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sábado, 15 de julho de 2017
domingo, 9 de abril de 2017
terça-feira, 4 de abril de 2017
25. A EDUCAÇÃO DA ORDEM
Nota do blogue: Acompanhe esse especial AQUI.
25. A EDUCAÇÃO DA ORDEM
Ter ordem não é coisa insignificante.
É uma das virtudes mais preciosas para o perfeito equilíbrio da vida individual
e para a boa harmonia da vida em comum.
• Nossas filhas
sentirão, durante toda a vida, grande necessidade de ter ordem, sobretudo
quando forem donas de casa, esposas ou mamães. Mas é na idade em que se formam
os hábitos que cumpre desenvolver essa disciplina.
A ordem é igualmente
necessária aos meninos, por que não há profissão na qual quem tiver ordem não
ultrapasse a quem não a tiver. Existem mesmo algumas em que a desordem
incorrigível constitui autêntica contra-indicação.
• A ordem é um meio de
desenvolver nas crianças o autodomínio, e num certo sentido o espírito de
sacrifício, obrigando-as a lutar contra a negligência.
• É uma realidade da
experiência que a ordem exterior torna a vida mais agradável: alivia a memória,
permitindo encontrar sem esforço as coisas em seus lugares. Facilita a calma,
suprimindo as causas de nervosismo e de fadiga suplementares, provocadas pela
desordem.
domingo, 2 de abril de 2017
24. A EDUCAÇÃO DO RESPEITO E DA POLIDEZ
24. A EDUCAÇÃO DO RESPEITO E DA POLIDEZ
A polidez que se trata de inculcar nas crianças é uma polidez que vem do coração: virtude francesa e cristã por excelência, é filha do respeito aos outros e irmã da caridade. Mas, por uma justa consequência das coisas, a educação da polidez desenvolverá o senso do respeito e sugerirá uma porção de pequenos atos de caridade numa época em que o egoísmo impele muita gente a se comportar na vida como se estivesse só ou fosse o centro do mundo.
• Decerto, não se trata de pensar que a educação consiste unicamente no bom comportamento exterior. Mas esse comportamento pode favorecer o bom comportamento moral.
• É tanto mais importante ensinar desde cedo à criança as regras elementares da polidez quanto daí se extraem hábitos, poder-se-ia mesmo dizer automatismos relativamente fáceis de adquirir, e que permanecerão a vida inteira. Se a educação da polidez for negligenciada durante a primeira infância, prova a experiência ser difícil refazê-la depois.
• A má educação compromete o futuro humano e profissional de uma criança, enquanto que a boa educação o favorece poderosamente.
• A má educação inicial faz, em muitos casos, correr o risco de paralisar ou diminuir a influência da criança ao se tornar adulta, enquanto que uma boa educação a facilita e multiplica.
23. A EDUCAÇÃO DO SENSO DA JUSTIÇA
Nota do blogue: Acompanhe esse especial AQUI.
23. A EDUCAÇÃO DO SENSO DA JUSTIÇA
Infelizmente, não é inútil denunciar os pequenos furtos que se tenham cometido em casa sem a consciência de falta grave por parte da criança; mais sérios são os que vierem a se produzir lá fora. Todos, porém, devem ser severamente punidos, obrigando-se o culpado a confessá-los e repará-los na medida do possível. Ainda assim é preciso a todo preço impedir que a tendência se enraíze e que a impunidade e, sobretudo, um sorriso concedido à habilidade demonstrada na falta, venham deformar definitivamente a consciência.[1]
• Por natureza, as crianças são tentadas a se apropriar do que lhes agrada ou do que lhes pode ser útil. Não será apenas por isso que devemos acusá-las de furto, pois não têm sempre uma noção exata de propriedade. Contudo, é conveniente lhes dar pouco a pouco uma clara compreensão do respeito devido ao que aos outros pertences.
• O respeito ao bem alheio é uma das condições elementares da confiança mútua e do bom equilíbrio das relações sociais.
• Aceitar que a criança se entregue a pequenos furtos a pretexto de que é ainda muito pequena, é tornar-se mais ou menos cúmplice de hábitos nocivos que podem ter, no futuro, repercussões deploráveis.
• Como quer que seja, na criança, o furto repetido pode ser um sintoma de desequilíbrio afetivo (furto de compensação), e pode constituir um sinal de alarma para os pais. Estes terão interesse em consultar um médico ou um educador avisado. É provável, aliás, que o tratamento seja exatamente o contrário de uma atitude brutalmente repressiva.
sábado, 1 de abril de 2017
RELATO AMIGO
Queridos amigos leitores,
salve Maria.
Relatos como esse abaixo dão ânimo à alma e por conta dele voltarei com os ESPECIAIS.
Deus seja louvado, para sempre seja louvado.
________________________

Caríssima Letícia, boa noite!
Meu nome é Heitor, natural de Recife-PE, sou graduado em Arquitetura e urbanismo, tenho 33 anos, sou casado, pai do Mathias de 1 ano e meio e pai novamente de um bebê que ainda não sei o sexo. Minha esposa se chama Flávia, tem 35 anos, natural de Niterói-RJ e somos casados há 4 anos. Moramos em Rio das ostras, região dos lagos do estado do Rio. Vivemos da providência Divina e leio e releio seu site há anos. Anos!
Amiga, tomei coragem e te mando esse e-mail agora. Não tenho outras palavras para te dizer a não ser OBRIGADO! obrigado por seu apostolado, seu testemunho, seu trabalho se propagar e defender a fé Católica nesse século paganizado e ateu, apóstata e hipócrita. Seu site é um luzeiro em meio ao escuro e desde o tema, tudo são armas para podermos lutar.
Obrigado Letícia! Por mim, por minha família e por todos os meus amigos. E por todos que lêem o seu site há anos. Deus lhe abençõe e lhe pague.
Em Cristo,
terça-feira, 21 de março de 2017
MARIA ENSINADA À MOCIDADE

Quem
é a Santíssima Virgem?
A Santíssima Virgem Maria é a
Mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus feito homem para nos salvar.
Para bem conhecer a vida da Santíssima
Virgem, não basta considerar o tempo que Maria passou sobre a terra; precisa-se
ainda seguir o curso dos séculos que precederam seu nascimento, e durante os quais
tantos oráculos e figuras anunciaram-na
ao mundo; penetrar até nas profundidades da eternidade onde, pela sua predestinação,
esta Augusta Virgem existiu
no pensamento do Altíssimo, inseparavelmente unida ao Cristo Redentor, o «Primogênito
de toda criatura» (São Paulo, aos Colos.,
1, 15).
Com efeito, de toda
eternidade, Deus tinha previsto o pecado do primeiro homem; desde então, tinha
resolvido repará-lo pela Encarnação de seu Unigênito, e decretado que este inefável
mistério se cumpriria no seio virginal de Maria.
I. — Predestinação,
Promessas.
RELATO DA GRAÇA DIVINA
Queridos amigos e leitores,
salve Maria.
Gostaria de partilhar com vocês esse e-mail que recebi hoje, de uma leitora do blog.
Que Deus seja louvado eternamente e que continue a fortalecer essa guerreira.
Unidos em oração.
Letícia de Paula
____________________

Enviei-lhe um e-mail dia 28 de Maio. Agradecendo por ter sido um grande instrumento que me ajudou na busca pela verdade, onde encontrei a Igreja Católica e a vida dos Santos.
Contudo, toda a minha família é protestante e até então não havia a possibilidade que eu me tornasse Católica. Continuei estudando e rezando durante meses, até que não consegui resistir mais à Vontade de Deus que se manifestou com clareza para mim. Como ao jovem rico, que apesar de já conhecer a Cristo, lhe pediu mais, pediu o que mais lhe custava. Então entreguei à Deus minha vida, aceitando essa nova família que me concederia no Corpo Místico de Cristo.
Falei com meus pais sobre essa decisão. Foram duas semanas dolorosas até que finalmente pudesse ir para a Missa e me orientar com algum Padre. Duas semanas onde falei com pastores, missionários e tive de ler várias artigos contra a Igreja Católica para que desistisse dessa decisão. Perdi o contato com todos durante um tempo. Inclusive meu melhor amigo, com quem não posso falar até hoje. Mas Deus não desampara e então pude caminhar para finalmente receber os Sacramentos e ser admitida na Igreja.
Ganhei um grande Pai Espiritual que me amparou e no dia 28 de janeiro de 2017 (dia de Santo Tomás de Aquino) foi o meu batismo e a Primeira Comunhão. Escolhi como padroeiro de batismo São Pedro Julião Eymard, que conheci em seu próprio blog. Foi o melhor dia da minha vida! Nunca vivi algo tão pleno e maravilhoso como receber a Comunhão. Mas as lutas foram se tornando cada vez maiores. Não só por parte dos pais, mas pela decepção de toda família. Então dia 18 de fevereiro foi o Crisma, onde Deus me concedeu a Fortaleza e os outros Dons do Espírito Santo para suportar as dores e a Cruz que Ele partilharia comigo nesse caminho. Escolhi como padroeiro Santo Afonso Maria de Ligório, que tanto me encantou quando o conheci em seu blog e continuei a aprender muito com este grande Santo.
sábado, 18 de março de 2017
PENSAMENTO DO DIA 18/03/2017
Existe um lugar, onde é possível encontrar refúgio,
mas só se chega lá por um ato de fé.
Existem momentos em nossas vidas que a pressão é tanta, mas tanta,
que não temos forças nem para pedir ajuda. Nessas horas, feche seus olhos,
e num ato de fé repouse dentro
do Coração de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Respire e inspire, silencie e deixe
Ele curar suas chagas e restituir suas forças.
mas só se chega lá por um ato de fé.
Existem momentos em nossas vidas que a pressão é tanta, mas tanta,
que não temos forças nem para pedir ajuda. Nessas horas, feche seus olhos,
e num ato de fé repouse dentro
do Coração de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Respire e inspire, silencie e deixe
Ele curar suas chagas e restituir suas forças.
domingo, 26 de fevereiro de 2017
22. EDUCAÇÃO DA LEALDADE - FINAL
Nota do blogue: Acompanhe esse especial AQUI.
22. EDUCAÇÃO DA LEALDADE
Uma caridade
mal compreendida poderá levar a criança a desculpar um camarada por meio
de uma mentira; ela pensará que essa falta de lealdade que não lhe
aproveita não é uma falta.
• Por
fim, a maldade leva à calúnia.
A criança de
tenra idade é sempre tentada, num momento ou noutro, a negar alguma travessura,
e se essa primeira mentira tem êxito, terá naturalmente a tendência de
repeti-la; donde a necessidade do uma grande lucidez relativamente às
crianças para não deixá-las seguir um caminho que pode ser tentador. O que
é difícil é ser clarividente sem ser desconfiado; nem todos o conseguem.
Há crianças com uma resistência extraordinária aos
interrogatórios dos adultos, persistindo tenazmente na mentira. O fato se deve
com freqüência a que a repressão, no caso de descoberta da mentira, é
demasiado forte. A criança é levada a vender a pele muito caro. Se sabe
que mesmo em caso de mentira poderá contar com uma certa indulgência,
deixar-se-á levar quase sempre com facilidade a voltar atrás do que disse,
o que, sem dúvida, é preferível.
A mentira-desculpa assume, por vezes, caráter ainda mais
repreensível quando o seu fim é duplo, isto é, quando ao lado da desculpa para
quem a inventa, faz carga noutra criança ou noutra pessoa da falta
imputável; é a mentira-desculpa-acusadora, mas requintada e mais
repreensível. Deve ser rigorosamente investigada e seriamente corrigida.
Os ciúmes infantis com relação a irmãos, certos desejos de vingança contra
empregados, “bedéis” ou camaradas de aula, entram em cena para lhe dar
essa orientação nova. Quando se inventa uma mentira desse tipo, o
essencial é compreender a fundo a razão pela qual a criança procurou fazer
mal a essa ou àquela pessoa; isto pode constituir preciosa indicação da
tendência de caráter atualmente predominante.
A mentira-imaginação tem muitas vezes na criança — como no
adulto, aliás — o caráter de uma compensação. A criança inventa Toda a
espécie de coisas, de ordem material ou afetiva, que compensem o que pode
faltar-lhe, ou o que pensa faltar-lhe. Vi crianças e adolescentes atribuírem ao
pai ou à mãe qualidades que, evidentemente, não possuíam; feitos que
jamais haviam tido oportunidade de realizar. A riqueza e as grandes
possibilidades financeiras são também com frequência objeto da imaginação
infantil; elas compensam as inúmeras negativas dos pais quando se trata de
comprar uma ou outra coisa, mesmo modesta, que daria prazer às crianças.
O mundo se torna, assim, para elas um conto de fadas
manifestamente mais agradável de habitar do que o mundo real cheio de durezas
inaceitáveis[1].
• É preciso distinguir, dentre as mentiras da criança, a
mentira social que tem por fim ajudar os outros; a mentira associal empregada em interesse pessoal, sem desejo de prejudicar outrem; a mentira
anti-social, visando ao interesse pessoal sem preocupar-se com o mal que
possa ocasionar aos outros.
É sempre preciso procurar bem a culpabilidade real da
criança na sua mentira, e seria profundamente injusto reagir do mesmo
modo ante uma mentira friamente inventada — particularmente para
prejudicar outrem — e uma invenção imaginativa, estimulada pelo inconsciente e
pela qual a criança não é de modo nenhum responsável, exigindo tão somente
que a façam tomar melhor consciência do mundo real.
• Segundo numerosos psicólogos, a maioria das
mentiras infantis seria conseqüência do receio, algumas do
interesse, da leviandade, do gosto da ficção, pouco do altruísmo e
da maldade.
• Sucede que a criança mente para dar prazer aos
pais. Mme. Dumesnil-Huchet nos conta:
"Uma mãe não achava uma caixa de bombons, e acusava a filha de 8 anos de ter comido os doces. Ao fim de ameaças e súplicas, diz a mãe: “Confessa e não serás castigada...” A menina se acusa do furto. Alguns dias depois, a caixa é encontrada intacta, e cabe à garotinha explicar à mãe surpreendida: “É, mamãe, tanto me pediste para confessar a verdade que pensei então que era preciso dizer sim para te dar prazer.” Influência da sugestão[2].
• Quando for impossível pretender que a criança não
tenha querido enganar, deverá ser repreendida, porque Toda falta deve
ter castigo e é preciso que não a deixemos pensar que pode facilmente
engabelar os seus educadores.
Será então preciso tentar tudo para fazê-la confessar a
falta: falar-lhe com bondade, elogiar a coragem dos que sabem reconhecer os
próprios erros, não dar ênfase à punição que a espera.
Se a criança confessa, mostrar-se paternal, sem humilhá-la
além da medida; contudo, é preciso impor uma punição normal, ao menos em grande
parte.
Se a criança teima em negar, será preciso — sem ar de
vitória, mas, ao contrário, com naturalidade — expor-lhe as provas de
culpabilidade e pedir uma refutação. Esta decerto não virá, desde que a
criança tem mesmo culpa, e então será advertida de que enganar os pais não é
assim tão fácil quanto parece.
Cumpre então evitar tratá-la como mentirosa. Isto a
enraizaria no defeito. É preciso considerar a falta como acidental.
Se uma criança abusa da confiança que lhe foi depositada,
dizer-lhe em tom contristado que se está obrigado a retirá-la durante um tempo
determinado; prometer-lhe, porém, que será restabelecida diante de provas de
uma franqueza perfeita.
E nunca, daí em diante, lembrar à criança que ela mentiu.
• A educação da lealdade deve igualmente comportar a
educação do tato, porque ser leal não consiste em dizer qualquer verdade a
qualquer um e em qualquer oportunidade.
[1] DR. ARTHUS, Un Monde Inconnu: non Enfants, pág. 73.
(Ed. Susse).
[2] Dr. GILBERT-ROBIN, La Guérison des Défauts et des Vices chez l’Enfant, pág.
500.
22. EDUCAÇÃO DA LEALDADE - SEGUNDA PARTE
22. EDUCAÇÃO DA LEALDADE
• Não consintamos jamais em mentir a uma criança, a fim de que nos conte o que queremos saber. Evitemos, mesmo diante dela, as mentiras pseudo-caridosas, seja para convencê-la a tomar um remédio, seja para evitar-lhe o castigo na escola.
Nicole (8 anos) deve submeter-se a uma operação ligeira. Mas, a sua mamãe, para não assustá-la, diz: “Muito bem, filhinha, vais assistir a uma festa muito bonita hoje à tarde, por isso vais pôr o teu melhor vestido.” Nicole fica radiante, mas na porta do hospital começa a inquietar-se. Logo é preciso render-se à evidência: anestesiam-na para a operação. Inútil dizer que Nicole perdeu Toda a confiança em mamãe.
• Sucede às vezes que pais que se entendem mal determinam na criança uma atitude perniciosa de dissimulação: “Sobretudo, não contes isto ao teu pai” ou vice-versa: “Se tua mãe te perguntar, dirás que estivemos em...” (lugar não verdadeiro).
• Para formar as crianças no tocante à lealdade, não basta dar-lhes exemplo, mas fazê-las odiar a mentira, amar apaixonadamente a franqueza, que lhes deve ser facilitada e estimulada.
• É sempre excelente, quando for ocasião, mostrar à criança os inconvenientes da mentira. Sobretudo num mundo que freqüentemente glorifica o arrivismo, a fraude sob Todas as formas, não hesitemos em acentuar que, finalmente, a mentira não compensa. Mostremos que é causa de inúmeras contrariedades, em particular a contradição, a perda de confiança, e que, além disso, se já é bem difícil enganar por muito tempo os homens, há Alguém que não se engana jamais: Deus, testemunha sempre presente e a Quem nada pode escapar.
• Evitemos admirar os que souberem, com habilidade, mas graças à mentira, sair de uma situação má ou enganar os outros. Frases como estas: “Pois é, aquele se defende!” ou “Este saberá arranjar-se na vida!” podem exercer uma influência funesta numa jovem alma. Deploremos, ao contrário, os mentirosos que perdem todo direito à honra e à confiança de outrem.
• Não hesitemos em proscrever e desacreditar publicamente qualquer fraude, mesmo por brincadeira; qualquer deslealdade na classe, mesmo para prestar um serviço (“soprar” o ponto, por exemplo), mas sobretudo essa praga temível que é, em muitas escolas, a “cola” nas composições. Mostremos o quanto isto é prejudicial ao interesse de todos.
• Quantos fatos poderíamos citar de contra-educação por parte de certos pais, no que tange à lealdade! Decerto, não convém generalizar; mas importa muito, caso não se queira deformar a consciência da criança, evitar escrupulosamente Toda distorção da verdade.
A classe 8.a conjuga verbos. Ana-Maria folheia um caderno às escondidas. A professora a surpreende: “Que estás fazendo?” A criança, acanhada, responde: “Estou procurando o certo. Foi mamãe quem me disse para copiar."
Uma família da África do Norte vem passar o verão na França: papai, mamãe o uma garotinha de 3 anos. Antes de embarcar, mamãe adverte: “Se te perguntarem pela idade dize que tens 2 anos.” A menina contou depois o fato com as suas próprias palavras: “Quando o comandante do navio me perguntou pela idade, respondi: “Tenho dois anos, “seo" comandante. Se eu tivesse dito três anos, ele me jogaria no mar!”
O diretor do Liceu A... convoca ao seu gabinete os pais de um aluno que copiara a composição, e lhes notifica a expulsão do filho. O pai grita, então, para o menino, em presença do diretor: “És mesmo um idiota por te deixares pegar!”
Um fato relatado, entre mil, por uma educadora:
"Viajava eu num trem. Na estação de ... sobem uma mamãe e sua filhinha Janine (7 a 8 anos). “Janine — diz a mãe — se um cavalheiro vier te perguntar a idade responderás 6 anos e meio”. — Que cavalheiro? — Um cavalheiro de boné com bordados de ouro. — Mas eu tenho 7 anos e meio, não há quem não veja! — Não, não, compreende bem: 6 anos e meio! — Não é verdade, mamãe. Tu me disseste outro dia que a gente não deve nunca mentir; a professora também disse na escola. — Chega, não fales tão alto e faze o que te digo.”
A garotinha me olha, e em seguida olha para a mãe. Tenho a impressão de que está consternada diante da atitude materna. Mas não ousa prosseguir nos “porquê?” e nos “como?”. Sem dúvida a intimido um pouco. A mãe ficou ruborizada...
• Não tenhamos o ar de dar a entender a uma criança que ela poderia estar mentindo. Evitemos, pois, qualquer advertência como esta: “Sobretudo, não mintas”; digamos de preferência: “Estou certo de que dirás a verdade.” Acrescentar que ela é capaz de mentir é fazer germinar na sua alma inocente a idéia da possibilidade da mentira.
• É preciso conceder à criança o benefício da verdade e da boa-fé, durante todo o tempo em que estivermos na impossibilidade de ter a prova do contrário. Isto a eleva aos seus próprios olhos e dá-lhe uma alta idéia da virtude da franqueza.
• Não torneis a franqueza muito difícil. Não dramatizeis as perguntas. Um pai que proclama com ar zangado: “Pobre de quem fez isto!” e que, em seguida, pergunta: “Será que foste tu?”, inibe a confissão do culpado amedrontado.
• Se nos apercebemos de que uma criança não disse a verdade, é bom não tachá-la apressadamente de mentirosa. Evitemos uma generalização precipitada que a enraizaria na falta. Consideremos a falta como um erro de óptica e digamos à criança: “Bem sei que és um menino franco e não queres enganar-me; mas, talvez te enganaste a ti mesmo. Na próxima vez tem cuidado de não falar antes de te certificares do que vais dizer.”
• Para a criança há muitas causas de erro que nós, adultos, desconhecemos. O que nos parece mentira pode ser atribuído:
1. A um erro de visão. A experiência da criança é ainda fraca; ela tem somente alguns poucos pontos de comparação, e não há como ser rigoroso por vê-la emitir uma apreciação errada.
2. À sua imaginação exuberante que a arrasta a regiões fantásticas em cuja realidade acaba frequentemente por acreditar.
3. À força dos sonhos que seu julgamento ainda mal formado nem sempre lhe permite distinguir da realidade.
4. Ao fato de ser muito sugestionável. Um educador que interroga uma criança deve estar atento a essa característica, pois, insistindo mais do que convém, pode fazê-la confessar o que realmente não praticou.
É por isso que devemos sempre distinguir entre mentira subjetiva e mentira objetiva.
• Quando todas as causas do erro tiverem sido examinadas e nos tivermos de render à evidência da mentira, cumpre buscar-lhe o motivo. Dele depende, com efeito, a gravidade da mentira, bem como os meios a empregar para ajudar a criança a corrigir-se.
1. A mentira pode ter causa no desejo de brincar com os outros, e temos a criança que conta “histórias”.
2. A vaidade, o desejo de brilhar, de fazer-se admirado, originam também falta de franqueza.
3. Quanto ao desejo de sair de algum apuro, pode-se dizer que é fundamento de quase todas as mentiras: “desaperta-se” para não ser ralhado — inventa-se uma desculpa para não cumprir com o dever, para explicar o atraso; esconde-se o livro aberto e lê-se a lição recitada ou “cola-se” a prova, etc... “Desaperta-se” para obter algo agradável.: inventam-se mil razões julgadas necessárias para obtê-la.
4. A timidez pode às vezes paralisar uma criança ao ponto de tirar-lhe a coragem de dizer a verdade; as primeiras mentiras reais são quase sempre provocadas pelo medo. Uma caridade mal compreendida poderá levar a criança a desculpar um camarada por meio de uma mentira; ela pensará que essa falta de lealdade que não lhe aproveita não é uma falta.
22. EDUCAÇÃO DA LEALDADE - Primeira parte
Nota do blogue: Acompanhe esse especial AQUI.
22. EDUCAÇÃO DA LEALDADE
Nada irrita tanto os pais como as mentiras dos filhos, e têm razão, porque a partir do momento em que a duplicidade se insinuar no coração de um filho ou de uma filha, nenhum clima de confiança será mais possível, a atmosfera tornar-se-á logo irrespirável. Com demasiada frequência, entretanto, os pais esquecem que lhes cabe primeiro dar aos filhos o exemplo da mais escrupulosa lealdade.
• Torna-se tanto mais preciso formar as crianças relativamente à franqueza, quanto à mentira. Sendo um meio fácil de defesa para o ser fraco, logo se transforma em tentação permanente para a criança, cujo julgamento, não estando ainda formado, pode levá-la pouco a pouco a se deixar emaranhar nas próprias mentiras. Ora, quem não sabe mais distinguir o verdadeiro do falso, está perto de não poder mais discernir o bem do mal.
Convém que os pais sejam particularmente exigentes em relação a estes fundamentos da educação moral: não suportar a mentira, repeli-la impiedosamente; perdoar a criança que confessa a falta em vez de negá-la; desmascarar-lhe as velhacariazinhas instintivas é o meio de habituá-la à limpeza em sua própria consciência e nas suas relações com Deus e os homens.
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