domingo, 22 de novembro de 2009

Os deveres do marido e da mulher (Pio XII) - III Parte de VI


III Parte

Sim; a esposa e mãe, é o sol da família. Sol com sua generosidade e dedicação, com sua constante prontidão, com sua delicadeza vigilante e previdente em tudo o que serve para tornar alegre a vida ao marido e aos filhos.

Em torno dela difunde-se luz e calor; e costuma-se dizer então que um matrimônio é bem-aventurado, quando cada um dos cônjuges, ao contraí-lo, mira fazer a felicidade não própria, mas da outra parte; este nobre sentimento e esta intenção, embora dizendo respeito a ambos, é porém antes de tudo virtude da mulher, que nasce com as palpitações de mãe e com o seio de coração; aquele seio que, se recebe amargura, não quer dar senão alegria; se recebe humilhações, não quer dar senão dignidade e respeito; à semelhança do sol que alegra a manhã nebulosa, com seus albores e doura os ninhos com raios de seu ocaso.

A esposa é o sol da família pela clareza de seu olhar e pela chama de sua palavra; olhar e palavra que penetram docentemente na alma, dobram-na e a enternecem e a solevam fora do tumulto das paixões, e reclamam para o homem a alegria do bem e da conversação familiar, depois de um longo dia de contínuos, por vezes penosos trabalhos profissionais ou campestres, ou de imperiosos afazeres do comércio ou da indústria.

Seu olhar, seus lábios lançam lume e têm um acento de mil fulgurações em um luzir, mil afetos em um som. São lampejos e sons que saem do coração da mãe, criam e vivificam o paraíso da infância, e sempre irradiam bondade e suavidade, ainda quando avisam e reprovam, porque os ânimos juvenis, que mais forte sentem, mais intimamente e profundamente acolhem os ditames do coração.

A esposa é o sol da família com sua cândida naturalidade, com sua digna simplicidade e com seu decoro honesto e cristão, tanto no recolhimento e na retidão do espírito, como na sutil harmonia de seu comportamento ou de seu vestido, de seu ajustamento e atitude, ao mesmo tempo reservados e afetuosos.

Sentimentos leves, delicados acenos do rosto, ingênuos silêncios e sorrisos, um condescendente movimento de cabeça, dão-lhe a graça de uma flor eleita e simples, que abre suas corolas para receber e refletir as cores do sol.

Oh! se vós soubésseis que profundos sentimentos de afeição e reconhecimento tal imagem de esposa e de mãe suscita e imprime no coração do pai e dos filhos!

Ó anjo, que guardais a casa e escutais suas preces, espargi de perfumes celestes este lar de felicidade cristã!

Mas se suceder que a família permaneça sem este sol, como será? Se a esposa continuamente e a cada circunstância..., não titubeia em fazer sentir quantos sacrifícios lhe custa a vida conjugal? Onde está sua amorosa doçura, quando com uma excessiva dureza na educação, com uma não excitabilidade e uma irritante frieza no olhar e na palavra sufoca nos filhos o sentimento e a esperança de encontrar alegria e feliz paz junto da mãe?

Quando ela não faz senão perturbar triste e amargamente, com voz áspera, com lamentos e reprovações, a confiante convivência no círculo familiar? Onde está a generosa delicadeza e o terno amor, quando ela, em troca de criar com natureza e medida simplicidade uma atmosfera de agradável tranqüilidade na casa, toma ares de irrequieta, nervosa e exigente senhora da moda?

É talvez isto difundir benévolos e vivificantes raios solares, ou é antes um esfriar, com vento glacial o jardim da família? Quem não se maravilhará então se o homem, não encontrando naquele lar o que o atraia, retenha e conforte, afaste-se o mais que puder, provocando semelhante afastamento da mulher, da mãe, quando o afastamento da mulher já não tenha preparado o afastamento do marido; um e outra indo-se assim à procura, fora - com grave perigo espiritual e com dano para a união familiar - do sossego, do repouso, do bem-estar, que lhes não concede a casa?

Em tal estado de coisas os mais desventurados a sofrer são fora de qualquer dúvida os filhos!

(Discurso aos esposos - 25 de fevereiro, 1944 - Pio XII - retirado do livro: Pio XII e os problemas do mundo moderno- continua...)
PS: Grifos meus

sábado, 21 de novembro de 2009

Os deveres do marido e da mulher (Pio XII) - II Parte de VI


II Parte

Então o marido, operário ou agricultor, quer exerça uma profissão liberal, ou seja homem de letras, ou da ciência, ou artista, empregado ou funcionário, é inevitável que sua ação seja exercitada, na maior parte do tempo, fora de casa, ou que apenas em casa se confine, no longo silêncio do estudo, que nada tem a ver com a vida de família. Para ele o lar tornar-se-á lugar onde, no fim do trabalho cotidiano, restaurará suas forças físicas e morais, com o repouso, na calma, na alegria íntima.

Para a mulher, pelo contrário, regularmente este lar permanecerá o refúgio e ninho de sua obra principal, daquela obra, que, aos poucos, fará daquele remanso, por pobre que seja, uma casa alegre e tranqüila pela convivência, que se embelezará não pela mobília e pelos objetos, como nos hotéis, sem estilo nem sinais pessoais, sem própria expressão, mas bela pelas recordações, que deixam sobre os móveis ou se prendem às paredes, pelos acontecimentos da vida vivida junta, os gostos, os pensamentos, as alegrias e as penas comuns, traços e sinais por vezes visíveis, entre outros quese imperceptíveis, mas dos quais o lar material, no decorrer do tempo, haurirá sua vida.

A alma, porém, de tudo será a mão, será a arte feminina, porque a esposa tornará atraente cada ângulo da casa, ao menos com a vigilância, com a ordem e limpeza, tendo cada coisa em seu lugar, preparada para o momento desejado; almoço para restaurar das canseiras, leito para o repouso.

À mulher, mais do que ao homem, Deus concedeu o dom, juntamente com o sendo da graça e de satisfação, de tornar lindos, agradáveis, os objetos mais simples, precisamente porque ela, formada igual ao homem, como sua companheira para com ele constituir a família, nasceu feita para difundir a gentileza e a doçura em torno do lar de seu marido, e fazer de tal modo que a vida a dois se componha bem e se demostre fecunda, florescendo no desenvolvimento real.

E quando à esposa o Senhor, em sua bondade, tiver concedido a dignidade de ser mãe, ao lado de um berço, o vagido do recém-nascido não diminuirá, nem destruirá a felicidade do lar; mas pelo contrário acrescerá e sublimará naquela auréola divina, onde esplendem os anjos celestes, e donde desce um raio de vida que vence a natureza, e regenerará em filhos de Deus, os filhos dos homens.

Eis a santidade do tálamo conjugal!
Eis a altitude da maternidade cristã.
Eis a salvação da mulher casada!

Já que a mulher, proclama o grande Apóstolo Paulo, salvar-se-á em sua missão de mãe, contanto que permaneça na fé, na caridade e na santidade com modéstia. Ora vós compreenderás como "a piedade é útil para tudo, tendo promessa de vida, quer da presente, quer da futura", e sendo, como explica Santo Ambrósio, o fundamento de todas as virtudes.

Um berço consagra a mãe de família; e mais berços a santificam e glorificam diante do marido e dos filhos, diante da Igreja e da pátria.

Estultas, ignaras de si e infelizes aquelas mães que lamentam, se uma nova criança se aperta em seu colo e pede alimento... Inimigo da felicidade do lar é o lamento por causa da benção de Deus, que o circunda e acresce. O heroismo da maternidade é apanágio e glória da esposa cristã: na desolação de sua casa, se ela está sem a alegria de um anjinho, sua solidão torna-se oração e invocação aos céus; a sua lágrima se ajunta com o pranto de Ana, que à porta do Templo suplicava ao Senhor o dom do seu Samuel.

(Discurso às mulheres da Ação Católica, 26 de outubro, 1941 - retirado do livro: Pio XII e os problemas do mundo moderno - continua ...)
PS: Grifos meus

Os deveres do marido e da mulher (Pio XII) - I Parte de VI


(As quatro primeiras partes são direcionadas aos deveres da mulher e as duas últimas aos deveres do esposo)

I Parte

A mulher foi dada por Deus a missão sagrada e dolorosa, mas também fonte de puríssima alegria, da maternidade, e à mãe é, sobretudo, confiada a educação primária da criança, nos primeiros meses e anos.

É certo e indubitável que para a felicidade de um lar, a mulher pode mais do que o homem. Ao marido cabe a primeira parte no assegurar a subsistência, o futuro das pessoas e da casa, parte principal lhe cabe nas determinações em que empenha o futuro , seu e dos filhos. À mulher cabem  aquelas diligências numerosas, particularizadas, aquelas imponderáveis atenções e cuidados cotidianos, que são os elementos da atmosfera interna de uma família, e, conforme agem retamente, ou ao contrário, alteram-se, ou mesmo faltam totalmente, tornam segundo o caso: sã, confortável, ou apressiva, viciada, irrespirável a convivência familiar.

Entre as paredes domésticas a ação da esposa  deve ser obra da "mulher forte" tão exaltada pela Divina Escritura; a mulher que tem a si confiado o coração do esposo, e que lhe fará bem e não mal, por todos os dias de sua existência.

Não é talvez uma verdade antiga e sempre nova - verdade radicada até na própria condição física da vida da mulher, verdade inexorável proclamada não somente pela experiência dos séculos mais remotos, mas ainda pela experiência recente de nossa época de indústrias devoradoras, de reivindicações de igualdade, de lutas "esportivas" - que a mulher faz o lar, e dele cuida; e o homem não poderá jamais nisto substituí-la?

É a missão que a natureza e a união com o homem lhe impuseram para o bem da própria sociedade. Arrastai-a, atirai-a fora e longe de sua família com a fascinação de uma das muitas causas que se rivalizam para vencê-la e cativá-la; vereis a mulher esquecer o seu lar; sem este fogo, o ar da casa se resfria; o lar cessará praticamente de existir, mudar-se-á em um precário refúgio de algumas horas; o centro da vida cotidiana do marido, dela mesma, e dos filhos trasmigrará para outro lugar.

Ora, queiramos ou não, para quem, homem ou mulher, é casado e ao mesmo tempo deseja permanecer fiel aos deveres de tal condição, o belo edifício da felicidade não se pode levantar senão sobre o estável fundamento da vida da família. Mas onde econtrareis a verdadeira vida da família, sem um lar, sem um centro visível, real de reunião, que congregue, reconha, radique, mantenha, aprofunde, desenvolva e faça florescer esta vida?

Não digais que materialmente o lar existe desde o dia em que duas mãos de apertaram e trocaram as alianças, e os dois novos esposos têm quarto comum, sob o mesmo teto, em seu apartamento, em sua casa, ampla ou apertada, rica ou pobre.

Não!

Não basta o lar material para o edifício espiritual da felicidade. É preciso elevar a matéria em aura mais espiritual, e do fogo terreno fazer surgir a flama viva e vivificadora da nova família...

Quem criará então, a pouco e pouco, de dia a dia, o verdadeiro lar espiritual, senão a obra daquela, que recebeu toda a confiança do coração de seu esposo?

(Discurso às mulheres da Ação Católica, 26 de outubro, 1941 - Retirado do livro: Pio XII e os problemas do mundo moderno - continua...)
PS: Grifos meus

Gratidão, além de palavras...



Não evitaremos o sofrimento
Sofrer! Este termo evoca todo um caos de suspiros, de angústias, de queixas, de lágrimas amargas, de sublimes adorações, de gritos lancinantes, de blasfêmias ímpias e de comovedoras grandezas morais. O som dado pela alma que sofre depende do metal em que ela é vazada.

Seja, porém, qual for o metal, a idade, a raça, a situação, a constituição física, o vigor ou a fraqueza moral, a dor fere e nunca deixará de ferir. Assim é desde a queda de Adão; assim será até o fim do mundo... Estamos, pois, em face de uma lei inelutável. Por mais que se berre, que se blasfeme, que se maldiga, com isso o sofrimento será apenas mais amargo, porém, não afrouxará o seu amplexo. Não será então melhor encará-lo de frente e pedir à Fé a arte de bem sofrer?

Atitudes diversas em face do sofrimento

Efetivamente, há muitas maneiras de sofrer.

- O estoicismo zomba: “Ó dor, tu não passas de um nome...” E, nesse gesto, há um orgulho condensado.
- A revolta blasfema, mostra o punho ao céu acusando a Deus e exprobrando-Lhe o torturar as suas criaturas.
- Em grau menor, ela murmura ou grita a sua frase conhecida: “Que fiz a Deus para que Ele assim me faça sofrer?...”
- A incompreensão só vê no sofrimento a picada dolorosa que ela não pode compreender; tal o ignorante que, em face de uma página de música só vê pontos pretos. E, depois, nós não admitimos que alguém nos possa compreender, se não passou pelo que nós passamos...
- A resignação faz-nos compreender que o mais sensato é aceitarmos, sem murmurar, aquilo que não podemos afastar.

A Atitude Cristã

Para a alma que ama a Cristo, a coisa é diversa; ela abraça o sofrimento com amor, às vezes mesmo vai-lhe ao encontro. Vê nele como que uma mensagem de amor, como um sacramento que contém uma vontade de Deus e que ela aceita.

Oh! Não é que os espinhos lhe sejam doces e a cruz leve! Não é que a sensibilidade, anormalmente desenvolvida, a induza a não sei que comprazimento mórbido na dor; não é que ela permaneça insensível em face da asperidade do sacrifício e das revoltas da natureza; porém essa alma acolhedora para com o sofrimento vive de fé, e reconhece a mão e o coração d’Aquele que só nos faz sofrer porque nos ama e porque nos quer tornar mais semelhantes a Si.

O pensamento de Jesus eleva-a acima de si mesma, une-a ao seu Redentor, faz-lhe desejar sofrer ainda mais, para ainda mais se parecer com Ele.


... Ela estuda Jesus padecente. Essa imagem que nos chega recoberta da lixívia de vinte séculos, ela sabe esforçar-se por compreendê-la na sua acuidade trágica. É este o trabalho da contemplação, que nos faz testemunha mudas e aterradas daquelas cenas de sangue, de ódio e de amor da primeira Sexta-Feira Santa.

Não tarda a alma a compreender que, se Cristo quis sofrer, sem dúvida foi pelo mundo em geral, mas foi também por ela. Penetrada então de gratidão imensa, ela quer fazer por Ele, em ponto pequeno, o que, divinamente, Ele fez por ela. Destarte, o sacrifício impõe-se como um dever de gratidão...

Praticamente

Vista de fora, qual será, pois a atitude da alma ante a provação? É relativamente fácil bendizer a cruz, desejá-la mesmo, enquanto ela não passa de uma imagem abstrata e remota... Mas, quando ela se abate pesadamente sem dizer “arreda!...”

Aí! Para muitos, é essa a hora de um despertar angustioso. A gente já não se lembra dos protestos de amor feitos num dia de fervor; os sofrimentos de Jesus não nos sensibilizam mais; os nossos aí estão, e já não vemos senão estes. Então, a gente se desdiz, indigna-se, protesta! Felizes de nós se conseguirmos parar no declive, ao menos na resignação!

...Outros, bravos, porém mais humildes, aceitam tudo de antemão, sem freses, sem “se”, sem “mas”, sem condições, calma e mesmo alegremente. A alegria no Fiat, não aumenta a dor, apenas duplica o mérito. É um suplementozinho gracioso, uma humilde flor do nosso jardim que oferecemos a Jesus. Porque ratinharmos com Ele?

Se Deus “ama aquele que dá com alegria”, não há de amar aquele que sofre com alegria?
É o mesmo prêmio, e tão mais belo, tão mais digno!

Enfim, há almas, e não são em geral as menos provadas, que não se satisfazem com as dores físicas e morais que formam o quinhão de cada um de nós neste mundo. Buscam o sacrifício por amor.


Compreendem que é o ato mais nobre, mais meritório que elas possam praticar; que é o amor elevado à sua suma potência; que ela tem de expiar por si e por outros; que às vezes são necessárias dores para poupar culpas; que o resgate de uma alma vale bem algumas horas de Calvário; que um instrumento precisa ser “brunido” de vez em quando, para manter-se em estado e poder servir... Enfim, que a alma, como a terra, necessita ser lavrada para ser fecunda...
(Figura - Martírio de São Bartolomeu)

...Destarte, ensaiam-se primeiro em sorrir à cruz, depois em cantar, depois em conformar-se a essa cruz, que se em incrustar-se nela, para poderem repetir a palavra do apóstolo:
“Estou pregado na cruz com Jesus Cristo”.

Contudo, não é o sacrifício voluntário o último degrau dessa via ascendente...Ninguém saberá sofrer melhor por Jesus do que a alma abandonada a todas as vontades divinas. Na provação como na alegria, ela permanecerá pequena, jubilosa e simples, bem tranqüila e bem amante. Deus, então, tratá-la-á como a uma criancinha, sabendo que ela nunca lhe dirá não!
***
Ó Jesus, que lição acabo de ler ai! Como ela é difícil de decorar! Sem dúvida, muitas vezes sucedeu-me sonhar com sofrimentos imaginários; isso lisonjeava deliciosamente o meu amor-próprio. Porém, mal a cruz se aproximava, brutal, rugosa, nua, eu me abatia, e talvez que a volta de mim as pessoas tivessem o direito de perguntar-se se eu ainda tinha fé! ...

Por toda a minha vida, pois, ficarei abaixo da minha tarefa!...

Quantas vezes não vo-Los hei prometido, esses sacrifícios que não tenho coragem de cumprir! Quantas vezes, em face do sofrimento, não tenho murmurado contra Vós! Quantas vez não tenho procurado despregar-me das cruzes em que o Vosso amor me havia, por um instante, estendido para meu maior bem!

Perdão, ó meu Redentor, é meu Rei crucificado! Perdão por haver sido tão pusilânime e tão covarde! De ora em diante, quando o sofrimento vier, encará-lo-ei bem de frente, pois através dele verei a Vós, e na minha cruz lerei a estampilha divina.

Vendo-Vos marchar na minha frente, com a Vossa Cruz nas costas, afigura-se-me que vos virais para me ver, de longe, se eu vos sigo.

Ó Vós que tanto me amastes, dai-me, pois a força de provar-vos a minha gratidão de outro modo do que com palavras! ...

(Mais perto de Ti, meu Cristo! – Pe. José Baeteman)
PS: Grifos meus

Criando bom hábito!


Desde o berço

É espantosa a facilidade com que a criancinha contrai um hábito. Com uma semana, já está bem ou mal-educada, sujeitando-se ao horário da alimentação, tranqüila no berço, ou só querendo dormir embalada e chorando a cada instante pelo seio materno. Deixar para mais tarde a sua educação é mais grave do que adiar os cuidados da higiene, a pretexto de que ela é ainda muito novinha e não sabe o que é isto!

Não condiz com o bom senso deixar que floresçam más tendências, para erradicá-las depois, formando os bons hábitos à custa de resistência que não se encontram no terreno virgem da criancinha.

Iniciar nos bons hábitos

Não se trata da educação consciente, mas de um adestramento, que é maravilhosa predisposição para um futuro muito próximo...Bem conduzidos, os instintos cedem maravilhosamente... Lisonjeá-los (filhos)agora é firmá-los, para darem depois dobrados trabalhos à razão e à vontade, com acentuados desgostos nos imprudentes educadores. Contê-los, satisfazendo-os com justeza e moderação, é enfraquecê-los e domá-los, facilitando depois as vitórias sobre os seus impulsos.

O adestramento não faz querer o bem, mas inclina para ele e o facilita, porque acostuma a fazer o que é bom. Na criancinha, bem ou mal conduzida desde o berço, já podemos descobrir o adulto organizado, calmo, social, ou caprichoso, agitado e ditatorial.

Fixam-se com incrível firmeza os hábitos da infância...Fazer à criança todos os gostos, acostumá-la aos primeiros lugares entre companheiros, ceder a seus desejos ou a seus impulsos, facilitar suas vitórias nos jogos, etc., é preparar-lhe conflitos e desajustamentos quando, no futuro, não achar mais quem se submeta a seus caprichos.

Ficam as marcas

Conhecemos facilmente os que desde cedo foram mimados ou reprimidos, atendidos com moderação ou excesso, acostumados no controle ou satisfeitos com exagero, afeitos ao esforço ou às facilidades.
A resistência ao calor e ao frio, à sede, à fome e à dor; a capacidade para a ordem, a moderação, a obediência; certas precocidades para vícios ou virtudes; a facilidade de se contentar com privações, ausências e mudanças – as crianças as adquirem com o adestramento, que é o primeiro passo numa educação bem orientada.

Aqui está a raiz que brotará num homem viril ou efeminado, num espírito firme ou indeciso, numa têmpera resistente ou acovardada, num ânimo de espartano ou de sibarita, num cumpridor do dever, num gozador da vida, num joguete dos acontecimentos.

Outro motivo para começar cedo é que madrugam as manifestações do temperamento. Pequenininha, a criança já se revela calma ou impulsiva, tímida ou corajosa, irritadiça ou fleumática, gulosa ou sóbria, obstinada ou acessível.

A árvore já está na semente: o trabalho do educador é o mesmo do agricultor que prepara o terreno, afasta as influências nocivas, protege os ramos ou os poda segundo a necessidade, para ao cabo colher o melhor fruto.

(O que fazer de seu filho – Pe. Álvaro Negromonte)
PS: Grifos meus

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Idéias modernas não alteram o que está escrito nos Livros de Deus


As idéias modernas de independência, pregadas e seguidas por tantas senhoras, não alteram a verdade do que está escrito nos Livros de Deus. Não passam de heresias para uma cristã temente a Deus e de consciência delicada. As mulheres, sejam sujeitas aos seus maridos (Ef 5,22). Mulheres, sede sujeitas aos vossos maridos, como é necessário no Senhor (Cl 3,18).

Assim como a Igreja está sujeita a Cristo, assim as mulheres estejam sujeitas a seus maridos em tudo (Ef 5,24). Tais são as palavras claras e imperecíveis de São Paulo.

Chefe, princípio que governa a família, é, portanto o marido. Para isso recebeu no sacramento uma graça de estado também. Não pode ser um chefe tirânico, um ditador, um comandante militar, tal como aquele centurião do Evangelho lembrou a nosso Senhor: “Digo a um soldado: vai! E ele vai”.

Seu domínio, sua superioridade sobre a esposa é como o da cabeça sobre o corpo, brando, influindo vigor, cheio de benevolência. Melhor ainda: é como a autoridade de Jesus Cristo sobre a Igreja, sua esposa. Estaria errado, cometeria intolerável abuso, o marido que quisesse fazer da esposa uma escrava de suas ordens, ou se a considerasse obrigada à obediência como um educando a deve ao educador. Sobre bases falsas estariam às relações dos cônjuges, se considerassem a autoridade como anterior ou, em seu exercício, independente do amor. Marido e esposa formam uma espécie de “assembléia deliberativa”. A última palavra fica com o marido, porque ele recebeu a delegação do poder, após mútuo entendimento.

Em tudo, diz São Paulo, para excluir qualquer vão pretexto, qualquer subterfúgio, para não dar margens a caprichos e rebeldias. Em tudo e no Senhor, porque onde há ofensa a Deus cessa a autoridade do marido e a obrigação da esposa, que não é escrava nem vil instrumento de depravações nas mãos dele. Sede sujeitas como ao Senhor e no Senhoreis a luminosa divisa para as leitoras bem intencionadas.

A esposa deu-se ao marido e, salvo o que deve a Deus, está no poder do marido e só para ele deve viver. Nessa obediência é preciso ter em vista o bem dos filhos. Havendo abusos prejudiciais aos filhos, deve a esposa apresentar os seus direitos, porque é também responsável pela formação dos filhos que pôs no mundo.

 “Obedecei, esposas, porque é melhor dar do que receber. Dar sem compensação é a grande lei do amor; é pundonor e alegria dos sinceros e profundos afetos” (Besson).

(As três chamas do lar – Pe. Geraldo Pires de Souza)
PS: Grifos meus

Formação do caráter - Obra sublime!

Formar nossa alma à imagem que Deus quis em nós, eis a obra sublime a que chamanos educação de nós mesmos. Esse trabalho, meu filho, ninguém pode fazê-lo por ti; deve ser execurado pessoalmente por todo homem. Podem os outros dar-te conselhos, indicar o caminho exato; mas tu é que deves sentir a necessidade de fazer avultar em tua alma a magnífica imagem que Deus ocultou nela, tu é que deves sentir o desejo de ser nobre, forte e puro.

Deves conhecer-te a ti mesmo, saber o que tua alma tem de nociso e o que lhe falta de bem. Devez fazer tu mesmo essa educação de tua alma, sabendo muito embora que o êxito te custará muitos esforços, abnegação e domínio de si. Será mister que te recuses com freqüência aquilo mesmo que tanto quererias fazer, que faças também muitas vezes o que não é de teu gosto.

Acima de tudo, precisarás cerras os lábios e erguer corajosamente a fronte para ficares firme, mesmo quando tuas boas intenções viesses a fracassar repentinamente. Desses esforços, depende a formação do teu caráter, toda a tua vida.

... Mas cumpre também que levemos a nossa vontade até confundir-se com a vontade de Deus. A escola mais sublime do caráter é alcançar dizer do fundo do coração:

"Senhor, seja feita a vossa vontade, e não a minha!"

A melhor forma da educação de si próprio é perguntarmo-nos tão frequente quando possível, após as nossas ações, palavras e mesmo pensamentos: "Senhor, foi mesmo Vossa vontade o que eu disse ou fiz? Quisestes Vós realmente que eu dissesse ou fizesse assim?"

E é já, que urge começar essa educação do teu caráter, meu filho; agora, durante os anos da tua juventude. Se esperares para quando chegar a idade madura, será tarde demais. O caráter não se desenvolve no torvelinho da vida. Pelo contrário, aquele que mergulha na agitação do mundo sem um caráter firme, perde facilmente o exíguo caráter que trazia.

(O moço de caráter - Dom Tihamer Roth)
PS: Grifos meus

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

O egotista



O orgulho é uma admiração excessiva de nós próprios. O cúmulo do orgulho, consiste em nos tomarmos a nós próprios como lei, juiz, moral, e bem. "Serei como deuses" - tal a promessa feita a Eva, pelo espírito mau... na sociedade moderna o orgulho mascara-se com os mais amáveis nomes de "êxito" e "popularidade". Não faltam aí psicólogos charlatães a convidar-nos para mais confiarmos em nós próprios do que em Deus.

Reforça-se essa falsa certeza, quando, afinal, a verdadeira consolação para o homem está nesta fórmula: "Só Vós, meu Deus, sois o Caminho, a Verdade e a Vida". São tudo sintomas de uma inquietação vaidosa e egotísta (a inquietação de passar despercebido), a preocupação do homem moderno em servir os melhores vinhos, a de sua mulher exibir os mais belos vestidos, a do colegial se dar ares ...

A crítica, a maledicência, a calúnia, a palavra pérfida e o propósito de arrastar pelas ruas da amargura a reputação do próximo, são tudo péssimos aspectos do egotismo, possuído da preocupação de erguer o ego sobre as ruínas do bom nome de outrem: rebaixando o ego doutrem, julgamos exaltar sempre o nosso.

Quanto mais o egotista tem consciência da sua importância, mais se irrita, se não for adulado: são inteligentes os que o lisonjeiam; os outros não passam de uns imbecis chapados!

Nestes nosso dias de agora, cada qual mais se esfalfa em arranjar amigos e em adquirir influência, pelo recurso ao auto-embuste.

Invocar a moral? "Ingerência!".
Invocar os princípios da Verdade? "Intolerância!"
Invocar a existência de uma lei superior às nossas fantasias? "Autoritarismo!".

O egotista tem sempre desculpas à mão. Toda a gente se engana. Toda a gente - menos ele.

É no entanto, uma verdade paradoxal que todas os egotistas se odeiam a si próprios. Os seus excessos de mesa, os seus costumes dissolutos, os seus violentos ataques àqueles que lhe resistem aos caprichos, tudo isso leva a contra-manifestações de cinismo e de dúvida na sua consciência, e, no seu inconsciente, há mal-estar com causa no medo, no terror, na ansiedade, no tédio, o falso amor de si mesmo gera um violento ódio de si próprio, uma propensão para se maltratar, para se punir por não ser perfeito, por não viver de acordo com a estulta pretensão do ego em afirmar-se dinivo e infalível.

Podemos odiar-nos de duas maneiras: ou odiando a vaidade, a suficiência e a adulação pessoal, que consigo trazem prejuízo à nossa alma, ou odiando tudo aquilo que dificulta a nossa presunção de sermos Deus, presunção que leva à autodestruição, presságio evidente, neste mundo, dos castigos no outro - no Inferno.

O egotismo, se não nos pusermos em guarda contra ele, transforma-se em desejo desenfreado de honras e glória, desejo que procuramos satisfazer pavoneando luxuosos trajes, exibindo jóias, chamando a atenção para a nossa linhagem de grandes fidalguias para a nossa notoriedade, para a nossa conta no Banco.

O egotista provoca a admiração pelo gabarolice, pela ostentação, pelo luxo pomposo, pelo rebuscado das maneiras. Um princípio basta para justificar toda a mentira da sua existência: "É a única maneira de irmos na vanguarda!"

O orgulho produz sete maus frutos:

- A gabarolice, defeito daquele que a si próprio se elogia;
- O amor da publicidade, que consiste em tirar vaidade das palavras doutrem;
- A hipocrisia, que nos faz crer que somos o que realmente estamos longe de ser;
- A teimosia, mercê da qual não admitimos que a opinião doutrem se possa sobrepôr à nossa;
- A discórdia, quando assentamos em não renunciar à nossa vontade;
- A discussão, sempre que o nosso ego vê seus desejos contrariados;
- E finalmente a desobediência, quando nos recusamos a submeter o nosso ego a uma lei superior.

Em muitos casos, os vaidosos dão mais importância ao triunfo da sua vontade do que à privação de um bem: para eles é a vitória que conta, a vitória e não os despojos. Por isso mesmo se negam a aceitar aquilo que não lhes é outorgado, logo que tal desejo manifestem. Preferem ficar lesados.

Na discussão, não curam da verdade. A sua constante preocupação é afirmar a sua importância, sustentando, obstinadamente, o seu ponto de vista.

(Elevai os vossos corações - Arcebispo Fulton J. Sheen)
PS: grifos meus.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

"E eu tenho Maria! Que consolação!"



Conta-se, na história do processo da beatificação de São Francisco de Sales, que, em Chablais, um moço possesso havia mais de cinco anos, foi levado ao sepulcro do grande santo. Ali, submetido a um grande interrogatório, o demônio, furioso, uivava desesperado e não deixava a sua pobre vítima.

Então a venerável Madre de Chaugy exlamou, com sua proverbial e edificante piedade:

- "Ó Santa Mãe de Deus, rogai por nós! Maria, Mãe de Jesus, ajudai-nos!"

Ouvindo o nome de Maria, o espírito infernal uivou, gritou horrorosamente:
- "Maria ... Maria ... Ah! eu não tenho Maria ... Não digas este nome, que me espanta e estremece! Ah se eu tivesse Maria, uma Maria como tendes, não seria o que sou! ... Mas eu não tenho Maria!"

Os assistentes choravam. O demônio ainda exclamou:

- "Se eu tivesse um desses momentos tão numerosos que perdeis e Maria, já não seria demônio!"

E eu mil vezes feliz, embora neste exílio tão perigoso da vida, e nas trevas de mil sofrimentos, tenho Maria e tenho tempo para me salvar! Não sou feliz? Oh! não haverá dor, nem desgraça, nem amargura neste mundo que me façam desgraçado, se me conservo fiel e devoto fervoroso de Mãe de Deus.

E eu tenho Maria! Que consolação! Que ventura!

(Um mês com Nossa Senhora - Mons. Ascânio Brandão)

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Noiva e Maternidade


O ideal de moça pretendida há de ser a maternidade. Uma noiva que se apresente com a grinalda de virgem a ser trocada pela auréola de mãe!

Infelizmente andam por aí, hoje em dia, tantos sofismas aninhados na cabeça e coração de muita moça. Não querem ter filhos, como dizem que não gostam deste ou daquele chapéu. É um princípio estabelecido por muitas: casamos para ter um marido e mais liberdade e mais conforto. Só para isso.

Saiba o leitor católico que é imoral este princípio, que é crime desposar tal jovem, concordado com sua idéia, que é nulo o casamento se tal cláusula for estipulada. Isso não passa de uma prostituição...Tua eleita há de "querer a criança". Não concorda? Recebe-a com um categórico não. Não sendo mãe carinhosa, dificilmente será esposa fiel. A criança é a sentinela providencial da vida dos pais.

... Como católico, sabe o leitor que Deus amaldiçoa o lar onde existe a pior das avarezas: a avareza de transmitir a vida. A aliança de ouro nos dedos não basta. É necessária a aliança dos corações, isto é, a criança... Por isso decreta a prudência cristã certeza neste ponto. Mesmo sem falar em crianças pode o moço descobrir as disposições de uma moça sobre elas. Observa-a no trato com os irmãos, grandes e pequenos, em casa. É aí que se mostra a futura mãe...

Notando o leitor a ausência dos critérios expostos na moça estudada durante o namoro, dê volta acabando com tudo. A razão já falou contra; ir adiante é ser guiado por um sentimentalismo cego.

(Perante a moça - Pe. Geraldo Pires de Sousa)
PS: Grifos meus

A Incredulidade e os jovens


Se durante muito tempo não movermos uma pedra, ela se cobrirá de musgo; se deixarmos de fazer exercícios físicos, os membros ficam flácidos. O mesmo vale da fé: quem não pratica a religião, é envolvido primeiramente pelo musgo da indiferença; em seguida vêm as dúvidas; e o fim qual será? ... Fé tíbia, e talvez descrença completa.

Não deves, portanto, apenas salvaguardar tua fé; deves vivê-la. Exercita-a na oração. Reza, todas as manhãs o "Credo", lenta e devotamente. Rende graças a Deus, porque te fez nascer na verdadeira fé católica. Principalmente, porém, pratica-a por uma vida ideal que busca na religião suas forças. Como causa primordial dos desvios fundamentais da alma de muitos e muitos jovens, podemos indicar o fato de manifestarem em sua vida, um espírito de fé deploravelmente mesquinho.

A religião teórica, que se não manifesta em prática, vale tanto como um carro sem eixo.

Por essa razão compreenderás, embora te pareça curioso à primeira vista, o conselho que uma vez dei a um moço, ele se queixava: "Quisera crer, mas não posso".

- "Meu caro, faça violência à sua vontade! A fé é graça divina, mas supõe a vontade humana. Sim. Deus concede a graça; depende porém do homem querer colaborar com ela ou não. Não pode crer? Pouco importa! Repita o clamor dos apóstolos: 'Senhor, robustecei nossa fé!' (Luc. 17,5). Ou diga como o pai da criança doente: "Creio Senhor, mas aumentai a minha fé!" (Marc. 9,23). Você murmura que a oração o deixa frio, que não acha atrativo na Santa Missa, que a vida religiosa lhe é enfandonha. Ainda uma vez, pouco importa! Apesar de tudo procure seguir as orações da Missa, do princípio ao fim".

... Quando pois te atormentarem dúvidas contra a fé, embora o faças a contra-gosto, não deixes de rezar com regularidade e freqüentar os Sacramentos da Confissão e Comunhão. O jovem que reza, confessa e participa do Banquete Sagrado não perderá a fé, muito embora o assaltem as mais terríveis tentações.

Repete a miúdo esta oração:

"Senhor, não posso crer! Ou, pelo menos, parece-me que o não posso. O ceú se tolda, sobre a minha cabeça ... mas, quero crer em Vós, senhor! Quero, sim, quero crer! Ajudai-me contra a incredulidade!"

(A Religião e a Juventude - Mons Tihamer Toth)
PS: Grifos meus

Higiene Moral


Mas que o corpo, a alma precisa respirar uma atmosfera pura e nutrir-se de alimentos sãos, pois as conseqüências das moléstias da alma não se comparam com as do corpo. Além de tudo, a saúde da alma é das mais delicadas; um nada pode prejudicá-la, e para sempre.

E, no entanto, quantos rapazes passam uma boa parte do dia principalmente das noites, numa atmosfera moral irrespirável, pesada, com todos os miasmas do ceticismo e da sensualidade!

Freqüentam todos os lugares, em particular aqueles onde se aceitam os princípios da vida fácil; uma grande parte da sua força (da alma) dissipa-se em festas, salões e espetáculos. Não quer dizer que desejam o mal pelo mal: a maioria dirá, nos momentos de sinceridade, que essa existência lhes pesa, que as convicções se ressentem, que têm o coração apertado e a alma sufocada. Mas seria preciso um esforço para libertar-se dos compromissos sociais, sacudir-se um pouco e romper de face com os hábitos inveterados de moleza.

Não têm essa coragem.

... Em vez de procurar um remédio para o vazio do coração, nas afeições legítimas e nobres, e preparar-se, por um longo trabalho de purificação moral, para o futuro papel de esposo e pai, preferem alimentar toda sorte de sonhos, multiplicar relações superficiais, gastar ao acaso a provisão de sentimentos elevados e delicados adquiridos no lar.

Isso porque custa muito lutar contra paixões que despertam, reagir contra seus gostos, preservar-se, cercar-se de precauções minuciosas, em uma palavra, viver com regime, no modo de nutrir a inteligência com a verdade e o coração com sentimento viris. Alguns há, bem sei que deixam para mais tarde uma conversão brilhante. Então, sob a pressão dos acontecimentos, em face de necessidades, entrarão no bom caminho, como dizem: farão marcha à ré e abismarão a sociedade pela honestidade dos costumes e pela força das convicções.

Que perigosa utopia!

Dá-se o mesmo com a saúde da alma e com a saúde do corpo. Quando se passou a mocidade minando-a, vivendo em ambientes deletérios, intoxicando-se cada dia como por prazer; quando se rompeu de todos os modos, por abusos atrozes, o equilíbrio das funções essenciais da vida, não é de um dia para outro que será possível refazer-se, restabelecer o equilíbrio comprometido.

(A educação do caráter – Pe. Gillet)
PS: Grifos meus