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terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Quarta Ferida - Dores de Nossa Senhora



Quarta ferida
Encontro de Nossa Senhora com Seu Filho carregando a Cruz

Dezoito anos passados, com Deus na forma humana - tal a feliz sorte de Sua Mãe. Se cristo pôde, em três anos, transformar um publicano como Mateus, que não teria feito, durante trinta anos, a Própria Sabedoria, infusa n'Aquela que era já a Imaculada Conceição?

Passaram três anos de ensino público, durante os quais ouvimos falar de Maria uma vez só. Agora a espada vai penetrar mais fundo. Jesus fá-la entrar na Sua alma: aparece em Cruz, nos Seus ombros. Fá-la penetrar na alma de Sua Mãe, e é Cruz sobre o coração d'Ela. "Jesus levando a Cruz, encontra Sua Mãe."

Simeão predissera que Ele seria um sinal de contradição. Vê Ela agora que esse sinal de contradição era a Cruz. Sinal precursor de tudo que Ela poderia temer de horrível. Dois ramos de árvore cruzados em ângulo reto, faziam-Na pensar no dia em que uma outra árvore se levantaria contra o Seu Criador transformada em Seu leito de morte.

Pregos no soalho da oficina dum carpinteiro, um rapaz estendendo os braços - a formarem, com o corpo, uma cruz - depois de um dia de trabalho, ao sol-posto ..., eram outros tantos sinais que, por antecipação, Lhe faziam imaginar a terrível hora que havia de chegar.

Por mais que imaginemos ver um inocente sofrer pelo culpado, a realidade é sempre mais triste do que o fantasiado. Bem se exercitara Maria para receber esse golpe final, mas tudo Lhe apareceu como se fora inédito, não preparado. Não há duas dores semelhantes: cada uma tem suas características próprias. Ainda que seja a mesma espada, a diferença está na profundidade do golpe; há sempre uma parte que nunca foi tocada.

As feridas,em Maria, Seu Filho Lhas faz. Mas o golpe vibrado em Si próprio, Ele o faz sempre mais profundo. O gume da espada era, para Ele, chamar a Si os pecados do homem e levar a Cruz, mas permitir ainda que Sua Mãe, tão pura, sofresse essa pena com Ele. Longe de ser leve, a Cruz devia parecer-Lhe mais pesada sobre os Seus ombros, quando Sua Mãe Lha viu levar.

Mas quantas vezes Nosso Senhor dissera: "Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome a sua cruz e siga-me" (S. Mateus, cap. XVI, v.24). Se o levar a própria Cruz era a expressa condição para ser discípulo de Cristo, então a condição para ser Mãe do Salvador era levar a Cruz do Salvador, Seu Filho.

Os curiosos, que viam passar Jesus a caminho do Calvário, podiam vê-Lo levar a Sua Cruz, mas só ela sabia o fardo que Ela conduzia.

O mundo atual, não sofre apenas do temor do mal iminente - como na profecia de Simeão; do exílio causado pela cólera dum tirano - como na fuga para o Egito; da solidão e da angústia dos pecadores - como nos três dias em que Jesus andou perdido. Sofre também o moderno pesadelo do terror. Inocentes Abéis mortos pelos Caíns soviéticos do Oriente; chineses cristãos que vivem no temor mortal duma execução; multidões sem número assustadas com as injustiças praticadas pelos comunistas - toda essa gente levantaria em vão os olhos para o Céu, se um Homem e uma mulher não tivessem sentido em Si Próprios a amargura desse terror.

E se apenas o "Homem Inocente" tivesse sentido a violência desse terror, que diriam as mulheres? Não devia também estar aí presente uma pessoa do seu sexo, cheia do mesmo terror, de modo a que ela lhes levasse esperança e consolação?

Se Deus, em Sua carne, não tivesse sofrido com paciência os julgamentos mais iníquos, teriam os padres chineses tido, em nossos dias, a coragem de marchar segundo o Seu rastro?

Se uma mulher, de pé, diante da multidão furiosa e sedenta de sangue, não tivesse partilhado dos nossos sustos, se os não tivesse feito Seus, poderia a humanidade dizer que era fácil a um Homem-Deus suportar todo o medo e todo o temor, porque Ele é Deus, ao passo que um homem é simplesmente um homem ... É por isso que Nosso Senhor deve ser novamente a Espada, nesta quarta e dolorosa ferida.

Desta vez, nem uma só palavra foi proferida, porque o terror fez calar a voz. A espada de Cristo mergulhou no Seu Próprio Coração, fez-Lhe verter gotas de sangue que caem, como as contas dum rosário - o Rosário da Redenção - ao longo do caminho, a partir de Jerusalém.

Mas a arma que Ele mergulhou na alma de Maria identificou-A aos Seus sofrimentos redentores, forçou-A a marchar por esse mesmo caminho, impregnado do sangue de seu Filho. As Suas feridas sangraram. As d'Ele, mas não as de Maria.

Quando as mães vêem seus filhos sofrer, gostariam que fosse o seu próprio sangue a ser derramado em vez dos deles. Ora, para Jesus, era bem o sangue de Sua Mãe que Ele derramava. Cada gota desse sangue, cada parcela desse corpo, só Ela Lhas deu, porque Ele não tinha pai humano. De maneira que era sempre sobre o Seu Próprio sangue que Ela caminhava.

Por virtude dessa dor atroz, uma suprema compaixão entrou no coração de Maria - compaixão por todos aqueles que vivem amarfanhados pelo terror. Os santos são a indulgência em pessoa para com o seu próximo, que está longe de lhes pagar em igual moeda. Aqueles que levam uma vida fácil, despreocupada, jamais podem falar a língua dos que vivem no terror. De tal modo estão acima destes infelizes, que nem mesmo os podem ver, ou, se tal acontece, é como condescendência, não com compaixão. Maria, pelo contrário, intromete-se na poeira das nossas vidas humanas, nos medos, nas falsas acusações, nas questões infamantes, em todos os instrumentos de tortura.

A Imaculada misturou-se com a lama, e para com os criminosos não tem nem azedume, nem rancor, mas apenas uma grande piedade, por ver que eles não sabem, não compreendem quanto os ama esse Amor que eles atiram para a morte.

Pela Sua pureza, Maria está no alto da montanha; pela Sua compaixão, está no meio das maldições dos condenados à morte, dos carcereiros, dos carrascos, do sangue. Um criminosos, no desespero da sua falta, pode não encontrar o seu caminho para Deus, para Lhe pedir perdão, mas não pode recusarse a invocar a intercessão da Mãe de Deus, que viu outros criminosos como ele, e para os quais pediu o perdão.

Se uma Mãe absolutamente santa, como Maria, que merecia que A poupassem a todo o mal, pode, pela providência de seu Filho, levar uma cruz, como é que nós - que tão longe nos encontramosda Sua pureza - poderemos escapar às nossas?

"Que fiz eu para merecer isto?" - Grito de orgulho.

Que fizera Jesus?
Que fizera Maria?

Não lamentemos que Deus nos tenha enviado uma cruz, Consideremos que Maria lá está no Seu lugar, para no-la tornar mais leve, mais doce, fazendo-a Sua.

(O primeiro amor do mundo - Arcebispo Fulton J.Sheen)

PS: Grifos meus
Ver também: Feridas anteriores

sábado, 2 de janeiro de 2010

Terceira Ferida – Dores de Nossa Senhora



Terceira Ferida – Perda e o reencontro do Menino Jesus

Os três dias de ausência do Divino Menino foram a terceira ferida de Maria. Um dos gumes da Espada feriu a alma de Jesus, quando Ele se escondia de Sua Mãe e de Seu pai adotivo para Lhes lembrar, como Ele disse, que se devia ocupar das coisas de Seu Pai.

Mas se é certo que o Céu também pode jogar às escondidas, o outro gume da espada era, para Maria, a dor de ter perdido Seu Filho e procura-lo. Era Seu – e por isso que Ela O procurava. Ele ocupava-Se da Redenção, e é por isso que Ele A deixava, e ia ao Templo. Não ia nisso apenas uma perda física, mas também uma provação espiritual.

Ficou o Menino Jesus em Jerusalém sem que Seus Pais O advertissem (São Lucas 2,43)

Nosso Senhor disse: Para que me buscáveis? Não sabíeis que devo ocupar-me nas coisas de meu Pai? E eles não entenderam o que lhes disse” (São Lucas 2, 49-50).

Mas tarde um outro período de três dias se devia registrar, durante o qual o Corpo de Jesus repousaria num túmulo. Esta primeira perda era um prelúdio da segunda, como que a sombra dos três anos de separação que foram a Sua vida pública – em relação à Virgem.

Alguma coisa era agora oculta a Maria, no sentido de que a não compreendia. Não se tratava de uma simples ignorância negativa, mas de uma privação, um propósito deliberado de Seu Filho em Lhe ocultar a plenitude dos Seus desejos. No Egito, teve Ela “a sombria noite” do corpo; era preciso que tivesse a “sombria noite” da alma, em Jerusalém. A noite espiritual e a desolação da alma andaram sempre juntas nas provações enviadas por Deus aos místicos.

A princípio, é o Seu corpo e o Seu sangue que são ocultos a Maria; agora é a Luz e a Verdade. Se a segunda ferida faz d’Ela a companheira de todos os refugiados errando pelas entradas do Mundo, esta terceira ferida iria levantá-La À companhia dos santos. A sombra da Cruz começava a projetar-se na Sua alma! Não é apenas o Seu Corpo virginal que devia pagar caro o privilégio da Sua Imaculada Conceição; também a Sua alma sofreria para vir a ser a “Sede da Sabedoria”.

A espada de dois gumes atinge as duas almas, no doce bater de um mesmo ritmo. Certo dia, no Gólgota, chamando Cristo a Si os pecados dos homens, sentirá o pessimismo do ateu, o desespero do pecador, a solidão do egoísta, e reunirá todas as dores do isolamento, num grande grito: Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?” Também Maria deve experimentar essa solidão e abandono – não apenas na perda física de Cristo, mas ainda na obnubilação de todas as consolações.

Assim como, na Cruz, Ele privará a Sua natureza humana de toda a alegria que Lhe podia vir da Sua divindade, assim também privará Sua Mãe de todas as alegrias relativas às coisas de Seu Pai. Se o gume da espada, reservado a Cristo, era o abandono, o d’Ela era a noite.

Diz o Evangelho que caiu a noite sobre a Terra, quando Ele, na Cruz, ergueu às alturas o Seu grito supremo; agora, é a noite que invade o espírito de Maria, porque o Seu Próprio Filho quis esse eclipse do Sol.

É quase uma pergunta que Ele Lhe faz, ao dizer-Lhe: “Por que me buscáveis?” (São Lucas, 2,49). Suspenso, mais tarde, na Cruz, entre a Terra e o Céu, devia Jesus sentir-Se abandonado por Deus e repelido pelos homens. Assim, Maria, por uma só palavra da Divina Espada, é abandonada por Aquele que é, ao mesmo tempo, Deus e Homem.

A sombria noite dos santos não é igual à noite dos pecadores. Nos primeiros, não há luz, mas há amor. É muito provável que essa noite mística, que a espada fazia então entrar na alma de Maria, desse lugar, n’Ela, a atos de tal modo heróicos de amor que eles A elevaram a novos tabores, nunca anteriormente entrevistos.

Pode a luz ser, por vezes, tão brilhante que nos cegue. A incompreensão de Maria, ouvindo a palavra de Jesus, era menos devida a uma falta de clareza do que a um excesso de luz.

A razão humana, chegada a certo ponto, nem sempre pode descrever o que se passa no coração. O próprio amor humano, nos seus mais altos momentos de êxtase, não se pode exprimir com palavras. A razão pode compreender palavras, mas não o Verbo.

Ora, diz-nos o Evangelho que aquilo que Maria não compreendia era o que dizia o Verbo. Como é difícil de compreender a palavra, quando ela se divide em palavras! Maria não compreendia porque é que o Verbo A elevava acima do abismo da razão e A arrastava por sobre esse outro abismo incomensurável que é o Espírito de Deus.

A uma tal distância, a Sabedoria Divina, na sua expressão humana, pode dizer o Seu segredo, do mesmo modo que São Paulo não podia contar a sua visão do terceiro Céu. As palavras eram incapazes de exprimir inteiramente, por si, a significação do Verbo.

Para provar que essa noite não era de ignorância, acrescenta o Evangelho:

“E Sua Mãe conservava todas estas coisas no Seu coração” (São Lucas, 2, 51).

A Sua alma guardaria a Palavra, e o Seu coração as palavras. Ele que, por Suas palavras, parecia renegá-La, une-A, agora, a Si Próprio, não apenas por ter depositado o mel da Sua mensagem na colméia do Coração d’Ela, mas também porque volta a Nazaré com Ela, submetendo-se-Lhe.

Cristo não se serve de instrumentos humanos, como Simeão ou Herodes, para brandir a Espada Divina sobre Sua Mãe. Aos doze anos, tem força bastante para a utilizar Ele mesmo. Nessa dor, ambas as Naturezas d’Ele se fixam sobre Ela para fazer d’Ela a co-Redentora: a Sua natureza humana na perda física, a Sua natureza divina na noite sombria da alma.

Na Anunciação, Ela perguntara ao Anjo: Como pode isso ser, se não conheço varão?” Hoje, dirige-Se ao Próprio Homem-Deus, chamando-Lhe “Filho” e pedindo-Lhe que Se explique, que justifique o que fez. Maria tem consciência de ser Mãe de Deus. Onde quer que haja santidade há familiaridade com Deus. E essa familiaridade é maior ainda na dor do que na alegria.

Certos, santos, favorecidos com revelações de Nosso Senhor, declaravam que essa dor de Maria custou a Jesus extraordinários sofrimentos. Ali, como sempre, trespassou Ele, o Seu Próprio coração, antes de trespassar o de Sua Mãe, como o propósito de ser o primeiro a conhecer essa provação. A dor, que mais tarde iria sofrer, de abandonar Sua Mãe, depois das três horas de agonia na Cruz, era então antecipada por esses três dias de separação.

Aqueles que pecam sem fé não podem sentir a angústia dos que pecam com fé. Possuir a Deus, ocultar-Se daqueles que estavam no propósito de jamais abandona-Lo, tal foi a ferida de Jesus, causada pela mesma espada. Ambos sentiram os efeitos do pecado, de maneira diferente, mas em igual noite de alma: ela por O ter perdido; Ele por se ter perdido. Se a dor de Maria foi um inferno, a agonia de Lha infligir era a dor de Jesus.

A Santíssima Virgem tornou-se o Refúgio dos pecadores por ter aprendido o que é perder Deus e tornar a encontrá-Lo. Cristo tornou-se o Redentor dos pecadores por ter conhecido a malícia, a vontade deliberada daqueles que ferem os seres a quem amam! Sentiu o que pode sentir a criatura, ao perder a criatura. Maria perdeu Jesus na noite mística da alma, e não na noite moral de um mau coração. A Sua perda era a ocultação da face d’Ele.

Ela não Lhe fugia. Mas mostra-nos Ela que, quando perdemos a Deus, não devemos limitar-nos a esperar que Ele volte. Devemos ir procura-Lo, e é Ela que, para alegria da nossa alma, sabe onde O podemos encontrar!

(O Primeiro amor do Mundo – Arcebispo Fulton J.Sheen)

domingo, 13 de dezembro de 2009

A Segunda Ferida - Dores de Nossa Senhora


A Segunda ferida - Fulga para o Egito

A Santíssima Virgem recebeu a segunda ferida quando teve de partilhar das dores de todas as pessoas “deslocadas” no mundo, de todos os exilados, dos quais Cristo foi o primeiro. O ditador Herodes, temendo que Aquele cuja coroa era de ouro lhe tirasse a sua pobre coroa de metal dourado, mandou procurar o Menino Jesus apenas com dois anos, para o mandar matar.

Duas espadas são agora brandidas: uma por Herodes, que quer matar o Príncipe da Paz, de modo a obter uma falsa paz pelo reinado da força; a outra por Aquele que é a Própria Espada e que quereria ver o Êxodo levar, pelo contrário, da Terra onde vai refugia-se com sua Mãe, o povo, cujos exercícios Ele outrora dirigiu. É José, de novo, o encarregado de proteger o Pão Vivo.

...Como nós nos sentimos abandonados de Deus, quando Ele permite que a perversidade nos aflija! No entanto, o Todo-Poderoso está nos braços de Maria, e permite-o! A Cruz parece ser uma dupla cruz, quando não vem d’Ele; ora, neste caso, não são a nossa paciência e a nossa capacidade de sofrer que são postas à prova, mas a nossa humildade e a nossa fé.


... Como o padre que leva o Santíssimo Sacramento aos doentes está pronto a defende-Lo à custa da sua própria vida, também Maria, levando Emmanuel em seus braços, aprendia que ser sua Mãe significava sofrer com Ele para, em seguida, reinar com Ele.

...Foi por amor da humanidade que Maria sofreu com Jesus, as dores duma Terra inóspita. A Imaculada Conceição e a Virgem Maria tinham sido os dois muros que a separavam do mal. Mas a Espada fendeu os muros, abateu-os, e assim permitiu que ela sentisse o que Ele próprio sentiu na manhã da vida.
...E, no entanto, bastava uma palavra desse Bebê nos braços de sua Mãe, para poder fazer calar todos os Herodes do mundo, desde aquele até Estaline ou Mao-Tsé-Tung, mas tal palavra não a quis Ele dizer: o Verbo era agora uma Espada. Todavia, como devia ser apunhalante – e isso de um modo realmente superlativo – a dor do Menino que, possuindo um espírito infinito, conhecia e consentia nesses angustiosos acontecimentos!

...O Verbo é uma arma de dois gumes; se ela só pudesse ferir Maria, como Ele teria sido cruel em reservar só para ela a ferida! Mas nada penetra em sua alma que primeiro não tenha penetrado na de Cristo.

...Maria sabia que o Menino que ela trazia em seus braços não tinha ainda levantado a voz contra o mal; no entanto, ela vê todos os fanáticos, tiranos, ditadores, comunistas, intolerantes e libertinos insurgirem-se contra Ele. Para os seus braços, era Ele mais leve do que uma pluma, mas, na realidade, pesava mais sobre o coração daqueles que queriam mal à Sua vida do que o mais pesado dos planetas.

Um bebê odiado!

Era a segunda estocada na Virgem Maria. “Assim como eles me odiaram, assim vos odiarão”. O ódio dos homens contra Ele, ela o sentiria como em si própria! Mas, do mesmo modo que Ele amava os que o odiavam, também, Ela os amou. Se fosse necessário, mil vezes ela fugiria para o Egito, mil vezes suportaria temores, para impedir que uma só alma cometesse qualquer pecado, tudo por amor de Seu Filho, por amor de Deus.

...O verdadeiro “Tratamento de choque” que os pecadores devem utilizar é simples: consiste em invocar uma Mulher trazendo um Bebê em seus braços. Ela os levará consigo para o Egito, a comer o pão da tribulação e da penitência. Quando o coração do homem não se sente como que em sua casa em Nazaré, quando ele deserta da realidade, pode ainda esperar, porque a Madona e o Seu Divino Menino o encontrarão, mesmo na fuga desvairada para os desertos do Egito e do Mundo.

(Excertos do livro – O Primeiro Amor do Mundo – Arcebispo Fulton J. Sheen - continua...)
PS: Grifos meus

Ver também:

domingo, 29 de novembro de 2009

A Primeira Ferida - Dores de Nossa Senhora



"Oh Santa Mãe, fixai as chagas do Crucificado
fortemente em meu coração;
de Vosso Filho ferido que por mim quis sofrer,
partilhai comigo as dores."

A Primeira ferida

A ferida inicial foi a profecia de Simeão. O Divino Menino, com a idade de quarenta dias, foi levado ao Templo; mal Simeão teve em seus braços a Luz do Mundo, logo de seus lábios saiu o canto do cisne: está pronto a morrer, porque viu o Salvador. Depois de ter anunciado que esse menino será objeto de contradição, disse a Maria: "A Tua alma será trespassada por uma espada de dor."

Notai que Simeão não disse que uma espada lhe trespassaria o corpo. A lança do centurião poderia trespassar o Corpo de Cristo; o Seu Corpo poderia ter sido ferido ao ponto de "os seus ossos se poderem contar", mas o Corpo de Maria será poupado.

Assim como, na Anunciação, quando Ela concebeu, o êxtase - ao contrário do amor humano - foi, primeiro, na sua alma, e, depois, no seu corpo, assim, na sua compaixão, as dores do martírio penetram primeiro a sua alma, para depois terem ressonância no seu corpo, como eco de todos os golpes com que a carne de Seu Filho foi flagelada, com que as Suas mãos e os Seus pés foram trespassados.

A Espada só tem quarenta dias e todavia já sabe como ferir. Desde aí, quando Maria tocar nas mãos dum menino, nelas verá a sombra de um prego. Se o seu coração houvesse de formar um só com o de Jesus, então, como Ele, devia ela ver todos os pores-de-sol tintos do sangue da Paixão. As Suas pequeninas pulsações seriam, para o seu coração, a trágica advertência dos terríveis martelos.

A sua dor não será o que ela sofre, mas saber o que Ele sofrerá...O gume da espada destinado ao Salvador significava, para sua Mãe, pela boca de Simeão, que Ele devia ser vítima para o pecado. A parte que a ela dizia respeito consistia em saber que, até à hora do supremo sacrifício, ela era responsável pela vida de Jesus.

Com uma só palavra, Simeão previu a Crucifixão e a sua dor.

Mal essa nova barca foi lançada às águas da vida, logo um ancião lhe anunciou o naufrágio. A Mãe teve quarenta dias para beijar o Seu Filho com alegria. Só; mais nada. A sombra da contradição alastra para sempre sobre o seu futuro. Maria não beberá, decerto, o cálice do pecado, nem a borra amarga que Seu Filho beberá no Jardim das Oliveiras; todavia, Ele lhe aproximará dos lábios o cálice.

A hostilidade do Mundo é o prêmio que cabe a todos aqueles que pertencem a Jesus. Quantos convertidos não têm sentido o fanatismo ou o desprezo daqueles que lhes censuram o terem deixado a mediocridade do Mundo pelas alturas do sobrenatural!

Nosso Senhor, falando dessa oposição, disse:

"Vim para trazer a espada com que separe o pai do filho, a mãe de sua filha."

Se o crente sente a contradição, quanto mais a não sentirá Maria, Mãe d'Aquele que iria conduzir a Cruz, símbolo da contradição. Mas uma vez que Cristo trazia a espada ao Mundo, devia ser sua Mãe a primeira a experimentá-la, não como vítima involuntária, mas pronunciando livremente o seu FIAT, para a Ele se unir no ato da Redenção.

Se vós fôsseis o único de olhos abertos num mundo de cegos, não quereríeis ser o seu amparo?
Se a bondade se comove perante as feridas, não tentará a virtude, perante o pecado, cooperar na obra d'Aquele que limpa os pecados?

Se Maria, sem pecado, aceita com alegria a espada que lhe vem da Divindade sem mancha, qual de nós, pecadores, se lamentaria, quando o próprio Jesus nos permite sofrer pela remissão das nossas faltas?

"Ó Maria, trespassada de dores;
Salvai-nos! Tocai e salvai
a alma daquele que amanhã comparecerá perante o Todo-Poderoso;
Uma vez que todo o homem nasceu de uma mulher
por cada um que disso precise,
amigo leal ou inimigo corajoso,
Intercede, Tu, ó Senhora!"

(O Primeiro Amor do Mundo - Arcebispo Fulton J. Sheen - continua...)
PS: Grifos meus