terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Ser e parecer unidos

Ser e parecer unidos



Um dos problemas mais graves da educação é o do bom entendimento entre os educadores. A criança começa por desconcertar-se quando se choca com a desinteligência entre os que têm por missão guiá-la. Depois, tendo percebido a falha em que seu capricho possa infiltrar-se, disso se aproveita ao máximo com enormes riscos para a sua formação.

Eis algumas regras que os jovens esposos jamais deveriam inflingir:

1 - Nunca discutiremos diante dos nossos filhos. Se, como em todos os lares (é preciso ser realistas), há momentos - que esperamos sejam os mais raros e mais breves possíveis - em que nos entendemos menos bem, buscaremos nos explicar a sós, nunca diante de testemunhas.
2 - Jamais trocaremos censuras diante das crianças.
3 - Jamais nos contradiremos diante das crianças, sobretudo a respeito delas.
4 - Jamais um autorizará às escondidas o que o outro proíbe.
5 - Jamais tomaremos um dos nossos filhos por confidente de nossos desgostos mútuos.
6 - jamais faremos alusão aos defeitos, e com mais razão ainda, ás faltas, um do outro.
7 - Jamais um dirá alguma coisa que venha a ser prejudicial ao respeito e ao afeto das crianças relativamente a um ou a outro.
8 - Jamais diremos a uma criança: "Sobretudo não contes a mamãe!" ou "Não digas nada ao papai!"
9 - Teremos positivamente o cuidado de reforçar a nossa autoridade mútua em todas as circunstâncias.

Guardai-vos de deixar transpirar o menor sinal de desunião entre vós, a menor divergência no modo de tratar vossos filhos; cedo, eles se aperceberão que podem servir-se da autoridade da mãe contra a do pai, e vice-versa; resistirão dificilmente à tentação de se aproveitarem dessa disparidade para a satisfação de todas as suas fantasias;

Contradizer-se diante de uma criança a seu respeito, é nela falsear a noção do bem e do mal, pois, que para ela - por isso mesmo criança - o que é bem pe o que os pais permitem, e o que é mal é o que proíbem. Não há nada como isso para desorientar uma consciência infantil.

Nada mais ridículo e mais pernicioso do que procurar tornar-se popular às custas de um ou de outro - um mimando, enquanto o outro dá ordens ou castiga.

Quando a crianças respira no lar uma atmosfera de indiferença e de frieza, sua alma resseca e se torna incapaz dos movimentos generosos do coração. Fazendo nascer nela a nostalgia de um meio em que o seu coração pudesse desabrochar na alegria, fixa-se numa disposição habitual de hostilidade relativamente ao meio familiar.

Quando à indiferença se junta a hostilidade mútua dos pais, a revolta e a crueldade encontrarão na criança um terreno já preparado. Porque seus pais disputam constantemente em sua presença e a seu respeito, ela mostrar-se-á por seu turno hostil e briguenta nas suas relações com o próximo.

... Decerto, pode às vezes ser penoso para o pai, que volta à casa após um dia de trabalho, ou para a mãe que teve de cuidar da casa e dos garotos, esquecerem a própria fadiga visando assegurar a "frente única" da educação, em vez de se concentrarem em si mesmos ou de apenas trocar queixas pessoais. Mas esse esquecimento de si mesmo é portador de sua própria recompensa.

"Nada mais apropriado para entreter o mútuo amor dos esposos do que pôr em comum suas orações, suas preocupações, suas observações, sua afeição paterna e materna. Assim, continuam a obra inaugurada pela fundação do lar e pelo aceno à vida; colaboram na atividade criadora e redentora de Deus, e ao mesmo tempo, se educam mutualmente. Trabalhando para formar homens e cristãos, os pais encontram incessantemente na ajuda mútua que lhes é imposta, caso consintam aceitar com um só coração a tarefa comum, ocasião de se unirem mais estreitamente, com um amor mais desinteressado, mais elevado e mais rico porque mais fecundo e mais cristão, mais intimamente penetrado de caridade divina." (Mons. Brunhes, Lettre Pastorale sur l'Éducation - 26 de fevereiro de 1944)

De passagem, um pequeno conselho: Mães, que os vossos deveres maternais não vos façam jamais esquecer vossos deveres de esposa. Pais, compreendei os cuidados de vossa mulher, o seu trabalho para que tudo corra bem, as dificuldades que encontra; dai-lhe vosso apoio e vosso estímulo.

(Excertos do livro: A arte de educar as crianças de hoje - Pe. G. Courtois)
PS: grifos meus
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