domingo, 28 de fevereiro de 2016

13 — Bondade usada pelos Anjos para com as almas inocentes

Nota do blogue: Acompanhe esse Especial AQUI.


13 — Bondade usada pelos Anjos para com as almas inocentes 

É bem claro que os Anjos não escapam à regra geral, amamos de preferência e com mais ternura e espontaneidade aos que se nos semelham.
Uma criatura verdadeiramente angélica, verdadeiro Anjo em carne mortal foi santa Rosa de Lima. E, para glória da nação peruana, foi ela a primeira flor de santidade que germinou em terras de América Meridional.
Era ainda criança quando resolveu construir uma celazinha para recolher-se em oração, penitência e meditação das coisas celestes. Ora, uma noite, quando orava no seu pequenino oratório, subitamente se viu desamparada de forças, e como a desfalecer. Obrigada a deixar a cela, que ficava no jardim, correu à casa para junto de sua Mãe. Vendo-a esta, assim pálida e aflita, mandou a criada que fosse imediatamente comprar algum chocolate e que o preparasse para Rosa.

Replicou, entretanto, Rosa que tal ordem não era necessária, pois da casa de uma tal Maria Usátegui, das relações da família, lhe enviariam em breve o alimento que desejava. A mãe julgou que a filha estivesse gracejando. “Não vês, disse-lhe, que ninguém em casa da Usátegui pode saber que tens necessidade de tal alimento? Não estavas em tua celazinha do jardim?… Só se de lá tivesses mandado alguém à casa de nossa amiga… Mas… quem lá mandaste? Portanto, vai, disse ela à criada, e cumpre com a ordem que te dei.” — “Não, Mamãe, disse Rosa, rogo-lhe que espere ainda um instante. Não demora a chegar o criado de Maria Usátegui com o meu chocolate.”
Não eram acabadas estas palavras quando chegou o criado.
Diante de tal fato a mãe quis saber de toda a verdade. Quem havia sido mandado à casa dos Usátegui?
Candidamente Rosa explicou: “é o meu Anjo da Guarda, Mãezinha querida, que acaba de me prestar tal serviço. Logo que me senti desfalecente pedi ao meu santo Anjo que fosse a essa casa, e lá dissesse o que comigo se passava, e de que estava eu necessitada. Jamais deixa de conceder-me o meu bom Anjo da Guarda o que quer que lhe peça.”
Bem mostra a naturalidade com que se expressou Rosa o quanto lhe era frequente fazer ao seu Anjo e dele receber tais provas de terna e santíssima amizade.
Deu-se um fato semelhante a este pouco tempo depois.
Era costume da mãe de Rosa ir buscá-la à sua cela do jardim uma hora antes da meia noite, para levá-la ao seu quarto de dormir. Descuidou-se, entretanto, uma noite, e Rosa já lá ia ficando se não fosse o seu santo e bom Anjo da Guarda. Com efeito, vendo este que Rosa ali iria ficar, talvez a noite toda, encarregou-se de fazê-la sair da cela, conduziu-a pelo jardim e a fez entrar em casa, abrindo-lhe as portas que já estavam fechadas a chave. E quando percebeu a mãe de Rosa o seu esquecimento, já a filhinha, com grande espanto seu, lhe entrava no quarto.[1]
É sempre verdade que a “santa Igreja Católica” é verdadeiramente “santa”. Nenhuma religião teve jamais em seu seio anjos como Rosa de Lima.
E é sempre verdade que os Anjos do céu se comprazem na companhia e no trato dos Anjos da terra.

[1]     Hansen, Vida da Santa, c. 15, n. 201. Quanto aí fica narrado refere-o também Clemente X na bula da canonização da santa.
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