terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Santa Águeda,Virgem e Mártir

05/02 Segunda-feira
Festa de Terceira Classe 
Paramentos Vermelhos


Santa Águeda é uma das mais gloriosas heroínas da Santa Igreja e cuja intercessão é invocada diariamente, no Cânon da santa Missa. Natural da Sicília, pertenceu a uma das famílias mais nobres do país. De pouca idade ainda, Águeda consagrou-se à Deus, pelo voto da castidade. O governador Quintiano, tendo tido notícia a formosura e grande riqueza de Águeda, acusada do crime de pertencer à religião cristã, mandou-lhe ordem de prisão. Águeda, vendo-se nas mãos dos perseguidores, exclamou: “Jesus Cristo, Senhor de todas as coisas, vós vedes o meu coração e lhe conheceis o desejo. Tomai posse de mim e de tudo que me pertence. Sois o Pastor, meu Deus; sou vossa ovelha. Fazei que seja digna de vencer o demônio”. 

Levada à presença do governador, este achando-a de extraordinária beleza, ficou tomado de violenta paixão pela nobre cristã, à qual se atreveu importunar com propostas indecorosas. Ágata, indignada, rejeitou-lhe as impertinências desavergonhadas e declarou preferir morrer a macular o nome de cristã. Quintiano aparentemente desistiu do plano diabólico, mas para conseguir os seus maldosos fins, mandou entregar a donzela a Afrodisia, mulher de péssima fama, na esperança de, na convivência com esta pessoa, Águeda se tornar mais acessível. Enganou-se. Afrodisia nada conseguiu e depois de um trabalho inútil de trinta dias, pediu a Quintino que tirasse Ágata de sua casa.

Começou então o martírio da nobre siciliana. Tendo-a citado perante o tribunal, apostrofou-a com estas palavras: “Não te envergonhas de rebaixar-te à escravidão do cristianismo, quando pertences a nobre família?” – Águeda respondeu-lhe: “A servidão de Cristo é liberdade e está acima de todas as riquezas dos reis”. A resposta a esta declaração foram bofetadas, tão barbaramente aplicadas, que causaram forte epistaxe. Depois desta e de outras brutalidades a santa Mártir foi metida no cárcere, com graves ameaças de ser sujeita a torturas maiores, se não resolvesse a abandonar a religião de Jesus Cristo.

O dia seguinte trouxe a realização dessas iniquidades. O tirano ordenou que a donzela fosse esticada sobre a catasta, os membros lhe foram desconjuntados e o corpo todo queimado com chapas de cobre em brasa, e os seios atormentados com torqueses de ferro e depois cortados. Referindo-se a esta última brutalidade, Águeda disse ao juiz: “Não te envergonhas de mutilar na mulher, o que tua mãe te deu para te aleitar?” Após esta tortura crudelíssima, Águeda foi levada novamente ao cárcere, entregue às suas dores, sem que lhe fosse administrado o mínimo tratamento. Deus, porém, que confunde os planos dos homens, veio em auxílio de sua pobre serva.

Durante a noite lhe apareceu um venerável ancião, que se dizia mandado por Jesus Cristo, para trazer-lhe alívio e curá-la. O ancião, que era o Apóstolo São Pedro, elogiou-lhe a firmeza e animou-a a continuar impávida no caminho da vitória. A visão desapareceu e Águeda com muita admiração viu-se completamente restabelecida. Cheia de gratidão, entoou cânticos, louvando a misericórdia e bondade de Deus. Os guardas, ouvindo-a cantar, abriram a porta do cárcere e vendo a Mártir completamente curada, fugiram cheios de pavor. As companheiras de prisão de Águeda aconselharam-na que fugisse, aproveitando ocasião tão propícia para isto. Ela, porém, disse: “Deus me livre de abandonar a arena antes de ter segura em minha mão a palma da vitória”.

Passados quatro dias, foi novamente apresentada ao juiz. Este não pode deixar de se mostrar admirado, vendo-a completamente restabelecida. Ágata disse-lhe: “Vê e reconhece a onipotência de Deus, a quem adoro. Foi Ele quem me curou as feridas e me restituiu os seios. Como podes, pois exigir de mim que o abandone? – Não – não poderá haver tortura, por mais cruel que seja, que me faça separar-me do meu Deus”. O juiz não mais se conteve. Deu ordem para que Ágata, fosse rolada sobre cacos de vidros e brasas. No mesmo momento a cidade foi abalada por um forte tremor de terra. Uma parede, bem perto de Quintiano, desabou e sepultou dois de seus amigos. O povo, diante disto, não mais se conteve e em altas vozes exigiu a libertação da Mártir, dizendo: “Eis o castigo que veio, por causa do martírio da nobre donzela. Larga a tua inocente vítima, juiz perverso e sem coração!”. Ágata voltou ao cárcere e lá chegada, de pé, os braços abertos, orou a Deus nestes termos: “Senhor, que desde a infância me protegestes, extinguistes em mim o amor ao mundo e me destes a graça de sofrer o martírio, ouvi as preces da vossa serva fiel e aceitai a minha alma”. Deus ouviu a voz de sua filha e recebeu-a em sua glória no ano 252. Passado um ano depois da morte da Santa, a cidade de Catarina assistiu apavorada, uma erupção do Etna. O povo, em sua indizível aflição, quando viu as ondas da lava incandescia ameaçar a cidade, correu ao túmulo da Santa, tomou o véu que cobria o seu rosto e estendeu-o contra a torrente de fogo. Imediatamente o perigo estava afastado.

Santa Águeda, é exemplo neste tempo de confusão, para nós cristãos que a Fé é única e imaculada. 

Epístola
I Coríntios 1, 26-31

26 Vede, irmãos, o vosso grupo de eleitos: não há entre vós muitos sábios, humanamente falando, nem muitos poderosos, nem muitos nobres. 27 O que é estulto no mundo, Deus o escolheu para confundir os sábios; e o que é fraco no mundo, Deus o escolheu para confundir os fortes; 28 e o que é vil e desprezível no mundo, Deus o escolheu, como também aquelas coisas que nada são, para destruir as que são. 29 Assim, nenhuma criatura se vangloriará diante de Deus. 30 É por sua graça que estais em Jesus Cristo, que, da parte de Deus, se tornou para nós sabedoria, justiça, santificação e redenção, 31 para que, como está escrito: quem se gloria, glorie-se no Senhor (Jr 9,23). 

Evangelho
São Mateus 19, 3-12

3 Os fariseus vieram perguntar-lhe para pô-lo à prova: É permitido a um homem rejeitar sua mulher por um motivo qualquer? 4 Respondeu-lhes Jesus: Não lestes que o Criador, no começo, fez o homem e a mulher e disse: 5 Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher; e os dois formarão uma só carne? 6 Assim, já não são dois, mas uma só carne. Portanto, não separe o homem o que Deus uniu. 7 Disseram-lhe eles: Por que, então, Moisés ordenou dar um documento de divórcio à mulher, ao rejeitá-la? 8 Jesus respondeu-lhes: É por causa da dureza de vosso coração que Moisés havia tolerado o repúdio das mulheres; mas no começo não foi assim. 9 Ora, eu vos declaro que todo aquele que rejeita sua mulher, exceto no caso de matrimônio falso, e desposa uma outra, comete adultério. E aquele que desposa uma mulher rejeitada, comete também adultério. 10 Seus discípulos disseram-lhe: Se tal é a condição do homem a respeito da mulher, é melhor não se casar!11 Respondeu ele: Nem todos são capazes de compreender o sentido desta palavra, mas somente aqueles a quem foi dado. 12 Porque há eunucos que o são desde o ventre de suas mães, há eunucos tornados tais pelas mãos dos homens e há eunucos que a si mesmos se fizeram eunucos por amor do Reino dos céus. Quem puder compreender, compreenda.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Amor de Deus - 3.ª Parte (Motivos/prática/vantagens do amor de Deus)

Nota do blogue: Acompanhar esse Especial AQUI.

 Cônego Júlio Antônio dos Santos
O Crucifixo, meu livro de estudos - 1950
2- Motivos do amor de Deus

1 - Devemos amar a Deus porque o próprio Deus o ordena

“Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e com todas as tuas forças.”
Este mandamento é o primeiro e o maior. É o primeiro na sua ordem, como o mais essencial. O único essencial. - É o maior pela majestade do seu objeto: Deus; pela sua extensão: compreende todos os nossos deveres “o amor é a plenitude da lei” pelo seu fim: a glória de Deus e a felicidade das criaturas as quais se alcançam sobretudo pelo amor; pelo rigor da sua obrigação: ninguém está dispensado dele.

2 - Devemos amar a Deus porque a nossa natureza o exige

Há em nós uma inclinação para tudo o que é belo e bom. Esta inclinação é tão violenta que nos apegamos algumas vezes, de maneira desordenada, às criaturas que nos manifestam alguma beleza ou bondade. Ora Deus e só Ele, possui todas as perfeições que a imaginação pode conceber. Por isso, somos irresistivelmente atraídos para Deus.
E logo que o amor dá entrada no coração faz guerra de extermínio a todos os vícios.
Basta dizer que o Espírito Santo compara-o à morte - fortis est ut mors dilectio, o amor é forte como a morte.
Não há força que resista à morte, diz São Leonardo, arranca o filho ao pai, o ambicioso às suas dignidades, o avarento aos seus tesouros, ataca mesmo os exércitos no campo da batalha.
Omnia separat amara mors. - A morte separa de tudo. Eis precisamente o que faz o amor; aquele que ama a Deus de todo o seu coração, está desapegado de todos os bens do mundo; está morto para o mundo, a sua divisa é a do Apóstolo: Mihi vivere Christus est. A minha vida é Jesus Cristo.
Há em nós uma inclinação para sermos reconhecidos e, por consequência, para amarmos aqueles que nos fazem bem. Ora quem nos terá feito mais bem do que Deus?
Deus é nosso Criador e foi por amor que nos criou.
Deus é nosso Conservador, é a Ele que recebemos a vida, o movimento.
Deus é nosso Redentor, deu-nos o Seu Filho que, por amor, quis morrer por nós.
Deus é nosso Santificador, pelas Suas graças contidas nos sacramentos, purifica-nos e edifica-nos, em certo modo.
Deus é nosso Remunerador, é por amor que dá o Céu aos Seus servos fiéis.

3- Prática do amor de Deus

Para termos uma caridade perfeita para com Deus, São Lourenço Justiniano propõe-nos três meios muito eficazes: libenter de Deo cogitare, libenter pro Deo dare, libenter pro Deo pati; isto é, pensar de boa vontade em Deus, dar de boa vontade por amor de Deus e sofrer de boa vontade por Deus.

1 - Pensar muito em Deus

O primeiro meio de inflamar o nosso coração no amor de Deus é: pensar muito em Deus. Na verdade quanto mais aprofundamos o conhecimento de Deus, mais aprendemos quanto é digno de ser amado. E, então, a nossa ocupação mais agradável é fazer atos de amor, de complacência para com Deus, regozijando-nos de Deus ser Deus; de amor de benevolência desejando que seja conhecido, amado e servido de amor de preferência, pondo Deus acima de todas as criaturas.
Para este fim devemos amar a oração, a meditação, o retiro. O retiro, segundo São Luiz de Gonzaga, é como a casca das árvores que as preserva do frio e do calor, despojada da casca, a árvore seca. Assim o recolhimento serve para conservar em nós a lembrança de Deus e com a lembrança de Deus o Seu santo amor.

2- Dar de boa vontade a Deus

O segundo meio de nos abrasarmos no amor de Deus é: dar de boa vontade a Deus. - De muitas coisas nos podemos privar para dar a Deus um testemunho do nosso amor: 1.° Devemos privar-nos de todos os excessos do amor próprio que é o único veneno da verdadeira caridade para com Deus. Por amor próprio entende-se aqui a inclinação perversa do coração humano para com a sua própria satisfação em todas as coisas.
Compenetremo-nos, pois desta verdade, que, para sermos amigos de Deus devemos ser inimigos de nós mesmos, praticando generosamente a mortificação e aplicando-a, sobretudo às partes mais sensíveis. Não agradamos a Deus se fizermos consistir a nossa virtude num exterior composto, numa atitude devota, numa aparência que é, muitas vezes, mais o resultado da educação do que da graça. Agradeçamos-Lhe sim, se fizermos consistir a nossa virtude em triunfar continuamente do amor próprio, aproveitando todas as ocasiões, que se nos apresentam no decurso do dia, para mortificá-lo.
- Santa Teresa, interrogada por uma enfermeira porque não comia de um alimento que parecia bem preparado, respondeu: É precisamente porque é bom que eu não como.
Eis como procede aquele que ama a Deus. Abstém-se de tal alimento porque é agradável ao paladar; retém uma palavra que lhe vem à língua porque é picante; serve gostosamente tal pessoa porque é ingrata; gosta de se entreter com tal outra porque é desagradável.
Se procedermos assim sentiremos que, em pouco tempo, o nosso coração arde na mais bela chama da caridade. 
Examinemo-nos bem e tomemos as nossas resoluções.
O amor de Deus obriga-nos a evitar tudo o que possa ofendê-lO por ser infinitamente santo e infinitamente justo.
Porque Deus é infinitamente santo, devemos temer ofendê-lO, de maneira a não Lhe desagradarmos em coisa alguma; porque é infinitamente, justo, devemos temer ofendê-lO, de maneira a não atrairmos justos castigos sobre nós.
O temor de Deus não nos leva a fugir de Deus, mas a fugir de tudo o que Lhe pode ser desagradável, isto é, do pecado e das ocasiões do pecado. Assim, se estamos na graça de Deus, devemos fugir da ocasião do pecado com medo de a perder; se caímos em pecado, devemos logo pedir sinceramente perdão com medo da justiça divina ofendida. 
- Estamos dispostos a não ofender a Deus gravemente pelo pecado mortal? Se a nossa generosidade se limita simplesmente a isto, diz São Leonardo, a nossa generosidade é como a dos facínoras, est beneficium latronum, que julgam que lhes deveríamos ficar muito obrigados porque, apesar de nos tirarem a bolsa, nos deixaram a vida.
Estamos dispostos a nem sequer ofender a Deus levemente por pecados veniais? É um grau mais elevado, mas é ainda muito pouco. - Estamos dispostos a fazer a vontade e gosto de Deus, tanto quanto é possível fazê-lo sobe a terra? Eis o amor verdadeiro, eis uma disposição digna para introduzir a caridade nos nossos corações.
Probatio amoris exhibitio est o peris - O amor manifesta-se por obras.

3 - Sofrer de boa vontade por Deus

O terceiro meio de acender em nossas almas fogo do amor divino é sofrer de boa vontade por Deus. Tudo o que não é mortificação não é senão devoção aparente. Os nossos exercícios de piedade, oração, meditação, senão produzem o espírito de mortificação e o desejo de sofrer de boa vontade por amor de Deus, são como belas árvores ornadas de folhas e flores sem fruto.
 “Desenganai-vos, diz São Francisco de Sales, a lenha mais própria para queimar e despertar as chamas da caridade é a lenha da cruz; uni o vosso coração com a santa mortificação e assim estareis dispostos para um grande amor.”
Gravemos, pois, profundamente no nosso coração esta máxima de santa Teresa: ou sofrer ou morrer, ou então a de santa Madalena de Pazzi; sofrer e não morrer; ou antes, depois destas preciosas máximas formulemos uma terceira, que nos será bem mais apropriada e mais proveitosa: sofrer e amar; sofrer e amar para tornarmos Deus propício durante a vida e na hora da morte; sofrer e amar para assegurarmos o gozo de Deus por toda a eternidade.
- O amor de Deus pode aumentar:
1.° Pela meditação das perfeições e benefícios de Deus. “Alimenta-se o fogo juntando-lhe lenha ou carvão; alimenta-se o amor de Deus, diz São Lourenço Justiniano, pela meditação das verdades divinas.” E pela meditação, sobretudo da Paixão e Morte de Jesus. “A montanha do Calvário, diz São Francisco de Sales, é a melhor escola do amor.” - 2.° Pelo desprendimento das coisas da terra. O desprendimento das coisas da terra contribui também para o aumento da caridade. A lenha arde tanto melhor quanto mais seca e menos úmida; assim a chama do amor divino abrasará tanto mais as nossas almas, quanto mais desprendidas elas estiverem das inclinações viciosas. - 3.° Por frequentes atos de caridade. Toda a faculdade se desenvolve pelo exercício, assim a faculdade de amar a Deus aperfeiçoar-se-á pela repetição de atos de caridade.
O amor de Deus perde-se pelo pecado mortal. Um jato de água apaga instantaneamente o fogo físico e o pecado mortal o fogo do amor divino.

4 - Vantagens do amor de Deus

O amor de Deus é proveitosíssimo para nós - tanto neste mundo como no outro.
Neste mundo. - 1.º O amor de Deus ilumina a nossa razão. - A nossa alma assemelha-se a um espelho que reflete os objetos que lhe apresentam. Se voltarmos, portanto, a nossa alma para o amor de Deus, nela resplandecerá a divindade, quer dizer, compreenderá melhor as coisas divinas, será iluminada.
O ferro em brasa deixa-se facilmente trabalhar, a alma abrasada no amor de Deus, é mais sensível às inspirações do Espírito Santo. Aquele que tem maior caridade, atinge um conhecimento mais perfeito de Deus. É o que sucede com o fogo; quanto mais ardente mais viva é a sua luz.
2.° O amor de Deus robustece a nossa vontade. - Não há nada que dê mais força e coragem que o amor. “O amor suporta tudo, diz o Apóstolo São Paulo, e tudo sofre.” (I Cor. XIII, 7).
3.° O amor de Deus obtém-nos o perdão dos pecados. - Jesus Cristo disse de Madalena pecadora; “Perdoados lhe são muitos pecados porque amou muito.” (Luc. VII, 47). “O amor, diz São Pedro, cobre a multidão das faltas.” (I Ped. IV, 8).
No outro mundo. 1.º Pelo amor de Deus obtemos os gozos do Céu. “Nunca os olhos viram, nem os ouvidos ouviram, nem jamais o entendimento do homem compreendeu o que Deus tem preparado para aqueles que o amam.” (I Cor. II, 9).
1.º O amor de Deus valoriza as nossas boas obras- Às nossas boas obras terão valor tanto maior, diz São Francisco de Sales, quanto maior for a caridade com que as praticarmos. “O amor é o tempero das boas obras, diz São Boaventura; quanto mais temperos desses possuímos, mais as nossas obras são agradáveis ao paladar de Deus.” A comida sem sal não tem sabor nenhum, assim as nossas obras se lhes falta o amor, não são ao gosto de Deus.
2.º O amor de Deus aumenta a nossa felicidade no Céu. - A nossa felicidade será tanto maior quanto maior for, ao morrermos, o grau do nosso amor.
Quanto mais tivermos amado, diz São Francisco de Sales mais seremos glorificados no Céu. Um pai também dá mais àquele dos seus filhos que lhe mostrou mais afeição. O amor é o peso do homem; quer dizer que quanto mais ele ama, maior é o valor que tem diante de Deus. 

Nuestra Señora de los Siete Dolores y la Madre de los Macabeos. III Dolor

Fonte: En Gloria y Majestad



TERCER DOLOR

Llegado al tercer niño, el Espíritu Santo, por uno de esos artificios sublimes que la miseria del lenguaje humano podría llamar el genio de la Escritura, traza en tres rasgos de la más expresiva y de la más envolvente belleza sintética la vida entera de Nuestro Señor Jesucristo. "Después de éste dice, hablando del segundo, el tercero fué puesto en irrisión, ofreció su lengua a los que se la pidieron, y extendió sus manos con constancia"[1]. El Libro de Job y los Salmos del Rey santo parecen magníficas tempestades de deseos, iluminadas de relámpagos, pero esos relámpagos, ordinariamente, no muestran más que el detalle, y sólo por un instante. En este pasaje de la narración de los Macabeos todo nos muestra de un solo golpe, no en la claridad fugitiva de un movimiento lírico y apasionado, sino en la inmóvil claridad de la historia. Este niño privilegiado no puede hacer un gesto sin que toda la Redención aparezca en él. Respondiendo al insulto y a ese afán de burla que es la eterna necesidad de los impuros convidados de la mesa de Antíocoofrece su lengua a quien se la pide, para contar las beatitudes de los pobres y de los oprimidos, paral decir que el reino de los Cielos es parecido a los niños pequeños, para anunciar delante de todos los sepulcros que él es la Resurrección y la Vida y para advertir a todo el Universo que la desolación de Jerusalén se aproxima. En seguida, estando a punto de rendir su alma a su Padre, extiende sus manospara atraerlo todo a sí, y exclama con confianza: "He recibido estos miembros del Cielo, pero los desprecio ahora a causa de las leyes de Dios, porque espero que Él me los devolverá un día"[2].

Nuestra Señora de los Siete Dolores y la Madre de los Macabeos. II Dolor

Fonte: En Gloria y Majestad

SEGUNDO DOLOR

El segundo hermano, amenazado de los mismos tormentos que el primero si no come carne de puerco, responde en su lengua paterna: "No haré nada". Estando a punto de dar el último suspiro dice al rey: "Abominable bandido, tú nos haces perder la vida presente, pero el Rey del mundo nos resucitará para la vida eterna después que hayamos muerto por sus leyes”[1]Cuando María, acompañada del Justo José y llevando al Sol del mundo huía a Egipto, el doloroso clamor de Raquel llorando a sus hijos debió huir con Ella a la soledad y llenar con sus vibraciones dolorosas el enorme silencio del desierto. Ni los espacios recorridos, ni la duración del destierro, ni las agonías de esta permanencia en el mundo crepuscular de la gentilidad, todavía ahogada a medias en las horribles tinieblas de la novena Plaga, nada fué capaz de separar o de debilitar las impresiones terribles de este concierto de sollozos que había saludado en Belén la aparición del Príncipe de la Paz. Era la ley de la Encarnación, la ley que envolvía a Jesús y que empezaba su obra. María veía qué hermana cruel había sido para las madres de Belén, que la habían visto la noche de Navidad errar sin asilo en las calles mientras ellas acariciaban con una seguridad tan extrañamente profética a aquellos que la Iglesia llama Las Flores de los Mártires.

Nuestra Señora de los Siete Dolores y la Madre de los Macabeos. I Dolor

Fonte: En Gloria y Majestad


PRIMER DOLOR

El historiador sagrado no nos da sus nombres, pero cada uno de ellos habla a su turno, y el Espíritu Santo que los llenaba ha querido que sus palabras fuesen conservadas. ¿Qué pedís, dijo el mayor, y que queréis aprender de nosotros?.... Estamos prontos a morir antes que violar las Leyes paternales de nuestro Dios"[1]. Hubiera podido agregar: "Está escrito en la ley de Moisés que todo niño varón, primogénito, sea consagrado al Señor y por esto, cumpliendo el tiempo de la Purificación de mi Madre, he sido llevado a Jerusalén para ser expuesto a la vista de todos los pueblos, como una luz que alumbra a las naciones y como la gloria de Israel. Porque soy la figura de otro primogénito que el Señor hará nacer en el tiempo predicho, como un signo de contradicción para consumar vuestra ruina y para resucitar a los débiles y a los indigentes, que aplastáis en este día bajo el peso de vuestro trono de iniquidad. Esto es todo lo que tenemos que deciros mis hermanos y yo. Si necesitáis otra cosa que no podamos enseñaros, pedidlo a esta Mujer más alta que toda alabanza, que va a mirarme sufrir y a quien mi muerte atravesara el corazón como una espada, a fin de que lo que haya de mas ignorado en vosotros, y de más íntimo, es decir, los pensamientos secretos de vuestro miserable corazón, sea manifestado a la claridad de la ley divina, según la cual seréis juzgados[2]. ¡En cuanto a nosotros, estamos dispuestos a morir por esa misma ley que nos prohíbe las carnes impuras y las voluptuosas abominaciones de vuestro reino, que es de este mundo y cuya participación con otros no igualaría en seducción a la magnificencia de vuestros suplicios!"
He ahí lo que hubiera podido decir, si el Espíritu Santo, quisiera que las palabras explícitas de este primogénito de la Mujer Fuerte brillasen en su esplendor implícito como el Nunc Dimittis de los mártires de la ley antigua. Más tarde el viejo Simeón hará oír en toda la tierra el Nunc Dimittis de la ley nueva y éste será el primero de los siete Dolores de la Reina de los Mártires. Este feliz sacerdote dirá, también, que no tiene ya nada que pedir, que todos los testigos de Israel no tienen nada que enseñarles y se declarará dispuesto a morir, puesto que sus ojos habrán visto el Oriente de la Luz indefectible[3], por la cual todas las leyes figurativas de Israel deben ser absorbidas, como los rayos brillantes del sol hacen extinguir la claridad nocturna de las antorchas de una gran ciudad.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Pensamento da noite 02/02/2013



A Vós, Senhor, elevei a minha alma;
Deus meu, em Vós confio, não seja eu envergonhado.
Não me insultem os meus inimigos, porque todos os que esperam em Vós, não serão confundidos.
Sejam confundidos todos os que em vão cometem a iniquidade. Mostra-me as Vossas veredas.
Dirige-me na Vossa verdade, e ensina-me, porque Vós sois o Deus meu Salvador, e esperei em Vós todo o dia.
Lembra-Vos, Senhor, das Vossas bondades e das Vossas misericórdias, que data dos séculos passados.
Não Vos recordes dos delitos da minha mocidade, nem das minhas ignorâncias. Mas lembra-Vos de mim segundo a Vossa misericórdia, por causa da Vossa bondade, Senhor.
Doce e reto é o Senhor, por isso Ele mostrará aos pecadores o caminho que devem seguir.
Conduzirá os dóceis pelo caminho da justiça; ensinará aos humildes Seus caminhos.
Todos os caminhos do Senhor são misericórdia e verdade para os que buscam a Sua aliança e os Seus mandamentos.
Por causa do Vosso nome, Senhor, me hás de perdoar o meu pecado, porque é grande.
Quem é o homem que teme ao Senhor? Deus fixou-lhe uma lei no caminho que escolheu.
A sua alma repousará entre bens, e sua descendência terá por herança a terra.
O Senhor é o firme apoio dos que O temem, e manifestar-lhe-á a Sua aliança.
Os meus olhos estão sempre voltados para o Senhor, pois Ele tirará do laço os meus pés.
Olha para mim, e tem misericórdia de mim; porque vejo-me só e pobre.
As tribulações do meu coração multiplicam-se; livra-me das minhas aflições.
Olha para o meu abatimento e para o meu trabalho, e perdoa todos os meus pecados.
Vê quanto os meus inimigos se têm multiplicado, e com que ódio injusto me aborrecem.
Guarda a minha alma e livra-me; não seja eu confundido, tendo esperando em Vós.
Os inocentes e os justos uniram-se comigo, porque esperei em Vós.
Livra, ó Deus, a Israel de todas as suas tribulações.

(Salmo 24, 2-22)

Orações e Devoções / Atos para de manhã

Nota do blogue: Agradeço a alma generosa pelo envio. Deus lhe pague, querida de Deus.

Oração extraída do livro:
Maria falando ao coração das donzelas
pelo Abade A. Bayle, 1917


Faça o sinal da cruz e diga: Meu Deus, eu Vos adoro e me humilho na presença da Vossa infinita majestade.
Dou-Vos graças por todos os benefícios, que de Vós tenho recebido, especialmente por me haverdes chamado à santa fé e conservado a vida até hoje.
Ofereço-Vos tudo quanto fizer, padecer, disser e pensar neste dia e sempre; tenho a intenção de unir as minhas ações e trabalhos aos de Jesus e Maria, e de lucrar todas as indulgências que puder.
Creio firmemente em tudo o que crê a Santa Igreja Católica Apostólica Romana, porque Vós o revelastes, e estou pronto a derramar o sangue e perder a vida em confirmação desta fé.
Em Vós, meu Deus, coloco toda a minha confiança, e de Vós espero pelos infinitos merecimentos de Nosso Senhor Jesus Cristo todos os bens que posso possuir nesta e na outra vida.
Amo-Vos de todo o coração, porque Vós sois a suma e perfeitíssima bondade; uno o meu amor ao que Vos consagram todos os santos e anjos, a Virgem Maria e Jesus Cristo Senhor nosso.
E porque com os meus pecados Vos tenho ofendido, ó bondade infinita, deles me pesa e me arrependo do íntimo do coração: proponho com a Vossa graça, antes morrer do que pecar, fugir de todo o pecado e das ocasiões dele e particularmente emendar-me das culpas em que costumo cair, (Aqui será muito conveniente determinar a resolução sobre o defeito em que cai mais frequentemente) e Vos rogo me deis força contra os inimigos e perseverança na Vossa graça: proponho sobre tudo nas adversidades conformar-me com a Vossa santíssima vontade dizendo sempre: Senhor seja feita a Vossa vontade.
Rogo-Vos pelo Sumo Pontífice e pelas necessidades da Santa Igreja, e por todos os meus parentes, benfeitores, amigos e inimigos.
Encomendo-Vos as almas do purgatório, para que as alivieis das suas penas; peço-Vos pelos miseráveis pecadores, para que, convertendo se, Vos conheçam, amem e sirvam.
Meu bom Jesus, não retireis de mim a Vossa mão; Maria Santíssima, ajudai-me; santo do meu nome, santos meus advogados, santos todos do Paraíso, intercedei por mim. Pai nosso, Ave Maria, Credo e:

Coração do meu Jesus
Doce, terno, alanceado,
Seja o meu no amor do Vosso
Cada vez mais abrasado.

Logo reze três vezes a Ave Maria ao Santíssimo e Imaculado Coração de Maria com esta depreciação antes de cada uma: Minha Mãe ajude-me hoje para não ofender a Deus.  Depois a jaculatória: Ó Maria, refúgio dos pecadores, rogai por nós.

Dios vacía poco a poco el alma para entregarse a ella

Robert de Langeac
La vida oculta en Dios


Tú, Dios mío, apartas al alma progresivamente de todo lo que no eres Tú. A su alrededor y en ella misma se hace el vacío. Nada que no seas Tú le dice ya nada.

Sus mismos ejercicios de piedad carecen para ella de todo encanto. Ya no le alimentan. Al advertirlo se llena de inquietud. Sin embargo, y a pesar de realizarlos con escasa satisfacción y poco éxito, no los abandona, pues son para ella un motivo de pensar en Ti y de aproximarse a Ti. Ahora bien, pensar en Ti, acercarse a Ti constituye para el alma una dolorosa y deliciosa necesidad. Desde dentro, Tú ejerces sobre ella una misteriosa atracción de la que se da cuenta vagamente y que ya no le permite dedicarse a sus rezos y a su oración como solía. Ello es debido a que tu amor la envuelve dulcemente y la sitúa en ese descanso que es totalmente nuevo para ella. ¡Qué feliz es, entonces, a pesar de su turbación! Querría poderse quedar siempre bajo ese misterioso encanto, ni cuyo origen ni cuya naturaleza acaba de entender. Diría muy gustosa: 

«¡Señor, qué bien estamos aquí!»; y por eso cuando cesa el encanto, su mayor deseo es volver a disfrutarlo. Pero Tú no sueles satisfacer inmediatamente ese deseo. Con todo, si el alma sabe mantenerse en la soledad interior, no tardarás en visitarla.

Necesidad de las purificiones pasivas

Robert de Langeac
La vida oculta en Dios


Para amar a Dios, para amar a las almas como conviene, nos hace falta un corazón puro, desinteresado. Pureza de los sentidos, pureza del espíritu y de la intención: ésas son las dos condiciones y también los dos frutos de la verdadera dilección.

El amor que Dios derrama en nuestra almas es todo espiritual; es una participación de su Espíritu. Indudablemente puesto que Dios nos hizo compuestos de cuerpo y de alma, de materia y de espíritu, todo afecto sobrenatural debe repercutir normalmente en nuestra sensibilidad. No es el alma sola la que ama, es todo el hombre. Y si el pecado original no hubiera venido a turbar el orden establecido entre nuestras facultades, no tendríamos que inquietarnos de regular nuestra sensibilidad conforme a la ley de la razón y de la fe. Pues esta regulación se haría por sí misma y muy bien.

Pero puesto que el orden ha sido turbado, la primera tarea que se impone es la de restablecerlo. Puesto que nuestros sentidos buscan su satisfacción independientemente de la razón y a menudo contra ella, hay que disciplinarlos por un esfuerzo paciente y perseverante. Son servidores, no dueños. Tienen que informar, que ejecutar, y no les toca mandar y menos todavía turbar. Todas las veces que se descarrían fuera del camino recto, hemos de volverlos a él, de grado o por fuerza. Y el mejor medio de domeñarlos consiste en privarlos. Al principio murmuran, gruñen, incluso procuran amotinarse. Pero si la voluntad se mantiene firme, concluye con su insubordinación. Poco a poco se callan y acaban por obedecer. A cambio, y de vez en cuando, la voluntad deja que llegue hasta ellos, en la medida de lo posible, un poco de esa felicidad con que el amor divino la embriaga; y eso es para los sentidos un paladeo anticipado de los purísimos goces que el Cielo les reserva después de la Resurrección.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Doutrina Cristã - Parte 8

Nota do blogue: Acompanhar esse Especial AQUI.

Monsenhor Francisco Pascucci, 1935, Doutrina Cristã
tradução por Padre Armando Guerrazzi, 2.ª Edição, biblioteca Anchieta.

45. - Jesus Cristo fundou uma só Igreja. A Pedro afirmou: "Sobre esta pedra edificarei a minha Igreja", e falou também de um só redil com um só pastor. Há, porém, várias igrejas que se dizem cristãs, isto é, dizem seguir a Jesus Cristo e a Sua doutrina. Qual será a verdadeira?

Notas ou caracteres distintivos

46. - Como um soberano faz cunhar sua moeda e lhe estabelece as condições (dimensões, metal, forma, etc.), para que possa distinguir-se das falsas a moeda verdadeira, assim Jesus Cristo determinou as notas ou caracteres distintivos, por onde possamos reconhecer a verdadeira Igreja; e são a unidade, a santidade, a catolicidade, a apostolicidade.
Jesus Cristo quis na Sua Igreja unidade tão íntima e perfeita, a ponto de espelhar a que existe entre Ele e Seu Pai celeste: unidade de governo com um único fundamento, - Pedro; unidade de doutrina, porque todos devem crer e praticar tudo quanto Ele ensinara e prescrevera, unidade de meios de santificação, que Ele instituíra.
Quis, em segundo lugar, a santidade. Veio ao mundo para destruir o pecado e dar de novo ao homem a graça perdida: a Igreja deve continuar essa obra até a consumação dos séculos. Importa-lhe ensinar a doutrina que Ele ensinara e que leva à santidade; precisa fornecer os meios, que produzem a santidade e incumbe-lhe demonstrar, com o exemplo de seus filhos, como possa produzir a santidade.
A Igreja deve ser católica, isto é, universal, adaptada a todos os lugares e há todos os tempos. Jesus Cristo deu aos apóstolos a ordem de lhe prestarem testemunho até os extremos da terra; e prometeu estar com eles até a consumação dos séculos.
Por último, Jesus Cristo quis a Sua Igreja Apostólica, o que se demonstra de quanto já dissemos, pois ordenara aos Apóstolos lhe propagassem os ensinamentos pelo mundo inteiro. Por conseguinte, a doutrina ensinada hoje pela Igreja deve ser uniforme com a dos Apóstolos; e o governo dos Apóstolos se verificará na continuidade dos seus legítimos sucessores, e especialmente no sucessor de São Pedro, a quem disse: - "Apascenta os meus cordeiros, apascenta as minhas ovelhas". (Jo., XXI).

As 4 notas não se encontram na igreja protestante nem na cismática

47. - Ora, três são as Igrejas que se dizem cristãs: - a Protestante, a Cismática, a Romana. Qual das três possui as notas exigidas por Jesus Cristo?
Por igreja protestante entendemos as seitas heréticas, nascidas no século XVI. Três as principais, que depois se subdividiram em muitas outras: - os luteranos, de Lutero, na Alemanha; os calvinistas, de Calvino, na Suíça: os anglicanos, de Henrique VIII, na Inglaterra.
Falta a essa igreja a unidade: a de doutrina, porque, pelo princípio de livre exame, cada qual dos fiéis pode interpretar a Bíblia a seu modo e deduzir os princípios que ele quiser; falta-lhe a de meios, pois, em virtude do mesmo princípio cada um admite o número de sacramentos que quiser e lhes dá a virtude que acreditar: falta-lhe a de governo, porque não tem um poder central jurídico religioso.
Falta-lhe a santidade de doutrina ou de meios, porque vários princípios do protestantismo são logicamente contrários à santidade: falta-lhe a santidade de pessoas, pois de fato não gerou falanges de santos de virtudes heróicas, seladas por milagres.
Falta-lhe a catolicidade, quer de direito, porque os seus fundadores não receberam missão alguma de Deus; quer de fato, porque as igrejas protestantes são geralmente nacionais e regionais.
Falta-lhe ainda a apostolicidade, quer de doutrina, porquanto os ensinamentos do protestantismo andam em contradição com a doutrina pregada pelos Apóstolos, confirmada pelos documentos e monumentos dos primeiros séculos; quer a de governo, porque não há nele uma autoridade suprema: cada qual é ali mestre, autoridade e sacerdote a um tempo.
Por igreja "cismática" entendemos a igreja oriental (Grega, Russa, Búlgara, etc.), separada da Igreja Romana por Fócio, patriarca de Constantinopla, século IX. E completa a separação, no século XI, por Miguel Cerulário. Não confundi-la com as igrejas católicas orientais (Grega, Armênia, Síria, Maronita, etc.), que professam a fé católica romana, obedecem ao Papa, mas têm próprios os ritos externos do Culto.
À igreja cismática falta-lhe a unidade de doutrina, porque não possui a autoridade de magistério, que possa pronunciar decisões infalíveis em matéria de fé; falta-lhe, também, a unidade de governo, por se tratar, antes, de igrejas nacionais com chefes diversos.
Falta à igreja cismática a santidade. Ela conservou, sem dúvida, os sacramentos, que são meios de santificação; mas longe está de produzir as virtudes heróicas, que podemos com tanta frequência admirar na Igreja católica.
Falta-lhe a catolicidade. A igreja cismática parece não cuidar muito das palavras de Jesus Cristo: "Ide e ensinai a todos os povos", porque permanece confinada num ângulo da Europa, onde sua sorte parece ligada à dos reinantes.
Apostolicidade de origem, a igreja cismática tem-na certamente: possui verdadeiros bispos e verdadeiros sacerdotes; mas é um ramo destacado da árvore, e nela está interrompida a transmissão da autoridade apostólica.
As notas, pois, da verdadeira Igreja não se encontram na Igreja protestante nem na igreja cismática, mas se encontram perfeitamente na Igreja Romana, que por isso é a verdadeira Igreja de Jesus Cristo.

Encontram-se na Igreja Romana

48. - A Igreja Romana é una em doutrina, porque todos os seus membros tiveram, têm e terão sempre uma única fé; é una em meios, porque todos admitem os mesmos sacramentos e praticam 'O mesmo culto; é una em governo, porque todos reconhecem o mesmo cabeça, o Papa.
A Igreja Romana é santa na doutrina, pois é a própria doutrina de Jesus Cristo: ensina toda virtude, condena todo vício e conduz à santidade; é santa nos meios, isto é, nos sacramentos, que efetivamente santificam as almas, e santa no culto, pelo qual condena toda prática supersticiosa; é santa na vida, isto é, em todos os tempos, lugares e condições sociais produziu exemplares de santidade. Nem obsta a isso que na Igreja possa haver indivíduos não santos porque todos são chamados à santidade e a todos a Igreja oferece os meios de santificação. A culpa é dos indivíduos que se desviam dos meios apresentados pela Igreja, e não da instituição que tais meios santificadores oferece e realmente possuem eficácia incontestável.
A Igreja Romana é católica, isto é, universal, de direito, enquanto conserva como dirigidas a si, e as aplica, as palavras de Jesus Cristo: "Ide e ensinai a todos os povos"; - católica de fato, porque, não obstante as perseguições e contradições, pode-se hoje dizer esparsa pelo mundo inteiro.
A Igreja Romana é apostólica de origem, porque remonta aos Apóstolos; de doutrina, porque ensina até hoje o mesmo Credo ou Símbolo Apostólico; de governo, porque o que ora governa a Igreja são os legítimos sucessores dos Apóstolos.

Igreja docente e discente

49. - A Igreja é uma sociedade desigual ou hierárquica, onde há quem governa e quem deva obedecer.
Temos, assim, a igreja docente e a igreja discente.
A Igreja docente (que ensina) é constituída do Papa e dos Bispos, unidos a ele, isto é, em comunhão com ele, e não separados. O Papa é o sucessor de São Pedro e, portanto, o chefe de toda a Igreja; os Bispos, postos pelo Espírito Santo a regerem uma diocese, isto é, uma porção do rebanho de Jesus Cristo, são os sucessores dos Apóstolos. Ao Papa e aos Bispos compete o poder de ensinar, dado por Jesus Cristo a São Pedro e aos Apóstolos.
A Igreja discente é constituída dos outros fiéis e dos sacerdotes, que ensinam a mandado dos Bispos.

O Papa. O Primado. O Bispo de Roma

50. - O Papa é o sucessor de São Pedro na sede de Roma e no primado, a saber, no apostolado e episcopado universal; portanto, o cabeça visível, o vigário de Jesus Cristo, - cabeça invisível de toda a Igreja, que por isso se diz Católica-Romana. Intitula-se o sucessor de São Pedro, porque este, como devia morrer, deixou em quem lhe seguiu a sua autoridade; proclama-se Vigário e não sucessor de Jesus Cristo, porque Jesus Cristo vive e é até hoje cabeça da Igreja, representado pelo Papa.
Jesus Cristo prometeu a São Pedro a autoridade de chefe da Igreja, quando em Cesaréa de Filipe, depois de Pedro haver confessado a divindade de Jesus, lhe disse: - "Bem aventurado és, Simão, filho de João, porque não foi a carne e o sangue que te revelou, e sim meu Pai, que esta nos céus. Também eu te digo que és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. E eu te darei as chaves do reino dos céus. E tudo o que ligares sobre a terra será ligado também nos céus; e tudo o que desatares sobre a terra será também desatado nos céus.” (Mat., XVI, 17-19.)
Essa promessa foi mantida por Jesus após a Sua ressurreição, quando na praia do lago de Tiberíades, perguntando três vezes a São Pedro se O amava, à afirmativa lhe respondeu: - "Apascenta os meus cordeiros - apascenta os meus cordeiros - apascenta as minhas ovelhas." (Jo., XXI, 17-19.)
Nessas palavras, a Igreja viu sempre indicado o primado ou a autoridade suprema dada por Jesus a São Pedro sobre os cordeiros, que são os fiéis, e sobre as ovelhas, que são os pastores. Primado não de simples honra, senão de jurisdição verdadeira e própria, exercida por São Pedro e reconhecida pelos outros, como se deduz dos Atos dos Apóstolos.
Esse primado consiste na autoridade doutrinal e de governo, e, por isso, em ensinar e definir tudo quanto Jesus Cristo ensinou, em condenar os erros contrários ao ensino de Jesus Cristo, em governar a Igreja, fazendo leis para o bem dos fiéis, curando da observância e punindo os transgressores.
Esse primado devia perpetuar-se, porque a Igreja, de que Pedro é cabeça, deve durar até à consumação dos séculos. Em quem se perpetua? Naquele que suceder a São Pedro. Ora, São Pedro, como no-lo confirmam a tradição e os monumentos dos primeiros séculos, veio a Roma, foi Bispo de Roma e morreu em Roma; portanto, quem suceder a São Pedro, como Bispo de Roma, lhe sucede também no primado e episcopado universal, como cabeça de toda a Igreja. O Primado do Bispo de Roma, como nos atesta a História, foi reconhecido desde o princípio pela Igreja toda: assim, estando vivo ainda o Apostolo São João, como nascera uma questão na Igreja de Coríntios, recorreram ao Papa São Clemente e não a São João Apóstolo.
O Bispo de Roma chama-se papa (do Grego), isto é, Pai; Sumo Pontífice, para indicar a altura da dignidade; Santidade ou Santo Padre, a título de reverência, como Vigário de Jesus Cristo.

Infalibilidade da Igreja

51. - Uma das propriedades da Igreja é a Infabilidade ou imunidade do erro, necessária porque os fiéis devem estar seguros do que se deve crer e praticar para conseguirem o fim necessário da vida eterna. A existência dessa propriedade na Igreja colige-se claramente das palavras de Jesus Cristo. "Eu estou convoco todos os dias até à consumação dos séculos". (Mat., XXVIII, 20). - "Mandará o Pai, em meu nome, ao Espírito consolador, que vos ensinará toda verdade". - "As portas do inferno não prevalecerão".
A imunidade do erro reside em primeiro lugar em toda a Igreja, isto é, em todos aqueles que livremente aderem à doutrina revelada pelo modo estabelecido por Jesus Cristo, porquanto não pode acontecer que a Igreja toda professe uma doutrina errada.
Se, depois, considerarmos a Igreja como depositária da doutrina revelada, a infabilidade deve residir naqueles que têm o poder de ensinar, isto é, na Igreja docente. O modo, solene e augusto para a manifestação externa dessa infalibilidade é o Concílio Geral: quando se reúnem todos os Bispos do mundo, por convocação e sob a presidência do Sumo Pontífice. Porque o Concílio, quer o ecumênico ou geral, é necessário que seja convocado pelo Papa, que o presida por si ou por meio dos seus delegados e que os atos sejam aprovados e ratificados pelo Papa, a quem, somente, foi dito: - "Apascenta os meus cordeiros". Um exemplo de Concílio, temo-lo desde os tempos apostólicos, quando os Apóstolos, sob a presidência de São Pedro, se reuniram em Jerusalém para dirimir algumas controvérsias, e comunicaram, depois, a sua decisão aos fiéis com estas palavras: - "Visum est Spiritui Sancto et nobis". - "Pareceu bem ao Espírito Santo e a nós". (Atos XV, 28.)
Os Concílios ecumênicos foram 19, desde o primeiro de Nicéia, em 325, ao do Vaticano, suspenso em 1870.
Outro modo de manifestação externa da infalibilidade da Igreja docente é o acordo de todos os Bispos, espalhados pelo mundo e unidos ao Papa, em um determinado ponto de doutrina.

Infalibilidade do Papa

52. - O Papa, por si só, é infalível. Isto resulta:

a) da Sagrada Escritura: Jesus Cristo disse a São Pedro: "Sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela". Pedro, pois, fundamento da Igreja, não pode ruir, isto é, não pode errar, senão toda a Igreja também cairia em erro e prevaleceriam contra ela as portas do inferno. Jesus ainda intimou a Pedro: "Apascenta os meus cordeiros; apascenta as minhas ovelhas"; mas, se Pedro pudesse errar, devendo nós obedecer-lhe, poderíamos abraçar o erro, - o que repugna à sabedoria de Cristo. Finalmente, Jesus Cristo disse a Pedro: "Roguei por ti, para que a tua fé não faleça; e tu, uma vez convertido, confirma os teus irmãos". (Luc., XXII, 32); ora, como poderia São Pedro confirmar os irmãos, se pudesse errar e tivesse também ele necessidade de ser confirmado na fé?
b) da Tradição: Em todos os tempos, a palavra do Papa foi tida por decisiva. Santo Ambrósio exclamara: "Onde Pedro está, aí está a Igreja", e Santo Agostinho: "Roma falou, acabou-se a causa".
A infalibilidade do Papa é verdade de fé, definida no Concílio vaticano, em 1870.
Objeto da infalibilidade são: 1.º - as verdades de fé, isto é, o deposito da fé, contido na Sagrada Escritura e na Tradição; 2.º - as verdades que, sem serem de fé, são, porém, indispensáveis à conservação integral do depósito da fé, como por exemplo a canonização dos santos; 3.º - os costumes, isto é, a moral cristã.
O Papa é infalível, quando fala ex-catedra, a saber, quando como pastor e mestre de toda a Igreja define, isto é, decide de modo definitivo, de modo que se não possa mais duvidar a respeito de uma questão de fé ou de costume, entendendo ele obrigar a Igreja inteira e declarando anátema, ou separando dela a quem quer que se recuse admitir-lhe a definição proclamada.
Fundamento da infalibilidade é a assistência do Espírito Santo, assistência que não é inspiração ou revelação, e, por isso, não dispensa o estudo nem o emprego de meios humanos para conhecer-se a verdade.
Infalibilidade não é impecabilidade, pois, na qualidade de mestre universal, o Papa não pode cair em erro, mas, como homem, pode cair em pecado.

Corpo e alma da Igreja

53. - A Igreja é o corpo místico de Jesus Cristo, porém um corpo vivo. Cumpre distinguir na Igreja dois elementos - o corpo e a alma.
Corpo da Igreja é a organização social, visível, de que o Papa é o cabeça ostensivo, organização a que pertencem, como membros, todos os batizados que não estejam voluntariamente separados da Igreja nem incursos em excomunhão.
Almas da Igreja é aquilo que a vivifica e lhe faz produzir obras sobrenaturais, dignas da vida eterna, como a graça santificante e os dons do Espírito Santo.
Ora: a) pertencem ao corpo e à alma da Igreja os batizados que professam a fé do Cristo sob a obediência e o magistério dos legítimos Pastores e se encontram em estado de graça; b) pertencem somente ao corpo da Igreja os batizados que embora professem a fé do Cristo sob a obediência e o magistério dos legítimos Pastores, estão em pecado mortal, sem a graça santificante; c) não pertencem a alma nem ao corpo da Igreja os que voluntária e culpavelmente estão fora da Igreja, como os excomungados apóstatas; d) podem pertencer só à alma da Igreja os que, estando inculpavelmente e de boa fé fora da Igreja, se encontram em estado de graça.

Fora da Igreja não há salvação

Como, pois, entender-se o axioma tantas vezes repetido: "Fora da Igreja não há salvação"?
Deve-se entender no sentido de que não há salvação para os que andam no erro voluntário e culpável; para os que, sabendo que a Igreja católica é a verdadeira, se recusam a entrar para ela, aceitar-lhe os dogmas e praticar-lhe as leis. Aqueles, ao revez, que estão no erro invencível, mas observam a sua religião de boa fé e se esforçam por agradar a Deus, segundo os lumes da própria consciência, podem pertencer à alma da Igreja e salvar-se, ou porque são efetivamente batizados ou porque têm implícito o desejo do batismo no ato de caridade que os torna dispostos a fazer o que quer que Deus reclamar deles.
Na prática, é muito difícil dizer quem, não pertencendo ao corpo, pertença destarte à alma da Igreja. Só o Senhor sabe e conhece os que se salvam.
O que podemos concluir é: a) que ninguém vai para o Inferno sem culpa própria; b) que Deus quer a todos salvos e a todos liberaliza a graça suficiente; c) que Deus será muito mais indulgente com quem recebeu menores meios de salvação; d) que o que pertence à Igreja católica deve mostrar ao Senhor peculiar gratidão por esta graça e cumprir os deveres de bom filho para com a Igreja mãe e para com o Papa, pai de sua alma. Esses deveres compendiam-se em três palavras: - amor, respeito, obediência.

A comunhão dos Santos

54. - A Comunhão dos Santos é a participação dos Santos, a saber - dos fiéis na graça de Deus, ao bem que há e que se faz na Igreja.
A Igreja, que pudera quase dizer-se uma sociedade de mútuo socorro espiritual, possui um tesouro, constituído pelos méritos infinitos de Jesus Cristo e pelos superabundantes méritos de Maria Santíssima e dos Santos. Desse tesouro ela dispõe em favor dos fiéis por meio dos Sacramentos, do Sacrifício, das indulgências, etc. A este bem que há permanente na Igreja, acrescenta-se o bem que se faz, isto é, as boas obras, as orações, as penitências etc., praticadas pelos fiéis. De todo esse bem que há e que se faz participam os Santos, quer dizer os fiéis que estão na graça de Deus.
O vínculo da caridade une todos os fiéis na graça de Deus - os que estão no céu (Igreja triunfante, no purgatório (Igreja padecente) e na terra (Igreja militante). Os fiéis da Igreja militante: a) invocam os Santos do céu, como a intercessores junto a Deus, para deles obter os auxílios de que necessitam; b) consideram como um dever de caridade recordar-se dos fiéis da Igreja padecente e mitigar-lhes as penas com sufrágios, isto é, com boas obras, esmolas, indulgências e especialmente com o Santo Sacrifício da Missa; c) estão unidos entre si pelo espírito de caridade e podem ajudar-se mutuamente com as orações, méritos e boas obras.
Os pecadores, que se não acham em estado de graça, não levam contribuição alguma ao tesouro da Igreja, porque as suas obras são sem mérito. Não são, porém, totalmente privadas das vantagens da comunhão dos santos, porque, pelas orações e pelas boas obras dos outros, podem obter a conversão.
Estão fora da comunhão dos Santos: 1) os condenados, ou melhor, os que estão no inferno; 2) os infiéis, isto é, os não batizados, que de modo nenhum crêem no Salvador prometido, como os idólatras e os maometanos; 3) os hebreus, que professam a Lei de Moisés e esperam até hoje pela vinda do Messias; 4) os hereges, a saber - os batizados que se obstinam a não crer uma ou outra verdade revelada por Deus e ensinada pela Igreja, como os protestantes; 5) os cismáticos, isto é, os batizados, que recusam obstinadamente submeter-se aos legítimos pastores, embora não neguem verdade alguma de fé; 6) os apóstatas, batizados que renegam com ato externo a fé católica já professada; 7) os excomungados, isto é, com a pena que aos batizados exclui da comunhão da Igreja por culpas gravíssimas, para que não pervertam os demais fiéis e sejam punidos e corrigidos com esse remédio extremo.