domingo, 30 de outubro de 2011

Santa Gemma Galgani exemplo de modéstia

Santa Gemma Galgani
exemplo de modéstia


Nesta hora lamentável em que vivemos, sentindo que é quase impossível, sem um grande milagre, salvar as nossas jovens dessa maré montante de imoralidade que vai invadindo tudo...

Nesta hora, em que a imodéstia e o despudor decretaram que o figurino mais ao gosto da maioria e a semi nudez, que se exibe pelas ruas e praças da cidade, e que ninguém se atreve a proibir...

Nesta hora, meditar sobre a vida e a morte de Gemma Galgani é um refrigério para a alma. É uma fuga para o espiritual, para o puro, para o nobre, que já quase não encontramos na vida de todos os dias.

Falando de Santa Gemma Galgani, nota um dos seus biógrafos:

Há pessoas que pensam que os santos, por serem santos, deixam, de algum modo, de ser homens, e se tornam criaturas celestiais. Os santos são verdadeiros homens, são como nós, filhos de Adão, de quem receberam uma natureza viciada. A graça aperfeiçoa essa natureza. Porque além do lado, por assim dizer, celeste, enobrecido pelos dons sobrenaturais, há neles o lado humano, com todas as suas misérias”.

É bem verdade. Mas aquele que resolve fazer o homem velho, o homem novo, atira-se a um trabalho gigantesco, para matar esse lado humano decaído da sua natureza, a fim de que cada dia mais, possa nele atuar a força da graça divina.

Assim, aconteceu com Gemma Galgani.

Resolveu ela tornar-se uma verdadeira gema [pedra preciosa], deixando-se burilar pelas mãos de Deus, até que pudesse brilhar, como estrela de primeira grandeza, no Diadema do Eterno Pai.

A primeira construtora dessa alma admirável foi sua santa mãe que a iniciou na Doutrina Cristã, desde os mais ternos anos.

Por isso, aos cinco anos de idade, Gemma lia no Breviário o Ofício de mortos, com uma expressão rara mesmo entre os adultos.

Incutiu essa mãe modelar na filha pequenina uma tal noção de pureza e recato, que quando seu próprio pai queria cariciá-la e beijá-la, pondo-a no colo, Gemma pedia chorando:

- Não papai! Não me toque!
- Mas eu sou teu pai, replicava o Sr. Galgani.
- Sei, mas não quero que ninguém me toque.

Na sua precoce perfeição moral, a menina compreendia desde cedo, que em matéria de recato, não se deve fazer exceção a ninguém.

Pouco tempo teve Gemma na terra a assistência dessa boa mãe e guia.

Aos sete anos, teve a dor de perdê-la e disso foi avisada dias antes, na Igreja quando fora assistir Missa, pedindo a cura de sua mãe tuberculosa.

Ouviu Jesus que lhe perguntava:

- Queres dar-me a tua mãe?

E ela, a pequenina, respondeu:

- Sim!

Foi essa a primeira dádiva que fez a Nosso Senhor. E até a sua morte aos 25 anos, já Lhe havia entregue tudo.

Aos dez anos. Rompendo os hábitos da época, quis fazer sua Primeira Comunhão. Para esse grande ato, preparou-se com um retiro espiritual de 10 dias. E eis as resoluções que tomou nesse retiro:

. Confessar-me-ei e comungarei todas às vezes como se fosse a última da minha vida.
. Preparar-me-ei para todas as festas da Virgem Maria com alguma mortificação, e todas as noites pedirei a bênção de Nossa Senhora.
3º. Procurarei estar sempre na presença de Deus.
. Todas as vezes que ouvir o relógio bater as horas, direi, três vezes: Meu Jesus, misericórdia!

Esses propósitos parecem inacreditáveis numa criança de pouco mais de nove anos. No entanto são fatos puramente reais.

A sua Primeira Comunhão foi uma maravilhosa escalada para o Céu, de onde voltou mais dócil, mais mansa, mais piedosa, mais santa. Possuía no mais alto grau, o dom da oração. Todas as tardes, quando voltava do colégio, rezava, de joelhos, o rosário [três terços] inteiro.

Aos treze anos, seu grau de perfeição espiritual era tão alto que era difícil de ser excedido.

Caridosa ao extremo para com os pobres, dava-lhes tudo o que possuía. Seu pai proibiu-lhe tanta liberalidade, chegando a retirar-lhe a mesada que recebia.

Bela como uma flor, escondia esse dom natural, trajando simples vestido preto sem um adorno sequer. Aliás foi um Anjo, o seu Anjo que a alertou sobre a modéstia no vestir. Recebendo certa vez, de um tio, um relógio com uma corrente de ouro, usou-a para agradar a quem o ofertara.

Seu Anjo da Guarda apareceu-lhe e lhe falou:

- Os ornatos preciosos que deve uma esposa de um Rei Crucificado não podem ser outros que a Cruz e os espinhos.

Nunca mais usou Gemma adorno nenhum.

Muito inteligente e instruída, pois levantara diversos prêmios escolares, jamais mostrava os seus dotes intelectuais, e, só falava quando era necessário.

Além dos sofrimentos físicos dos mais cruciantes e repetidos que ela recebia com edificante paciência e mesmo com prazer, recebeu Gemma no seu corpo todos os estigmas da Crucificação: as chagas nas mãos, nos pés e no lado.

Suou sangue inúmeras vezes. Todos esses fatos foram testemunhados por autoridades religiosas e leigas.

O demônio não a deixava em sossego. Gemma teve toda sorte de tentações, perseguições e sofrimentos.

Essa alma eleita tinha, outrossim, uma imensa sede de almas. Seu desejo de converter os pecadores pode ser aquilatado pelo seguinte caso:

O Padre Germano, passionista foi escolhido para ser seu diretor espiritual. Chegando ele em Luca, na casa em que Gemma residia, ao ver a santa pensou ele encontrar-se diante de um anjo. Era quinta-feira. Durante o jantar, Gemma retirou-se para o seu quarto. Minutos após o padre é chamado. Gemma estava em êxtase e impetrava junto a Nosso Senhor a conversão de certo pecador. Mostrava-se ela resoluta, como quem quer vencer a todo custo. Tomou ela a palavra:

- Pois que viestes, ó Jesus, torno a suplicar-Vos pelo meu pecador. É Vosso filho e meu irmão. Salvai-o, Jesus! E nomeou-o.

Fez-lhe Jesus ver que queria proceder como juiz.
E ela sem desanimar:

- Por que não me ouvis, Misericordioso Jesus? Tanto sofrestes por essa alma e não quereis salvá-la agora? Salvai-a, Jesus, salvai-a!

Respondeu-lhe Nosso Senhor que estava decidido a abandoná-la para sempre, por causa de seus crimes.

E Gemma com nova esperança:

- Sede Bom, Jesus, não me faleis assim... Na boca de quem é a Misericórdia Mesma, a palavra abandono soa tão mal! Não deveis proferi-la. Não medistes o Sangue que vertestes, não contastes as chagas de Vosso Corpo, para salvar os pecadores e pesais agora nossas iniqüidades? Mão me atendeis?  A quem devo recorrer então? Vosso Sangue jorrou tanto por mim quanto por ele. A mim me salvais e a ele não? Não me levantarei daqui. Dizei-me que o salvais. Ofereço-me em sacrifício por todos os pecadores, mas em particular por ele. Dai-mo. É uma alma. Tornar-se-á bom, não pecará mais. Dizei-lhe que sois Pai e que ele é Vosso filho. Vereis como ao doce nome de Pai se lhe abrandará o coração empedernido.

Então, o Senhor, para justificar Sua atitude severa de Juiz, manifestou-lhe com todas as circunstâncias de tempo e lugar as culpas daquele pecador. A medida estava cheia.

Perturbou-se Gemma assim como o lago sereno se encrespa ao sopro do vento. Deixou cair os braços e os lábios de virgem exalaram suspiro profundo. Parecia ter perdido toda esperança.

Reanimou-se logo e voltou à luta.
O Senhor continuava a mostrar-Se inflexível.

Gemma, triste, parecia não ter mais força nem palavra para prosseguir o assalto à Misericórdia.

De súbito, porém, assomou-lhe ao espírito um argumento que julgou irreplicável.
Com voz firme e resoluta, exclama:

- Não mereço que atendais ó Jesus! Apresento-Vos Outra intercessora em favor do meu pecador. Quem intercede por ele é Vossa Mãe. Poderia dizer não a Vossa Mãe?

Gemma vencera! E cheia de júbilo exclamou:

- Está salvo, está salvo! Vencestes, Jesus! Assim triunfais sempre!

E terminou a cena. Durou mais de uma hora.

O padre retirou-se. Nisso bateram à porta. A porteira diz que um estranho está à procura do sacerdote. O padre diz que o façam entrar. Era um jovem, ofegante, cabelo revolto, os olhos cheios de pranto. Parecia um criminoso que escapara aos golpes da justiça. Ele falou:

- Padre preciso falar a sós convosco.

E, tendo entrado no quarto disse:

- Padre, confessai-me!

Era o pecador de Gemma convertido naquela mesma hora. Os pecados que o padre ouvira no êxtase, acusou-o todos. Só esqueceu um que o padre lhe recordou. O padre consolou-o, falou-lhe o que se passara. Pediu-lhe permissão de publicar estas maravilhas. Após abraçar o padre o convertido retirou-se.

Com apenas 25 anos de idade, em 11 de abril de 1903, véspera da Páscoa, essa alma de Deus voou para o Céu.

Deve ser ela cultuada como o exemplo das jovens, pela sua pureza. Essas jovens modernas, que se entregam de corpo e alma às vaidades do mundo, que se vestem impudicamente e vivem num eterno e demoníaco carnaval, muito precisam da proteção de Santa Gemma Galgani e também muito necessitam imitar o seu sublime exemplo.

(Retirado do jornal O Desbravador setembro/outubro de 1991)



PS.: Canonizada em 1940 pelo Papa Pio XII
PS.2: Grifos meus.
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