sábado, 11 de setembro de 2010

Educação sobrenatural - Parte III

EDUCAÇÃO SOBRENATURAL
III- PARTE

A ILUMINAÇÃO DA VIDA SOBRENATURAL

"Aquele que Me segue não caminha nas trevas"

Como se obtém a iluminação da vida sobrenatural?
- Pela instrução religiosa.
- Pela formação da consciência.

Artigo I - A instrução religiosa

Como se divide este artigo da instrução religiosa?
Em três parágrafos que tratam:

- De diversas circunstâncias desta instrução;
- Do objeto desta instrução;
- Do meio principal desta instrução.

1º- As diversas circunstâncias desta instrução

"Ai do conhecimento estéril que não conduz a amar e se atraiçoa a si mesmo".
(Bossuet)

Qual é a importância desta instrução?
- A instrução religiosa ocupa o primeiro lugar pela dignidade do seu objeto, que é Deus.

- Merece este primeiro lugar por sua necessidade. Bento XV afirma que uma grande parte daqueles que foram condenados, sê-lo-ão por causa da sua ignorância dos principais mistérios da fé.

- "É na verdade, pensando bem, a única instrução necessária. Ela pode, se for preciso, substituir todas as outras, e nunca pode ser substituída. De que aproveitaria a vossos filhos saber tudo o mais, se não conhecessem a religião, se não conhecem Jesus Cristo? De que vale a ciência das línguas àquele cuja boca se fechará em breve e que a morte vai reduzir a silêncio? De que vale no outro mundo a geografia deste? De que valem os escritos, a música, a pintura, às mãos que em breve se mirrarão e que amanhã estarão envoltas num sudário? O conhecimento da história do tempo para aqueles que deve entrar na eternidade?"
(Mgr. Pichenot)

Quem deve primeiramente dar esta instrução?
São os pais, e sobretudo a mãe.

Nas famílias cristãs, o pai e a mãe consideram como uma das suas primeiras obrigações a de ensinar a seus filhos a doutrina do catecismo, os principais fatos da história sagrada, as mais belas cenas do Evangelho; os serões de inverno, as longas horas dos domingos e dias feriados são consagrados em grande parte a este nobre trabalho.

Não será exagerado fazer votos para que esta prática se generalize. Pais e filhos melhor instruídos e mais facilmente preservados.

Quando se deve dar esta instrução?
Deve dar-se esta instrução logo que a criança revele alguns vislumbres de inteligência, por conseguinte desde os primeiros anos.

A Sagrada Escritura no-lo recomenda.

O velho Tobias ensina seu filho a temer a Deus e a fugir do mal ab infantia, desde a mais tenra idade. Os santos, os verdadeiros cristãos, têm procedido sempre da mesma forma.

A razão e a experiência confirmam a veracidade do provérbio: o que o berço dá a tumba o leva. É bom não esquecer que as lições devem ser curtas e frequentes.

As crianças, numa idade tão tenra, são capazes de compreender alguma coisa das verdades da religião?
Sim, muito mais do que geralmente se crê. E isto por três razões:

- Elas possuem a graça, e está escrito: Bem-aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus.

- Com a graça, tem a fé infusa.

- Têm um mestre no fundo do coração: o Espírito Santo.

Como se deve dar esta instrução religiosa?
Deve dar-se de maneira a penetrar a alma.

E como penetrará o educador a alma dos seus alunos, se ele mesmo não estiver penetrado? E como temperará a mãe a alma dos seus filhos, se ela mesmo o não estiver? Como lhes comunicará a fé, o amor de Deus e todas as outras virtudes cristãs, se ela as não sentir transbordar na sua alma? É aqui, sobretudo, que se faz sentir a necessidade fundamentalmente da santidade pessoal.

A instrução religiosa pode dar-se como qualquer outra instrução?
Não.

O ensinamento das coisas humanas, em rigor, não demanda mais que clareza nas exposições e paciência nas repetições. Ao passo que o ensinamento das coisas divinas exige a clareza, a paciência e um ardente amor de Deus.

Há muitos pais educadores que satisfaçam a estas condições?
Não, desgraçadamente.

São Paulo (I Cor., IV, 15) diz-nos que há milhares de pedagogos mas pouco pais.

Quantos pais e educadores não passam de pedagogos, quer dizer, professores que ensinam a religião como explicam um problema ou uma página de gramática; que projetam no espírito uma luz sem calor; que só exigem de seus alunos saber sem amor; que não traduzem nas suas palavras e nas suas atitudes nem fé, nem amor pelas verdades ensinadas!

Quando do inquérito aberto pela Croix, há alguns anos, sobre a ignorância religiosa, um padre contava, com uma humildade encantadora, que tinha encontrado um dia um dos seus antigos alunos de catecismo, tornado depois franco-maçom militante, e lhe perguntava a razão da sua apostasia.

- Então que quer? Eu desejaria triunfar... E depois que é que me poderia deter? A minha instrução religiosa era apenas aquele que me havia ensinado no catecismo, e o senhor ensinava mal!

Seria isto verdade? No caso particular a que nos referimos, duvidamos disso. Mas o que é certo é que os pedagogos são absolutamente incapazes de penetrar a alma e de dar convicções.

Qual é o grande meio de fazer penetrar as verdades religiosas na alma das crianças?
É fazer com que elas as amem...

Como farão os pais amar a religião?
- Pelas suas palavras.

Dirão a seus filhos que o primeiro mandamento não é: tremerás, mas: amarás. Mostrar-lhes-ão Jesus Cristo tomando a forma duma criancinha, fazendo-Se realmente nosso irmão para arrebatar o amor dos nossos corações. Ensinar-lhes-ão que Nosso Senhor Jesus Cristo enviou os Seus apóstolos como cordeiros ao meio dos lobos, e que São Paulo se assemelhava a uma ama que acarinha os seus filhinhos. Tanquam si nutrix foveat filios suos. (I. Tes. II, 7)

Repetir-lhes-ão estas palavras de Santo Agostinho:

"Tudo o que Jesus Cristo ensina é verdade, tudo o que ordena é caridade; tudo o que promete é felicidade".

- Pelos seus atos.

Tomarão uma expressão de felicidade quando falarem de Deus e dos deveres da vida cristã. Nos dias da comunhão estarão mais bem dispostos, mais carinhosos, mais amáveis. Quando forem obrigados a começar pelo temor, acabarão ordinariamente pelo amor.

(Catecismo da educação, pelo Abade René de Bethléem, continua com o post: O objeto desta instrução)

PS: Grifos meus.
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