quarta-feira, 25 de setembro de 2013

A Mãe segundo a vontade de Deus - IX- Do convento

Nota do blogue: Acompanhe esse especial AQUI.

A Mãe segundo a vontade de Deus ou Deveres da Mãe Cristã para com os seus filhos, 
do célebre Padre J. Berthier, M.S
Edição de 1927


IX- Do convento

Fénelon escreveu acerca da educação das meni­nas, um livrinho, cuja leitura muito recomendamos às mães cristãs. Prova aí que é sem razão que os pais desprezam algumas vezes essa porção tão inte­ressante da sua família. A menina de hoje será amanhã esposa e mãe; terá uma grande missão a cumprir, missão que exige uma preparação séria, uma educa­ção primorosa, começada cedo e confiada a mãos seguras. O que deve animar as mães a cultivar, com o maior cuidado, o espírito e o coração de suas filhas, é que elas só nas mães encontrarão docilidade, gosto pela piedade, e inocência; e nelas aparecerá duma forma mais sensível e mais cedo o fruto do zelo maternal.


Nas aldeias fica ordinariamente a cargo das mães a educação das filhas, visto que não podem estar na escola, senão uma pequena parte do dia. Já o disse­mos, e de novo o repetimos: um colégio de meninas não parece oferecer vantagens aos filhos do lavrador. É certo que a instrução é tão necessária a estas crianças, como a todas as outras; mais do que nin­guém, nós deploramos a ignorância de certas mu­lheres do campo, visto que, não sabendo ler, estão condenadas a não poderem instruir-se, senão com muito trabalho, nas verdades da religião, e a nada poderem ensinar a seus filhos. Mas quereriamos, que a educação que recebem, fosse proporcionada às suas necessidades, e que não bebessem com essa instrução uma vaidade balofa, e o horror pela vida simples da sua condição.

Felizmente em muitas aldeias há estabelecimen­tos de religiosas, que, sem darem a suas casas o tí­tulo de colégio de meninas, e sem exigirem o apa­rato dos demais colégios, ensinam a suas alunas a praticar as virtudes cristãs, ao mesmo tempo que as instruem em tudo quanto é necessário saber, na sua condição. Uma mãe poderá entregar com confiança as suas filhas em tão caridosas mãos.

Quanto às meninas duma classe mais elevada, depois que tiverem crescido, sob a proteção ma­terna, será bom que se afastem de sua família. Posto que a educação feita toda inteira, pela mãe, ou sob a sua direção, seja a melhor[1], não é possível fazer-se hoje, à parte algumas raras excepções; é a opinião de Fénelon: — «O mais seguro partido para as mães é confiar aos conventos o cuidado de educa­rem as suas filhas, porque muitas vezes não têm as luzes necessárias para as instruir, ou se as têm, não as fortificam com o exemplo dum comportamento sério e cristão, sem o qual as mais sólidas instruções não fazem a menor impressão; porque tudo quanto uma mãe pode dizer a sua filha, é aniquilado pelo que ela lhe vê fazer». Fénelon acrescenta: «Temeria um con­vento mundano, ainda mais do que o próprio mundo. Se um convento não é regular, a vossa filha aí verá a vaidade com todas as honras, o que é o mais sutil dos venenos, para uma jovem; ouvirá falar do mundo, como dum paraiso encantado, e nada faz mais penosa impressão que essa imagem enganadora do século, que se olha de longe com admiração, o cujos prazeres se exageram, sem patentear todas as suas amarguras. Se, pelo contrário, o convento é verdadeiro, se aí se cumprem à risca os preceitos evangélicos, uma jovem de condição vive aí numa profunda ignorância do século[2]». Tudo lhe falado afastamento do mundo, e da vaidade das suas festas; as máximas mundanas não ferem os seus ouvidos; nada encontra que fira a pureza do seu olhar; os livros perigosos não caem ao alcance das suas mãos. O seu espírito alimenta-se com as verdades da fé, que lhe são anunciadas frequentemente; o seu cora­ção sustenta-se com as doces e pacíficas emoções da piedade. Tendo sempre sob os olhos o espectáculo das virtudes religiosas, a menina volta-se natural­mente para elas. Enfim prepara-se admiravelmente para a vida séria e retirada que deve ser a duma mulher cristã. — «Se tememos que as preceptoras religiosas, por não terem bastante experiência do mundo, se deixem guiar por vistas estreitas, inspi­rando às crianças uma delicadeza exagerada de cons­ciência, nada disso é para recear, porque não é hoje que os excessos se devem temer, por esse lado, es­creve M. Guinouilhac. A vivacidade própria da idade, o fogo das paixões nascentes, o instinto da vaidade, os apegos do mundo, tudo isso deve contribuir para reprimir as delicadezas excessivas de consciência. Além disso há geralmente mais sabedoria, mais ma­dureza de espírito nas almas formadas na meditação séria das verdades evangélicas, e dos deveres parti­culares do seu estado, do que nas mulheres do mundo».

Já no seu tempo, S. Jerônimo, numa carta que dirigiu a Lseta, nobre viúva romana, depois de lhe ter traçado um plano de educação para a filha, con­tinuava assim: — «Pedis-me, sem dúvida, o meio de seguir todos os conselhos que vos dou, vós, cuja casa deve estar aberta a toda a gente... Pois bem, não vos encarregueis duma tarefa que sois incapaz de levar a cabo; mas desde que vossa filha possa dispensar os vossos cuidados, mandai-a para Belém, para que sob os olhos de Paula, sua avó, e Eustóquia, sua tia, seja educada no asilo sagrado dum claustro, e cresça no meio do casto coro das virgens de Jesus Cristo. Só ai lhe inspirarão o gosto da virtude, o horror à mentira e o desprezo do século; aí viverá a vida dos anjos. Vale mais, para vós, sofrer as saudades da ausência, do que viver sempre em sustos, guardando-a em vossa casa[3].

Será agora necessário prevenir as nossas lei­toras contra o sistema de educação secundária, recentemente inventado para as meninas? Os alar­mes do episcopado católico e os aplausos dos jornais anti-religiosos bastante nos tem revelado esse perigo. Pense o que pensar Mr. Duruy, nunca uma mulher cristã, que durante quinze ou dezessete anos, abri­gou com atenta solicitude a sua filha, como uma flor tenra e delicada, contra o sopro capaz de murchar o seu brilho e de esgotar o seu perfume, se resignará a expô-la imprudentemente, na idade dos desmandos e das ilusões, a todo o pernicioso vento das doutrinas, e talvez ao ar envenenado do sensualismo e da incredulidade... Pela mesma razão também uma mãe segundo a vontade de Deus não irá confiar suas filhas, desde a infância às aulas dum liceu, onde de certo lhes não vão falar de Deus.

Terminemos este parágrafo, com esta sábia obser­vação do imortal arcebispo de Cambrai: «Se uma menina, ao sair do convento, passa numa certa idade, para a casa paterna, em que abundam as recepções, nada haverá mais terrível que semelhante surpresa.» Uma mãe, tirando a filha de mãos reli­giosas, a que tinha entregue este depósito sagrado, guardar-se-á de a pôr logo em evidência; só pouco e pouco lhe deve descobrir o mundo, tendo todo o cuidado em lhe fazer notar o nada e a loucura dele,
afim de a prevenir contra as seduções do século.

Notas:
___________________

[1] Quando as mães são o que devem ser. 
[2] Fénelon 
[3] S. Hier. Epis. ad Laetam.
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