quarta-feira, 23 de março de 2011

A Mãe de Dom Bosco

A Mãe de Dom Bosco


Um dos inúmeros biógrafos de Dom Bosco diz textualmente que: "Dom Bosco foi grande, porque teve uma grande mãe".  Na verdade, toda a obra educativa de Dom Bosco foi um prolongamento da educação que sua mãe lhe deu. Esta educação não era fruto de tratados pedagógicos, mas sim de uma grande fé. No sistema educativo desta maravilhosa camponesa, Deus era a base e o vértice. Cedo ensinou seus filhos a fazerem suas orações cotidianas e quando Dom Bosco já era padre, ela ainda lhe cobrava se tinha feito suas orações. "Deus nos vê” repetia ela inúmeras vezes a seus filhos. Ou dizia: "foi Deus que criou o mundo e cravou lá em cima tantas estrelas. Se o firmamento é tão belo, que será o paraíso?”. 

Recomendava-lhes, igualmente, que fugissem das más companhias como da peste, e certa vez, chegou a dizer a seus filhos, ao notar uns rapazes que falavam palavras inconvenientes, que os amava, mas que preferia vê-los mortos naquela hora a serem como aqueles jovens. Essas lições sublimes far-se-ão sentir no apostolado de seu filho. Quando Dom Bosco já  se encaminhava para o sacerdócio,  ele  pensou  em  se  fazer  frade franciscano. Com isso, devido a pobreza que deveria viver se fosse tal, não poderia cuidar de sua mãe. Um padre conhecido falou com ela para que dissuadisse o filho da idéia. Ela o procurou e longe de fazer isso, estimulou Dom Bosco a cumprir com a Vontade de Deus: "só te peço que estudes bem a tua vocação. O que é necessário é que salves a tua alma. O pároco desejava que eu te dissuadisse do que pensas, por causa de mim e de minha velhice... Não te preocupes com o meu futuro. Nada quero e nada espero de ti... Se algum dia escolhesse a vida de pároco, e te tornasses rico, jamais poria os pés em tua casa...".

Dom Bosco não se tornou franciscano a conselho de São José Cafasso. Na hora em que Dom Bosco vestia a batina; Mamãe Margarida com lágrimas nos olhos, disse ao filho estas comovedoras palavras: "Acabas, meu querido João de vestir batina bem podes avaliar a alegria e o contentamento que por isso enchem o meu coração. Lembra-te que não é o hábito que faz o monge, mas a prática das virtudes. Se, por infelicidade vieres a duvidar da tua vocação, peço-te que não desonres a tua batina. Deixe-a imediatamente, porque eu prefiro ter por filho um pobre camponês, do que um sacerdote menos cumpridor dos seus deveres. Quando nasceste, consagrei-te a Santíssima Virgem; quando começastes os estudos, recomendei-te, quase exclusivamente, a devoção a Nossa Senhora; pois agora, te peço que sejas todo, absolutamente todo, d'Ela. Ama aqueles que A amam, e, se um dia chegar a ser padre, propaga, sem descanso, a devoção a tão boa Mãe”.

Após a ordenação sacerdotal de Dom Bosco, mais uma vez vemos as virtudes de sua mãe: "Ate que enfim é Padre, meu João! De futuro, dirás missa todos os dias. Lembra-te bem do que te digo: começar a dizer missa é começar a sofrer... Estou certa de que hás de rezar todas as manhãs por mim. Também não te peço mais nada. Agora, pensa só na salvação das almas, e não te preocupes absolutamente nada comigo".

Quando Dom Bosco já fazia seu maravilhoso apostolado com os jovens, ele precisava que sua mãe viesse morar com ele em Turim. Para tanto, ela precisaria abandonar a tranqüilidade de seu lar e vir ajudar o filho nas suas tarefas apostólicas. Quando Dom Bosco a consultou, sua resposta foi: "se achas que é essa a Vontade de Deus, podes contar comigo".

No oratório de Dom Bosco, ela cozinhava, costurava, trabalhava, enfim para inúmeros meninos. Por perto de dez anos ela incansavelmente trabalhou para os jovens de Dom Bosco, chegando a ponto de vender seu enxoval para ajudar nas despesas da casa.

Enquanto viveu orava sem cessar e a isso aconselhava os jovens de Dom Bosco. Cumprida plenamente  sua  missão, faleceu  na paz do Senhor em 25 de Novembro de 1856, às receber o  Santo Viático de  seu  confessor, o Padre Borel. Chorada pelos alunos de Dom Bosco, ela é vista como aquela que forjou o grande apóstolo da juventude e, é exemplo de desprendimento e de dedicação as mães de nosso tempo.

(O Desbravador - Setembro 2006)

PS: Grifos meus.
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