quinta-feira, 26 de junho de 2014

Comunhão por Antero de Quental

Comunhão
(Antero de Quental, in "Sonetos")


Reprimirei meu pranto!... Considera 
Quantos, minh'alma, antes de nós vagaram, 
Quantos as mãos incertas levantaram 
Sob este mesmo céu de luz austera!... 

— Luz morta! amarga a própria primavera! — 
Mas seus pacientes corações lutaram, 
Crentes só por instinto, e se apoiaram 
Na obscura e heróica fé, que os retempera... 

E sou eu mais do que eles? igual fado 
Me prende á lei de ignotas multidões. — 
Seguirei meu caminho confiado, 

Entre esses vultos mudos, mas amigos, 
Na humilde fé de obscuras gerações, 
Na comunhão dos nossos pais antigos. 
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