segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Rainha Branca de Castela e o Rosário

Por Elaine M. Jordan
Traduzido por Andrea Patrícia

Coroação de Luís VIII e Branca de Castela – 1223

A Rainha Branca de Castela (1187-1251), a esposa do Rei Luís VIII, estava profundamente triste porque ela ainda não tinha filhos após 12 anos de casamento. Quando São Domingos de Gusmão foi vê-la, ele aconselhou-a a rezar o terço todos os dias para pedir a Deus a graça da maternidade. Ela seguiu o seu conselho fielmente. Em 1213, ela deu à luz seu filho mais velho, Filipe, mas a criança morreu na infância.

O fervor da Rainha não foi de modo algum embotado por essa decepção. Pelo contrário, ela procurou a ajuda de Nossa Senhora, mais do que nunca. Ela tinha distribuído um grande número de Rosários para todos os membros da corte e também para as pessoas em várias cidades do Reino, pedindo-lhes para se juntar a ela rogando a Deus por uma bênção que desta vez seria completa.


Em 1215, ela deu à luz a São Luís, o príncipe que viria a ser a glória da França e o modelo de todos os Reis Católicos. Ele usou sua coroa terrena sem reproche, e assim ganhou uma coroa celestial cuja glória nunca se apagará.

Esta história foi relatada em um livro de exempla Mariano [1], o Ulm Rosary Handbook, escrito por Alanus de Rupe em 1483. Mais tarde, São Luís de Montfort iria repetir a história em seu livro O Segredo do Rosário, para incentivar a oração do Rosário.

Se o Rei Luís foi um Rei católico exemplar, sua mãe Branca de Castela foi o modelo de Rainha Católica piedosa, forte. No livroMarried Saints [Santos Casados] (p. 110-128), lemos que ela combinou o gênio para governar com as melhores qualidades da maternidade: "Com a morte prematura de Luís VIII, o reino enfrentou uma crise uma vez que Luís era apenas um menino de 12 anos. A Rainha Branca governou o reino como regente por oito anos - 1226-1234 - com sabedoria e vigor até que ele pudesse ser coroado como Luís IX. Ela frustrou repetidamente as tramas dos barões contra seu filho, e entrou em guerra contra os nobres quando necessário, para preservar a unidade do reino. Ela foi muito mais inteligente do que eles e, finalmente, conseguiu fazê-los respeitar sua autoridade.

"Branca levou Luís com ela em suas campanhas militares, e fê-lo sentar-se ao lado dela nos conselhos de Estado. Isto deu a ele treinamento na arte de governar, pois ele aprendeu não só através de preceitos, mas através da demonstração ocular. Branca não se contentou em treinar seu filho para ser um rei, ela o instruiu também nos caminhos da santidade. Ela ensinou-lhe a fé católica e a devoção, e incutiu-lhe o costume de rezar, que ele nunca abandonou.

"Desde os seus primeiros anos, ela se esforçou para impressionar a sua mente sensível com o valor da santidade. Ela costumava dizer-lhe: 'Eu preferiria vê-lo morto a saber que você deve viver para cometer um pecado mortal."

A confiança que São Luís IX tinha em sua mãe é óbvia: quando ele pegou em armas na guerra santa contra os sarracenos, no Egito, ele fez Branca A Rainha regente da França. Em sua partida, ele disse à sua mãe: "Deixo os meus três filhos para a senhora guardá-los. Deixo este reino da França para a senhora governá-lo. Verdadeiramente eu sei que meus filhos vão ser bem guardados e o reino bem governado”.

A Rainha Branca realmente suprimiu rebeliões e de fato ampliou o poder da dinastia francesa. Em 1249, enquanto o seu filho estava na Cruzada, ela completou a absorção do sul da França para o Reino e fez alianças vantajosas. Como resultado, o Reino da França ficou mais próximo da aparência que tem hoje.

Original aqui.
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Notas da tradutora:

[1] Exempla: palavra em latim que designa o conto moral para exemplificar uma questão.
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