terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Doutrina Cristã - Parte 15

Nota do blogue: Acompanhar esse Especial AQUI.

Monsenhor Francisco Pascucci, 1935, Doutrina Cristã
tradução por Padre Armando Guerrazzi, 2.ª Edição, biblioteca Anchieta.

            2.° MANDAMENTO

Não tomar o santo nome de Deus em vão

            O segundo mandamento proíbe-nos tomar nome de Deus sem o devido respeito, blasfemar contra Deus, a Santíssima Virgem, os Santos e as coisas santas, e fazer juramentos falsos ou desnecessários ou de qualquer modo ilícitos.
            O segundo mandamento nos ordena de se honrar sempre o santo nome de Deus e de se cumprirem os votos e as promessas feitas.

Objeto direto e indireto

            19. - Objeto direto desse mandamento é o santo nome de Deus; - indireto, o nome da Virgem, dos Santos e das coisas santas.

O santo nome de Deus

            20. - Tomar sem respeito o nome de Deus equivale a dizer - pronunciar-se, por mofa, em atos de cólera ou de modo irreverente, aquele santo Nome e tudo o que a Deus especialmente se rende, como o nome de Jesus, o de Maria e o dos Santos.
            O santo nome de Deus deve ser invocado com respeito e confiança para se honrar a Deus, lhe agradecer os benefícios e Lhe pedir, nas tentações e necessidades, o auxílio e o perdão das ofensas. Louvável, pois, a prática das jaculatórias ou breves invocações, mesmo feitas com a mente só e o coração.

Blasfêmia

            21. - A blasfêmia é uma palavra ou ato injurioso contra Deus, a Virgem, os Santos e as coisas sagradas.
            Pode ser a blasfêmia - simples ou herética. É herética, quando contém alguma heresia ou a negação de algum atributo de Deus, como por ex. a Sua providência, ou a negação de um privilégio da Virgem, como por ex. a Imaculada Conceição ou a Virgindade de Maria.
            A blasfêmia é pecado gravíssimo e abominável, contrário não só à religião, senão também à civilidade.

Juramento

            22. - O juramento consiste em chamar a Deus por testemunha do que se afirma ou do que se promete.
            Pode ser assertório ou promissório.
            A invocação de Deus pode ser explícita ou implícita, quando, por exemplo, se jura pela cruz ou sobre os Evangelhos, ou quando se lembra o valor que tem para o cristão o juramento.       Jurar pela honra, pelos filhos, etc., não é verdadeiro juramento, porque não se funda na invocação de Deus, mas é apenas uma afirmação humana, cuja autoridade e credibilidade é corroboradas pela invocação de causas ou pessoas sagradas para o indivíduo, para a família, etc.     O juramento é ato solene e altamente religioso. Deve, pois, ser praticado com as devidas condições, isto é, com verdade, com juízo, com justiça.
            a) Com verdade, jurando o que a gente sabe ou crê verdadeiro ou o que se tem a intenção de manter.
            Quem jura falso comete pecado mortal, por desonra gravemente a Deus, verdade infinita, chamando-O em testemunho do que é falso;
            b) com juízo, isto é, com prudência e consideração madura e não por motivos simples ou coisas de pouco monta;
            c) com justiça, isto é, sem dano injusto ao próximo.

Voto

            23. - Voto é uma promessa feita a Deus de um bem agradável a Ele, bem melhor que o seu contrário, obrigando-nos a tal, por motivo de religião, isto é, entendendo prestar um culto a Deus.
            O voto pode ser:
            a) real, se o que se promete é um objeto, ex. uma esmola; pessoal, se se promete cumprir uma ação, por ex., uma romaria; misto, se uma coisa e outra;
            b) absoluto ou condicionado, se lhe puseram ou não uma condição a se cumprir;
            c) temporário ou perpétuo;
            d) público, quando aceito, como tal, pelo superior, eclesiástico; caso contrário, é privado;
            e) solene, se, como tal, é reconhecido pela Igreja; do contrário, é simples.
            Somente a Deus se fazem votos; pode-se, entretanto, prometer a Deus fazer-se ou dar algo em honra de Nossa Senhora ou dos Santos.
            O voto, quando é de coisa boa e possível, obriga estrita e gravemente; pelo que importa não fazer votos sem madura reflexão, e, de ordinário, sem o conselho do confessor ou de outra pessoa prudente.
            Quando a observância do voto for de todo ou em parte difícil, pode a gente pedir comutação ou dispensa dele às Autoridades eclesiásticas ou ao confessor, conforme a varia espécie de voto. 

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

IV- Os remédios do orgulho

Nota do blogue: Acompanhe esse especial AQUI.
A Vida Espiritual explicada e comentada 
Adolph Tanquerey

                   

            838. Já dissemos (n.º 27) que o remédio mais eficaz contra o orgulho é reconhecer que Deus é o autor de todo o bem, e que, por conseguinte, só a Deus pertence toda a honra e glória. De nós mesmos não somos mais que nada e pecado, e por conseguinte, não merecemos senão esquecimento e desprezo (n.º 208).

            839. 1.º- Não somos mais que nada: É esta uma convicção fundamental que os principiantes devem haurir da meditação, refletindo lentamente, à luz divina, nos pensamentos seguintes: não sou nada, não posso nada, não valho nada.

            A) Não sou nada: aprouve, é certo, à Bondade divina escolher-me entre milhões e milhões de possíveis, para me dar a existência, a vida, uma alma espiritual e imortal, e por esses benefícios devo-Lhe dar graças todos os dias. Mais:

            a) eu saí do nada, e pelo meu próprio peso tendo para o nada, aonde me precipitaria infalivelmente, se o meu Criador me não conservas: pela Sua ação incessante; o meu ser não me pertence, pois, mas é todo inteiramente de Deus, e a Deus é que eu devo fazer dele homenagem.

            b) Este ser que Deus me deu é uma realidade viva, um imenso benefício, de que jamais Lhe poderei dar graças excessivas; mas, por mais admirável que seja, este ser, comparado ao Ser divino, é um puro nada, “tanquam nihilum ante te[1], tão imperfeito é!    

           1) É um ser contingente, que poderia desaparecer, sem que nada faltasse à perfeição do mundo;
           2) é um ser de empréstimo, que não me é dado senão com a reserva expressa do soberano domínio de Deus;
           3) é um ser frágil que não pode subsistir por si mesmo e necessita de ser sustentado a cada instante por Aquele que o criou. É, pois, um ser essencialmente dependente de Deus, sem outra razão de existir mais que dar glória ao seu autor. Esquecer esta dependência, proceder como se as nossas qualidades fossem completamente nossas e envaidecermo-nos delas, é pois erro, loucura e injustiça inconcebíveis.

            840. E o que dizemos do homem na ordem da natureza, mais verdade é ainda na ordem da graça: esta participação da vida divina, que faz a minha dignidade e grandeza, é um dom essencialmente gratuito, que tenho de Deus e de Jesus Cristo, que não posso conservar muito tempo sem a graça divina, que não aumenta em mim senão com o concurso sobrenatural de Deus (n.º 126-128); é, pois, caso para dizer: “Gratias Deo super inenarrabili dono eius[2]. Que ingratidão e injustiça atribuir a si mesmo a menor parcela deste dom essencialmente divino! “Quid autem habes quod non accepisti? Si autem accepisti, quid gloria ris quasi non acceperis?[3].

            841. B) Não posso nada por mim mesmo: é certo que recebi de Deus faculdades preciosas que me permitem conhecer e amar a verdade e a bondade. Estas faculdades foram aperfeiçoadas pelas virtudes sobrenaturais e pelos dons do Espírito Santo; e mal poderíamos admirar em excesso esses dons da natureza e da graça que tão perfeitamente se completam e harmonizam. Mas de mim mesmo de minha própria iniciativa, não posso nada para pôr em ação e os aperfeiçoar: nada, na ordem natural, sem o concurso de Deus: nada, na ordem sobrenatural, sem a graça atual, nem sequer, formar um bom pensamento salutar, um bom desejo sobrenatural. E, sabendo isto poderia eu envaidecer-me destas faculdades naturais e sobrenaturais, como se elas fossem inteiramente propriedade minha? Ainda aqui seria ingratidão, loucura, injustiça.  

            842. C) Não valho nada: se considero o que Deus pôs em mim e o que em mim opera pela Sua graça não há dúvida que sou um valor: “empti enim estis pretio magno[4]... tanti vales quanti Deus: valho o que custei e custei o sangue de Deus!” Mas a honra da minha redenção e santificação é a mim que deve referir-se ou e a Deus? A resposta não pode oferecer a menor dúvida. - Apesar de tudo, diz o amor próprio vencido, ainda tenho alguma coisa que é minha e me dá valor: é o meu livre consentimento ao concurso e a graça de Deus. Certo que temos nisso alguma parte, mas não a principal: esse livre consentimento não é mais que o exercício das faculdades que Deus nos deu gratuitamente, e, no próprio momento em que o damos, é Deus que opera em nós, como causa principal: “operatur in nobis et velle et perficere[5] E, por uma vez que consentimos em seguir o impulso da graça, quantas vezes lhe resistimos, quantas vezes não cooperamos com ela senão imperfeitamente! Verdadeiramente que não temos neste ponto nada de que nos ufanar, senão de que nos humilhar.
            Quando um grande mestre pintou uma obra-prima, é a ele que atribuímos e não aos artistas da terceira ou quarta ordem que foram seus colaboradores. Com mais força de razão devemos atribuir os nossos méritos a Deus, como causa primária e principal, pois que segundo canta a Igreja, depois de Santo Agostinho, Deus coroa os seus dons, quando
coroa os nossos méritos, “coronando merita caronas dona tua[6].
            Assim pois, seja qual for a luz a que nos consideremos, seja qual for o preço imenso dos dons que há em nós, e até mesmo dos nossos próprios méritos, não temos o direito de nos jactarmos deles, mas o dever de os referir a Deus na mais sentida homenagem de ação de graças, pedindo-lhe ao mesmo tempo perdão do mau uso que deles temos feito.

            843. 2.º- Sou pecador, e, como tal, mereço o desprezo, todos os desprezos com que aprouver a Deus esmagar-me. Para disso nos convencermos, basta recordar o que dissemos do pecado mortal e venial.

            A) Se tive a infelicidade de cometer um só pecado mortal, mereço eternas humilhações, pois que mereci o inferno. Posso ter, é certo, a doce confiança de que Deus já me perdoou; mas nem por isso deixa de continuar a ser verdade que cometi um crime de lesa-majestade divina uma espécie de deicídio e suicídio espiritual (n.º 719), e que, para expiar a ofensa à Majestade divina, devo estar disposto a aceitar, a desejar até todas as humilhações possíveis, as maledicências, as calúnias, as injúrias, os insultos: tudo isso fica muito aquém do que merece aquele que uma só vez ofendeu a infinita Majestade de Deus. E, se O ofendi muitas vezes, qual não deve ser a minha resignação, a minha alegria até, quando tenho ocasião de expiar os meus pecados por meio de opróbrios de curta duração!?

            844. B) Todos nós temos cometido pecados veniais, e, sem dúvida, de propósito deliberado, preferindo a nossa vontade e o nosso prazer à vontade e glória de Deus. Ora isto, como dissemos (n.º 715), é uma ofensa à Majestade divina, ofensa que merece humilhações tão profundas que, nem mesmo com uma vida inteira passada na prática da humildade, poderíamos por nós mesmos restituir a Deus toda a glória de que injustamente O despojamos.
            Se a alguém parecer exagerada esta linguagem, lembre-se das lágrimas e penitência austera dos Santos, que não tinham cometido senão faltas veniais, e que nunca se podiam persuadir que faziam demais para purificar a sua alma e reparar os ultrajes infligidos à Majestade divina. Estes Santos viam nisto mais claro do que nós; se não pensamos como eles, é porque estamos obcecados pelo orgulho.
            Devemos, pois, como pecadores, não somente não procurar a estima dos outros, mas desprezar-nos a nós mesmos e aceitar todas as humilhações que a Deus aprouver enviar-nos.



[1] Sl., 38, 6.
[2] II Cor., 9, 15.
[3] I. Cor., 4, 7.
[4] I. Cor., 4, 7.
[5] Fl., 2, 13.
[6] Prefácio de todos os Santos.

Desenvolvimento Infantil


Por Pe. John D. Fullerton
Traduzido por Andrea Patrícia


Este mês vamos retornar à consideração da formação do caráter na responsabilidade, tão importante no desenvolvimento infantil.

Como animais racionais, aprendemos muito por tentativa e erro, especialmente quando somos jovens. Os pais devem entender que, a fim de promover a responsabilidade eles devem permitir que esse processo de tentativa e erro tome o seu curso não resolvendo os problemas que seus filhos são perfeitamente capazes de resolver sozinhos. Isto irá requerer um controle adequado, nem muito mais nem muito pouco. O trabalho dos pais não é impedir seus filhos de cometer erros, mas garantir que os erros sejam contidos e que eles transmitam lições importantes que irão ajudar seus filhos a aprender a assumir o controle responsável de suas vidas.

Muitos dos pais de hoje, levam seus filhos e a si mesmos inteiramente a sério demais. Isso resulta em pais que são um paradoxo da reação exagerada e defensiva. Por um lado, ficam chateados quando os filhos fazem algo insensato, em seguida, por outro lado, negam que seus filhos sejam capazes de tal tolice. Eles temem que essa tolice possa refletir alguma falha maior neles. Não devemos esquecer que as crianças nascem com o pecado original e, embora limpas pelo batismo, permanecem os efeitos enfraquecedores entre os quais encontramos a tolice. Esta tolice, juntamente com o fato de que eles têm livre-arbítrio, torna seu comportamento imprevisível e incompreensível. Os pais, portanto, precisam primeiro assumir a responsabilidade de não negar que seus filhos sejam capazes de tolices. Se a criança é habitualmente tola, então os pais devem olhar para si mesmos, mas a tolice ocasional pode ser esperada de cada criança e diz pouco sobre os pais. Claro, os pais têm a responsabilidade de corrigir esta tolice quando aparece, fazendo algo para tornar seus filhos um pouco menos tolos. Mas eles não vão fazer isso se eles tolamente se recusam a colocar a culpa onde ela pertence: sobre seus filhos. Um tolo já é suficiente nesta relação.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Hino ao sofrimento


[8 de abril de 1898 - Elisabete da Trindade]

Fere, fere, Ó tão caro sofrimento, 
Fere, fere, Ó querida dor. 
Tu que não poupaste o Salvador, 
Sê aqui na terra minha doce esperança. 
Fere, não posso viver sem ti, 
Fere, a fim de que Jesus encontre em mim 
Uma crucificada à Sua imagem
Que beba com Ele a amarga bebida. 
Fere, a fim de que tenha a grande felicidade 
De me assemelhar a Nosso Senhor,
Ao doce Jesus, meu divino modelo, 
Jesus! felicidade da alma fiel. 
Fere, saboreio tuas delícias 
Na prova e no sacrifício,
Visto que quero consolar o Coração
De Jesus, meu Bem-Amado Salvador.
Não foste divinizada, 
Ó dor, pelo Deus crucificado, 
Jesus chorando durante a agonia, 
Jesus que por mim dá a vida?
Quero tanto dar a minha, 
A este Deus pobre, a este Deus sofredor, 
A Jesus humilhado, Jesus moribundo 
Mas, oh que sua graça me sustente!...
Porque nada posso sem seu socorro,
Mas com Ele que me fortifica
Serei forte, forte sempre,
Para amar, sofrer toda a minha vida!...

III. A malícia do orgulho

Nota do blogue: Acompanhe esse especial AQUI.
A Vida Espiritual explicada e comentada 
Adolph Tanquerey

         

            Para bem se julgar desta malícia, pode-se considerar o orgulho em si mesmo ou nos seus efeitos.

            832. 1.º - Em si mesmo: A) O orgulho propriamente dito, o que consciente e voluntariamente usurpa, ainda mesmo implicitamente, os direitos de Deus, é pecado grave, o mais grave até dos pecados, diz Santo Tomás, porque não se quer submeter ao supremo domínio de Deus.

            a) Assim, querer ser independente, recusar obediência a Deus ou aos Seus representantes legítimos em matéria grave, é pecado mortal, porque é revoltar-se contra Deus, nosso legítimo soberano.
            b) É falta grave também atribuir-se a si mesmo o que vem manifestamente de Deus, sobretudo os dons da graça, porque é negar implicitamente que Deus seja o primeiro princípio de todo o bem que há em nós. Muitos contudo o fazem, dizendo, por exemplo: eu sou filho das minhas obras.
            c) Peca ainda gravemente quem quer operar para si, com exclusão de Deus, porque isso equivale a negar-Lhe o direito de ser nosso último fim.

            833. B) O orgulho atenuado que, conquanto reconheça a Deus como primeiro princípio e último fim, Lhe não dá tudo o que Lhe é devido, antes Lhe rouba implicitamente uma parte da Sua glória, é falta venial bem caracterizada. Tal é o caso dos que se gloriam das suas boas qualidades e virtudes, como se estivessem persuadidos que tudo isso lhes pertence como próprio; ou então o dos que são presunçosos, vaidosos, ambiciosos, sem contudo fazerem nada que seja contrário a uma lei divina ou humana em matéria grave. Podem contudo estes pecados degenerar em mortais, impelindo-nos a atos gravemente repreensíveis. Assim a vaidade, que em si não passa de falta venial, torna-se grave, quando leva a contrair dívidas que se não poderão pagar, ou a excitar-nos outros amor desordenado. É preciso, pois, examinar também o orgulho nos seus resultados.

            834. 2.º- Em seus efeitos: A) O orgulho que se não reprime chega por vezes a efeitos desastrosos. Quantas guerras não foram ateadas pelo orgulho dos governantes e às vezes dos mesmos povos? Sem ir tão longe, quantas divisões nas famílias, quantos ódios entre particulares se devem atribuir a este vício? Os Santos Padres ensinam com razão que ele é a raiz de todos os outros vícios, e que ademais corrompe muitos atos virtuosos, porque nos leva a praticá-los com intenção egoísta.

            835. B) Encarando esses efeitos pelo lado da perfeição, que é o que nos interessa, pode-se dizer que o orgulho é o seu maior inimigo, porque produz em nossa alma uma lastimosa esterilidade e é fonte de numerosos pecados.
            a) Priva-nos, efetivamente, de muitas graças e merecimentos:

            1) De muitas graças, porque Deus, que dá com liberalidade a Sua graça aos humildes, recusa-a aos soberbos: Deus superbis resistit, humilibus autem dat gratiam[1]. Pesemos bem estas palavras, Deus resiste aos soberbos, porque diz M. Olier[2], como o soberbo ataca diretamente e aborrece a soberania divina, Deus lhe resiste às pretensões insolentes e horríveis “e, como se quer conservar no que é, abate e destrói o que se ele contra Si”.
            2) De muitos merecimentos: uma das condições essenciais do mérito é a pureza de intenção; ora o orgulhoso opera para si, ou para agradar aos homens, em lugar de trabalhar para Deus e assim merece a censura dirigida aos Fariseus, que faziam as suas boas com ostentação, para serem vistos dos homens, e, por esta razão, não podiam esperar recompensa de Deus “alioquin mercedem non habebitis apud Patrem vestrum qui in caelis est ... amen, amen, dico vobis, receperunt mercedem suam”.[3]

            836. b) É, além disso, fonte de numerosas faltas:

            1) faltas pessoais: por presunção, expõe-se um ao perigo em que sucumbe: por orgulho, não quer ceder instantemente as graças de que precisa, e cai; depois vem o desalento correndo até perigo de dissimular os pecados na confissão;
            2) faltas contra o próximo: por orgulho, não se quer ceder, ate mesmo quando se não tem razão, empregam-se a picuinhas mordazes na conversação, travam-se discussões ásperas e violentas que acarretam dissensões e discórdias; daí, palavras amargas, injustas até, contra os rivais, para os abater, críticas acerbas contra os superiores, recusa de obedecer às suas ordens.

            837. c) É, enfim, uma causa de infelicidade para quem cede habitualmente ao orgulho: como o orgulhoso quer ser grande em tudo e dominar os seus semelhantes, para ele deixa de haver mais paz e repouso. E na verdade, como por um lado não pode sossegar, enquanto não consegue triunfar de seus rivais, e por outro jamais o consegue completamente, vive perturbado, agitado, infeliz. Importa, pois buscar remédio para este vício tão perigoso.



[1] Tg., 4,6.
[2] Introduction, ch. VI. I. re Sect.
[3] Mt., 6,12.

Palavras de Dios al alma

Robert de Langeac
La vida oculta en Dios

Me parece, Dios mío, que más de una vez le plugo ya a tu amor hablar a mi alma.

Sucedía por lo común en la hora en que menos pensaba yo en Ti. De repente, en lo más profundo de mi corazón, oía yo espiritualmente que una voz dulce y fuerte, precisa y penetrante, me decía una palabra, sí, a veces una sola. Y mi alma, sorprendida, inquieta y dichosa a un tiempo, se sentía transformar, al ser o cumplir lo que aquella palabra le indicaba: «Ama, escucha; cállate, sígueme; busca en el fondo de ti, ten confianza; Yo soy Padre, también lo serás tú; date a Mi y Yo me daré a ti, escóndete dentro de Mi, y dame a manos llenas a las almas.»

¡Oh palabra de mi Dios, qué dulce eres para el corazón amante! ¡Qué fuerte eres también! Tú realizas lo que significas. ¡Tú beatificas!

Contemplación feliz y contemplación dolorosa

Robert de Langeac
La vida oculta en Dios

Puede haber contemplación feliz y contemplación dolorosa, y, a veces, esta última ocultará en parte los fenómenos místicos. Pero parece que incluso en la contemplación dolorosa hay conciencia de la unión, al menos en la más alta cima del alma, pues sin eso los Santos no podrían soportar la carga de sufrimiento que Dios les impone.

Parece que no hay Santo canonizado en quien no se haya reconocido esta acción mística de Dios. Podemos desear la acción directa de los dones del Espíritu Santo, en el sentido de que obligan al alma al máximo ejercicio de la caridad.

Muchos autores previenen, con razón, contra lo sensible en los consuelos espirituales, pero no han de incluirse en esta desconfianza los consuelos superiores con tal de que no nos adhiramos a ellos.

Cabe vivir habitualmente en presencia de Dios sin que los dones del Espíritu Santo se muevan conscientemente como tales y sin que sea necesario que tengamos unas luces especiales de las cuales nos demos cuenta.

Pero también la inversa puede ser verdadera. Yo diría entonces que cabe ser contemplativo sin ser muy virtuoso y que cabe ser virtuoso sin ser todavía contemplativo. ¡Depende de tantas cosas! ... De las facultades alcanzadas por la acción de Dios, de la réplica del temperamento, del carácter, de la voluntad…

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Doutrina Cristã - Parte 14

Nota do blogue: Acompanhar esse Especial AQUI.

Monsenhor Francisco Pascucci, 1935, Doutrina Cristã
tradução por Padre Armando Guerrazzi, 2.ª Edição, biblioteca Anchieta.

1.° MANDAMENTO

Não terás outros deuses diante de mim
O primeiro mandamento nos ordena sermos religiosos, isto é, crer em Deus, amá-lO, adorá-lO e servi-lO como único Deus verdadeiro, criador e Senhor de tudo.
Proíbe-nos o primeiro mandamento a impiedade, a superstição, a irreligiosidade; além do mais, a apostasia, a heresia, a dúvida voluntária e a ignorância culpável das verdades da fé.

Culto externo e interno

13. - A virtude moral da religião, imposta pelo primeiro mandamento, nos move a prestar a Deus tudo o que por nós, criaturas, Lhe é devido. O conjunto dos atos com que demonstramos a Deus a nossa submissão - diz-se Culto.
O culto distingue-se em interno e externo. Culto interno é a honra que a Deus se tributa somente com as faculdades do espírito - a mente e a vontade.
            Culto externo é a homenagem que a Deus se tributa com atos exteriores e objetos sensíveis. Não basta só adorar a Deus com o coração, internamente; mister se faz também o culto externo:

            a) porque somos sujeitos a Deus, alma e corpo, e deve também o corpo demonstrar, pelos atos de culto, a sua submissão a Deus;
            b) para darmos bom exemplo;
            c) porque serve o culto externo para se manter o espírito religioso;
            d) porque não só o indivíduo, senão também a sociedade deve prestar culto a Deus.
            Não pode o culto externo subsistir sem o interno, porque ficaria privado de vida, mérito e eficácia, como um corpo sem alma.

Culto público e privado

            14. - O culto distingue-se em público e privado.
            Diz-se público o culto que se presta a Deus, à Virgem, aos Santos e aos Bem-aventurados por meio de pessoas legitimamente deputadas pela Igreja e com os atos estabelecidos pela própria Igreja para esse único fim.
            Qualquer outro culto é privado, quer se preste individual, quer coletivamente.

Culto de latria, hiperdulia e dulia

            15- O culto que a Deus se deve chama-se culto de latria ou adoração: - é devido só a Deus e, portanto, à S. S. Trindade, a Jesus Cristo, à S. S. Eucaristia e ao S. Coração de Jesus.
            Não é proibido honrar-se e invocar os Anjos e os Santos: - antes, devemos fazê-lo, porque é coisa útil e boa, altamente recomenda pela Igreja.
            Vai, porém, diferença entre o culto devido a Deus e o que damos aos Santos e à S. S. Virgem.
            O culto que a Maria Santíssima tributamos é o de veneração especialíssima, porque é a mãe de Deus, e diz-se o de hiperdulia.
              O culto que aos Santos rendemos é o de veneração ou dulia: veneramo-los, porque, havendo eles praticado, em vida, as virtudes em grau heróico, se tornaram amigos de Deus e, como tais, poderosos intercessores nossos junto d'Ele.
            O culto prestado à Virgem e aos Santos indiretamente redunda em ser prestado a Deus, que é glorificado em seus Santos pelas virtudes que, em vida, exercitaram por graça divina e pelos favores que Deus nos concede pela Intercessão dos mesmos.

Culto das imagens e relíquias

            16. - Deus proibira, no Velho Testamento, esculturas e imagens, porque os Hebreus, vivendo em meio a povos idólatras, facilmente haveriam podido prestar-lhes as honras divinas.
            Nós, pelo contrário, podemos honrar as imagens de Jesus e dos Santos, porque o culto a elas prestado não é absoluto, isto é, não a elas dirigido como objetos em si, mas relativo, - dirigido ao que elas representam.
            É também lícito o culto das relíquias. Por esse nome entendem-se os corpos dos Santos e objetos a eles pertencentes, ainda que distribuídos em fragmentos ou partículas.
            Veneramos os corpos dos Santos, porque foram membros vivos de Jesus Cristo e templos do Espírito Santo, e devem ressurgir gloriosos na vida eterna.
            Veneramos os objetos pertencentes aos Santos, porque nos servem para lhes recordar as virtudes e lhes manter o afeto.

Pecados por defeito

            17. - Contra o primeiro mandamento, peca-se por defeito ou por excesso.

            Peca-se por defeito negando-se a Deus totalmente ou em parte o culto que Lhe é devido ou prestando-Ih'O de modo irreverente: - temos assim a impiedade, a irreligiosidade, a heresia, a apostasia, dúvida voluntária e a ignorância culpável das verdades da fé.
            Impiedade é recusar a Deus um culto qualquer.
            Irreligiosidade é a irreverência a Deus e contra as coisas divinas.

            São espécies de irreligiosidade:

            a) a tentação de Deus, que ocorre quando se quer tentar, ou pôr à prova o poder de Deus, exigindo a intervenção divina sem necessidade.
            Assim tenta a Deus quem, sem necessidade alguma, se expõe a perigos espirituais ou materiais, esperando uma intervenção divina;
            b) o sacrilégio ou profanação da pessoa, coisa ou lugar sagrados.
            Pessoa sacra são as consagradas a Deus no estado eclesiástico ou pelos votos religiosos.
            Coisas sacras são, primeiro, os sacramentos, depois - os vasos consagrados, as relíquias, etc.
            Lugares sacros são a igreja, o cemitério, etc.
            c) A simonia ou compra e venda de coisas espirituais (sacramentos, indulgências, etc.) ou conexas com as espirituais (vasos sacros, relíquias, etc.).
            Toma o nome de Simão Mago, que por dinheiro queria de São Pedro o poder de dar o Espírito Santo (Atos, VIII).
             Heresia é a negação pertinaz de uma verdade de fé.
            Apostasia, quando por um ato externo se renega a fé professada antes.     
          Dúvida voluntária, quando voluntariamente se duvida de uma verdade de fé, sem se fazer coisa alguma para sair dessa dúvida.
            Ignorância culpável das verdades da fá, quando, sendo possível fazê-lo, alguém se descuida de se instruir na religião.

Pecados por excesso: - superstição e várias espécies

            18. - Peca-se por excesso, quando se presta a Deus um culto de modo inconveniente ou quando se presta a quem não é Deus o culto de adoração, só a Deus devido: - temos assim a superstição.    
            Presta-se a Deus um culto de modo inconveniente, se, por exemplo, honrarmos a Deus com o culto judaico hoje abolido, se difundirmos relíquias falsas ou falsos milagres, etc.
            Presta-se a quem não é Deus um culto de adoração:
            1.º- pela idolatria, ou culto dos ídolos;
           2.º- pelo recurso ao demônio e aos espíritos, o que se obtinha antigamente por meio da magia e da adivinhação e hoje se faz por meio do espiritismo.
            O espiritismo é a arte de se comunicar com os espíritos e de, mediante a intervenção destes, obter efeitos superiores às forças humanas. Os espíritos que intervêm nesses atos não podem ser senão demônios: não poderiam ser os anjos nem as almas dos defuntos, porque não lhes permite Deus a intervenção para vir satisfazer aos caprichos humanos e porque as circunstâncias que acompanham as sessões espiritistas estão muito longe de serem morais e sérias.
              Por isso o Espiritismo é absolutamente proibido pela Igreja.
            Importa não confundir o espiritismo com o magnetismo e o hipnotismo, que consistem em produzir num indivíduo o sono artificial e fazer o indivíduo operar dependentemente da nossa vontade.
            Isto, em muitos casos, é fenômeno natural e pode ser permitido a pessoas peritas e de consciência, em havendo razões graves e em se excluindo qualquer perigo para a alma e para o corpo. Não, porém, o Espiritismo.
            3. º- Pela vã observância, que reside em atribuir-se a uma ação ou coisa uma eficácia ou virtude que não possui e que depende de Deus unicamente: assim, atribuíra objetos ou a circunstâncias particulares a preservação de males, a boa ou má fortuna.
            Não é, porém, superstição trazer consigo, ao corpo, medalhas, imagens ou coisas bentas, porque, nesse caso, o efeito bom não é atribuído ao objeto material em si, mas à intercessão do santo nele representado: - urge, todavia, que tal uso venha acompanhado de sentimentos de piedade, mormente o da fuga do pecado e o da confiança em Deus. 

II. Os defeitos que nascem do orgulho

Nota do blogue: Acompanhe esse especial AQUI.

A Vida Espiritual explicada e comentada 
Adolph Tanquerey




            Os principais são a presunção, a ambição e a vanglória.

            827. 1.º- A presunção é o desejo e a esperança desordenada de querer fazer coisas além das próprias forças. Nasce de ter o homem opinião demasiado subida de si mesmo, das suas faculdades naturais da sua ciência, forças, virtudes.

            a) Sob o aspecto intelectual, crê-se o presunçoso capaz de discutir e resolver os mais intrincados problemas, as questões mais árduas ou ao menos, de empreender estudos em desproporção com os seus talentos. - Persuade-se facilmente que tem muita discrição e sabedoria, e, em vez de saber duvidar, decide com entono as questões mais controversas.
            b) Sob o aspecto moral, imagina que tem bastante luz para se guiar e que não há grande utilidade em consultar um diretor. - Persuade-se que, apesar das faltas passadas, não tem que temer recaídas, e lança-se imprudentemente nas ocasiões de pecado, em que sucumbe; daí desânimos e despeitos que são muitas vezes causa de novas quedas.
            c) Sob o aspecto espiritual, é mais que medíocre o seu gosto das virtudes ocultas e crucificantes, prefere as virtudes brilhantes; e, em vez de construir sobre o fundamento sólido da humildade, afaga sonhos de grandeza de alma, força de caráter, magnanimidade, zelo apostólico, triunfos imaginários com que a fantasia doira o futuro. Logo, porém, às primeiras tentações graves se percebe quão fraca e vacilante é ainda a vontade. Às vezes chegam-se até a menosprezar as orações comuns e as que se acoimam de pequenas práticas de piedade; tem aspirações talvez a graças extraordinárias, quem ainda está nos princípios da vida espiritual.

            828. 2.° Esta presunção, junta ao orgulho, gera a ambição, isto é, o amor desordenado das honras, das dignidades, da autoridade sobre os outros. Como presume demasiado das próprias forças e se julga superior aos demais, quer o ambicioso dominá-los, governá-los, impor-lhes as suas próprias idéias.
            A desordem da ambição pode-se manifestar de três maneiras, diz Santo Tomás[1]:

            1) buscando as honras que se não merecem e ultrapassam os nossos meios;
            2) buscando-as para si, para a própria glória, e não para a glória de Deus;
            3) parando no gozo das honras por si mesmas, sem as fazer servir ao bem dos outros, em contrário da ordem estabelecida por Deus, que exige que os superiores trabalhem pelo bem dos inferiores.
            Esta ambição estende-se a todos os campos:

       1) ao campo político, em que o ambicioso aspira a governar os outros, e muitas vezes à custa de quantas baixezas, de quantos compromissos, de quantas covardias que cometem, para obterem os votos dos eleitores;
          2) ao campo intelectual, procurando com obstinação impôr aos outros as próprias idéias, até mesmo nas questões livremente controvertidas;
         3) à vida civil, buscando com avidez os primeiros lugares, as funções de mais brilho, as homenagens da multidão;
        4) e até mesmo a vida eclesiástica; pois, como diz Bossuet, “quantas precauções se houveram de tomar, para impedir nas eleições, até mesmo eclesiásticas e religiosas, a ambição, as intrigas, os enredos, as solicitações secretas, as promessas e os manejos mais criminosos, os pactos simoníacos e os outros desmandos tão comuns nesta matéria, e Deus sabe se com tudo isso se terá conseguido pouco mais que encobrir ou paliar esses vícios, longe de se haverem inteiramente desarraigado”. E, como nota São Gregório, não passam assim as coisas, até mesmo entre os membros do clero, que querem ser chamados doutores e procuram avidamente os primeiros lugares e os cumprimentos? É, pois, mais comum do que se poderia julgar à primeira vista este defeito, que se relaciona também com a vaidade.

            829. 3.° A vaidade é o amor desordenado da estima dos outros.
            Distingue-se do orgulho, que se compraz na sua própria excelência. Mas geralmente a vaidade deriva do orgulho: quem se estima a si mesmo de maneira excessiva, deseja naturalmente ser estimado dos outros.

            830. A) Malícia da vaidade. Há um desejo de ser estimado que não é desordem: desejar que as nossas qualidades, naturais ou sobrenaturais, sejam reconhecidas, para Deus ser por elas glorificado e a nossa influência para o bem ser por esse modo aumentada, em si não é pecado. A ordem pede, efetivamente, que o bem seja estimado, contando que se reconheça que Deus é o autor de todo o bem e que só Ele deve Ser por isso louvado e engrandecido. Quando muito, pode-se dizer que é arriscado demorar o pensamento em desejos desses, porque se corre perigo
de desejar a estima dos outros para fins egoístas.
            A desordem consiste, pois, em querer ser estimado por si mesmo sem referir essa honra a Deus, que em nós pôs tudo quanto há de bom: ou em querer ser estimado por coisas vãs que não merecem louvor; ou enfim em procurar a estima daqueles, cujo critério não tem valor, dos mundanos, por exemplo, que não apreciam senão as coisas vãs.
            Ninguém descreveu melhor este defeito que São Francisco de Sales: “Chamamos vã a glória que nos atribuímos, ou por coisa que não existe em nós, ou por coisa que está em nós, mas não é nossa, ou por coisa que está em nós e é nossa, mas que não merece que dela nos gloriemos. A nobreza da raça, o favor dos grandes, a honra popular, são coisas que não estão em nós, senão em nossos predecessores ou na estima de outrem. Há quem todo se envaideça e pavoneie, por se ver em cima dum bom cavalo, por levar um penacho no chapéu, por estar vestido suntuosamente, mas quem não vê esta loucura? É que, se há glória nessas coisas, essa glória é para o cavalo, para a ave ou para o alfaiate... Outros miram-se e remiram-se, por terem o bigode frisado, a barba bem penteada, os cabelos anelados, mãos muito finas, por saberem dançar, tocar, cantar; mas não será de ânimo vil, querer encarecer o seu valor e acrescentar a reputação com coisas tão frívolas e ridículas? Outros, por um pouco de ciência, querem ser honrados e respeitados do mundo, como se cada qual tivesse obrigação de ir à escola a casa deles e tê-los por mestres; é por isso que os chamam pedantes. Outros narcisam-se extasiados na própria formosura e crêem que toda a gente os galanteia. Tudo isto é extremamente vão, insensato e impertinente, e a glória que se toma de tão fracos motivos chama-se vã, louca e frívola”.

            831. B) Defeitos que derivam da vaidade. A vaidade produz vários defeitos, que são como a sua manifestação exterior; em particular a jactância, a ostentação e a hipocrisia.
            I) A jactância é o hábito de falar de si ou do que pode reverter em seu favor, no intuito de se fazer estimar. Há alguns que falam de si mesmos, de sua família, de seus triunfos com uma candura que faz sorrir aos que escuta; outros têm uma habilidade rara para fazerem deslizar a conversa para um assunto em que possam brilhar; outros ainda falam timidamente dos seus defeitos com a esperança secreta de que os desculparão, pondo em relevo as suas boas qualidades.
            2) A ostentação consiste em atrair sobre si a atenção por certas maneiras de proceder, pelo fausto que alardeia, pelas singularidades que dão o que falar.
            3) A hipocrisia toma os exteriores ou as aparências da virtude, ocultando sob essa máscara vícios secretos muito reais.



[1] Sum. Theol., II-II, q. 131 a.1.