domingo, 12 de setembro de 2010

VI- AS RAZÕES DAS DORES DE MARIA

AS DORES DE MARIA
VI- AS RAZÕES DAS DORES DE MARIA


A vista das imensas dores desta Virgem tão compadecida, perguntamos imediatamente a nos mesmos como Deus permitiu que Ela fosse triturada a este ponto.

A questão merece seguramente uma resposta, pois Ela supõe o conhecimento dos sublimes desígnios de Deus sobre Maria, e nos ensina como é que devemos carregar as cruzes que a Providência coloca sobre nossos ombros, e mesmo desejar o sofrimento por amor de Deus.

Os sofrimentos de Maria não eram necessários, por necessidade absoluta, para operar a redenção do mundo, mas Deus quis que fossem necessários por necessidade de conveniência.

"O ódio da serpente infernal, diz São Crisóstomo, começara por Eva a perpetrar o desastre original; convinha, por conseguinte, que Maria, nova Eva, interviesse no ato da reparação, efetuado pelo novo Adão".
(S.J.Crys.: De interdict)

É o mar de Deus a Maria.

Pode o amor dar algo de melhor do que a si mesmo?...

Ora, em Jesus tudo era sofrimento. Maria deverá, portanto, assemelhar-Se ao Seu divino Filho, deverá participar das Suas dores, porque participa do Seu amor.

A lei que atinge a Jesus deverá envolver Maria. E esta lei, nós o sabemos, era uma lei de sacrifício e de expiação, em que a ignomínia e a abjeção deviam chegar quase ao aniquilamento. Maria teria sido um simples instrumento e não uma mãe, se Ela tivesse  sido separada de todas estas coisas.

O crescimento dos méritos da Santíssima Virgem foi mais uma razão dos Seus sofrimentos. E sobretudo nos sofrimentos que se acumulam os méritos. A qualidade de Mãe de Deus não teria sido uma razão suficiente para que Maria fosse elevada ao céu, sem a graça santificante que precedeu e seguiu esta dignidade da maternidade divina.

A elevação legítima de Maria devia depender  dos Seus méritos e os Seus méritos deviam ser adquiridos evidentemente por uma longa série de sofrimentos. (Cfr. Bourdaloue: Sermão sobre a Assunção)

Como avaliar então os arrebatamentos que atualmente enchem no céu a alma de nossa Mãe querida e nos quais Ela reconhece as recompensas especiais devidas a cada uma de Suas dores?...

E por prodigiosa que seja a grandeza da recompensa, Ela vê pormenorizadamente como correspondeu a cada um dos Seus sofrimentos em particular, e como esta recompensa nasceu dos Seus sofrimentos.

Setenta e dois anos de alegria estática jamais teriam, na ordem atual dos desígnios de Deus, elevado o Seu trono tão próximo do trono de Deus. (Jamar: Maria Mãe da dor)

Uma terceira razão das dores da Imaculada era a glória que Deus devia receber dEla.

A maior misericórdia de Deus para com as criaturas é o permitir-lhes contribuírem à Sua glória e fazê-lo de um modo inteligente e livre.

Mas quem melhor do que Maria se achava em condições de procurar esta glória? Ela que era tão próxima de Deus e tão vibrante de amor e de vida sobrenatural. Dela Deus pode receber mais glória não só do que de qualquer outra criatura, mas ainda do que de todas as criaturas reunidas, excetuando-se, evidentemente, a natureza de Jesus Cristo.

A Mãe de Jesus estava cumulada, sem dúvida, das graças poderosas que exigia uma correspondência tão maravilhosa à vontade divina, mas Ela nunca recebeu do Seu divino Filho dom algum, ao qual ligasse tanto apreço, como à Sua compaixão. Não! para ganhar o mundo, Ela não teria consentido em se privar da menor circunstância que pudesse agravar a Sua dor.

Portanto, foi Maria quem pagou, por assim dizer, a dívida que os santos tinham contraído com Jesus pela Sua paixão e que eles nunca podiam saldar.

Maria, ao pé da Cruz, era o mundo em adoração, pois nenhuma criatura adorava então a Jesus em Suas humilhações. Tudo se concentrava, pois, na pessoa desta Virgem das dores; Ela era como que o centro, o coração e a voz do mundo inteiro.

A quarta razão das dores de Maria é que Ela era mãe, e qual é a mãe que não sofre para com o seu filho?...

A mãe não é mãe por um título nobiliárquico, e, sobretudo, ela não pode ser "Consoladora dos aflitos", como Maria o deveria ser, por um simples decreto emanado da vontade. Poderia dar-se isto, mas Deus não o quis.

A sentença promulgada contra Eva: "Darás à luz na dor", é, ao mesmo tempo, uma lei e um mistério, uma condenação e uma profecia.

A partir deste momento a dor se torna uma condição inevitável para a mulher se tornar mãe, tanto na ordem natural, como na ordem da graça. A qualidade de mãe é inseparável da qualidade de mártir.

"Maria, ao pé da Cruz, diz São Bernardino de Sena, adquiriu o titulo de Mãe dos cristãos com o preço das mais incompreensíveis dores e, gerando-nos à graça, Ela sentiu, ao mesmo tempo, todas as dores suportadas pelas mães que comunicam a vida na natureza aos seus filhos. Maria sentiu-as todas ao mesmo tempo, gerando-nos à graça ou dando-nos à luz da graça, e deste modo, os seus sofrimentos igualaram os sofrimentos de todas as mães".

A razão por ele apresentada prova-nos que Maria tendo-nos gerado a todos para a salvação, teve que sofrer para casa um de nós em particular.

Uma quinta e última razão que entrevemos das dores da Virgem, é o desígnio de Deus em dar-nos Maria por modelo.

A dor caracteriza mais ou menos toda a vida humana e, encerrando em si os meios particulares de união com Deus, desarranja e perturba, mais do que qualquer outra coisa, as nossas relações com Ele.

cristãmente a dor é talvez a obra mais elevada e mais árdua que temos nós a realizar, e está em grande parte nos desígnios de Deus que a soma das dores que devemos suportar cresça com o grau de santidade que nos torna capazes de as suportar.

E, sob este ponto de vista, que horizonte luminoso se abre aos nossos olhos!...

A mais pura, a mais doce, a mais santa das criaturas nos aparece esmagada e triturada pela dor e nos ensina como devemos sofrer e como devemos galgar o Calvário da nossa vida.

Como é doce, nas horas de lassidão e de provação, apoiar a cabeça e o coração sobre o coração sanguinolento de Maria!

Como aí irradia levemente o amor, através das lágrimas e das angústias!

Como ele atrai e repousa o coração! Como ele nos pede sobretudo um pouco de reciprocidade de amor, a pequena chama de nosso coração para uni-la ao incêndio do coração da "Virgem das dores"!

(Por que amo Maria, pelo Pe. Júlio Maria, segue com o post: Maria, Rainha dos mártires)

PS: Grifos meus.
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