quarta-feira, 10 de abril de 2013

Oração de Santo Tomás de Aquino


Ó Deus onipotente e eterno, eis que me vou aproximar do Sacramento de Vosso Filho Unigênito, Nosso Senhor Jesus Cristo. Venho como enfermo, ao Médico da vida, como impuro à fonte de misericórdia, como um cego à Luz da eterna claridade, como pobre indigente, ao Senhor do céu e da terra. Reclamo, pois, a abundância de vossas liberalidades infinitas, para que Vos digneis curar-me de minhas enfermidades, lavar-me as máculas, iluminar-me a cegueira, enriquecer-me a pobreza, vestir-me a nudez, de modo a que possa receber o Pão dos Anjos, o Rei dos reis e o Senhor dos senhores, com tanto respeito e humildade, tanta contrição e recolhimento, uma pureza e uma fé tão vivas, um bom propósito e intenção tais como requer a salvação de minha alma. Concedei-me, Vo-lo suplico, que eu receba não somente o Sacramento do Corpo e do Sangue do Senhor, como também o efeito e a força deste Sacramento. Ó Deus clementíssimo, já que me é dado receber o Corpo de vosso Filho Unigênito, Nosso Senhor Jesus Cristo, este mesmo Corpo que Ele tomou no seio da Virgem Maria, fazei que eu O receba com disposições tais, que mereça ser integrado em Seu Corpo místico e contado entre Seus membros. Ó Pai clementíssimo, concedei-me contemplar, enfim, face a face, por toda a eternidade, Vosso Filho dileto, o qual, neste peregrinar terrestre, me preparo para receber sob os véus sacramentais. Ele que, sendo Deus, conVosco vive e reina em união com o Espírito Santo, por todos os séculos. Amém.

sábado, 6 de abril de 2013

Pensamento da noite de 06/04/2013


Doutrina Cristã - Parte 28

Nota do blogue: Acompanhar esse Especial AQUI.

Monsenhor Francisco Pascucci, 1935, Doutrina Cristã, 
tradução por Padre Armando Guerrazzi, 2.ª Edição, biblioteca Anchieta.


A SANTA MISSA
Definição

            29. — A Eucaristia é o sacrifício do Novo Tes­tamento, e, como tal, se chama a Santa Missa.
            Pela palavra sacrifício, entende-se a pública oferta a Deus de uma coisa que se destrói, para professarmos que Deus é o Criador e Senhor Supremo, a quem tudo é devido.
            Todas as religiões tiveram e possuem o sacrifício: a religião hebraica, antes de Jesus Cristo, celebrou di­versos sacrifícios, estabelecidos por Deus, e que eram a figura do sacrifício de Jesus Cristo, o qual, imolando-Se a Si mesmo para expiar os nossos pecados e restituir-nos a graça divina, realizou o único, verdadeiro e va­lioso sacrifício, e quis se perpetuasse este em Sua Igreja.
            A Santa Missa é o sacrifício do Corpo e do Sangue de Jesus Cristo que, sob as espécies do pão e do vi­nho, se oferece por meio do sacerdote a Deus, no al­tar, em memória e renovação do sacrifício da cruz.

Verdadeiro sacrifício

            30. — A Missa é verdadeiro sacrifício, enquanto é pública oblação a Deus de uma vítima que se destrói, não real, mas apenas misticamente: — o sacerdote, de fato, consagrando separadamente o pão e o vinho, põe com as suas palavras uma sepa­ração entre o corpo e o sangue de Jesus Cristo — separa­ção que efetivamente não se verifica, porque o corpo de Jesus Cristo, na Eucaristia, é vivo e glorioso, e, portanto, não pode haver ali a real separação entre o corpo e o sangue.c
            O sacrifício da Missa não é uma simples lem­brança, mas renovação do sacrifício da Cruz, com a diferença de: Que o sacrifício da cruz foi cruento, isto é, com derramamento de sangue, enquanto o da Missa é incruento, isto é, sem derramamento de sangue; que, na cruz, Jesus Cristo mereceu por nós toda graça, enquanto na Missa nos aplica as graças me­recidas ao morrer por nós.

A quem e por quem se oferece

            31. — A Missa se oferece só a Deus, porque o sacrifício diz respeito só ao Criador e Dono supremo de todas as coisas.
            Às vezes, porém, celebra-se em honra de Nossa Senhora e dos Santos, e, em tal caso, entende-se agradecer a Deus as graças concedidas aos Santos, ou também a nós, mediante a intercessão deles, — ou entende-se implorar de Deus para nós graças e bênçãos pelos méritos e preces dos Santos.
            A Missa se oferece a Deus por quatro fins; — latrêutico ou de adoração; eucarístico ou de ação de graças pelos benefícios recebidos; satisfatório, para aplacá-lo ou dar-lhe satisfação dos nossos pecados; imperatório, para obter graças para nós e para os fiéis vivos e defuntos.

PUREZA, FUERZA Y RIQUEZA DE ESTE AMOR

Robert de Langeac
La vida oculta en Dios


¡Qué puro es tu amor, Dios mío! Es el amor de un espíritu por otro espíritu. Ignora lo que San Pablo llamaba la carne, y ella lo ignora también. No pertenece a su mundo; está infinitamente por encima de ella. Más aún: le hace la guerra, y una guerra despiadada. Para que pueda vivir, para que pueda desarrollarse a su gusto en nosotros, es menester que la carne se doblegue, se vaya desecando poco a poco y acaba por morir. De esa misteriosa pugna es nuestra alma a la vez teatro y premio. ¡Feliz mil veces Aquella que, para unirse a Ti, no tuvo que padecer esas crucificantes, pero necesarias purificaciones del amor!

¡Qué fuerte es también tu amor, Dios mío! Podemos apoyarnos sobre él con toda seguridad, pues jamás se nos zafa. El alma que a Él se une llega a ser tan firme e inmutable como Él. Puede sentir en sus facultades sensibles el inevitable flujo y reflujo de las emociones, pero su fondo íntimo no es turbado por ellas. Descansa sobre la tierra firme de tu amor. Si la tentación trata de inquietar su paz, el alma interior no tiene que hacer sino adherirse más firmemente a tu amor, para reducirla a la impotencia y para verla desaparecer. Tu amor es su refugio, su fortaleza. Allí está en seguridad. Nadie podría alcanzarla. La protege por todos los lados. La envuelve por todas partes. Es esa nube, luminosa y tenebrosa a un tiempo, que la guía y la oculta. El alma se siente verdaderamente rodeada de una influencia misteriosa que la robustece, la da confianza, la reconforta y la vivifica deliciosamente.

EL ALMA SE CONVIERTE EN LA PRESA DEL AMOR DIVINO

Robert de Langeac
La vida oculta en Dios


El alma interior ha sido verdaderamente conquistada por el Amor divino. Tal vez la haya asediado durante mucho tiempo. Pero, por fin, se ha apoderado de ella. Ha clavado en ella, con gritos de triunfo y de alegría, la, Cruz, que es su estandarte. Y desde ese momento reina sobre ella como vencedor. Todo es allí suyo: espíritu, corazón, sentidos y bienes. El alma interior, arrobada por haber sido conquistada así por la divina caridad, canta la belleza, la fuerza y la gloria de Dios. Había temido perder su libertad si le abría las puertas de su corazón. Pero ahora comprende que la verdadera libertad consiste en hacerse esclava del Amor divino. Creía que se le iba a quitar todo, y se da cuenta de que se le ha dado todo.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

A santa Comunhão: a 7.ª Coluna da vida de família



As colunas de tua casa
um plano para a felicidade da família
pelo 
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            Bem compreendida, já, por si mesma ela pode sustentar o templo do sol da feli­cidade da família. Pois na Santa Comunhão a aliança fiel dos pais é selada com o San­gue do Cordeiro, todos os seus cuidados e fadigas são libertados do peso terreno e fecun­dados pela graça. Então de novo se hospeda nos corações Aquele que outrora assistiu com Sua Mãe às bodas de Caná e também ago­ra ainda sempre abençoa pais e filhos, sempre que O convidam para casa. Do Tabernáculo manda o espírito de paz e de união.
            Qual novo “Belém, lugar do pão”, é bafejado pelo mesmo sopro de paz, que o cântico dos Anjos difundiu naquela feliz paragem, na noite sagrada de Natal.
            Por meio de cada Santa Comunhão esta paz penetra profundamente como um bem precioso, na alma. Os sentimentos divi­nos tornam-se nossos. Os pensamentos de Deus tornassem também nossos. A caridade e a paciência do Senhor passam para nós, de modo que se torna mais fácil compreender- se e suportar-se mutuamente. A Carne e o Sangue do Homem-Deus desperta em nós uma nova vida, uma vida divina. Pouco a pou­co nos transforma e deforma. Necessariamen­te, irresistivelmente, misteriosamente como o sol na primavera faz renascer e florescer a floresta calva e morta.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

A santa Missa: 6.ª Coluna



As colunas de tua casa
um plano para a felicidade da família
pelo 
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            Uma peça de admirável suntuosidade, uma coluna de próprio, atravessada por veias de ouro, mostra-nos a santa fé. Daí se reflete por toda a casa luz e beleza. É a Santa Missa.
            Não é apenas um crucifixo sem vida; não! — é o próprio Salvador que Se torna presente, sacrificando-Se por nós na cruz, Ele consuma de novo o sangrento sacrifício da cruz. É o mais importante acontecimento do mundo, o sacrifício do Gólgota, que se re­nova na Igreja! O altar torna-se um monte Calvário.
            Lá se encontra o mesmo Salvador, o mesmo amor, a mesma imolação que outrora na primeira sangrenta Sexta-feira da Paixão! — E quão de perto se tocam a idéia do sacrifício divino do Gólgota e a da vida de sacrifício no matrimônio! A vida matri­monial significa vida de sacrifício. O matri­mônio, conscienciosamente compreendido, é até um grande e contínuo sacrifício, que por vezes se eleva até o heroísmo. Em renuncia e paciência no sofrimento pode às vezes exigir algo de sobre-humano, onde iriam os cônjuges buscar força para isso, de onde lhes pro­vêm maior consolo e mais fortaleza que ao pé da cruz, do altar, onde dia por dia se consuma o mais doloroso sacrifício?
            A esposa e mãe sente particularmente no Santo Sacrifício da cruz e do altar ressoar cordas afins! Ela também precisa de maior força. Toda a sua vida, toda a sua condição é propriamente apenas de dedicação, de ab­negação, de sacrifício, é viver e consumir-se pelos outros. — Se não se aproxima do altar, em companhia da Mãe Dolorosa e sob a Cruz do Filho de Deus, então não sei de onde lhe virá a alegria no espírito de sacrifício e a co­rajosa força de vontade para a sua vida de renúncia.
            Grandiosa e bela como o sol brilha a santa Missa, iluminando a família. Mas ain­da não é essa toda sua bênção. Nela sussurra também misteriosamente sobre nossos altares uma fonte de felicidade.
            No lago de Achen encontrei, há muitos anos, uma nobre senhora protestante de Würzburg, que um domingo me acompanhou à santa Missa.
            Desde a moléstia do marido frequentava a Igreja Católica. Então, dizia ela, sentia a necessidade de orar pelo esposo mortalmente enfermo.
            Como suas Igrejas estavam todas fecha­das durante o dia, tinha ido ao templo católicos. Lá se rezava tão bem e muitas bênçãos e por fim a conversão à Igreja Católica de­via à frequentação da Santa Missa. — Nada lamentava mais do que ter Lutero fechado para tantas almas esta fonte de bênçãos. — Tinha razão. Imaginamos que viesse hoje al­guém e alta noite derramasse ouro num lugar dificilmente accessível. Todos poderiam ir buscá-lo, quando quisessem. Quem deixaria de ir? Ninguém: Na Santa Missa, dia por dia, não somente aos domingos, se derrama coisa de maior valor ainda. Na consagração corre de novo sobre nossos altares o precioso San­gue do Salvador, como outrora na cruz.
            De novo se Lhe abre o amoroso Coração para derramar juntamente com torrentes de Seu Sangue sagrado, também as bênçãos de Suas graças sobre a terra sequiosa. Cada gotinha desse Sangue preciosíssimo vale mais que um mundo inteiro, cheio de ouro e pe­dras preciosas. Comodamente podes hauri-lo. Não é uma hora impossível, quase a to­das as horas da manhã mana a fonte, abre-se misteriosamente a torrente de graças para cada um que vem. É preciso muitas vezes apenas um pouquinho mais de compreensão para o tesouro supremo de nossa Igreja, e alguma boa vontade.
            E se vós mesmos não podeis, mandai então ao menos vossos filhos. Assim era no tempo antigo, quando ainda se pensava catolicamente e se apreciavam as graças da Igreja: alguém da família devia também nos dias de trabalho ir à santa Missa. Era o por­tador de bênçãos para todos os outros mem­bros da família. — Procedes acaso prudentemente, deixando de ir? Convenceste que per­des assim ocasião de buscar a felicidade, tua e de teus filhos.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

A veneração à Mãe de Deus: 5.ª Coluna


As colunas de tua casa
um plano para a felicidade da família
pelo 

            Nas velhas cidades e nas regiões verdadeiramente católicas se encontra ainda por vezes, como restos de uma época de piedade filial e fé robusta, uma estátua da Mãe de Deus nas casas ou no vestíbulo.
            A arte cristã, pintura e plástica, criou para esse fim muitas imagens valiosas, linda­mente emolduradas. A piedade filial cerca­va a imagem de círios e flores.
            Aos sábados e nas festas de Maria tam­bém lhe punham às vezes em frente uma lam­parina ou candeia acesa. Era um belo costu­me. Nos lugares em que ainda existe este pie­doso hábito, tudo mostra que essa casa se acha sob a proteção especial da Mãe celeste e que os moradores A veneram e amam com filial e piedosa devoção.
            Feliz a família de que Maria é Padroei­ra e que como tal A honra. O amor e venera­ção à Mãe de Deus obriga o homem a seguir as pegadas de São José, o virginal protetor da puríssima Virgem.
            Ele deve por si mesmo tornar-se-lhe ca­da vez mais semelhante e governar sua casa em espírito cristão. Se a mãe de família é uma fiel e fervorosa devota da Santíssima Virgem há de procurar também lhe imitar o admirável exemplo de virtude. Há de comunicar-se, como por si mesmo, à mulher cristã aquele espírito de humildade, que lhe desvia os olhos do tumulto exterior do mundo, para volvê-los ao interior do lar, que a forti­fica, para levar uma maravilhosa vida de amor e sacrifício, de abnegação no silencio da vida oculta, que a torna uma verdadeira men­sageira de paz, de alegria e de benção no lar doméstico.
            A própria gratidão já obriga a mulher e a mãe a devotar-se a Maria.
            Toda a consideração de que a mulher hoje goza, a libertação do indigno cativeiro, a posição que ocupa na sociedade humana, deve à Mãe de Deus.
            Por dia e nela a mulher é enobrecida. Um reflexo da beleza e bondade da Virgem Santíssima cai sobre cada mulher; nem ao menos se apaga de todo na mulher decaída, esque­cida de sua dignidade, como o sol também se espelha ainda nas águas lodosas.
            Do que o cristianismo sente pela mulher, de quanto era considerada particularmente na piedosa Idade-Média, é testemunha um fato da vida de Henrique Suso (nascido em 1295, em Constança). Diante de uma po­bre mulherzinha, que encontra numa estreita pinguela, ele, o grande e festejado sábio, re­cuou, deixando-a respeitosamente passar adiante, porque, como todos os homens e cava­lheiros de seu tempo, via nela uma “irmã” da graciosa Virgem Mãe de Deus. É esse ainda sempre o alto valor que o sentimento cristão dá à mulher. Não devia toda mulher ser grata a Maria por toda a vida?
            À estima exterior deu a veneração de Maria também um fundamento interior pro­fundo; pois do modelar exemplo da Santa Mãe de Deus se originaram para a mulher valores espirituais sempre novos. Da venera­ção desta Santa Virgem e amável Mãe hauriu ela sempre fortes impulsos, constantemente renovados, para vencer no mundo o mal e a violência e curar com mãos delicadas e compassivo amor as chagas que a for­ça e o arbítrio do homem tantas vezes abriu na sociedade. Épocas inteiras gozaram mes­mo por vezes da influência decisiva de mulhe­res que imitaram fielmente a Maria e deixa­ram, nesses tempos abençoados, vestígios pro­fundos de sentimentos benfazejos e caridade cristã. E quando as mulheres renunciam ao seu ideal e esquecem a sua dignidade, como Isabel a infeliz Rainha da Inglaterra, filha de Anna Bolena, então se tornam sem dúvida uma maldição para o mundo e para o próximo. — Vê-se, pois, que a muitos respeitos a dignidade da mulher e o bem da humanidade nos são dados com Maria.
            Também sobre as crianças, sobretudo so­bre a mocidade, a veneração de Maria produz o mais salutar efeito.

terça-feira, 2 de abril de 2013

A Curiosidade - Santo Agostinho

Nota do blogue: Enviado por um amigo.


À tentação sobredita junta-se outra, mais perigosa sob múltiplos aspectos. Além da concupiscência da carne – que vegeta na deleitação de todos os sentidos e prazeres, e mata a todos os que a servem, isto é, àqueles que se afastam para longe de Vós – pulula na alma, em virtude dos próprios sentidos do corpo, não um apetite de se deleitar na carne, mas um desejo de conhecer tudo, por meio da carne. Este desejo curioso e vão, disfarça-se sob o nome de “conhecimento” e de “ciência”. Como nasce da paixão de conhecer tudo, é chamado nas divinas Escrituras a concupiscência dos olhos(1), por serem estes os sentidos mais aptos para o conhecimento.

É aos olhos que propriamente pertence o ver. Empregamos, contudo, este termo, mesmo em relação aos outros sentidos, quando os usamos para obter qualquer conhecimento. Assim, não dizemos: “ouve como brilha”, “cheira como resplandece”, “saboreia como reluz”, “apalpa como cintila”. Mas já podemos dizer que todas essas coisas se vêem. Por isso não só dizemos: “vê como isto brilha” – pois só os olhos o podem sentir, – mas também: “vê como ressoa, vê como cheira, vê como sabe bem, vê como é duro”. É por isso, como já disse, que se chama concupiscência dos olhos à total experiência que nos vem pelos sentidos. Apesar do ofício da vista pertencer primariamente aos olhos, contudo os restantes sentidos usurpam-no por analogia, quando procuram um conhecimento qualquer.

Daqui se vê claramente quanto a volúpia e a curiosidade agem em nós pelos sentidos: o prazer corre atrás do belo, do harmonioso, do suave, do saboroso, do brando; a curiosidade, porém, gosta às vezes de experimentar o contrário dessas sensações, não para se sujeitar a enfados dolorosos, mas para satisfazer a paixão de tudo examinar e conhecer.

EL SUEÑO DEL ALMA EN DIOS

Robert de Langeac
La vida oculta en Dios


La vida de intimidad entre Dios y el alma empieza. Están siempre juntos, no se abandonan. Quien ve al uno ve a la otra. Diríamos que no son más que uno solo, aun cuando sigan siendo perfectamente distintos. Pero hay horas en que esa intimidad se hace mayor. Son las horas en que al cesar la actividad exterior, el alma interior vuelve a encontrarse a solas con su Dios y descansa dulcemente a su lado. Sobreviene entonces el gran silencio, el recogimiento profundo, la conversación a media voz, entrecortada por largas pausas, en las que no se oyen más que los latidos del corazón, Momentos de quietud, de verdadero y tranquilo reposo de la voluntad en Dios.

Cuando el alma interior está unida a su Dios, en lo más intimo de sí misma, duerme totalmente. Su grado de unión es la medida de su misterioso sueño.

Se ha hecho en ella un gran vacío, luego una gran calma y, por fin, un gran silencio. Duerme totalmente. Ya no oye nada, ni ve nada, ni piensa en nada concreto. Sin embargo, vive, ama. Diríamos que ha retirado de si todo el vigor que daba a sus facultades. Ha hecho que todo descanse. Pero es para mejor amar.

SU MODESTIA/SU SOLTURA

Robert de Langeac
La vida oculta en Dios


SU MODESTIA

Tu Esposa ama la paz. Sus preferencias la llevan hacia una vida muy sencilla. Tiene gustos modestos. Las más humildes ocupaciones de la vida cotidiana no le desagradan; antes al contrario. Se dedica a ellas gustosamente. Trabajar en silencio su huerto; cuidar de que esté muy limpio y bien cultivado; fomentar las pequeñas virtudes; interesarse por la brizna de hierba y por la flor que se abre y se desarrolla, son cosas que le encantan. Pues, a su juicio, no hay que descuidar nada cuando se trata de hacer más agradable el propio corazón al Corazón de Dios, y de aumentar desde todos los puntos su semejanza con el de Jesús.

SU SOLTURA

Las sucesivas purificaciones han devuelto las facultades del alma interior al estado de puras facultades de conocer, amar, querer e imaginar. Han quedado descargadas de todas las formas creadas. Todo ha desaparecido de ellas. El fuego del amor lo ha abrasado todo. Incluso los hábitos de pensar, de querer, etc., han sido desarraigados, no sin grandes sufrimientos. Pero las facultades no han sido destruidas por ese proceso realizado en sus profundidades; antes al contrario. Están más ágiles, más fuertes, más aptas para el bien que nunca. Se parecen a las facultades del primer hombre que salió de las manos del Creador. Ya se trate del mundo natural o del mundo sobrenatural, de la acción o de la contemplación, las facultades, perfectamente libres, perfectamente ágiles entre las manos de Dios, operan con idéntica facilidad. Se mueven en esos dos mundos como sin esfuerzo.

DIGNIDAD Y ARMONÍA DEL ALMA INTERIOR

Robert de Langeac
La vida oculta en Dios


Cuando encontramos un alma interior, quedamos impresionados por su dignidad, por su soltura y por su gracia. La creeríamos de sangre real, lo cual es verdad, pues es hija de Rey, es reina. ¿No eres Tú acaso, Jesús, el Rey de Reyes? ¿No es ella tu Esposa? ¿Por qué, pues, extrañarnos? En el alma interior participa todo de esa nobleza divina; la revelan sus palabras, sus gestos, sus movimientos, sus menores pasos. Son graciosos, discretos y firmes. Al andar, no hace ruido, no atrae la atención y, sin embargo, agrada, logra su fin como sin esfuerzo. Apenas si hemos notado lo que hacía, de tan ordenada como ha sido su acción; tiene el sentido de la medida. Ha obrado como había que obrar. Ha hablado como había que hablar. Era en ese momento cuando había que callarse. Pero el exterior no es más que un reflejo. Lo interior, lo que Tú, Dios mío, ves, es lo que cuenta sobre todo, y lo que es verdaderamente hermoso. Pues todo ese interior está ordenado.

En esta alma son graciosos hasta los menores movimientos interiores. A Ti te agradan y Tú eres buen juez. Y es que todos están inspirados por tu amor. Que sólo él es su principio y su término. También su regla. Sí, todos los pensamientos de esta alma son pensamientos de amor. Y lo mismo sucede con todos sus deseos y con todos sus actos.