE COM A VONTADE DE DEUS - Parte 8

Nota do blogue: Grifos e negritos meus. Acompanhe esse Especial AQUI.

CONFORMIDADE COM A VONTADE DE DEUS


Composto por
Santo Afonso de Maria Ligório 
e publicado na língua portuguesa pelo 
Revmo. Padre Thomaz Hurst
1913

VIII.

Quão loucos são aqueles que desejam a saúde, não só para não sofrerem, mas para mais poderem servir a Deus, observando as regras, assistindo em comunidade, indo à Igreja, recebendo a Sagrada Comunhão fazendo penitências, trabalhando, ouvindo confissões e pregando! Mas, pergunto eu, porque desejais vós fazer essas coisas? Para agradar a Deus? Para que procurais vós agradar-Lhe nessas coisas, quando conheceis que Lhe não é agradável a prática de vossas ordinárias devoções, comunhões, peni­tências, estudos ou sermões; mas sim que suporteis com paciência as dores e enfer­midades que Ele foi servido mandar-vos? Uni pois vossos padecimentos aos de Jesus Cristo. Porém é-me penoso ser inútil e pesado à comunidade. Conformai-vos com a vontade de Deus, e persuadi-vos que vossos superiores estão resignados a ela, vendo que servis de peso à comunidade, é pela vontade de Deus, e não por preguiça vossa. Vossos desejos e mortificações, não procedem do amor de Deus, mas sim do amor próprio, que procura pretextos para se desviar da vontade divina. Se desejarmos agradar a Deus, quando nos acharmos do­entes e de cama; basta repetir estas pala­vras: «Senhor seja feita a vossa vontade» por cujas palavras agradaremos mais a Deus, que por todas as devoções e mortificações que nos seja possível oferecer-Lhe.

Não há me­lhor caminho no serviço de Deus, do que aquele que nos conduz a abraçar a Sua vontade com alegria. O venerável padre Ávila (Epíst. 2) escreveu a um sacerdote que estava enfermo: «Amigo, não vos inq­uieteis com o bem que poderíeis fazer, se estivésseis bom, mas contentai-vos de conti­nuar doente todo o tempo que Deus quiser. Se procurais a vontade de Deus, indiferente vos deve ser o estar mal ou de saúde.» E certamente assim o podia dizer, porque as nossas obras não glorificam a Deus, mas sim a nossa resignação e conformidade à Sua santíssima vontade.

Daqui diz também S. Francisco de Sales, que Deus é mais bem servido por nossos padecimentos, do que por nossas fadigas.

Em muitas ocasiões os médicos, ou os remédios faltam, ou o médico não percebe a moléstia. Em tal caso devemos unir-nos à vontade divina, que tudo isto dispõe para nosso maior bem. Conta-se de um devoto de S. Thomaz de Cantuaria (L. 5. C. 1.), que estando doente, fora à sepultura do Santo para recuperar a saúde. Melhorou pois, e voltou ao seu país; porém então pensou consigo mesmo: se a minha enfer­midade fosse vantajosa para a minha sal­varão, que uso poderei fazer da saúde? Neste pensamento, voltou ao sepulcro do Santo, e lhe suplicou que rogasse a Deus para que lhe concedesse o que melhor contribuísse para a sua salvação; depois do que, recair com a mesma doença, e ficou perfeitamente satisfeito, persuadindo-se que Deus o afligia para seu maior bem. Surio relata o mesmo de um cego, que tinha recobrado a vista pela intercessão de S. Vedasto, bispo, mas depois pediu que se a vista lhe não era proveitosa à alma, queria tornar a ser cego; e tendo feito esta súplica, novamente se achou cego como dantes. Portanto, ou estejamos enfermos ou sãos, não devemos pedir, nem a saúde, nem a moléstia, porém entregarmo-nos inteira­mente à divina vontade de Deus, que é quem dispõe de nós como lhe apraz. Mas, se pe­dirmos a saúde, seja ao menos pedida com resignação, e expressa condição de que a saúde do corpo não seja prejudicial à sal­vação da alma, de outro modo nossa súplica seria defeituosa, e não seria ouvida, porque Deus só ouve aquelas rogativas, que são acompanhadas de resignação.
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