sábado, 20 de fevereiro de 2010

Feminismo: Cancro na alma feminina

Feminismo: Cancro na alma feminina

Trechos do livro de Elisabeth Badinter - dita como escritora feminista e filósofa

"A continuidade dos cuidados mútuos altera a pureza inicial dos sentimentos e a autoridade da família do marido é um jugo insuportável."
(G.Mongrédien, Les précieux et les précieuses, Paris, Mercure de France, 1939, p. 149-150.)

"Uma bela dama que enterrou com honra seus sogros, avós, e madrasta... quando se acredita livre de um mal, cai em outro. Teve de lastimar a velhice, agora lastima a juventude fecunda e demasiado abundante, que a fez mãe e a sujeita a cada ano a um novo peso, a um perigo visível, a uma carga importuna, a dores indizíveis e a mil conseqüências desagradáveis. Mas é preciso sofrê-las sem dizer palavra: a idéia do dever predomina sobre todas as outras e condena todos os momentos de indiferença que se possa ter..."
 (Michel de Purê)

Ridículas talvez para todos os que não toleram que se deseje deixar a condição original, essas primeiras feministas são comoventes, como todos os autodidatas. Sua inabilidade não impediu a propagação de algumas de suas idéias. Nos meios que se pretendiam refinados, os homens mudaram sensivelmente de atitude para com suas esposas ou amantes. Os valores familiares tradicionais perderam seu peso, embora essas preciosas tenham tido inimigas acerbas entre as que pensavam que: "a virtude escrupulosa determinava que uma dama não soubesse fazer outra coisa senão ser mulher de seu marido, mãe de seus filhos e senhora de sua família e de seus escravos". (Texto do Grand Cyrus, tomo X)

Elas tiveram também adversários renitentes entre os burgueses, tão bem descritos por Molière, apegados aos valores tradicionais: os Sganarelle, Gorgibus ou Chrysale "que consideram as mulheres apenas como as primeiras escravas de suas casas, e proibiam às suas filhas ler outros livros afora os que lhes serviam para orar a Deus".

Essas mulheres precisaram de muita coragem e perseverança para ler os livros proibidos. Não que arriscassem grande coisa ao desafiar as proibições, mas haviam recebido uma educação tão medíocre, para não dizer nula, que nos surpreende sua ambição intelectual. E, finalmente, a sua realização.

Pais e maridos, porém, não viam com tão bons olhos essa avidez de cultura. Como não podiam eliminar-lhe a causa, tudo fizeram para minorar-lhe os efeitos. Do fim do século XVI a meados do século XVIII, a maior parte dos homens, e os mais eminentes deles, uniram-se para tentar, com um mesmo discurso, dissuadi-las de seguir esse caminho. De Montaigne a Rousseau, passando por Molière e Fénelon, conjuram-nas a voltar às suas funções naturais de dona-de-casa e de mãe.
 
O saber, dizem eles, estraga a mulher, distraindo-a de seus deveres mais sagrados. É preciso reconhecer que preciosas e cultas faziam pouco caso da economia doméstica e deixaram fama de execráveis donas -de-casa. G. Faniez descreve-as como sendo cada qual mais desinteressada de sua casa.
 
Madame de Rambouillet era incapaz no lar, como Madame de Sablé, que não deixou quase nada  aos filhos. O marechal de Coligny tomou da mulher a direção da casa, e conta-se que Marie de Montauron, filha de um célebre financista, só usava seus dez dedos para segurar seus mapas...

Os exemplos nesse sentido são numerosos, sendo impossível negar que Chrysale tenha razão: a ciência das mulheres prejudica muito o bom andamento da casa. Armande, Bélise ou Philaminte não discordariam. Mas Armande respondeu antecipadamente a todas essas diatribes desde a primeira cena das Fetnmes savantes. Suas palavras resumem a ideologia feminista de suas companheiras. Comparando as alegrias do casamento com as da filosofia, o elogio desta última não se faz sem a condenação do primeiro. À mulher casada no espírito tradicional, ela diz:

"Desempenhais no mundo um pequeno papel, entre as coisas da casa vos emparedando, e sem imaginardes prazeres melhores que o ídolo do esposo, e os fedelhos dos filhos!"

Ela aconselha à reticente Henriette entregar-se antes ao Espírito:

"Case-se, minha irmã, com a filosofia, que nos eleva acima de todo o gênero humano e dá à razão o império soberano."
Armande e Philaminte não escondem suas ambições e sua vontade de poder. Esperam que o saber as eleve à posição dos homens e lhes dê o mesmo prestígio. Talvez até queiram mais do que a igualdade dos sexos. Há espírito de revanche nessas mulheres, como se esperassem que o poder intelectual castigasse os homens pela tradicional sujeição feminina

(Retirado do livro: Um amor conquistado: O Mito do Amor Materno - Elisabeth Badinter)
PS: Grifos meus
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