terça-feira, 26 de novembro de 2013

Princípios da vida de intimidade com Maria Santíssima - Parte 4


"Antes de distribuir ao gênero humano os frutos da redenção, 
Deus os derramou todos em Maria."

Padre Júlio Maria, 
Princípios da vida de intimidade com Maria Santíssima

Já que a Santíssima Virgem deve ser unida ao Salvador, na hora da salvação do mundo, qual é exatamente o seu papel nesta obra?

Ela é, como o proclamam todos os Santos, a tesoureira e a distribuidora de todas as graças, isto é, que antes de distribuir ao gênero humano os frutos da redenção, Deus os derrama todos sobre Maria.

Redempturus humanum genus, diz muito bem S. Bernardo, proetium universum contulit in Mariam... Totius boni plenitudinem posuit in Maria.

Todos os dons sobrenaturais distribuídos com profusão ao comum das criaturas, diz Mons. Gay, (1) antecipadamente Deus já os tinha acumulado nela conforme lhe convinham...

Além disso, ele derrama incontinente sobre esta criatura tão perfeita, o oceano todo inteiro dos seus dons sobrenaturais.

Exceto a graça da união hipostática, reservada á Humanidade santa e da qual Maria não recebe sinão reflexos, ela possui todas as outras graças, Deus lhe concede tudo...

Virtudes teologais, morais, intelectuais, dons do Espírito Santo, frutos que ele produz na alma dos justos, felicidade que ele criou para eles, formas múltiplas, matizes variados, energias diversas de união com Jesus, poderes e operações diferentes que disso resultam, graças que constituem os estados, graças fundando ou acompanhando as missões, nada lhe falta, pois ela possui tudo em abundancia.

Maria SS. Possui tudo isso em uma medida que só ela é capaz e que foi desde o principio a plenitude desta capacidade.

Finalmente basta-nos dizer que Jesus pertence á Maria.

Ora, Jesus é a plenitude da graça personificada.

Inumeráveis são os testemunhos dos Santos Padres e Doutores sobre este ponto importante.

O Beato de Montfort cita a este respeito um certo número e resume as principais idéias conforme o que segue: “Deus Pai, fez um conjunto de todas as águas ao qual chamou mar e fez uma agregação de suas graças a que deu o  nome de Maria.”

“Este grande Deus possui um tesouro ou um armazém imensamente rico, onde Ele acumula tudo que há de belo, de resplandecente, raro e precioso, até seu próprio Filho; e este tesouro imenso não é outro senão Maria, que os santos chamam tesouro do Senhor, de cuja plenitude os homens são enriquecidos.

“Deus Filho comunicou á sua Mãe tudo o que ele adquiriu por sua vida e morte, seus méritos infinitos e suas virtudes admiráveis e fê-la tesoureira de tudo que seu Pai lhe deu como herança.

É por ela que ele aplica seus méritos aos seus membros, que ele comunica suas virtudes e distribui suas graças; é seu canal misteriosos, é seu aqueduto, por onde ele faz passar abundante e docemente as suas misericórdias.

“Deus Espírito Santo comunicou á Maria, suas fiel Esposa, seus dons inefáveis e escolheu-a para a dispensadora de tudo o que Ele possui”.

Acrescentemos ainda a estes testemunhos as belas palavras do Doutor Angélico: “Maria, diz ele, foi cheia de graça para as distribuir sobre todos os homens. É muito para um santo ter uma graça tão abundante pela qual ele possa salvar um grande número de almas, mas possuir a graça suficiente para salvar todos os homens, seria o maior grau, e este grau se encontra no Cristo e em Maria”. (2)

No Cristo como fonte.

Em Maria como canal, diz S. Bernardino de Senna: - Plenitudo gratiae fuit in Christo sicut in Capite influente, in Maria vero, sicut in collo transfundente. (3)

Porque esta plenitude em Maria?

Por causa de sua dignidade de Mãe de Deus e de Mãe dos homens. Como Mãe de Deus ela recebe para si mesma. Como Mãe dos homens ela recebe para dar.

“O fim e a função da maternidade, diz o P. Lhoumeau, (4) são de dar primeiramente a vida, e em seguida o que é necessário para sustenta-la e conserva-la.

Mas como ela é Mãe de todos os homens, é para todos igualmente que ela obtém e distribui a graça”.

Em Maria, por consequência de sua união íntima com Jesus Cristo, esta união é de certo modo uma graça capital, pois ela possui a excelência a plenitude que convém á Mãe e medianeira universal de todos os homens.

Mais uma última observação, e esta é a conclusão deste capítulo.

A Santíssima Virgem não é somente a tesoureira e a distribuidora das graças divinas porém todas as graças que ela distribui se encontram nela... ela as possui todas e é de sua superabundância que nós recebemos. Plena sibi, superplena nobis...

Ela distribui aquilo de que está repleto.

Com efeito, a graça, como o diremos nos capítulos seguintes, não é uma substancia que possa existir em si mesma, é um acidente que necessariamente deve ter um suporte.

A graça não existe em si mesma, e não pode existir senão em uma alma, deve pertencer a esta alma, do mesmo modo que a cor, por exemplo, pertence a um objeto que é dela revestido.

Compreendeis para onde estas considerações nos conduzem: Todas as graças dadas aos homens, antes de lhes serem dadas ornaram a alma de Maria, estiveram em Maria, fizeram parte de Maria... E é desta superabundância que todos nós recebemos – De cujus plenitudine nos omnes accepimus.

Ó Virgem! Ó Mãe! Mostrai-vos aos nossos olhos, em toda vossa glória e em todo o poder de vossa graça, pois nós não nos conhecemos bastante. É verdade que vós sois muito elevada e que nós rastejamos tão baixo. Mas vós sois nossa Mãe e não deve o filho amar sua mãe e, por conseguinte, conhece-la?...

(1)    Mgr. Gay: “Conf. Aux meres chrétiennes”.
(2)    Comment. De “Ave Maria”.
(3)    Serm. P. 2. Conclus 61 art. 2 Cap. X.
(4)    La Vie Spirituelle Ch. II.
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