segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

O zelo na Provação


Para a Véspera- À medida que na provação se desenrolam os desígnios de Deus, vemo-los crescerem e elevarem-se. Teremos que meditar sobre este assombroso privilégio: com as nossas provações bem suportadas, poderemos socorrer eficazmente as almas. Este poder será reservado às grandes virtudes? Pertence também, em certa medida, às almas imperfeitas?

Os planos de Deus são vastos; sabem harmonizar tudo. Ora, como as almas em estado de graça, mesmo as mais imperfeitas, vivem realmente da sua vida, será para admirar que Ele estabeleça entre elas influências de mútuo socorro? Irem em auxílio dos outros é um nobre motivo, um estímulo para todos.

Ó Maria, que pelo Vosso abandono merecestes para nós tantas graças, tantos socorros, permiti ao Vosso indigno filho que se associe conVosco nesse belo ministério.

Meditação

Jesus - Alma experimentada, alma fiel, alma querida, do Meu coração, põe ponto nas tuas queixas, vou anunciar-te uma grande alegria.

Os sentimentos que motivam os teus desgostos, fica-o sabendo, entram nos Meus desígnios redentores. Não é só em atenção ao teu bem que te envio a provação, é também com a mira no bem das almas. Os teus sofrimentos são expiações pelos pecadores, socorro aos fracos, fontes de resignação para as almas que a aflição faz desfalecer. A provação de Minha mãe, como sabes, teve esse nobre fim, em teu favor. O que Ela fez por ti, procura tu fazê-lo pelos outros. Se Minha mãe só depois conheceu tão elevado desígnio, não te admires; gosto de ocultar à alma o que poderia atenuar o rigor da provação. Tomo então o seu lugar, oferecendo Eu mesmo o que ela não pode oferecer.

Quando uma alma está Comigo, tudo que é dela Me pertence; quando ela pôs todas as suas intenções nas Minhas, essas intenções pertencem-Me também; e, sem lho dizer, aplico-as à Minha vontade; foi assim que, por Meu intermédio, Minha Mãe ofereceu então os Seus méritos por ti.

Mais tarde, e espontaneamente, Ela ratificou essa oferenda. Faze como Ela. Tão grande o edifício que construíram já as tuas penas, que, se o visses, não sofrerias mais. No Céu te revelarei tudo.

A alma- Estou maravilhada, ó meu Jesus adorável! Enquanto eu vivo fria, insensível, impotente, Vós sabeis tirar desta nulidade, desta miséria, riqueza para outras almas, e dignai-Vos tomar Vós mesmo o que eu não saberia, o que nunca me atreveria a oferecer-Vos... Oh! sim, pegai nesses pobres méritos, de mãos abertas, e sem contar. Antes de dispordes deles, guardai-os algum tempo em Vosso coração ardente para os tornardes fecundos.

Poderei acreditar em semelhante privilégio?

Nada me pode admirar, vindo dum coração como o Vosso. O meu pertence-Vos por completo. Estou imensamente grata por haverdes contado com ele. Oh! fazei com que possa haurir no pensamento desse sublime papel, não a consolação, mas a coragem; deixai-me as obscuridades das minhas dúvidas, dos meus tormentos; multiplicai-os mesmo na medida dos auxílios que me destinais; não aspiro a outras luzes, a outras alegrias, que não sejam as que me preparais no Céu. Cá na terra, não quero ver, quero crer; não quero gozar, prefiro sofrer conVosco, por Vós e pelas almas que amais.

No entanto, se Vos aprouver fazer sentir ao meu coração a Vossa doce presença, não buscarei nela avidamente o repouso e a alegria, mas sim o meio de Vos dar mais ainda. O coração dilatado é mais rico, mais expansivo, mais forte; o coração saturado de consolações sente mais dolorosamente a angústia das almas. Se a amargura é mais fecunda que a alegria... escolho-a.

Outra alma- Não sou, infelizmente, uma dessas almas fiéis, às quais, ó Jesus, se aplicam essas promessas. A frieza é em mim um estado normal e não uma provação. Importam-me pouco as faltas ligeiras, abandono os meus exercícios de piedade, prefiro as minhas comodidades.

Numa palavra, sou tíbia... No entanto, desejaria ser amada por Vós, ó Jesus! É certo que, nesse amor, o que eu procuro é o gozo que nele se encontra e que já me fizestes sentir algumas vezes; só penso em mim! Que poderei fazer pelas outras almas? As minhas penas, que são castigos, e não acharão lugar em Vossos desígnios redentores?

Jesus- Pobre filha, tu não conheces o valor e o poder da graça. Concordo em que foste imperfeita e culpada. As tuas perturbações interiores, as tuas obscuridades e friezas são a tua punição; mas suporta-a sem queixume. Ela apagará os teus agravos, purificar-te-á e, já sabes, aumentará igualmente os teus méritos. E, fica-o sabendo hoje: tem um alcance mais vasto ainda.

Como a das almas belas, pode ser útil aos pecadores, aos imperfeitos, aos fracos... Vejo-te levantar a cabeça e interrogar-Me com o olhar. Duvidas da Minha afirmação? Escuta: tu não conheces, não podes conhecer o valor e o poder da graça. A oferta das tuas penas é um ato inspirado por ela, preenchido por ela: é sobrenatural. O Espírito Santo envolve-o dum perfume divino: é Ele que o provoca, Ele que o fomenta e remata... Para produzi-lo, faz passar para ti um pouco da Minha seiva; é nos Meus méritos que Ele colhe, é a Meu pedido que procede... Compreendes agora o valor, o poder das tuas penas bem suportadas?

Comigo, salvas as almas!... Que este favor imprevisto possa levantar-te aos teus próprios olhos!

Que ele te inspire resoluções generosas! Que ele espalhe também sobre os teus desgostos um raio benéfico de alegrias elevadas e puras!

Afetos- Vivo reconhecimento; admiração, louvor e confusão: eu a salvar as almas por meio duma punição merecida! - corroborar as almas eu que sou tão fraco! - ajudar as almas a elevarem-se, eu que permaneço na minha baixeza!
Vivos desejos. - Orações. - Resoluções.

(Meditações Afetivas e Práticas sobre o Evangelho, Tomo I, pelo cônego Beaudenom)

PS.: Grifos meus. 
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