terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Maria, modelo de conformidade à vontade divina



Que harmonia entre os gostos e a vida da Santíssima Virgem no templo! Entregue ao culto de Deus, levava, o quanto era então possível, a vida contemplativa! E eis que é chamada a deixar essa vida e tornar-se esposa e mãe; a deixar as ocupações divinas a que se dedicava para cuidar de uma família e dirigir um lar operário.

Ter-lhe-á essa vocação suscitado objeções?

Não, de certo, pois prezava demais a vontade de Deus. Os trabalhos, aparentemente os mais grosseiros, se obedeciam à vontade divina, eram nobres demais a seus olhos, para que formulasse sequer uma objeção.

Os progressos dessa admirável Rainha das Virgens, já tão santa e tão elevada no amor, não se arrefeceram com o casamento. Enquanto se entregava às humildes lidas caseiras, crescia continuamente na santidade, causando admiração aos anjos e deliciando o coração de Deus.

Foi nessa vida simples e modesta, e não no templo de Jerusalém que Maria recebeu o mais alto favor jamais concedido a criatura alguma. Se  milhares de vezes, no céu e na terra, espíritos angélicos e filhos dos homens se proclamam servos submissos do Senhor, prontos a executar-lhe as ordens: ecce ancilla Domini, fiat mihi secundum verbum tuum; nunca, porém, nenhum desses protestos teve a maravilhosa eficácia do protesto de Maria, porque nenhum fora jamais pronunciado com tanto amor.

E isto prova que, perante Deus, o valor do ato está na medida de amor que encerra e nunca criatura alguma agiu com amor tão puro e tão forte como Maria!

(O caminho que leva a Deus - Cônego Augusto Saudreau - 1944)
PS: Grifos meus

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