sexta-feira, 8 de novembro de 2013

CONFORMIDADE COM A VONTADE DE DEUS - Parte 5

Nota do blogue: Há muito tempo que eu não me encontrava tão perfeitamente dentro de um texto... louvado seja Deus por que Sua misericórdia é imensa... é paciente. Um Deus que insiste diante da teimosia de um verme?! Sim... como Deus é bom e infinita é a Sua misericórdia. Dai-me, meu Deus, a graça de gravar essa lição em minha alma e por ela e nela Lhe amar com totalidade, desapego e assim encontrar a paz.

Indigna escrava do Crucificado e da SS. Virgem,
Letícia de Paula

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Grifos e negritos meus. Acompanhe esse Especial AQUI.

CONFORMIDADE COM A VONTADE DE DEUS


Composto por
Santo Afonso de Maria Ligório 
e publicado na língua portuguesa pelo 
Revmo. Padre Thomaz Hurst
1913

V.

Os Santos, por sua uniformidade com a von­tade divina, gozavam de um Céu sobre aterra.

Os antigos padres, diz Santa Dorotéia, conservavam em si uma paz constante, porque recebiam tudo como vindo da mão de Deus. Santa Maria Madalena de Pazzi ao ouvir somente as palavras — vontade de Deus —, ficou tão consolada que se extasiou de amor. A diversidade, sem dúvida, causa pena e dor em nossos sentidos, mas isto só tem lugar na parte inferior, porque o espírito, que é a parte superior, deve ser todo tranquilidade e paz, estando a vontade unida à de Deus: «O vosso gozo, disse o Senhor aos Seus Apóstolos, ninguém vo-lo tirará, e será completo.» (João XIV. 22 24.)

Aquele que está sempre em uniformida­de com a divina vontade, goza de uma paz inteira e perpétua: inteira, porque ele tem tudo quanto deseja, como acima dissemos: perpétua, porque ninguém o pode privar de tanto prazer, assim como ninguém pode obs­tar ao que Deus quer.

O padre João Thaulero, segundo o padre Sangiore (Tirar. Tom. III. ), e o padre Nieremberg (Vita. Div.), conta de si mesmo, que tendo por muitas vezes pedido a Deus que lhe ensinasse o caminho da vida espiritual, ouviu um dia uma voz que lhe dizia, que fosse a certa igreja, e ali acharia a pessoa que procurava. Ele se dirigiu à dita igreja, e à porta da mesma encontrou um miserável mendigo, descalço e roto, a quem saudou, dizendo: «Bons dias, irmão.» O pobre lhe respondeu: «Não me lembro de ter passado um só dia mau, senhor.» O padre replicou «Deus vos dê uma vida fe­liz»; ao que ele lhe tornou: «Eu nunca fui infeliz, acrescentando: Padre, não foi o acaso que me fez responder-vos que nunca tive um dia mau: porque, se tenho fome, louvo a Deus; quando cai neve ou chove, eu O bendigo; se alguém me despreza, me despede ou me aflige, ou se encontro ou­tra qualquer tribulação, dou sempre graças a Deus. Disse-vos que nunca fui infeliz, falei a verdade, pois que me tenho acos­tumado a conformar-me com a vontade de Deus, sem reserva; assim, tudo quanto me acontece de bem ou de mal, eu o recebo de Suas mãos com alegria, como se fosse a minha melhor sorte, e isto me torna feliz.

E se Deus quisesse, disse Thaulero, a vossa condenação, que havíeis de dizer? — Se tal fosse a vontade de Deus, respondeu o pobre, eu com humildade e amor me abra­çaria com Nosso Senhor, e me lançaria de tal modo com Ele, que quando me quisesse precipitar no inferno, o obrigaria a ir ali comigo, e me acharia então mais feliz com Ele no abismo, do que gozando das delí­cias do Céu sem Ele. — Onde achastes a Deus? perguntou o padre: — Achei-O onde deixei as criaturas. — Quem sois vós? — Eu sou um rei. — Onde é o vosso reino? — Na minha alma, onde conservo a ordem: as minhas paixões obedecem à razão, e a minha razão obedece a Deus.» Por fim Thaulero lhe perguntou o que tinha feito para se adiantar na perfeição. «Guardei silêncio, respondeu o mendigo: ser silencioso com os homens em ordem a falar com Deus; e na união que tenho conservado com a vontade de meu Senhor, tenho achado e acho toda a minha paz» Tal era, em uma palavra, este pobre homem, pela sua uniformidade com a vontade divina: Ele na sua pobreza era seguramente mais rico de que todos os monarcas da terra, e mais feliz em seus padecimentos, que todos os mundanos no gozo de todos os prazeres. Quão grande é a estupidez daquele, que resiste à vontade divina! Forçoso é sofrer tribu­lações, porque ninguém se pode subtrair ao cumprimento dos divinos decretos. Quem resiste à Sua vontade? (Rom. IX. 19) E sofre-lás-ão sem fruto, e também trarão sobre si maiores castigos na vida futura, e maior ansiedade na presente quem jamais lhe resistiu, e obteve paz? (Job. IX. 4) Se o homem enfermo se queixa de suas do­res e enfermidades, se o que é pobre la­menta a sua sorte perante Deus, e se enfu­rece e blasfema; que lhe resulta senão o aumento de suas aflições? «Que procuras tu, oh homem, diz Santo Agostinho, quando procuras bens? Procura o único bem, no qual se encerram todos os bens.» Que procuras tu exceto Deus? Procura-O, e acha-O; une-te e liga-te a Ele, à Sua vontade, viverás feliz nesta e na outra vida.
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