terça-feira, 26 de outubro de 2010

HORROR AOS ERROS DOUTRINÁRIOS

Nota do blogue: Grande e misteriosa e talvez última é esta crise que há quase 50 anos assola a Igreja de Cristo Nosso Senhor! Para honrar a Santa Sé - portanto, a Igreja Romana -, D. Lefebvre e D. Mayer tiveram que resistir ao seu ocupante, que, por um insondável mistério de iniquidade, amou tanto os homens, o Homem, que o amou sobre todas as coisas... e lhe cultuou! Que Deus se apiede de nós e Sua Mãe venha em nosso auxílio!

HORROR AOS ERROS DOUTRINÁRIOS
(PADRE FABER)


 
"(...) Emprego de propósito esta palavra, susceptibilidade, porque exprime perfeitamente o meu pensamento, e não conheço outro termo que tão bem o possa exprimir.

Todos sabemos o que é ser susceptível quando se trata dos nossos próprios interesses, ou dos interesses daqueles que nos estão ligados pelos laços do sangue ou da amizade.

Tomamos calor à menor suspeita; estamos sempre de sobreaviso, como se notássemos em todos aqueles com quem tratamos o intuito de nos prejudicarem. Estamos sempre prontos a queixar-nos, e às vezes até, se nos descuidamos, julgamos mal dos outros, ou nos encolerizamos e dizemos inconveniências.

Aplicai agora este modo de proceder aos interesses de Jesus, e tereis uma idéia bastante aproximada do que é um Santo.

Mas não é raro encontrar pessoas piedosas que não compreendem este procedimento e o censuram como extravagante e indiscreto; mas falam assim porque não sabem o que é servir a Deus por amor.

Quem tem semelhante susceptibilidade a respeito dos interesses de Jesus, se chega ao seu conhecimento algum escândalo, aflige-se com isso profundamente. Pensa nele a toda hora e dele fala com amargura, e enquanto durar o escândalo, não achará prazer em coisa alguma. Os seus amigos não podem conceber a importância que liga ao caso, nem a dor que com isto experimenta, e dizem: 'este negócio não lhe diz respeito nem lhe traz prejuízo algum'. E sentem-se inclinados a chamar-lhe tolo ou hipócrita, pois não vêem o amor com que se abrasa por Jesus, e o vivo pesar que lhe causa o ver os interesses do seu amadíssimo Jesus assim comprometidos. Esses homens indignar-se-iam durante um mês das vexações causadas por um processo injusto: mas que é isto em comparação do menor ataque aos interesses de Jesus? Certamente, um homem não convencido desta verdade, mal merece o nome de cristão.

Um outro característico desta admirável susceptibilidade pelos interesses de Jesus, é um horror instintivo à heresia e a todas as falsas doutrinas, e um olfato especial para as descobrir. A integridade da Fé constitui um dos mais caros interesses de Jesus; assim, um coração penetrado dum amor sincero pelo seu Senhor e seu Deus sofre indizivelmente quando ouve expor doutrinas falsas, principalmente entre católicos. Idéias errôneas acerca da pessoa de Jesus Cristo, desprezo pela Sua graça, o mais ligeiro ataque à honra de Sua Santa Mãe, a depreciação dos Sacramentos, opinião desfavorável às prerrogativas do Seu Vigário na terra, - cada uma destas coisas, expressa com mais ou menos leviandade numa conversação ordinária, fere-o a ponto de chegar mesmo a sentir uma dor física.

Pessoas sem reflexão talvez se escandalizem com isto que acabo de dizer, mas se alguém ousasse atacar diante delas a honra e a castidade de suas mães ou de suas irmãs, não haveria violência, ainda que fosse a efusão do sangue, à qual não se julgassem no direito de recorrer. E que é a honra de uma mãe em comparação da dignidade de Jesus? E que vale a reputação duma irmã, comparada com o menor título da Bem-Aventurada Virgem Maria? Não há mil vezes mais amor por mim no pai comum dos fiéis, sucessor de S. Pedro, que no coração de todos os meus parentes juntos?

Não sou obrigado em consciência a selar com o meu sangue a minha fé na virtude de minha mãe; mas seria um miserável se hesitasse em sacrificar a minha vida pela honra da Santa Sé. Não encontrareis um único Santo que não haja sido extremamente susceptível neste ponto, e que tenha podido ouvir, sem sofrer amargamente, a voz da heresia e das falsas doutrinas. E quando não existe este piedoso horror, então é tão certo como o sol brilhar nos céus, que o amor por Jesus é fraco e apagado no coração do homem.

Esta susceptibilidade pode manifestar-se, segundo as circunstâncias, a respeito de todos os interesses de Jesus que mencionamos no primeiro capítulo [a glória de Seu Pai, o fruto de Sua Paixão, a honra de Sua Mãe e a estimação da Sua graça].

Mas devemos notar uma coisa. Pode às vezes suceder que um indivíduo, que ame ardentemente a Nosso Senhor, mas desde pouco tempo, ultrapasse os limites da conveniência, tornando-se em seu zelo indiscreto, impaciente, brusco ou mordaz; terá suspeitas quando não haja o mais leve motivo para elas, e não sofrerá a indolência ou a frieza dos outros, como as sofreria se houvesse tido mais longa prática do amor de Deus. Isto lança muitas vezes a desconsideração sobre a virtude, pois ninguém é julgado com menos indulgência do que aqueles que fazem profissão de seguir a vida devota. Não negamos que tenha defeitos e imperfeições, estando nos primeiros degraus da vida espiritual; mas deve consolá-lo o pensamento de que muitas vezes, ao passo que é vituperado pelos homens, Jesus não o condena. Direi até que as imperfeições do seu amor nascente Lhe são agradáveis, enquanto que aborrece as 'sábias críticas' e a enfática moderação dos seus censores."

(Padre Frederick William FABER [1814-1863] in: TUDO POR JESUS ou CAMINHOS FÁCEIS DO AMOR DIVINO, Rio de Janeiro: s.d., Garnier-Livreiro Editor, p. 51-54, grifos nossos).

PS: Recebido por email, mantenho os grifos.
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