quarta-feira, 27 de julho de 2011

Família cristã

Família cristã 


Trecho da Carta Encíclica
DIVINI ILLIUS MAGISTRI
de sua Santidade Papa Pio XI
acerca da educação cristã da juventude.

O primeiro ambiente natural e necessário da educação é a família, precisamente a isto destinada pelo Criador. De modo que, em geral, a educação mais eficaz e duradoura é aquela que se recebe numa família cristã bem ordenada e disciplinada, tanto mais eficaz quanto mais clara e constantemente aí brilhar, sobretudo o bom exemplo dos pais e dos outros domésticos

Não é nossa intenção querer tratar aqui propositadamente da educação doméstica, nem sequer referindo só os seus pontos principais, tão vasta é a matéria, sobre a qual, de resto, não faltam especiais tratados antigos e modernos, de autores de sã doutrina católica, entre os quais avulta, digno de especial menção, o já citado e áureo tratado de Antoniano: Della educazione cristiana dei figliuoli, que S. Carlos Borromeu mandava ler publicamente aos pais reunidos nas igrejas. Queremos, porém chamar dum modo especial a vossa atenção, Veneráveis Irmãos, e amada Filhos, sobre a lastimável decadência hodierna da educação familiar. Para os ofícios e profissões da vida temporal e terrena, com certeza de menor importância, fazem-se longos estudos e uma cuidadosa preparação, quando, para o ofício e dever fundamental da educação dos filhos, estão hoje pouco ou nada preparados, muitos pais demasiadamente absorvidos pelos cuidados temporais

Para enervar a influência do ambiente familiar, acresce hoje o fato de que, quase por toda a parte, se tende a afastar cada vez mais da família a juventude, desde os mais tenros anos, sob vários pretextos, quer econômicos, industriais ou comerciais, quer mesmo políticos; e há regiões onde se arrancam as crianças do seio da família para as formar ou com mais verdade para as deformar e depravar em associações e escolas sem Deus, na irreligiosidade, no ódio, segundo as avançadas teorias socialistas, repetindo-se um novo e mais horroroso massacre dos inocentes. 

Portando, rogamos instantemente, pelas entranhas de Jesus Cristo, aos Pastores de almas, que nas instruções e catequese, pela palavra e por escritos largamente divulgados, empreguem todos os meios para recordar aos pais cristãos as suas gravíssimas obrigações não só teórica ou genericamente, mas também praticamente e em particular cada uma das suas obrigações relativas à educação religiosa moral e civil dos filhos e os métodos mais apropriados para atuá-la eficazmente, além do exemplo da sua vida. A tais instruções práticas não desdenhou descer o Apóstolo das gentes nas suas epístolas, particularmente naquela aos Efésios onde, entre outras coisas, adverte: «Ó pais, não provoqueis à ira os vossos filhos» (45), o que efeito não tanto de excessiva severidade quanto principalmente da impaciência, da ignorância dos modos mais adequados à frutuosa correção e ainda do já demasiado e comum relaxamento da disciplina familiar, onde crescem indômitas as paixões dos adolescentes. Cuidem por isso os pais e com eles todos os educadores de usar retamente da autoridade a eles dada por Deus, de quem são verdadeiramente vigários, não para vantagem própria, mas para a reta educação dos filhos no santo e filial «temor de Deus, princípio da sabedoria» sobre o qual se funda exclusiva e solidamente o respeito à autoridade, sem o qual não podem subsistir nem ordem, nem tranqüilidade, nem bem-estar algum na família e na sociedade.

(45) Efésios, VI, 4.

PS: Grifos meus.
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