sábado, 8 de janeiro de 2011

É mister apartar do mundo o coração, se queremos imitar o Coração de Jesus

É mister apartar  do mundo o coração,
se queremos imitar o Coração de Jesus



Jesus. - Ai do mundo, filho! Ai do coração apegado às suas seduções e vaidades!

Não basta expulsar do coração a Satanás. Ainda é mister daí banir o mundo. Se nutrires no íntimo da alma amor ao mundo, de pouco valerá tudo o que fizeres para tua completa emenda.

O mundo, continuando a envenenar-te o coração, sem dúvida conseguirá perverter-te e por fim entregar-te ao poder do demônio. Que é o mundo senão o amor desordenado e perverso dos prazeres, riquezas e honras, pelo qual seus sequazes são seduzidos e se tornam corrompidos e corruptores?

Se queres saber o que deves pensar a seu respeito, considera como Eu o julguei. Passei distribuindo Meus benefícios a todos. Amei os inimigos que Me perseguiam. Pregado ao madeiro da Cruz, orei pelos que Me crucificaram. Pelo mundo, porém, não rezei.

O mundo procede do diabo e acha-se todo sob o poder do maligno. Não pode possuir o Meu Espírito, assim como a mentira não pode encerrar a verdade, nem a corrupção a pureza.

O mundo por si mesmo prova não só a realidade, mas também a necessidade do inferno.

Que há de comum entre o mundo e o Meu Coração, quando o mundo aberta e ocultamente favorece todos os vícios; meu Coração, porém, só aspira santidade?

O mundo, de acordo com Satanás, seu chefe, procura perder eternamente as almas, enquanto o Meu Coração deseja salvá-las todas. Não podes, por conseguinte, servir, ao mesmo tempo, ao mundo e a Mim. Pois, sendo amigo do mundo, tornas-te inimigo do Meu Coração.

Se seguires o mundo, com ele perecerás. Se aderires ao Meu Coração, irás para a vida eterna. Se expulsares do coração o mundo e os princípios mundanos, afim de oferecer-Me um coração puro, tua oblação ser-Me-á grata e honrosa, e reverterá em tua glória e mérito. Os anjos e santos aplaudirão o teu proceder e o mundo mesmo ver-se-á forçado a admirar tua heróica grandeza de alma.

Bem-aventurado, Meu filho, é o que aparta do mundo os seus afetos para consagrá-los só a Mim!

Que encontras no mundo para amá-lo? Tudo o que nela há é concupiscência da carne, concupiscência dos olhos e orgulho da vida, cujo fim é a morte e o inferno.

Com efeito, se amas o mundo ou as coisas que lhe pertencem, caís na eterna perdição. Que bem te fez o mundo para lhe consagrares teus afetos? Nunca te fez nem fará outra coisa senão o mal. Como podes, então, dar-lhe teu coração?

Não confies, Meu filho, nas lisonjas e aplausos do mundo, que só exprimem o secreto desejo de iludir-te e perder-te. Obedece, porém, aos convites do Meu Coração desejoso de livrar-te da eterna desgraça que o mundo te prepara. Se não abandonares o mundo, serás por ele abandonado, depois de haveres consumido as forças em servi-lo. Rirá com escárnio à hora da tua morte, e, quando mais necessitares de auxílio, ver-te-ás só e impotente. Reflete com freqüência se, prestres a entrar na eternidade, desejarias ter seguido a Mim ou ao mundo.

Por isso, faze agora com mérito o que dontro modo sem mérito deverás fazer. Esforça-te por desapegar o coração do amor aos bens terrenos e triunfa do mundo por separação perfeita.

Confiança, filho, Eu venci o mundo. Se quiseres, vencê-lo-á também. Após a vitória, dar-te-ei morada aprazível em Meu Coração.

Discípulo. - Ó Senhor! Quão insensato foi o meu proceder! Quão perversa a minha vida! Seduzido de bom grado pela aparência de prazeres, lucros e honras, abandonei-Vos para escravizar-me ao mundo, Vosso inimigo. Deixando a fonte de todos os bens, desci ao pântano pestífero do mundo, Inebriei-me em suas águas envenenadas. Louco e insensato, despojei-me de tudo. Esquecido de Vós, meu Deus e meu tudo, entreguei-me inteiramente ao mundo, e profanei em seu serviço os Vossos dons: meus sentidos externos e minhas faculdades internas. Tornei-me em extremo culpado.

Minha alma foi repleta de males; minha vida aproximou-se do inferno.

Vossa cólera passou sobre mim e o terror perturbou-me, de modo que dia e noite me sentia infeliz (Sl 87, 4.17).

Ah! bom Jesus! Mesmo quando, impelido pelo excessivo pavor do Vosso julgamento e pelo medo do inferno, decidira viver bem, qual não foi minha fatal ilusão! Quão pernicioso não foi o meu erro! Dividi o meu coração entre Vós e o mundo, que, querendo servir juntamente a ambos. Que grave injúria Vos fiz, igualando-Vos ao mundo!

Assim, não consegui satisfazer nem a Vós nem ao mundo e sentia-me infelicíssimo, pois, não me contentando conVosco nem com o mundo, em nenhum dos dois encontrava a verdadeira felicidade. Agora, porém, que me abristes os olhos e me tocastes o coração, ó Senhor Jesus, só a Vós servirei. E desde há Vos consagro todo o meu coração para sempre.

Tirai, eu vo-lO rogo, desse meu coração todo amor do mundo. Transformai para mim em verdadeiro amargor toda a sua aparente doçura. Enchei o meu coração com a suavidade do Vosso amor, e o mundo inteiro com todas as suas vaidades tornar-se-á insípido para mim.

(A Jesus os corações ou imitação do Sagrado Coração de Jesus pelo Pe. Pedro Arnoudt S.J, editora Vozes LTDA Petrópolis, ano de edição 1941)

PS: Grifos meus
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