quinta-feira, 14 de março de 2013

Doutrina Cristã - Parte 24

Nota do blogue: Acompanhar esse Especial AQUI.

Monsenhor Francisco Pascucci, 1935, Doutrina Cristã, 
tradução por Padre Armando Guerrazzi, 2.ª Edição, biblioteca Anchieta.

4.º - EXERCÍCIO DAS VIRTUDES TEOLOGAIS

            Obrigação e modo de exercer as virtudes teologais
            66. - Devemos fazer atos de fé, esperança e caridade, logo chegados ao uso da razão, muitas vezes na vida, implicitamente nas obras de piedade e de religião, nas tentações a vencer, quando houver importantes deveres cristãos a cumprir, e nos perigos de morte.  
            É bom fazer muitas vezes atos de fé, esperança e caridade, para conservarmos, aumentarmos e fortalecermos essas virtudes. São verdadeiras partes vitais, isto é, órgãos necessários à vida do homem espiritual, que vive segundo a razão e os ditames do Evangelho.
            Devemos fazer atos de fé, esperança e caridade com o coração, isto é, com o afeto, - com a boca, mediante as fórmulas propostas no catecismo ou em jaculatórias, - com as obras, dando prova dessas virtudes em nosso procedimento.
            Daremos prova de fé, confessando-a e defendendo-a, onde for mister, sem temor e sem respeito humano, e vivendo segundo as suas máximas.
            Daremos prova de esperança, não nos conturbando ante as misérias e contrariedades da vida, nem sequer ante as perseguições, mas vivendo resignados, seguros das promessas de Deus.
            Daremos prova de caridade para com Deus e para com o próximo, observando os mandamentos e praticando as obras de misericórdia espiritual e corporal. E, se no-lo reclamar o Senhor, daremos prova de maior amor a Ele, seguindo os conselhos evangélicos, isto é, as exportações que Jesus Cristo fez para a consecução de uma vida mais perfeita, mediante a prática de virtudes não mandadas, como a pobreza voluntária, a castidade perpétua e a perfeita obediência.

5. - VIRTUDES MORAIS

Definição

            67. - Virtude moral é o hábito de se fazer o bem adquirido pela repetição de atos bons.
            As virtudes morais têm por objeto imediato os nossos bons costumes e não se referem a Deus, senão indiretamente.
            Foram conhecidas e praticadas, como naturais, também pelos filósofos pagãos; nos cristãos, elas se tornaram sobrenaturais, porque fortificadas pela graça.
            As virtudes morais são numerosas, mas podem reduzir-se a quatro principais, que são um como sustentáculo ou gonzo (cardo) sobre que giram as outras.
            Daí lhes vem o nome de cardeais. São a prudência, a justiça, a fortaleza e a temperança. As duas primeiras nos indicam o bem a realizar; as outras duas nos ensinam a vencer as dificuldades e a resistir ao que nos seduz ao mal.
            A prudência é a virtude que dirige todas as nossas ações, fazendo-nos conhecer se realmente são boas ou convenientes e que meios bons, convenientes e suficientes, devemos escolher para exercê-la.
            A justiça é a virtude que nos faz render a cada um o que lhe é devido; em primeiro lugar, o que é devido a Deus pela virtude da religião, e depois o que é devido a nós e ao próximo.
            A fortaleza é a virtude que nos faz afrontar sem temeridade e sem timidez qualquer dificuldade ou perigo, até a própria morte, pelo serviço de Deus e pelo bem do próximo.
            A temperança é a virtude que refreia as paixões e os desejos, especialmente sensuais, e modera o uso dos bens sensíveis. Jesus Cristo nos recomendou em particular algumas virtudes morais, chamando, nas oito bem-aventuranças evangélicas, bem-aventurado aquele que as exercita (Mat. V, 1-12.)

II. - DO VÍCIO

Paixões e Vícios

            68. - Paixões são comoções ou movimentos violentos da alma. De per si, não são nem más nem boas; mas tornam-se boas ou más conforme o uso que faz, delas, a vontade ou conforme o fim a que são dirigidas.
            Donde, se a vontade livre dirige essas paixões e inclinações segundo a lei de Deus, opera o bem; se contra a lei de Deus, comete pecado, isto é, faz um ato mal. Quando os atos maus se repetem, de modo a adquirir-se o hábito de praticar o mal, tem-se o vícioO vício é, pois, o hábito de se fazer o mal, adquirido pela repetição de atos maus.

Vícios capitais

            69 - Os vícios principais são sete e se chamam capitais por serem cabeça e origem dos demais vícios.
           1.º- Soberba, estima e amor desordenado da própria excelência. Dela nascem a ambição, a vanglória a desobediência, a obstinação, etc.
            A ela se opõe a humildade.
            2.º- Avareza, amor desordenado dos bens terrenos. Dela nascem a dureza do coração, a fraude, a violência, etc.
            A ela se opõe a liberalidade.
            3.º- Luxúria, amor desordenado dos prazeres dos sentidos. É causa da cegueira da inteligência, da perda da fé, da ruína da saúde e da família, etc.
            Opõe-se-lhe a castidade.
            4.º- Ira, desordenado movimento da alma em rejeitar o que quer que nos fira, com desejo de vingança. Provoca os litígios, as contumelias, as. rixas e conduz a graves delitos.
            É-lhe oposta a paciência.
            5.º- Gula, desordenado amor dos alimentos e bebidas. Gera a embriaguez, a impureza, etc.
É sua contrária a sobriedade.
            6.º- Inveja, tristeza do bem alheio ou alegria pelo mal de outrem. Produz a rivalidade, maledicências, etc.
            Opõe-se-lhe o amor fraterno.
            7.º- Acídia ou preguiça, desordenado amor ao descanso e consequente negligência em cumprir os seus deveres, especialmente os espirituais.
            A ela se opõe a diligência no serviço de Deus.

PARTE III

A GRAÇA
Definição

            1.º- Deus, na Sua infinita bondade, deu ao homem um fim sobrenatural a conseguir, destinando-o a ver e a gozar eternamente de Deus, infinito Bem.
            Para obter esse fim, não eram suficientes as forças naturais do homem: por isso, deu também aos homens uma energia proporcionada, com que pudessem realizar obras de bondade mais elevada, que a bondade natural, e obras tais de serem dignas do prêmio eterno. Essa energia sobrenatural chama-se a graça.
            Por "graça", pois, entendemos, em geral, qualquer dom de Deus em ordem à vida eterna. Dom, não prêmio, para excluir assim qualquer direito por parte nossa.

Graça atual e habitual ou santificante

            2. - Há duas espécies de graça: atual e habitual. Diz-se graça atual qualquer auxílio que Deus nos concede para praticar uma ação meritória do prêmio eterno: assim por ex. a graça de rezar bem, a graça de suportar pacientemente uma enfermidade, uma desgraça, etc. A graça atual é sempre necessária a todos e a cada um dos atos, ordenados de qualquer forma à vida eterna; e é necessária de tal modo, que, sem ela, é impossível um só ato salutar, ainda que seja o pensamento, o desejo e o começo do mesmo, segundo no-lo ensinou Jesus Cristo: "sem mim nada podeis fazer". (Jo. XV, 5.)
            Todavia, a graça não ofende nem diminui a nossa liberdade, como o definiu o Concílio de Trento.
            Deus, que a todos quer salvos, concede-nos a cada um a graça suficiente. A graça, que se une ao livre consentimento e consegue o fim para o qual Deus a concedeu, diz-se graça eficaz.
            A graça atual chama-se preveniente, se vem antes de qualquer desejo nosso, esforço ou ato; cooperante ou concomitante, se acompanha ou sustem o ato bom que despertou em nós; perficiente, se acompanha o ato até à sua realização.
            A graça habitual, chamada também santificante, é aquele dom sobrenatural de Deus, inerente á nossa alma, e por isso habitual, que nos torna santos, isto é, justos, filhos adotivos de Deus, irmãos de Jesus Cristo e herdeiros do Céu. Diz-se habitual, porque destinada, por si, a ficar na alma, enquanto não nos alongarmos dela, como em nós fica um vestido, enquanto não o tiramos. Ela é, pois, a vida sobrenatural da alma.
            A graça santificante recebe-se no santo Batismo; perde-se com qualquer pecado mortal; readquire-se com a Penitência ou com um ato de dor perfeita, unido ao propósito de confessar-se: aumenta com os demais sacramentos.

Mérito

            3. - As nossas boas obras feitas com o auxílio da graça são meritórias. O mérito não pode derivar senão da promessa de Deus, que, fidelíssimo, sabe manter o que prometeu.
            Por mérito entende-se a consequência do ato virtuoso, realizado com o socorro da graça, em virtude do fim sobrenatural, que torna o próprio ato digno de recompensa eterna. Há mérito de justiça, quando, por força de promessa de Deus, o prêmio é devido por estrita justiça; e mérito de conveniência, quando é devido, não por justiça, mas somente por uma certa conveniência.
            No mérito de justiça, requer-se, por parte de Deus, a promessa e o socorro da graça; por parte do homem, o estado de graça e o oferecimento da obra a Deus, com reta intenção. É de fé que o justo pode merecer de justiça o aumento da graça santificante e o aumento de glória.
            No mérito de conveniência, requer-se que a boa obra seja feita para agradar a Deus e conseguir-se a própria salvação. O justo pode merecer de conveniência a graça eficaz para conservar e acrescer a graça santificante, assim como para vencer as tentações; pode ainda merecer de conveniência a perseverança final, as graças para os outros e os próprios bens temporais. O pecador pode merecer de conveniência a conversão.
            A grandeza do mérito deriva da dignidade e santidade da pessoa, da excelência e dificuldade da obra e da perfeição com que se opera. Os atos mais indiferentes podem tornar-se meritórios.          

Meios da graça

            4. - Os meios com que podemos ter de Deus o dom preciosíssimo da graça são os Sacramentos, que a produzem, e a Oração, que no-la impetra do Senhor. 

quarta-feira, 13 de março de 2013

OS FUTUROS CHEFES DE FAMÍLIA


PREPARAÇÃO AO MATRIMÔNIO
          30 de Agosto de 1940

Monsenhor Henrique Magalhães
A Igreja e seus mandamentos,  edição de 1946.


                  Voltemos hoje as nossas vistas para os futuros chefes de família.
            Que é mocidade? - É, dirão muitos, o tempo feliz, em que não se têm preocupações, e que docemente corre, como as águas tranquilas de um rio...
            Que a mocidade seja um bom tempo, não há dúvida. Mas um período em que não se pensa em nada seriamente? em que não se têm cuidados, preocupações? - Isso é que não! Ninguém confunda mocidade com infância. Esta é que é a idade da irreflexão. E, quando os moços dão para agir como "crianças grandes", e não querem assumir responsabilidades, tudo vai mal. E grande parte das desgraças que infelicitam muitos lares na hora presente deve ser atribuída ao erro generalizado de que "os rapazes precisam aproveitar sua mocidade, gozar a vida", mesmo com prejuízo de terceiros. Falemos mais claramente: grande parte dos males sociais hodiernos vem da desorientação dos moços. Cultivam certas afeições, vencem infelizes corações que têm sede de carícias, dominam-nos, convencem-nos de que a vida é o momento fugaz do prazer, e por isso é urgente gozá-la e... obtêm o que desejam. Passado o entusiasmo, tudo está acabado cada qual para seu lado. Ele, sem preocupações, livre, desimpedido, já à caça de um novo amor. E ela... desgraçada para sempre!
            Um ilustre sociólogo contemporâneo, apresenta o seguinte quadro de valores, na preparação dos futuros chefes de família: um valor profissional; um valor social; um valor moral; um valor cristão.
            Primeiro ele apresenta o valor profissional. É justo. O jovem que pretende casar-se e viver à custa da mulher ou da família desta ou da própria família é um errado. Que prestígio pode ter um chefe, que se apresenta como subordinado como inferior, na dependência econômica de quem tudo devia dele esperar? Ou na dependência de seus pais?
            Sendo o período da aquisição do valor profissional um período de formação, é preferível na sua vigência, não assumir compromisso nenhum. Isso de ficar a jovem presa dois, quatro, seis e mais anos... até que o seu desejado consiga os meios necessários para constituir família nem sempre da bom resultado. "Cresça e apareça", diziam os antigos. E parece-me que isto é princípio de boa filosofia.
            Encaminhem; pois, os pais a seus filhos convenientemente. Conduzam-nos desde cedo para o estudo, para uma carreira, para um ofício. Nem ficam dispensados de tal missão os pais ricos, que têm muito para fazer a fortuna de seus filhos. Nada corno o indivíduo ganhar sua vida por si, sabendo o valor daquilo que vai gastar, sentindo mesmo o peso das suas responsabilidades.
            Quanto ao valor social, procurem as famílias assegurar para os seus rapazes uma posição adequada à própria categoria. O pobre, como pobre. O remediado e o rico, como tais. E os casamentos devem ser, de preferência, entre pessoas do mesmo valor social. As desigualdades neste particular não provam bem.
            O valor moral é muito importante, pois mantém o equilíbrio dos dois primeiros, eleva-os, dignifica-os. O homem de bem é um elemento precioso na família e na sociedade. Para adquirir esse valor, cultivem-se os bons costumes desde a infância. Evitem as más companhias. Fuja-se do álcool e do jogo; das noitadas passadas em claro, desperdiçando o dinheiro, a saúde e o tempo. Respeite-se a juventude feminina. Compenetre-se o jovem de que só cumprindo nobremente os seus deveres e guardando seu coração para dedicá-lo a um verdadeiro e puro amor, será um digno chefe de família no futuro.
            Os valores profissional e social só se consideram verdadeiros num homem de bem.
            O valor religioso, cristão – é a luz que faz brilhar o futuro chefe de família. Mantém as outras qualidades, aperfeiçoando-as cada vez mais. Refreia as paixões, modera a alegria, conforta na dor e prepara o homem para a eterna viagem, fazendo-o adormecer tranquilamente na paz do Senhor.

terça-feira, 12 de março de 2013

Preparação ao Matrimônio - Moças


 PREPARAÇÃO AO MATRIMÔNIO
            27 de Agosto de 1940

Monsenhor Henrique Magalhães
A Igreja e seus mandamentos,  edição de 1946.

            Vamos estudar hoje a preparação ao Matrimônio - 1.° educação doméstica das moças. 2.° educação social.
            São dois valores, pois, que temos diante de nós, para examiná-los.
            Muitas famílias, mercê de Deus, ainda conservam os bons costumes dos antigos tempos: preparam boas donas de casa, educando suas filhas.
            Difícil coisa, em certos lares modernizados em excesso, quase uma afronta falar em "serviços domésticos", em "determinar um almoço; um jantar", - afronta gravíssima pretender que uma menina chique transponha os umbrais da cozinha, examine a dispensa, cuide enfim da boa ordem dos quartos e da roupa da casa, para ser mais tarde uma esposa perfeita.
            A preparação mais em voga concerne, de modo especial, à vaidade: dispôr bem a ondulação dos cabelos, combinar com arte os tons da pintura que hão de embelezar o rosto, julgar com precisão o que vai bem e o que vai mal a respeito da moda - isso quanto aos usos.
            Quanto aos costumes, a educação consiste em preparar moças de salão, sendo indispensável que elas vão treinando desde cedo, no desenvolvimento do gosto de bebidas alcoólicas, porque é muito feio, uma moça fazer caretas quando bebe uísque ou outros tipos de bebidas chiques, transportadas dos botequins para as altas rodas.
            Exercitam-se também as meninas nas críticas aos artistas de cinema e nos melhores processos de tornarem agradáveis ao sexo masculino que, só sua vez, também anda muito avariado... Há também o número que, embora não muito elevado vai crescendo dia a dia, das que fumam. Aprimora-se então o manejo do cigarro, de sorte que ele seja um atrativo para os apreciadores do gênero que diga-se de passagem - é simplesmente detestável.
            Tratemos, porém, da verdadeira preparação ao Matrimônio.
            A Sagrada Escritura, traçando o retrato da “mulher forte”, representa-a cuidadosa do esposo, dos filhos, dos criados, do lar... mostra-a junto à roca, de fuso na mão, fiando, para depois tecer, provendo de todo conforto sua casa.
            É bem verdade que quem não sabe fazer, não sabe mandar. E se a menina não aprende a dirigir uma casa, quando chegar o dia das responsabilidades pouco ou nada poderá fazer. A experiência cotidiana está dizendo que, se a esposa não sabe governar seu lar, não sabe fazê-lo cada vez mais atraente, arrisca-se a perturbar inteiramente sua vida sendo causa de o esposo afastar-se desse aconchego precioso, fonte de paz, de alegria sã e de felicidade.
            Mãos à obra, principalmente vós, mães de família, que tendes filhas. Começai desde cedo a prepará-las para que elas sejam mais tardes continuadoras do vosso nome e das vossas virtudes.
            Combatei a ociosidade. As boas mães distribuem tarefas de trabalhos domésticos, estimulando as filhas, premiando as diligentes, ensinando, encaminhando as futuras donas de casa.
            Nem deve ficar no esquecimento a arte culinária tão bem cuidada em nossas escolas profissionais, a que há tempos tive oportunidade de me referir, numa palestra de domingo.
            Seria ótimo que, nos grandes educandários, houvesse um cuidado particular em dar às moças instrução completa sobre o preparo dos alimentos, sobre o bom emprego do dinheiro - mas tudo praticamente, porque a teoria, só, pouco ou nada vale.
            Quanto ao dinheiro, é bom lembrar que é maior vantagem ter apenas o necessário, sabendo aplicá-lo criteriosamente, do que ter milhões e lançar dinheiro a mancheias pela janela afora.
            Entre bons mineiros dos antigos tempos, ouvi sempre dizer: "desperdiçar não é grandeza".
            Eis a primeira parte da preparação ao Matrimônio.

29 de Agosto de 1940

            Continuemos a estudar a - preparação ao Matrimônio. - Educação moral e religiosa das moças.
            Para restaurar o Matrimônio e a família nas bases cristãs, é preciso fomentar no ambiente doméstico ideais nobres e justos sobre o grande Sacramento. Incutam os pais no ânimo de seus filhos que o Matrimônio é um ato sobremodo sério, digno de todo respeito.
            Se, no lar, as moças ouvem observações e comentários que tendem a desprestigiar ou a ridicularizar o casamento - não poderá tê-lo na devida consideração.
            Dizem que a casa dos pais é escola dos filhos; mas se em tal escola nada se aprende com perfeição, frustra-se o plano educacional.
            A primeira fase da formação das futuras esposas é o exemplo de seus pais. Quantas desilusões a este respeito! Eu mesmo já tenho ouvido de jovens; no desabrochar da existência - 18, 20 anos - esta frase dolorosa: eu não penso em me casar... Deus me livre... pois eu não estou vendo a vida que levam meus pais?... o quanto sofre minha mãe?  
            A vida pacífica e harmoniosa dum casal é lição permanente para os filhos e particularmente para as filhas.              
            O segundo meio de educar moralmente as jovens é referirem-se os pais, ao Matrimônio, sempre em termos elevados, não perdendo oportunidade de dar bons conselhos a respeito.
            A experiência muito influi nas orientações a dar às moças. Neste caso o papel das mães e importantíssimo.
            O horror aos filhos, à família numerosa, muitas vezes é incutido e fomentado no próprio lar. E não faltam pais ou parentes insensatos que dão às filhas lições de perversão em matéria tão delicada, tão melindrosa. - Travam-se verdadeiros debates em torno do assunto, entre as duas correntes - cristãs e pagã - uma, desejando e aconselhando o cumprimento do dever primordial do Matrimônio; outra que diz abertamente: ora, menina, goze sua vida, não se embarace, logo no começo, com os trabalhos da maternidade... - havendo mesmo quem aconselhe: nada de filhos, em tempo algum!
            A essa educação moral abastardada é que se deve uma parte considerável dos males da família.
            Se as futuras esposas se habituam a considerar os filhos como uma maldição, um castigo, - hão de levar esses mesmos preconceitos para o lar que fundarem, repelindo, como quem repele um mal, o que, em realidade, é o maior dos bens.
            Tratando da formação moral e religiosa das moças, D. Laurita Pessoa Raja Gabáglia em "Juventude de hoje, lares de amanhã", escreve: "A prática da castidade tornou-se hoje mais difícil que outrora. O ambiente moderno não favorece esta virtude. Tudo nele chama ao gozo dos sentidos. E o desembaraço com que a imodéstia se ostenta é tamanho que a virtude contrária mal se atreve a aparecer, tão anômala se afigura. - A concepção moderna da cultura física opõe-se às reservas do recato. - Diante da nova mentalidade naturalista, a própria idéia do pudor é geralmente condenada, como "um resto das épocas de obscurantismo" ou como uma maliciosa interpretação das coisas...”.
            E a distinta escritora ensina, enérgica: "O pudor não é uma convenção social. O pudor é a defesa da vida criadora, silenciosa e discreta, contra o perigo de desencadeamento do apetite sensível".
            Falando sobre a formação religiosa, Dona Laurita a considera o próprio núcleo de toda a formação humana, pois dela depende a nossa atitude em face da vida. E mostra o exemplo de Elisabeth Leseur, ornamento precioso da sociedade parisiense, casada com um incrédulo anticlerical. Soube elevar a sua vida religiosa até à santidade, sendo o instrumento de Deus para a conversão de seu esposo. 

ORAÇÃO A SÃO JOSÉ


A vós, São José, recorremos em nossa tribulação, e depois de termos implorado o auxílio de vossa santíssima esposa, cheios de confiança solicitamos também o vosso patrocínio. Por esse laço sagrado de caridade que vos uniu à Virgem Imaculada, Mãe de Deus, e pelo amor paternal que tivestes ao Menino Jesus, ardentemente vos suplicamos que lanceis um olhar benigno sobre a herança que Jesus Cristo conquistou com Seu Sangue, e nos socorrais nas nossas necessidades com o vosso auxílio e poder.

Protegei, ó guarda providente da Sagrada Família, a raça eleita de Jesus Cristo. Afastai para longe de nós, ó Pai Amantíssimo, a peste do erro e do vício. Assisti-nos do alto do Céu, ó nosso Fortíssimo Sustentáculo, na luta contra o poder das trevas, e assim, como outrora salvastes da morte a vida ameaçada do Menino Jesus, defendei também agora a Santa Igreja de DEUS, contra as ciladas dos seus inimigos e contra toda a adversidade.

Amparai a cada um de nós com o vosso constante patrocínio, a fim de que, a vosso exemplo e sustentados com o vosso auxílio, possamos viver virtuosamente, morrer piedosamente, e obter no Céu a eterna bem-aventurança. Amém.

São José, rogai por nós!

segunda-feira, 11 de março de 2013

Doutrina Cristã - Parte 23

Nota do blogue: Acompanhar esse Especial AQUI.

Monsenhor Francisco Pascucci, 1935, Doutrina Cristã, 
tradução por Padre Armando Guerrazzi, 2.ª Edição, biblioteca Anchieta.

I. - DAS VIRTUDES EM GERAL

Definição e divisões

            58. - A virtude é uma disposição constante da alma para se fazer o bem.
            Em si a palavra significa força, energia, e indica assim qualidade do ato, que se requer da vontade para se conseguir fazer o bem, vencendo-se os obstáculos interpostos pelas paixões. Quando esse ato da vontade se repete com firme perseverança e constitui um hábito, assume então o nome de virtude.
            As virtudes se dividem:
            1.º- Em naturais ou humanas, praticadas segundo o lume da razão, com as únicas forças naturais e em vista de um bem natural; sobrenaturais ou cristãs, praticadas com o auxílio da graça, por motivos de fé em vista de um bem sobrenatural;
            2.º- em adquiridas, se conseguidas por nós com repetição de atos bons; infusas, se postas em nós por Deus, quando infundiu a graça em nossa alma;
            3.º - em teologais ou divinas, que têm a Deus por objeto e motivo imediato; morais, que regulam o nosso procedimento em relação a nós e ao próximo e se referem a Deus indiretamente.
            As teologais são sempre sobrenaturais e infusas; as morais podem ser naturais e adquiridas ou também infusas e sobrenaturais.

As virtudes próprias do cristão

            59 - As virtudes próprias do cristão, isto é, que somente se encontram no cristão, são as virtudes sobrenaturais e especialmente as teologais ou divinas, a saber: , esperança e caridade.
            Têm estas a Deus por objeto imediato, pois crê em Deus, espera em Deus, ama a Deus; têm, além disso, a Deus por motivo imediato, pois crê-se em Deus, porque é veraz, - espera-se em Deus, porque é misericordioso, - ama-se a Deus, porque é bom.
            As virtudes teologais, recebemo-las de Deus juntamente com a graça santificante; são-nos infusas pelo santo Batismo ou pela Penitência, ou pelo ato perfeito de caridade; e aumentam, com a graça, recebendo-se os sacramentos dos vivos. Devemos, porém, exercitá-las repetindo-lhes os atos, com auxílio da graça.
            Das três virtudes teologais, a mais excelente é a caridade:
            1.º- porque inseparável da graça santificante, enquanto a fé e a esperança se encontram também num pecador;
            2.º - porque nos une inteiramente a Deus e ao próximo;
            3.º- porque nos move a observar a lei e a fazer o bem;
            4.º- porque não cessam, por sucederam à fé a visão e à esperança a posse. 

II- DAS VIRTUDES EM PARTICULAR

1.º - A FÉ

Definição

            60. - A fé é a virtude sobrenatural por meio da qual cremos na autoridade infalível de Deus, o que Ele revelou e nos propõe a crer por intermédio da Igreja.
            A fé, portanto, é uma virtude sobrenatural, infusa por Deus em nossa alma. Leva-nos a ter por verdadeiras as verdades reveladas, não porque as compreendamos com a nossa mente, mas porque Deus, verdade infalível, as revelou à Santa Igreja e por meio dela as revela a nós.

Necessidade

            61. - A Fé é necessária de necessidade de meio para nos salvar. "Sem a fé é impossível agradar a Deus". (Hebr. XI, 6.) Aquele que crer e for batizado será salvo; o que, porém, não crer será condenado". (Marc. XVI, 16.)
            Aos que têm o uso da razão não lhes basta crerem em geral em todas as verdades, falando: Eu creio em tudo quanto a Igreja me propõe a crer.
            Há algumas verdades que devem ser cridas com ato explícito e particular, para nos salvarmos; e são precisamente os dois mistérios principais da fé: - que Deus existe e que é remunerador dos bons e justo punidor dos maus.

Pecados contra a Fé

            62. - Peca-se contra a fé:

            a) com a heresia, quando obstinadamente se nega qualquer verdade;
            b) com a apostasia, com o renunciar à fé já professada;
            c) com a dúvida voluntária;
            d) com a superstição, o indiferentismo, o respeito humano, etc.

2.° - ESPERANÇA

Definição

            63. - A Esperança é a virtude sobrenatural, por meio da qual confiamos em Deus e d’Ele aguardamos a vida eterna e as graças necessárias para merecê-las, cá na terra, com as boas obras.
            De Deus esperamos a vida eterna, que devemos merecê-las com as boas obras. Não podem estas ser praticadas sem o dom da graça.
            Nossa esperança funda-se na bondade de Deus, que nos quer salvar; na fidelidade de Deus, que no-lo prometeu e manterá Sua promessa; na onipotência de Deus, que pode cabalmente mantê-la.
            Quem desconfia ou duvida e quem desespera, isto é, absolutamente crê que Deus não o ajuda, ofende sumamente a Deus.
            Nossa esperança deve ser viva, ativa e prudente, sem pretender tudo por parte de Deus; mas fazer o que podemos, recordando que Deus não manda coisas impossíveis, e, ao dar-nos ordens, nos adverte a fazer o que podemos, a pedir-Lhe o que não podemos, e nos auxilia para que o possamos fazer.

Pecados contra a Esperança

            64. - Peca-se contra a esperança:
            a) com a presunção, isto é, com a temerária confiança de obter a vida eterna sem as boas obras;
            b) com o desespero, isto é, desconfiando de obter o céu, porque julga não conseguir o perdão dos pecados e estar, de Deus, abandonado.

3.° - CARIDADE

Definição

            65. - A caridade é a virtude sobrenatural, pela qual amamos a Deus, em Si mesmo, sobre todas as coisas, e ao próximo, como a nós mesmos, por amor de Deus.
            Devemos amar a Deus em Si mesmo, sobre todas as coisas, como sumo Bem, fonte de todo bem nosso: - é a caridade perfeita; amá-lO pelos benefícios que reparte: - é a caridade imperfeita.
            O amor, que devemos ao próximo, deve ser sobrenatural, isto é, por amor de Deus, e não por motivos naturais; pelo que importa ser universal, amando-se a todos os homens, até aos nossos inimigos, como no-lo ensinou Jesus Cristo com as Suas palavras e exemplos; deve ser interno, isto é, sincero, - justo, ajudando-o no bem, e efetivo, com fatos e não com palavras apenas.
            A virtude da caridade perde-se com qualquer pecado mortal: readquire-se com a confissão e com a dor perfeita.

LOS DOCE, GRADOS DEL SILENCIO


LOS DOCE, GRADOS DEL SILENCIO Sor Amada de Jesús
La vida interior podría consistir en esta sola palabra 


¡Silencio! El silencio prepara los santos; él los comienza, los continúa y, los acaba. Dios, que es eterno, no dice más que una sola palabra, que es el Verbo. Del mismo modo, sería deseable que todas nuestras palabras digan Jesús directa o indirectamente. Esta palabra: silencio ¡cuán hermosa es!

1° Hablar poco a las creaturas y mucho a Dios
Este es el primer paso, pero indispensable, en las vías solitarias del silencio. En esta escuela es donde se enseñan los elementos que disponen a la unión divina. Aquí el alma estudia v profundiza esta vírtud, en el espíritu del Evangelio, en el espíritu de la Regla que abrazó, respetando los lugares consagrados las personas, y sobre todo esta lengua en que tan a menudo descansa el Verbo o la Palabra del Padre, el Verbo hecho carne. Silencio al mundo, silencio a las noticias, silencio con las almas más justas: la voz de un Angel turbó a María...

2° Silencio en el trabajo, en los movimientos
Silencio en el porte, silencio de los ojos, de tos oídos, de la voz; silencio de todo el ser exterior, que prepara al alma a pasar a Dios. El alma merece tanto como puede, por estos primeros esfuerzos en escuchar la voz del Señor. ¡Qué bien recompensado es este primer paso! Dios la llama al desierto, y por eso; en este segundo estado, el alma aparta todo lo que podría distraerla; se aleja del ruido, y huye sola hacia Aquél que solo es. Allí ella saboreará las primicias de la unión divina y el celo de su Dios. Es el silencio del recogimiento, o el recogimiento en el silencio.

domingo, 10 de março de 2013

ATENÇÃO: Hoje inicia-se a Novena de São José


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Intimidad

Robert de Langeac
La vida oculta en Dios


Cesa entonces la busca y empieza la posesión. Pues no ya en el orden del ser, sino en el orden del conocimiento y del amor, el alma y Dios no constituyen ya más que una sola unidad. Son dos naturalezas en un mismo espíritu y un mismo amor. Sobreviene así una profunda intimidad, la comunión perfecta, la fusión sin mezcla y sin promiscuidad. Estamos en Él y Él está en nosotros. Somos todo lo que Él es. Tenemos todo lo que Él tiene. Lo conocemos, casi lo vemos. Lo sentimos, lo saboreamos, lo gozamos, lo vivimos, morimos en Él Pues, efectivamente, ésta sería la hora de la muerte, si Él no quisiera que siguiéramos viviendo aquí abajo. Pero esa vida que vivimos tenemos que darla, y para eso permanecemos. Pero cuando la obra divina haya concluido, caerá el último velo y sobrevendrá la perfecta posesión de vida no terminada que se halla toda junta. Cuanto más ade1antamos, más saboreamos la perfección de Dios. Es como una progresiva invasión con momentos como de aparente detención. Viene luego una nueva ola, que llega más lejos que la primera y que parece partir de más hondo. Nada es tan dulcemente impresionante como esa extensión de la acción divina que parte de lo más íntimo del alma y se adueña hasta de la zona que linda con el mundo sensible. Acude después a nuestro corazón una ardiente plegaria. Si es verdad que te poseo, Dios mío, haz que yo te difunda. Parece entonces como si la mano extrajese de un tesoro interior y diera, diera, no cesara de dar. ¡Qué beatitud!