terça-feira, 21 de março de 2017

MARIA ENSINADA À MOCIDADE



Quem é a Santíssima Virgem?

A Santíssima Virgem Maria é a Mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus feito homem para nos salvar.
Para bem conhecer a vida da Santíssima Virgem, não basta considerar o tempo que Maria passou sobre a terra; precisa-se ainda seguir o curso dos séculos que precederam seu nascimento, e durante os quais tantos oráculos e figuras anunciaram-na ao mundo; penetrar até nas profundidades da eternidade onde, pela sua predestinação, esta Augusta Virgem existiu no pensamento do Altíssimo, inseparavelmente unida ao Cristo Redentor, o «Primogênito de toda criatura» (São Paulo, aos Colos., 1, 15).
Com efeito, de toda eternidade, Deus tinha previsto o pecado do primeiro homem; desde então, tinha resolvido repará-lo pela Encarnação de seu Unigênito, e decretado que este inefável mistério se cumpriria no seio virginal de Maria.


I. — Predestinação, Promessas.


2. Que se deve entender por «predestinação» de Maria?

Deve-se entender o lugar especial e privilegiado que Maria ocupou no pensamento de Deus decretando e preparando, desde toda a eternidade, a grande obra de nossa redenção...
Deus tinha diferentes meios para purificar o homem da mancha do pecado; na hipótese da Encarnação, isto é, da união pessoal do Verbo com a natureza humana, «Deus podia mesmo, diz São Francisco de Sales[1], formar de diversos modos a humanidade de seu Filho: criando-a do nada, ou como fez Adão e Eva, ou de qualquer outro modo; mas preferiu o plano que realizou: efetuar a Encarnação do Verbo pela divina maternidade de Maria».

3. Para o que foi predestinada Maria?

Maria foi predestinada para ter a honra de ser a Mãe do Verbo, feito homem, e, por isso, para os mais ricos dons da graça neste mundo e para a maior glória no outro.
Além da predestinação à graça e à glória comum a todos os eleitos, Maria foi objeto de uma predestinação especialíssima, muito acima de toda a comparação, que é a predestinação à maternidade divina, fonte, causa e fim da todas as suas perfeições.

4. É esta predestinação muito gloriosa para Maria?

Esta predestinação é para Maria o motivo de uma glória incomparável, porque, de toda a eternidade, uniu-a no pensamento divino, ao Verbo Encarnado, e tornou-a participante da dignidade de seu divino Filho[2].
Maria não tinha ainda nascido, e já tratava-se dela nos conselhos da adorável Trindade. Já Deus o Padre amava-a como sua filha, Deus o Filho amava-a como sua mãe; Deus o Espírito Santo amava-a como sua esposa. Que predileção! Ó Virgem celeste, como os homens não vos hão de amar e glorificar no tempo, quando o Senhor deposita em vós suas complacências desde os séculos eternos?

5 — Não fomos nós também objeto de uma predestinação completamente gratuita da parte de Deus?

Sim, porque, desde toda a eternidade, Deus resolveu, na sua bondade, chamar-nos à vida, preferindo-nos a milhões de seres possíveis, que nunca hão de existir; ainda mais: predestinou-nos para tornarmo-nos, pelo batismo, seus filhos adotivos, membros do corpo místico de Cristo, que é a Igreja, e templos vivos do Espírito Santo; enfim, preparou-nos uma infinidade de graças, as quais se soubermos corresponder[3] a elas, ajudar-nos-ão a merecer uma glória eterna no céu.

6 — Que sentimentos devem inspirar-nos a lembrança dos benefícios de Deus a nosso respeito?

A lembrança dos benefícios de Deus a nosso respeito deve penetrar-nos da mais viva gratidão para com este bom Pai e estimular-nos poderosamente a bem cumprir os deveres que nos impõe o nosso título de cristão, de católico, para que possamos participar um dia, no céu, da glória de Cristo, nosso divino Chefe.






[1] Tratado de amor de Deus, liv. II, cap. iv.
[2] É porque, no plano divino, a predestinação de Maria à maternidade divina confunde-se com o decreto da Encarnação, que a Igreja aplica a Nossa Senhora este trecho dos Livros sagrados onde se acha descrita a origem eterna do Verbo de Deus, a Sabedoria incriada: «O Senhor me possuía no começo de suas sendas e desde o princípio, antes que desse o ser à criatura alguma. De toda eternidade fui ungida e desde os tempos mais remotos, antes que a terra fosse formada. Ainda não existiam os abismos, e eu era concebida; as fontes ainda não tinham brotado, as montanhas não estavam assentadas; antes dos outeiros, já eu existia, antes que se fizessem a terra,os rios, antes que se firmassem os polos do mundo... » (Prov., VIII, 22-26).
[3] Corresponder à graça é receber com ardor e prazer as suas inspirações, com elas conformar o procedimento e aproveitar todos os socorros que a Providencia manda para nossa salvação.
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