sexta-feira, 25 de junho de 2010

Educação do espírito

Educação do espírito


Mais cedo do que seria de esperar, chega o momento em que é preciso dar às crianças alguma resposta sobre o belo, o bem e a verdade, sobre os problemas de Deus, a alma, a morte e o além. Mécs conta que "a mãe pôs diretamente na sua boca infantil o nome de Deus". Mas também o mal desperta na criança antes do tempo.

O primeiro fulgor da inteligência, o primeiro balbuciar das palavras são o momento oportuno para fazer compreender alguma coisa acerca  de "Aquele que está mais alto que as estrelas". As crianças têm uma sensibilidade especial para o que é santo. É o momento de falar do Menino Jesus e as ensinar a rezar com as palavras e com o coração.

A mãe de São Clemente Hofbauer, pouco depois do falecimento do pai, colocou a criancinha diante de uma cruz e disse-lhe: "Desde agora, este será teu pai!" Ao longo da sua vida, nunca o santo esqueceu essas palavras.

Em qualquer época e para qualquer idade, os santos são os modelos eternos. São Francisco de Sales conta que, na infância, ouvia ler à sua mãe as vidas dos santos e Santa Teresa ficou tão impressionada ao conhecer as hagiografias que, sendo ainda uma criança, fugiu da casa paterna para ir a terra de infiéis e ser martirizada. Erna Haider (1916-1924) venerava com fervor o seu anjo da guarda e todas as noites lhe confessava as suas faltas.

As crianças compreendem com maior facilidade as vidas dos santos e fixam-nas melhor do que se se tratasse de uma doutrina profunda. Surge nelas o pensamento de que devem fazer como eles ou melhor: eu posso fazer como eles.

Hoje em dia, fala-se muito de educação e, no entanto, talvez nunca, como hoje, ela tenha sido estabelecida em bases tão deficientes. Constrói-se sobre a areia em vez de construir sobre rocha firme.

Eduquemos as crianças como filhos de Deus, como cristãos que o são de coração e não apenas de nome e conseguir-se-á o mais importante. Nada pode substituir a fé: e sobre esse fundamento poderão crescer harmonicamente as forças do corpo e da alma. Depois de ter ensinado a evitar o pecado, venerar a Deus e amar a virtude, pouco mais falta fazer.

Estas palavras, porém, tornaram-se tão vulgares que é preciso enchê-las de um sentido novo e profundo. Devemos aprender outra vez que é algo de verdadeiramente grande o conhecer a Deus, orar e orientar a vida segundo a vontade divina. Também aqui se aplicam as palavras do Senhor: "Buscai primeiro o reino de Deus e o resto vos será dado por acréscimo".

Eis o motivo por que a mãe deve pedir para si e para o seu filho o espírito de fortaleza a fim de não se curvar perante a fraqueza da criança e poder conduzi-la com pulso firme como um piloto através da tempestade. Eis o único fundamento necessário para o futuro e nunca o filho se esquecerá dele. De modo expressivo diz De Maistre:

"Se a mãe considerar como seu primeiro dever fazer o mais depressa possível o sinal da cruz na fronte do filho, poderá ter a certeza de que nunca esse sinal se apagará por obra do pecado".

(A Mãe, Cardeal Mindszenty)

PS: Grifos meus
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