sábado, 30 de janeiro de 2010

Grandes almas!


As grandes almas

Quando falo de grandes almas, não penso nos heróis cuja ação abalou o mundo, cujo nome ressoa por toda parte e figura em todos os jornais. A maioria dos homens não têm, no decurso da vida, uma só ocasião de fazer um ato de heroísmo. Os jovens são cheios de entusiasmo.

Contam com fogo o que fariam numa expedição ao pólo sul, afirmam que morreriam de bom grado pela sua fé, que gostariam de dar a vida por Cristo nas missões, que estão prontos a derramar seu sangue pela pátria... e muitas outras coisas semelhantes. Por certo que é belíssimo esse entusiasmo; mas, se fica apenas no devaneio, se não é amadurecido, não vale grande coisa na simples vida de todos os dias. Porque sacrifício semelhante, provavelmente jamais lhes será pedido.

O que importa, é procurar utilizar a força desse entusiasmo, fazendo-o enfunar as velas dos pequenos deveres quotidianos. Desta maneira, representará já uma energia motora considerável. Se quiseres dar uma volta de bonde, uma nota de cem mil réis, no teu bolso não te será de nenhuma utilidade. Se não tiveres dinheiro miúdo, o condutor logo te fará descer; fazer o que com tamanha nota?

Pois bem, é exatamente assim na vida moral. Se não trocares em dinheiro miúdo o teu ideal de patriotismo, ou o teu desejo de martírio, não poderás cumprir convenientemente os mandamentos da nossa religião, nem os teus deveres patrióticos, - todos, até os mais pequeninos, - com perseverança invencível.
Podes hoje praticar a tua fé sem receio do martírio e, provavelmente, não terás que morrer como herói pela pátria. Mas o que a religião e a pátria esperam de ti é, desde agora, uma vida heróica! E isto é mais difícil. Bem sabes, pelo exemplo de infelizes suicidas, que muitas vezes é preciso mais coragem para viver do que para morrer.

Durante a guerra, tiveram que vacinar soldados contra a cólera. E sabes o que eu vi então, com grande surpresa, no hospital da retaguarda onde servia? Aqueles robustos rapagões que não haviam pestanejado debaixo duma saraivada de obuses, puseram-se a tremer diante da inofensiva seringa de injeção. Bem vês que o entusiasmo heróico quase não existe na vida diária.
Conheço homens em cujo ânimo a coragem é leviandade e vaidade, muito mais do que a virtude.

Pode ser que esses homens não temam sem seque a morte, - mas o que eles temem, certamente, são os sofrimentos que a vida lhes pode reservar; e este temor fá-los covardes e pecadores.
O público do circo olha, trêmulo, os saltos perigosos dos acrobatas; mas não acredites que esses que expõem assim a vida tão levianamente sejam capazes, a sair-se de dificuldades, em alguma circunstância pouco importante.
É preciso menos coragem para, no mês de julho, mergulhar num rio gelado, do que para ficar fiel aos princípios de pureza moral, num sociedade mal orientada.
A coragem de dizer sempre a verdade!
A coragem de permanecer honesto!
A coragem de nunca abandonar seus princípios!
Eis o que faz as grandes almas.

(O Moço de caráter - Mons. Tihamér Tóth)
PS: Grifos meus
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