sábado, 9 de outubro de 2010

As santas almas do purgatório

AS SANTAS ALMAS DO PURGATÓRIO



Há na celebração da Missa, para os mortos, um rito muito instrutivo e tocante. Estando o Sacerdote prestes a comungar, depois de ter falado à Augusta Trindade, aos Anjos e Santos, se dirige pela primeira vez, a Vítima divina, que se acha presente no altar. Inclinando, em sinal de respeito, dirige-Lhe, por três vezes, estas palavras:

"Cordeiro de Deus que apaga os pecados do mundo, dá-lhes o descanso..."

Se o Sacerdote, por três vezes, junto da Vítima divina, digire-Lhe a mesma súplica, em favor dos mortos, é porque o estado das Almas do Purgatório é infeliz e digno de compaixão.

Vejamos os grandes padecimentos dos prisioneiros da justiça divina e o meio maravilhoso e eficaz do Santo Sacrifício da Missa para salvá-los.

I - As Almas, no Purgatório, estão sujeitas a duas espécies de penas:

a) Pena de danos - que é a privação da visão beatífica e de todos os bens que ela encerra.

- Estando as Almas separadas do corpo, vêm, com fé mais clara e viva, quão precioso é o Sumo bem que deveriam já ter possuído, mas que, por sua culpa, dEle se acham privadas por um certo tempo. Vendo também mais claramente quão bom e amável é Deus têm as Almas desejos veementes para gozar da visão beatífica, mas por estarem dela privada, aumentam-lhes os sofrimentos.

- As Almas do Purgatório, estando livres de todas as distrações, tendem irresistivelmente para o objeto de seu amor que é Deus. Achando-se, porém, separadas do divino bem e não sabendo o dia em que se hão de apresentar na presença de Deus - têm dessa privação e incerteza, grandes sofrimentos.

- Sofrem as Almas do Purgatório por não saberem do dia em que hão de deixar esse lugar de padecimento.

- Sofrem por não verem a Jesus Cristo, Nossa Senhora, os Anjos e os Santos.

b) Pena de sentido é o mal físico que aflige as Almas, com dores e sofrimentos. Os SS. Padres dizem que não há sofrimento nesta vida, que possa ser igualado aos padecimentos do Purgatório.

II - Meio eficaz para livrar as Santas Almas do Purgatório.

Quem dentre os cristãos, se não comoverá vendo as benditas Almas privadas da visão de Deus e arder no fogo vivo e ardente?!

A aliviar as dores das Almas detidas no Purgatório muito concorre o Sacrifício da Missa, que é sempre eficaz às Almas porque estando livres de todo o afeto a culpa e revestidas de caridade, não há para elas, impedimento algum para o perdão das penas.

O sacrifício da Missa dá-lhes alívio e consolação, diminui o tempo das penas e às vezes perdoa-lhes inteiramente.

É fora de dúvida que a Missa suplicada aos mortos muito concorre para aliviar as dores a que estão sujeitos ao Purgatório.

Essa doutrina da Igreja não é de hoje, mas antiga.

Confirmação disso temos na Homilia siriaca feita por Thiago, bispo de Saroug, datada do séc. 5º, na qual declara que a oferta para os mortos consiste, da parte dos fiéis, na oblação do pão e do vinho destinados ao Sacrifício Eucarístico, e da parte do Sacerdote, na aplicação deste Sacrifício as Almas dos mortos.

O Sacerdote tendo no altar o pão e o vinho para oferecer o Sacrifício, comemora a morte e a ressurreição de Jesus Cristo.

Lembra-se de todos os mortos e pede para cada um ser aliviado das dores que estão sofrendo no Purgatório, lembrando-se especialmente das almas que foram encomendadas particularmente. Em nome dos mortos... o Sacerdote oferece o Sacrifício, e o pão e o vinho convertem em Corpo e Sangue de Jesus que tudo santifica.

Por este Sacrifício o Sacerdote faz expiação por todos os mortos. Ao odor da vida que se eleva do grande Sacrifício, todas as Almas se reúnem e vêm para serem perdoadas. Através da virtude vivificante que comunica o Corpo do Filho de Deus, cada dia os mortos sentem o odor de vida e por este meio eles são perdoados.

E se a oblação feita por Judas Macabeu, oferecendo ao Senhor o sangue dos animais era frutuosa aos mortos - quanto mais as oblações feitas pela Igreja, nas quais se não oferecem o sangue dos animais, mas, por meio de sacrifícios que não perecem, ela oferece o Sacrifício imortal, o grande sacrifício do Filho de Deus que tudo purifica - a Santa Missa.

O bem-aventurado H.Suzo, uma das glória da Ordem de São Domingos, conta que, durante seus estudos em Colonia, fez com um de seus condiscípulos um pacto: - aquele que sobrevivesse deveria, durante um ano, celebrar cada segunda-feira, a Missa dos mortos e cada sexta-feira a da Paixão.

O amigo de Suzo foi o primeiro chamado a aparecer diante de Deus.

Algum tempo depois, o bem-aventurado vê o defunto, apresentando-se a ele todo desfigurado pelo sofrimento e se lamentando amargamente de sua infidelidade em executar o pacto que haviam combinado.

- "Meu amigo, diz Suzo, para se justificar, é verdade que não tenho celebrado as Missas, mas cada dia tenho instantemente recomendado vossa alma a Deus e me imposto penitências para livrar-te quanto antes, desses padecimentos."

- "Como, responde o defunto, é isso justamente o motivo de minha queixa; porque de todos os meios que empregaste para me socorrer, negligenciaste o mais eficaz, o mais poderoso, é o sangue de Jesus Cristo, acrescenta ele, é o sangue de Jesus Cristo que eu peço para acalmar estas chamas que me devoram: é o Santo Sacrifício que me livrará destes tormentos horrorosos."

O bem-aventurado, todo confuso, se apressa em responder a esse infeliz, que iria satisfazê-lo o mais cedo possível e que para reparar sua falta, celebraria ainda mais missas do que prometera.

Com efeito, desde o dia seguinte, muitos Sacerdotes. a pedido de Suzo, sobem o altar com essa mesma intenção e durante muitos dias eles continuaram a celebrar a Missa pelo defunto. E eis que de novo aparece o defunto ao nosso bem-aventurado, com o semblante alegre e com a auréola dos Santos sobre sua cabeça e diz-lhe:

- "Oh! agradecido, meu fiel amigo! eis me aqui, graças ao Sangue do Salvador, livre das chamas expiadoras; eu vou ao céu e não me esquecerei de vós!"

(O Santo Sacrifício da Missa, pelo Pe. Francisco Cipullo, ano de edição: 1916)

PS: Grifos meus.
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