quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Jesus manso de Coração

 Medita, ó minha alma, nessa virtude 
de Jesus e a verás em toda a sua suavidade


Jesus é a mesma Bondade e Sua mansidão é cativante e prende os corações. Os povos, falando dEle, diziam: "Vamos à suavidade".

1.º - Mansidão de Jesus na linguagem. Não Lhe agradam discussões ou contendas. Sua palavra é modesta, doce como Seu Coração. Jamais pronuncia uma palavra injuriosa, jamais Lhe saem dos lábios palavras orgulhosas. Calmo, bom, sincero, Jesus é sempre o Bom Mestre.

Imita a Jesus, ó minha alma, evitando cuidadosamente palavras vivas e impetuosas, prenúncios duma alma agitada. Não te permitas tampouco palavras de gracejo, palavras maliciosas, mortificantes, críticas ou arrogantes. Jesus é tão bom para ti. Deves sê-lo também para com os outros. Se queres que te tratem com bondade e doçura, saibas tratar teu próximo da mesma forma.

2.° - Mansidão de Jesus para com Seus Apóstolos. Eram eles grosseiros, materiais, sem educação. E Jesus tolera-os com Bondade, sem se queixar, sem lhes censurar a falta de cortesia. Não os despede com vivacidade ou por lassidão, mas fala-lhes suavemente, explicando-lhes cem vezes as mesmas coisas, sem a mais ligeira impaciência. Chama-lhes docemente a atenção sobre as suas faltas, corrige-lhes com calma os defeitos; suporta-os durante três anos, noite e dia, junto a Si.

Ah! Jesus era tão delicado pelo Coração, tão grande pelo Espírito, tão generoso, tão nobre, tão divino! Habituado à Corte Angélica, à sociedade eterna do Pai e do Espírito Santo, agora só tem por companheiros os doze barqueiros da Galiléia. Ah! Nunca poderíamos crer um tal prodígio de Santidade, se Jesus não fosse a mesma Bondade, a mesma Doçura.

Pois bem, serás, ó minha alma, a exemplo de Deus, doce para com aqueles que te são desagradáveis, antipáticos. Serás doce com aqueles que te fizeram sofrer; suportarás com paciência as faltas de atenção, de consideração, de delicadeza por parte daqueles, com quem vives. E nos momentos de mau humor, nas tristezas de coração, na irritação interior, tomarás teu coração nas duas mãos, ou antes, tu o darás a Jesus, a fim de não perderes essa doce paz, esse licor do mel da caridade que adquiriste à custa de tantos sacrifícios. Nesses momentos mais vale calar-se do que fazer mal ao próximo sob pretexto de lhe querer fazer bem.

3.° - Mansidão de Jesus no correr de sua Paixão. Ciente de que Judas O há de trair, tolera-o, todavia em Sua companhia, falando-lhe sempre com Bondade, ocultando aos demais Apóstolos o seu crime, e, para triunfar da dureza de seu coração, chamando-o ainda de amigo no Jardim das Oliveiras e, prestando-se a beijá-lo.

Ó minha alma, como hás de recusar a Jesus a mesma graça para aqueles que te ofendem? Não é possível!

Jesus é atado pelos carrascos e submete-Se, qual cordeiro, a tudo, sem oferecer resistência, apresentando Ele mesmo as mãos para serem ligadas, e não respondendo às injúrias, às blasfêmias de toda espécie com que o atormentam ao longo do caminho. Aprende, ó minha alma, tu também a guardar, por entre todas as violências, um silêncio nobre e suave, a ser manso como o Cordeiro de Deus.

Que mansidão a de Jesus em presença de Caifás!

Entregue à fúria da soldadesca vil que Lhe cospe no rosto, Lhe arranca os cabelos e faz dEle seu joguete, Jesus nada diz, nem sequer uma palavra de queixa.

Que Bondade no olhar que lança sobre Pedro, que três vezes O renega. Olhar de Pai que censura ao filho sua culpa enquanto lha perdoa.

Que Mansidão a de Jesus nos muitos sofrimentos do Pretório, nessa flagelação de milhares de golpes e, mais tarde, sob o peso esmagador da Cruz!

E que Paciência nessa mesma Cruz, recebendo as maldições com bênçãos, a injúria com o perdão, a ingratidão com a graça. Mas a doçura de Jesus brilha com fulgor sem igual ao exclamar: "Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?" Ah! Esse abandono do Pai foi a provação máxima de Jesus. Nunca se queixou das dores físicas, nem da Sua crucificação, mas essa dor do Coração leva os Seus sofrimentos ao auge. E então o revela. Jamais nos teria sido dado a conhecer este novo sacrifício, se Jesus não no-lo tivesse ensinado.

Mas sua queixa é toda respeitosa. "Meu Deus, meu Deus", e a sua exclamação é antes um ato de amor no sacrifício, de que só falará quando estiver consumado, terminando com estas palavras divinas: "Meu Pai, entrego a minha Alma entre as Vossas Mãos".

Ó bom Jesus, é certamente na Cruz que Vos mostrais manso e humilde de Coração, tudo atraindo a Vós pela Vossa doçura: o ladrão penitente, os carrascos contritos, o mundo todo - também o meu pobre coração!

A exemplo de Jesus, ó minha alma, tu praticarás a doçura de paciência na moléstia e no sofrimento. A doçura de paz nas contradições. A doçura de submissão no infortúnio. A doçura de amor na cruz.

"Bem-aventurados os mansos de coração, porque possuirão a terra."
"Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia."
"Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus."

(A Divina Eucaristia, Escritos e Sermões de São Pedro Julião Eymard, volume 3)
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