terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Filantropia x Caridade

SOBRE A CARIDADE
pelo 
Papa Pio XII

São Vicente de Paulo
Caridade. Caridade é a palavra às vezes usada livremente para significar uma espécie qualquer de atividade benévola ou filantrópica. Mas caridade tem um significado sacro e consagrado. A caridade é diversa de qualquer outro amor humano porque é uma réplica do amor de Cristo para com o homem. "Dou-vos um novo mandamento, que vos ameis uns aos outros" "que vos ameis um ao outro como Eu vos amei". Isto é caridade. São Paulo escreve aos Romanos (15, 7) "Ajudai-vos uns aos outros como Cristo vos ajudou para a glória de Deus". Isto é caridade.

Amar-vos-eis uns aos outros, disse Cristo, como Eu vos amei a vós - "não como amam aqueles que corrompem a inocência ou a fé" comenta o imortal Agostinho (ln Joannis Evang. trato 65 c 13 - Migne PL t. 35 col. 1808-1809); "não como os homens se amam uns aos outros, simplesmente porque são membros da mesma raça humana, mas como amam quantos sabem e professam que todos os homens são filhos de Deus, filhos do Altíssimo no qual se deve formar e aperfeiçoar à semelhança de irmão do único Filho gerado".

"Amar-vos-eis uns aos outros como Eu vos amei." E que coisa amou Cristo no homem, senão Deus? Não no sentido em que Ele encontrou Deus em cada homem, mas no sentido que Ele esperou, através do amor, restaurar Deus em cada homem. Diz-se que um doutor ama o doente; mas então que é que ele ama no doente? Certamente não a doença. Não, ele ama a saúde, que espera dar novamente ao paciente. A caridade significa que vos ameis reciprocamente de modo tal a levar Deus sempre mais na vida de cada um, de modo que ligados pelo Espírito do Amor divino possam colaborar na formação de um corpo não indigno da Cabeça divina.

A semelhança do viajante de que fala o Evangelho, a raça humana caiu entre ladrões que roubam os seus tesouros de fé e de amor e deixam-na perecer na necessidade.

Leigos do mundo avizinhai-vos deste grande inválido: E enquanto levais para ele o pão para nutrir o corpo e vos esforçais pessoalmente para providenciar às suas variadas necessidades, juntamente com o bom samaritano inclinai-vos e tentai gentilmente lenir suas feridas e verter sobre elas o óleo da mensagem consoladora de Cristo. Sussurrai no ouvido, de há muito talvez surdo ao conselho sacerdotal, palavras de encorajamento, de esperança e de paz e o exemplo do vosso amor cristão apressará o dia em que uma vítima amargurada pela dor ou pelo insucesso ou pela injustiça retornará àqueles que Deus constituiu guardiões e médicos das almas.

Oh, nós sabemos o imenso bem que as Conferências e as demais Caridades Cristãs estão fazendo em muitas paróquias e Nós as abençoamos de todo coração. A caridade, porém, não deve jamais olhar para trás, mas sempre para frente.

O número das obras realizadas é sempre pequeno enquanto que as misérias presentes e futuras que ocorre consolar, são sem fim.

Nós desejaríamos ver todos os jovens unidos na mente e no coração em alguma obra de caridade cristã. Não se trata de dar dinheiro: trata-se de dar a si mesmos. Tal apostolado reavivar-lhes-ia a fé, daria direção e estabilidade a uma correta atitude diante das coisas frívolas da vida, acordaria a potência do exemplo e contribuiria potentemente para remediar os males da desigualdade social e de raça.

Ó coração misericordioso de Jesus, verte o teu amor e conforto na vida dos pobres, dos sofredores, de quantos estão afligidos no corpo e na alma, de quantos são membros caros do Teu Corpo (1).

(1) Rádio-mensagem ao Continente Americano, 12 de outubro, 1947. 

Fonte: Pio XII e os problemas do mundo moderno, tradução e adaptação do Padre José Marins, 2.ª Edição, edições Melhoramentos.

PS.: Grifos meus.
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