terça-feira, 15 de outubro de 2013

A QUEM PERTENCEM OS FILHOS?



Parece inútil esta pergunta. Os filhos, direis, são dos pais e especialmente da mãe. Não é a mãe que os traz durante tanto tempo no seu seio? Que os nutre com seu próprio sangue e com seu leite e os considera como uma coisa única consigo mesma? 

A mãe começa a amar a sua criatura antes mesmo que ela comece a alegrá-la com seus amáveis sorrisos. 

Um filósofo antigo fez esta pergunta: Quem é que mais ama os filhos, o pai ou a mãe? A mãe, responde ele, porque ela os traz à luz com dores indizíveis. 

Certamente a mãe vê em sua criatura uma parte de si mesma. E assim, parece que à pergunta: De quem são os filhos? - pode-se responder: - os filhos são da mãe. E, contudo, isso não é exato. Pois então, de quem são? São de Deus. Eis aqui a demonstração: Vede o que acontece com a morte. Por maior que seja o amor de uma mãe para com a sua criatura, ninguém a conserva em casa depois de morta. 

Quão comovedor é o fato contado por Manzoni no seu  livro "PROMESSI SPOSI", daquela mãe que leva em seus braços o corpúsculo inerte da própria filha! Veste-a de branco, beija-a e ela mesma coloca-a no carro fúnebre para que a levem ao cemitério. Por quê? Porque com a morte a alma separou-se do corpo e todos sabem o que acontece quando a alma se separa do corpo. 
Lembrai-vos ainda, quando pela primeira vez estreitastes vosso filho em vossos braços? 

Quão grande a vossa ventura ao contemplar aquele pequenino ser, ao vê-lo abrir os olhinhos e fixarem-se pela primeira vez nos vossos, ao ver despontar em seus lábios o primeiro sorriso, ao sentir seus bracinhos em redor de vosso pescoço!

Que é que tornava tão amáveis aqueles olhos e aquele sorriso? A alma. Com a alma há vida, amabilidade, alegria: sem alma, morte e corrupção. Mas de onde procede a alma? Sabemos o que fez o Senhor quando criou o primeiro homem. Tomou o barro e fez uma estátua: - eis a parte que em nós tem a matéria - e depois sobre aquele rosto de terra soprou o espírito, a alma, a vida. E assim estava criado o primeiro homem. Pois bem! De quem procede a alma? De Deus. Não é, certamente, uma parte ou uma emanação da alma dos pais. É uma criação imediata de Deus o qual a tira do nada por um ato de sua onipotência no momento em que forma o primeiro núcleo do corpo da criança. A alma, pois, é a parte principal do filho; sem ela, não é mais que um cadáver. 

Ainda mais, o corpo, quanto à substância de que está formado, pertence a Deus. Um artista conhece a obra de suas mãos, mas os pais, que sabem da formação de seus filhos? De quantos ossos consta o es-queleto humano? Quantos ossos há em um pé ou em uma mão? Quantas vértebras formam a espinha dorsal? De quantos tecidos está formado o olho? O aparelho digestivo? 

Nenhum sábio do mundo foi capaz de colocar asas num mosquito ou fazer um fio de erva e quereis que uma mãe que não sabe nem de que elementos se compõe o pão que come, seja capaz de formar um ser como a criança que é um milagre portentoso do poder divino? 

Miguelângelo cobriu-se de glória por ter esculpido o Moisés; mas, que é um Moisés de mármore em comparação com uma criança viva? 

De modo que, o filho é de Deus, não somente quanto à alma, mas tam-bém quanto ao corpo. E ainda há mais. O filho, além de ser homem é também cristão. E, portanto, não recebeu de Deus somente o corpo e a alma: recebeu também por meio do Santo Batismo a graça santificante, isto é, amizade de Deus. E este  dom é tão grande e tão superior à vida natural que a inteligência humana jamais chegará a  compreendê-los. 

Pois então, direis, o que fica para a mãe? 

A mãe é sempre a pessoa mais querida e agradável; o filho deverá amá-la, respeitá-la, venerá-la e nunca fará para ela coisa alguma que seja demais.

Restará sempre à mãe a glória de ter sido íntima cooperadora da onipotência divina para dar a vida a um ser humano,e por isso deveis compreender bem como era necessário que o matrimônio fosse não somente um ato civil, mas ao mesmo tempo um SACRAMENTO, para elevar a mulher a tão alta dignidade.

A mãe será sempre uma terra fértil na qual Deus deposita a se-mente fecunda da espécie humana, semente que ela nutre com seu próprio sangue, e com seu leite e que mediante inúmeros sacrifícios leva até a sua formação total. Os filhos, pois, são de Deus,e a Deus pertencem e se Ele os quer para si, para seu serviço, a mãe não pode negá-los sem cometer um delito. Este pensamento de que os filhos são de Deus poderá também consolar as mães necessitadas que temem uma prole numerosa, já que poderão dizer apertando o filho nos braços: MEU TESOURO! 

O BOM DEUS QUE TE CRIOU PENSARÁ TAMBÉM EM TI!

Trecho do livro MATERNIDADE CRISTÃ – PE. HUMBERTO GASPARDO
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