segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

"Regnum Dei..." - O Reino de Deus

"Regnum Dei..." - O Reino de Deus


Desde que de Vossos lábios divinos saiu este modelo sublime de oração, o "Padre Nosso", (Mt. 6,10) que nossas almas suplicam na ansiedade dos desterrados a aurora da redenção: "venha a nós o Vosso reino" - "adveniat regnum tuum" - . Oração que muitas vezes foi regada com o suor dos apóstolos, e tinta com o sangue dos mártires. Não foram pois só palavras; aí estão vinte séculos de lutas, vinte séculos de um esforço titânico para, enfrentando os poderios de impérios e a resistência de civilizações pagãs, buscar-se a implantação do Vosso reinado na terra.

A Igreja não vive senão para isso. Os verdadeiros cristãos não desejam outra coisa; basta contemplar estas falanges denodadas da Ação Católica num esforço de gigante pelo triunfo de Vossa realeza.

Senhor, e se a nossa oração é defeituosa, se o nosso trabalho é insuficiente, eu Vos lembro os amores do Vosso Coração Santíssimo. Por que a Vossa encarnação no seio da Virgem e Vosso nascimento na manjedoura de Belém? Não era este o único objetivo de Vossa vida e o único fruto procurado com Vossa morte? A empresa é portanto tão Vossa como nossa, e até mais Vossa. Se o Reino de Deus se estabelecer no mundo, lucraremos infinitamente, porque participaremos da felicidade que Lhe é inerente.

Mas, Senhor, se a Vossa bandeira não tremular triunfante em todos os rincões da terra, a Vossa obra ficará falha, o Vosso sacrifício inutilizado, e o Vosso sangue estéril. E a Vossa promessa que por natureza é imutável e infalível!... Lançada a pedra angular garantistes o levantamento do edifício e a sua resistência a todos os embates do poder das trevas. (Mt., 16,18)

Tenho, pois, certeza absoluta de que o Vosso cetro dominará o mundo, e por isso a minha palavra não é bem uma súplica, é mais uma afirmação, uma esperança confiada que apenas aguarda o momento do Vosso triunfo definitivo e da minha felicidade completa.

Antevejo, Senhor, esta hora ditosa, quando diante de meus olhos brilhará a verdade nos fulgores de sua luz e minha alma se expandirá aos impulsos da vida. Erguido nas asas da santidade e cheio de graça, com a justiça nas mãos, a paz na consciência e o amor no coração... Que beleza de vida!... E tais são as prerrogativas do Vosso reino, como canta a Santa Igreja.

"Venha, Senhor, quanto antes esta hora, a hora de Vossa realeza, a hora da minha felicidade. "Adveniat regnum tuum" - reino de verdade e de vida, reino de santidade e de graça, reino de justiça, de amor e de paz". (Pref. da missa de Cristo Rei)

Creio firmemente no domínio deste reino, e espero com certeza inabalável por que sei ser Vosso Coração todo amor e Vossa palavra divina. Mas, Senhor, em volta de mim a realidade é tão manifesta e a evidência dos fatos tão convincente! Entre os homens não encontro nem a sombra da verdade, "os homens mentem e vivem de mentiras", escreveu o maior filósofo da nossa terra. (Pe. Leonel Franca, "Psicologia da Fé") Sobre este pedaço de chão não existe vida, isto parece mais o reino da morte. Santidade e graça onde predomina o pecado, a corrupção, a devassidão, os costumes e o desenfreado das paixões!... A maior prova de que não há justiça nem amor é este terrível flagelo, a maior negação da paz, esta guerra que devora faminta e insaciável todos os povos.

Bem sei que respondestes a Pilatos não ser Vosso reino deste mundo. Lá no Céu, onde se vive em Vossa companhia e de Vossa vida, é o Vosso reino em todo o seu esplendor; ele é a plenitude de uma vida realizada aqui na terra. No Céu se goza do triunfo, aqui se conquista. O mesmo reino lá e cá, apenas em duas fases sucessivas. Quem não o possuir sobre a terra não o terá também na eternidade.

Senhor, mandai-nos o Vosso reino - "Adveniat regnum tumm" -.

(Elevações, pelo Pe. José Torres Costa, S.J., Sursum corda, 1946, com imprimatur)

PS: Grifos meus.
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