segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Amor de Deus - 2.ª Parte (Qualidades do amor de Deus)

Nota do blogue: Acompanhar esse Especial AQUI.

 Cônego Júlio Antônio dos Santos
O Crucifixo, meu livro de estudos - 1950

1 - Qualidade do amor de Deus

O amor para com Deus deve ter as seguintes qualidades:

Þ    Amor afetivo
Isto é, deve manifestar-se por sentimentos afetuosos e por atos de amor de complacência regozijando-nos de Deus ser Deus; amor de benevolência, desejando que seja conhecido, amado e servido; amor de reconhecimento pelos Seus benefícios, sobretudo quando nos aproximamos dos sacramentos da Penitência e da Eucaristia.

1.º Deus exige os afetos do nosso coração. - “Amarás o Senhor teu Deus, de todo o teu coração”. Quando Deus resolveu criar o homem convidou os anjos a tomar parte nesta grande obra, como ministros encarregados de Lhe preparar e apresentar a matéria; mas, quando chegou ao coração, despediu os anjos e quisera só Ele trabalhar para que ele, o homem, fosse unicamente obra das Suas mãos. E porquê? Para que não fossemos obrigados a repartir o afeto do nosso coração com outras criaturas ainda mesmo com os anjos, como sucederia se tivessem tomado parte na nossa formação. Não é, pois, para admirar que Ele e só Ele o exija; Ele mesmo diz: meu filho, dá-me o teu coração.

2.° Jesus Cristo exige os afetos do nosso coração. - Podemos ter esta convicção de que, mais do que nunca, na nossa época, Jesus exige de nós o concurso do coração. Às revelações recentes do Sagrado Coração de Jesus não têm outro sentido nem outro fim. "Mostra o Seu coração expelindo chamas e, entretanto, diz: Eis o coração que tanto tem amado os homens e que, em troca, não tem recebido senão indiferença, ingratidão e desprezo; ao menos tu ama-Me." Estas palavras são um convite a sairmos da indiferença, insensibilidade que, já nos tempos da Sua vida mortal, tanto amargurou o Seu coração. Censurou os Apóstolos, diz o Evangelho pelas "suas hesitações na fé e dureza de Coração".
Devemos pois, corresponder ao amor misericordioso com amor de reconhecimento.

3.° O Cristianismo exige os afetos do nosso coração porque é uma religião cheia de encantos e uma religião de amor - O Cristianismo apresenta-se com encantos variadíssimos. - Seus dogmas, sua moral, seu culto, suas promessas e suas ameaças provocam a ação do coração. É, sobretudo, nos exercícios de piedade, onde o coração se deve manifestar; porque, por eles, há entre Deus e as almas um verdadeiro contato com todas as emoções do coração e efusões de amor. Assim toda a oração exprime afetos. Ela não seria senão uma mentira se estes afetos não estivessem no coração. Todo o sacramento exige disposições que não seriam sinceras, se o coração não fosse delas impregnado; enfim, todo o contato com Deus é, de sua natureza, próprio para causar regozijo e, por isso, deve, logicamente, corresponder-lhe uma ternura do coração humano. Não se compreenderiam os exercícios de religião e de piedade, em que tudo é ordenado para dilatar o coração, se este ficasse fechado e recusasse abrir-se.
O Cristianismo é essencialmente uma religião de amor.- O Cristianismo é mais uma religião do coração do que uma religião da inteligência.
Nos dois testamentos o primeiro e o segundo preceito da Lei são preceitos de amor. "Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu espírito e todo o teu coração e com todas as tuas forças. Este é o maior e o primeiro mandamento. E o segundo é semelhante a este: Amarás o teu próximo como a ti mesmo." (Mat. XXII,17-19).
O Discípulo Amado, que melhor penetrou nos sentimentos do coração de Jesus, resume toda a crença cristã no amor de Deus por nós. "E nós conhecemos e cremos na caridade que Deus tem por nós. Deus é a caridade e quem permanece na caridade permanece com Deus e Deus nele." (Jo. IV, 16).
Lemos a vida dos santos; apesar da diferença de caráter e mesmo de espiritualidade que os distingue, há um traço pelo qual se assemelham: - O amor de Deus de que estão cheios os seus corações. Todos têm posto o seu coração ao serviço da sua piedade.

4. ° A vida cristã exige os afetos do coração. - A vida cristã exige os afetos do coração humano porque este tem um grande poder de integrar os fiéis nas práticas religiosas. A experiência atesta-o. O coração tem uma grande preponderância no governo dos homens: obedecem-lhe mais habitual e docilmente do que à razão e à consciência. Podemos ter quase a certeza de que as idéias, as resoluções e as promessas são postas em prática quando recebem a adesão do coração.
Quando, pois, alguém é tentado a abandonar a religião, facilmente o faz se nunca experimentou gosto pelas práticas religiosas, se o coração nunca tomou parte nelas.
As pulsações do nosso coração seriam uma coisa vã e estéril, se não juntassem uns instantes de vida à nossa existência. Acontecerá o mesmo com os afetos, se eles não ajudarem a nossa alma a subir mais alto, a aproximar-se de Deus. 
Pelo contrário, quando os nossos exercícios de piedade são acompanhados do concurso do coração, possuem um poder de ação considerável. Potência de ação sobre Deus, porque nada comove tanto o Seu coração como os filiais e sinceros afetos do nosso; potência de ação sobre as almas, porque se é sempre bem sucedido em todas as empresas em que o coração toma parte.
Façamos uma boa oração com o nosso coração. - Assistamos devotamente à missa com o coração; comunguemos fervorosamente com o coração; pratiquemos a caridade com o coração nas mãos, e assim daremos muita glória a Deus e lucrarão muito as almas.
O nosso amor para com Deus deve ser toda e sem reserva. Não pode haver partilhas. Nosso Senhor observa àqueles que têm apego aos ídolos: "Olha que o leito é muito estreito, se dois vão a deitar-se nele necessariamente um deles cai no chão; a coberta é muito estreita não pode abrigar nem defender do frio duas pessoas. (Jo., XXVIII, 20). O nosso coração é este leito esta coberta. Não se podem ter dois amores porque não se podem ter dois senhores. Ouçamos bem o preâmbulo da grande lei e a razão principal em que se funda: - "Escuta, Israel, o Senhor teu Deus, o Senhor é um só. E tu o amarás de todo o teu coração".
O amor para com Deus deve ser sem reserva. Não devemos guardar nada para nós. Deus dá sem medida, e, infelizmente, aquele que deve tudo, mede o que dá.

Þ    Amor efetivo
Isto é, deve manifestar-se exteriormente: - Pelo cumprimento de todos os deveres de cristão: Jesus Cristo diz em Seu próprio nome e em nome de Seu Pai celeste: "Aquele que me ama é amado por meu Pai e por mim (Jo., XIV, 21). - Pelas palavras de zelo: o zelo é efeito do amor: "Quem não zela, diz Santo Agostinho, não ama". Pela afirmação da nossa crença contra o respeito humano. - Pelo bom exemplo. Algumas vezes até por atos heroicos.

Þ    Amor soberano
Devemos amar a Deus sobre todas as coisas. Deus deve ocupar o primeiro lugar no nosso coração. "Quem como Deus!".

Þ    Amor contínuo
O amor de Deus deve existir continuamente em nós. É um fogo sagrado que nunca se deve apagar, a fim de que se possa manifestar na primeira ocasião.

Þ    Amor generoso
Para ser generoso são necessárias três coisas: - 1.º Pensar muito em Deus. Pensa em Mim, dizia Nosso Senhor a Santa Catarina de Sena que Eu pensarei em ti. Pensemos, pois, em Deus quando nos levantamos, comemos, trabalhamos e descansamos. 2.º Ser pródigo. O amor não vive senão do que ele dá. Devemos dar-nos sem cálculo: porque quando se trata do amor, nada é suficiente. Ainda que tenhamos suportado todas as doenças de Santa Liduina, sofrido, como São Francisco de Assis, as dores da crucifixão, fundado, como Santa Teresa, trinta e dois mosteiros, procurado a paz da Igreja, como Santa Catarina de Sena, convertido nações, como São Francisco Xavier, passado coisas incríveis, como São Paulo, amado como São João, pensemos e confessemos que não temos feito nada. Coloquemo-nos humildemente de joelhos e, de mãos postas, diante de Deus, peçamos-Lhe a graça de nos não deixar morrer sem termos feito, enfim alguma coisa para lhe testemunhar o nosso amor. 3.º Imolar-se. É a generosidade suprema e última palavra do amor. O amor é um fogo que precisa de combustível. Jesus é sacerdote, precisa de uma vítima. Sejamos o combustível do fogo do amor de Deus, a vítima de Jesus. As perfeições divinas têm, relativamente a nós, direitos e necessidades. A justiça tem também as suas. Têm necessidade, fome de nós: fome de nos purificar, de nos santificar, de nos tornar imensamente felizes. Deixemos, pois, que Nosso Senhor tome posse de todo o nosso ser para o consumir com o Seu amor. "Dignai-vos, nós Vós pedimos, Senhor, santificar estes dons, e, aceitando a oferta desta hóstia espiritual, acabai de fazer de nós uma digna vítima Vossa." (Secreta da missa de segunda feira de Pentecostes).

O Desenvolvimento do Caráter nas Crianças

Fonte:  Maria Rosa Mulher
Por Pe.John D. Fullerton
Traduzido por Andrea Patrícia

 

Nós vivemos em uma época de constantes mudanças dos padrões morais (por exemplo, quem teria imaginado há cem, cinquenta ou mesmo vinte anos atrás, que poderia haver um debate sobre a definição de casamento!). A principal razão para isto é o princípio de que a maioria faz as regras; o que a maioria deseja fazer, isso é a lei moral. Ou, no máximo, somos informados de que a economia, ou a biologia ou a psicologia devem ser os únicos guias a moldar a conduta humana.

Assim, o julgamento individual, enquanto esse desejo mais contribui para seu próprio bem-estar e o da sociedade, torna-se o supremo tribunal de apelações em questões morais. Isso, é claro, é simplesmente a versão moderna da mentira de Satanás: "Vocês serão como deuses, conhecendo o bem e o mal." A política educacional de qualquer era reflete a filosofia da época, e, portanto, temos hoje em dia, a educação sem nenhuma menção dos mandamentos sublimes da religião: "Vós deveis" e "Vós não deveis". Em vez disso, temos o endeusamento da razão humana e uma insistência sobre a suficiência total de conhecimento e iluminação. Desenvolvimento intelectual, testes e medição, e as diferenças individuais recebem a maior atenção, enquanto a formação do caráter e da vontade é amplamente ignorada.

Os frutos desta política são abundantes: as condições amorais e imorais que promove, o aumento da ilegalidade e criminalidade, bem como a liberdade desenfreada de nossa juventude, para citar apenas alguns.

A solução para este dilema moral só pode ser encontrada na religião, como o Papa Pio XI disse em sua Encíclica sobre a educação cristã da juventude:

"Inclinações desordenadas devem ser corrigidas, tendências boas incentivadas e reguladas desde a mais tenra infância, e, acima de tudo, a mente deve ser iluminada e a vontade fortalecida pela verdade sobrenatural e por meio da graça, sem as quais é impossível controlar os impulsos maus, impossível atingir a perfeição plena e completa da educação querida pela Igreja, que Cristo dotou tão ricamente com a doutrina divina e com os Sacramentos, os meios eficazes da graça."

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

A Moral Cristã, fundamento inabalável do lar

Porque é que sou católico, por Jean Guiraud, redator chefe de "La Croix", 1930


Não foi somente na minha vida intelectual, mas também na vida de família que pude averiguar a excelência da minha fé católica. Ora, se me foi ela necessária a mim, na criação e direção do meu lar, não o terá sido menos para todos os pais e mães de família.
É antes do casamento, que o catolicismo prepara o jovem para o papel e as pesadas responsabilidades que tem de assumir, quando fundar, casando, uma família. Recorda-lhe que é para o seu lar que deve manter extreme de toda impureza o corpo e a alma.

Não pecar contra a castidade,
Não desejar a mulher do próximo,

recitou ele desde os mais tenros anos no catecismo. Ao principio, não penetrava o sentido dessas palavras, mas desde que se manifestou a puberdade e que certas curiosidades discretamente satisfeitas lhe revelaram o mistério da transmissão da vida, explicaram-lhe que Deus não o dotou de poderosas energias vitais para que as esperdice e corrompa em prazeres solitários ou com a cumplicidade de um parceiro. Só podem ser tais energias despendidas para dar vida, e a própria vida não se pode transmitir senão dentro do próprio quadro criado por Deus para dirigi-la: a família. Foi também dito ao moço que lhe cumpre conservar a pureza e integridade do corpo para que a vida que vai dar um dia aos que dele devem provir, seja pura ela também, e nenhum abuso, nenhuma contaminação lhe tenha diminuído ou conspurcado a fonte.
A família está assente sobre o amor humano santificado pela caridade do Cristo. Devem os futuros esposos trazer ambos um afeto que paixão alguma tenha vindo macular, deve achar-se o coração deles tão puro como o corpo. Só assim, é que, de fato, a sua união pelo casamento chegará a ser íntima e profunda, porque é inteiramente, na integridade absoluta do próprio ser, que se dão um ao outro. Assim é que o catolicismo, os prepara um para o outro, antes mesmo que se tenham conhecido.
Chegada a hora do casamento, ensina-lhes a se conhecerem mutuamente, indicando-lhes as qualidades essenciais que deverão antes de tudo procurar um no outro para a sua união. Declara-lhes a fé cristã: não é o casamento nem a união de duas fortunas, pois não seria em tal caso mais que uma sociedade comercial; nem, a união de dois caprichos, pois ser-lhe-ia tão efêmera a duração como o próprio capricho, nem tão pouco a correspondência de duas paixões, pois não resistiria quando já não estivesse uma no mesmo diapasão da outra. É pois, o casamento o dom total dos dois esposos um ao outro para a vida que daí em diante será comum, com as suas alegrias materiais e morais, os seus prazeres e as suas venturas, mas também com os seus cuidados, as suas penas, as suas tristezas e os seus lutos. Como esses compromissos perpétuos são de tal ordem que vão além das forças humanas quis o mesmo Deus sancioná-los tornando-lhes possível o cumprimento pela penetração desse socorro divino que se chama a graça; e assim é que de um pacto humano fez Ele um sacramento, um ato sobrenatural.
Para que produza esse sacramento todos os seus efeitos, mister se torna seja recebido com o espírito que lhe deu o ser e tenham os nubentes idéia nítida do fim sobrenatural da união que vão contrair. Limitá-la a um prazer puramente humano, fôra, de certo, profaná-la. Assim é que recorda a Igreja aos esposos, em suas preces, os seus votos e também as suas prescrições morais invioláveis, isto é, que sendo o fim da família a transmissão da vida, quebranta a lei essencial do casamento quem nele apenas vê a satisfação dos sentidos, quem pretende desfrutar prazeres egoísticos que não comportam nenhum dever, nenhum sacrifício, e quem, sobretudo, com manobras criminosas, restringe a vida que tinha obrigação de propagar.
Nossa fé nos ensina que há uma castidade conjugal resolvida a não fazer nada que diminuir possa o objetivo do casamento, a saber, a transmissão da vida. O que a violam encontram-se em franca rebelião contra a lei divina e não poderiam continuar a praticar a sua religião persistindo numa falta que a moral cristã fere com todo o peso da sua reprovação. Os esposos que praticam a restrição voluntária da natalidade, sem juntar a isso a castidade absoluta, acham-se excluídos de toda a vida sobrenatural, enquanto perseverarem nessa triste perversidade.
Nenhuma atenuante admite a nossa fé a essa regra que diz respeito à própria essência da moral conjugal. Onera-nos duramente o encargo de filhos numerosos, incompatível com os nossos parcos recursos? - É Deus quem nutre os filhotes dos passarinhos - responde-nos a Igreja. As ocupações que tendes não se compadecem com a faina de repetidas maternidades? - Pois mudai de ocupações, tratai de organizar diversamente a vida, uma vez que as condições materiais nas quais a mesma se exerce são coisas secundárias, postas em confronto com a divina lei. Mas minha saúde não suporta a maternidade, numerosas maternidades. - Não façais então nada que possa provocar uma maternidade e tornai a vida conjugal uma união casta, da qual o prazer material esteja excluído, procedendo do mesmo modo se, de veras, e em consciência, não podeis educar os filhos aos quais daríeis a existência.
Para pôr em prática essa moral austera, é mister que um mesmo ideal moral, mais ainda, uma mesma fé una os esposos, pois é fácil imaginar que desacordo, chegando até à ruptura, não viria separar consortes que não pensassem e não quisessem agir de combinação em tal matéria. Por isso é que condena a Igreja, em princípio, os casamentos mistos, não somente os que contraem entre si pessoas de cultos diferentes, como os que pretendem unir um crente a um incrédulo; se os tolera é com a condição de obter o católico a promessa de que o seu ideal moral será respeitado. Assim, é a harmonia de toda uma vida que proporciona aos esposos por suas exigências e seus conselhos, e é sobre a lei imutável de Deus, pela união estreita dos corações e das consciências e um compromisso perpétuo santificado pelo próprio Deus, que a fé cristã funda os lares. 

Caridade - Amor de Deus

Nota do blogue: Acompanhar esse Especial AQUI.

Queridos(as) de Deus, 

o blogue A grande guerra vem transcrevendo textos sobre o Catecismo, pois nunca foi tão importante conhecê-lo como nos tempos atuais. Não adianta querermos fazer apologética, entrarmos em discussões diversas se não temos a base que firme a nossa Fé, e essa base quem nos dá é o Catecismo bem sabido e entendido! Oxalá que Deus derrame em nossas almas as graças para bem compreendermos as belezas de nossa doutrina.

Indigna escrava do Crucificado e da SS. Virgem,
Letícia de Paula
 Cônego Júlio Antônio dos Santos
O Crucifixo, meu livro de estudos - 1950


Caridade
1- Amor de Deus.
2- Amor da Igreja.
3- Amor do Próximo.
4- Amor da Família.
5- Amor da Pátria.

1 - Reunira-se aqui as melhores manifestações do amor de Jesus: Sua Cruz, Sua Hóstia, Seu Coração, assim como o livro dos santos Evangelhos.
2 - Jesus quer Ser conhecido, estudemo-lO no Evangelho; quer Ser imitado; sirvo-nos de modelo o Crucifixo; quer Ser amado; unamo-nos a Ele na Eucaristia: quer Ser oferecido; imolemo-lO no altar e nos sacrifícios da nossa vida.
Que é a caridade?
A caridade é uma virtude sobrenatural, infundida por Deus na nossa alma, pela qual o amamos sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos por amor de Deus.
Assim como Deus nos dá a fé para crermos tudo o que nos revela, porque Ele é a própria verdade, e nos dá a esperança para confiarmos nas Suas promessas, também nos dá a caridade, para O amarmos sobre todas as coisas. Esta virtude é-nos infundida também no batismo.
A caridade tem objeto duplo: primeiro Deus, que amamos por Ele mesmo, acima de tudo o mais; depois o próximo, que amamos por Deus.
Nada foi mais vezes nem mais claramente definido por Jesus Cristo do que esta dupla lei da caridade que é, pode dizer-se, o resumo da religião.
“Amareis, diz Ele, o Senhor vosso Deus; é o primeiro e o maior dos mandamentos. E o segundo é semelhante ao primeiro: Amareis o vosso próximo como a vós mesmos”. (Mat., XXII, 37-39)

1. O Amor de Deus

Não compreendemos nada da religião de Nosso Senhor Jesus Cristo, se a não concebermos como uma religião de amor.
Deus nos ama e nós O amamos porque Ele é nosso Pai e nós somos Seus filhos.

1.° Deus dá-Se a conhecer a Seus filhos, dá-lhes o Seu retrato: a Criação. - Precisamos ao menos, de um retrato de tão bom Pai. A criação e a conservação do mundo é obra das Suas divinas mãos e, ao mesmo tempo, a imagem dos Seus divinos atributos. Coeli enarrant, Gloriam Dei, o mundo é o reflexo da face adorável de Deus. E reconhecemos nele o retrato de tão bom Pai.
Mas isto é bastante? O retrato da pessoa amada pode bastar àquele que ama? Esta imagem, este retrato de Deus é belo, mas é mudo. Podemos dizer: Se é verdade que sois nosso Pai e que nos amais, falei a Vossos filhos.
2.° Deus fala a Seus filhos: a Revelação. - Depois da criação a revelação. Falou, no paraíso terreal, a nossos primeiros pais, falou a Moisés, na sarça ardente, e falou pela voz dos Profetas. Ele quis que a Sua palavra fosse escrita e por isso a sagrada Escritura contém as cartas de um pai a Seus filhos, cartas cheias de preceitos, de milagres e de promessas de uma herança eterna. Mas, as mais belas cartas de um pai não bastam para satisfazer o afeto de um filho afastado de seu pai. Orvalha com lágrimas essas páginas ditadas pelo amor paternal. Se é um pai cheio de bondade, vem e mostra-Se a Seus filhos.
3.° Deus manifesta-Se visivelmente a Seus filhos: a Encarnação, - É o terceiro dom do seu coração. “O Verbo divino se fez homem e habitou entre nós.” O Seu coração era cheio de ternura, os Seus lábios cheios de verdade, as Suas mãos cheias de benefícios; abençoou, curou e perdoou a muitos. Durante trinta anos passou fazendo bem.
4.° Deus morre pelos Seus filhos: a Redenção. - Não se pode dar maior prova de amor do que morrer por aquele que se ama; Deus deu a Sua vida por nós e é por isso que dizemos: “amou até ao fim!” Depois ressuscita e sobe ao Céu. Mas, um pai bondoso deve viver no meio de Seus filhos, nós somos a Sua grande e universal família. “Não vos deixarei órfãos eis que Eu estarei convosco até à consumação dos séculos”.
5.º Deus fica sempre com Seus filhos: a Eucaristia. Por isso instituiu a Eucaristia para ficar conosco tão real e perfeitamente como está nos Céus. E verdadeiramente Deus conosco e Deus em nós, pela comunhão.
Três coisas podem concorrer para que um dom seja muitíssimo estimável: a grandeza do mesmo dom, o afeto de quem o dá e a utilidade de quem o recebe. Ora a Eucaristia encerra maravilhosamente estas três coisas:

1 - Grandeza do dom da Eucaristia.
Consideremos em primeiro lugar a grandeza do dom: 1.° Criação e conservação. Deus Criador e Senhor tinha dado grandes coisas ao homem. Tinha-lhe dado a existência e todas as coisas necessárias à conservação. Todavia, estes bens, ainda que muito estimáveis, eram de um valor limitado. 2.° Encarnação. Deus Pai amou tanto o mundo que lhe deu o Seu Filho único, dom infinito. Porém este dom foi dado imediatamente à humanidade de nosso Senhor Jesus Cristo. 3.º Eucaristia. Mas Ele mesmo devia dar-Se à humanidade inteira, a cada um dos fiéis, em particular. Dá-Se a cada um de nós na Eucaristia. E assim nos comunica quanto tem de riquezas e bens: - o Seu corpo, o Seu sangue, a Sua alma, a Sua divindade, os Seus merecimentos e as Suas virtudes. Posto que fosse infinitamente rico, diz Santo Agostinho, não tinha mais que dar; posto que fosse infinitamente sábio, não sabia que mais dar; posto que fosse infinitamente poderoso, não podia dar mais.
Em comparação de uma tão grande liberalidade de Deus para conosco quão enorme é a nossa avareza para com Ele. Lembremo-nos de que à medida dos benefícios se abusarmos deles, serão, os castigos. Tomemos, pois, a resolução de dar as contínuas graças ao Senhor, por todos os benefícios, sobretudo pelo benefício da Eucaristia e peçamos-Lhe que nos dê um novo espírito e um novo coração para conhecermos e amarmos, cada vez mais, tão grande benfeitor.

2 - Afetos no dom da Eucaristia 
Consideremos o afeto com que Jesus dá este precioso dom. Nisto é que consiste propriamente o benefício, porquanto o afeto com que Se dá é a alma da esmola, e o que se dá é como que o seu corpo.
Foi tão excessivo este amor de Jesus dando-nos a Eucaristia que São João exclama: In finem dilexit! Chegou ao último extremo do amor.
Assim como uma fornalha, pelas chamas que lança fora, dá a conhecer os ardores que em si contém; a divina caridade com que Jesus Cristo instituiu este augusto sacramento, se dá a conhecer pelo tempo, pelo modo e dificuldades que venceu para esta instituição.
1.° Tempo. - Precisamente na ocasião em que os homens tratavam de dar a Jesus uma morte crudelíssima, é que Ele lhes quis dar o manjar da vida; quando os homens queriam fazê-lO desaparecer do mundo é que Ele inventou um meio de ficar no mundo até à consumação dos séculos. In qua nocte tradebatur accepit panem (I Cor. Xl, 2-J).
2.° Modo. - O modo como a instituiu foi sob as espécies do pão e do vinho, à maneira de alimento para mais intimamente Se unir a nós; porque assim como não há maneira de separar da nossa substância o alimento que foi assimilado, assim também não há força que possa separar-nos do mesmo Jesus Cristo.
3.° Dificuldades. - O Seu amor manifesta-se sobretudo nas dificuldades que venceu para nos fazer tanto bem. Portanto, apesar de prever que, através dos séculos, estaria sujeito a muitas irreverências, desprezos e sacrilégios, quis expôr-Se a sofrer tudo para Se unir às nossas almas. Convém notar que esse desejo era tão ardente que o Evangelista não o pode exprimir senão no balbuciar de um pleonasmo - Desiderio desideravi. (Luc. XXII, 15).
Assim como Nosso Senhor não Se deixou vencer por dificuldade alguma para nos fazer bem, assim também nós, enquanto nos durar a vida, façamos por corresponder às obrigações do reconhecimento.
Tomemos, pois, a resolução de comungar com frequência, à custa mesmo de todos os sacrifícios. “Se eu tivesse de caminhar descalça, todos os dias, por cima de uma estrada de fogo para ir comungar, dizia santa Margarida Maria, custava-me menos isso do que ficar sem comunhão.”

          3 - Utilidade do dom da Eucaristia 
Nos outros sacramentos, Nosso Senhor comunica-nos a Sua graça por meio das criaturas, neste Sacramento dá no-la por Suas próprias mãos. Ilustra com a Sua divina presença o nosso entendimento, inflama o nosso coração e reprime as nossas paixões e os nossos sentidos e deixa, no nosso corpo, um germe de ressurreição para a vida eterna.
Neste Sacramento comunica-nos todos os bens, em Seu corpo, sangue, alma e divindade, e esse capital imenso de merecimentos adquiridos durante a Sua vida, Paixão e morte.
Renova em cada pessoa os efeitos que a Sua Paixão produziu no mundo. Devemos confundir-nos em O recebermos tão poucas vezes e tirarmos tão pouco fruto das nossas comunhões. Tomemos, pois, a resolução de comungar muitas vezes, com a devida preparação e ação de graças. 

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

XIV- A morte (continuação)

Nota do blogue: Meus agradecimentos para uma bela alma pela transcrição desse capítulo. Deus lhe pague, querida de Deus.

Indigna escrava do Crucificado e da SS. Virgem,
Letícia de Paula


(Jesus Cristo falando ao coração do Sacerdote, ou meditações eclesiásticas para todos os dias do mês, escritas em italiano pelo Missionário e doutor Bartholomeu do Monte traduzidas pelo Pe. Francisco José Duarte de Macedo, ano de 1910)

I. Filho, sabes que qual for a vida, tal há de ser a morte. Eu mesmo te disse nas Escrituras, que a morte dos bons é preciosa.
Quantos sacerdotes no momento da morte exclamaram, transbordando de alegria: Ah! Nunca julguei que fosse tão suave o morrer! Ditoso morrer depois de muitos trabalhos sofridos pela salvação das almas!
Pelo contrário te disse, que a morte dos maus será péssima. Quantos sacerdotes, tendo vivido no pecado, na ociosidade, ou tendo abusado dos talentos que tinham recebido, morreram, amaldiçoando a hora em que nasceram, e o tempo em que aprenderam a ler e a escrever!
Desejas, filho, a morte dos justos. Mas como terás morte de justo, se a vida é de pecador? Porque não dás crédito às Minhas ameaças e protestos, à tua experiência, a teus mesmos olhos, que tem presenciado as consolações dos justos e a consternação dos pecados naquela hora?
Tu, filho, ensinas e pregas aos outros estas mesmas verdades; haverá pois para ti outro Evangelho, outra Lei, outra Escritura? Porque vives uma vida que conheces e confessas te não pode dar conforto nem confiança na hora da morte?

II. – Morre bem, filho, não quem começa bem, mas quem persevera até o fim. Para morrer bem, é necessário o especial dom da Minha graça final.[1]
Tu esperas este dom; mas lembra-te que Judas, chamado por Mim ao Apostolado, começou bem e acabou mal. Lembra-te que são mui poucos os sacerdotes que vivem como devem, e por isso mesmo mui poucos os que morrem como desejam; lembra-te também que muitos sacerdotes, ainda que santos, naquela tremenda hora temeram e tremeram de morrer mal.
Eia pois, toma uma firme resolução; e, com temor e tremor santo, opera tua salvação por meio de trabalhos, vigílias, esmolas, orações, sacrifícios, jejuns e castidade.[2]
Sou eu mesmo que te aviso para teu bem. Se viveres sem fervor e sem temor, e diferires tua emenda, de certo deverei ver-te apesar do Meu amor, eternamente perdido.
Há já muito tempo que te espero: acaba com esses desejos que nunca executas. Sê firme e constante no bem; por que a morte, para colher-te, não esperará aquele ano ou aquele dia em que estejas em graça e fervor: ela há de vir quando menos o pensares[3].

III. – Hás de morrer, filho, uma só vez: e se dessa morreres mal, ai de ti! A tua ruína é suma, é irreparável, é eterna.
Eu morri na cruz, para que tu pudesses ter uma boa morte. Podia mandar-te morte improvisa, e colher-te em pecado, como a outros muitos; mas não o fiz, esperando, como bom pai, que te voltasses para Mim.
Outra vez te admoesto: está preparado, porque não sabes o dia nem a hora. És excessivamente cruel para contigo, e ingrato para Comigo, se diferes um momento a tua conversão.
Considera bem, filho, que o perdão que hoje te ofereço e prometo, está seguro, se hoje te arrependes e te convertes de todo o coração; mas para o dia de amanhã nem Eu te prometo, nem tu podes contar com ele.
Reconhece quanto Sou solícito pelo teu bem, até em te deixar incerta a hora da morte; para que, ignorando-a, estejas sempre preparado[4].

Fruto. – Salda tuas contas com Deus e com o próximo.
Faze o teu testamento, diz Santo Agostinho, enquanto tens saúde, enquanto és senhor das tuas faculdades. A alma à Deus, o corpo à terra, e os bens da fortuna a quem pertencem.
Considera bem agora qual desejarias que tivesse sido, na hora da tua morte, o teu procedimento para com Deus, para com o próximo e para contigo mesmo; e faze já o que então desejarás ter feito. Não morre de morte improvisa quem sempre está preparado, e sempre pensa que há de morrer.
O Beato Gregório Barbarigo, tendo recebido com extraordinária devoção os santos sacramentos, considerando nos juízos de Deus, onde em breve havia de comparecer, se encheu de tal espanto e horror, que levantava a miúdo as mãos e os olhos ao Céu, e com voz lamentosa repetia: Que será? Que será? E assim sofreu por algum tempo esta forte agitação, pelo temor do rigoroso juízo, até que à tempestade sucedeu a bonança. E que será de ti...?



[1] De perseverantiae munere, de quo scriptum est: Qui perseveraverit usque in finem, hic salvus erit: quod quidem haberi non potest, nisi ab eo, qui potens est, eum qui stat, statuere, ut perseveranter stet; et eum qui cadit, restituere: nemo sibi certi aliquid absoluta certitudine polliceatur: tamestsi in Dei auxilio firmissimam spem reponere omnes debent. (Concil, Trid., IV, 13.)

[2] Veruntamen qui se existimant stare, videant, ne cadant; et cum timore, et tremore salutem suam operentur in laboribus, in vigiliis, in eleemosynis, in orationibus, et oblationibus, in jejuniis, et castitate. Formidare enim debent, scientis quod in spem gloriae, et nondum in gloriam renati sumus de pugna, quae superset, … (Ibidem.)

[3] ...Qua hora non putatis...veniet. (LUC., XII, 40.) Sicut in diebus Noe et in diebus Loth, errant edentes et bibentes, emebant et vendebant, plantabant… et non cognoverunt,… ita erit adventus Filii Hominis. (MATH., XXIV, 37-39.)

[4] Horam voro ultimam Dominus noster ideirco voluit nobis esse incognitam, ut semper possit esse suspecta ut dum illam pravidere non possumus, ad illam sine intermissione praeparemur. (S.GREG., Hom, 13.)

Presencias y ausencias de Dios

Robert de Langeac
La vida oculta en Dios

La vida espiritual, salvo en su última fase, se desarrolla así: Lo perdemos, lo buscamos y volvemos a encontrarlo: «Estás ahí, Dios mío; soy feliz al saberte presente.»

Sí, Dios obra de ese modo. Viene y luego se va para que lo busquemos de nuevo.

¡Oh, cuándo acabaréis de comprender que hemos de buscarlo por Él sólo y no por el gozo que da su presencia!

Tenemos que recibir las gracias de Dios sin demasiado entusiasmo natural para no sentirnos demasiado abatidos cuando la gracia sensible disminuya. Conservad siempre una gran calma. Dios no actúa sino en la calma.

Cuando Jesús se esconde, nos tenemos que poner a buscarlo con todo nuestro corazón. No podemos vivir sin Él. Sin embargo, no podemos poseerlo siempre.

Tenemos, pues, que buscarlo, pero que buscarlo sin tregua.

Lo encontraremos en esa alma entenebrecida a la que iluminamos, en esa alma entristecida a la que consolamos, en esa alma abatida a la que alentamos, o en esa alma dichosa de Dios a la que admiramos y a la que envidiamos.

Lo encontraremos también en el Tabernáculo, en donde se esconde y en donde se da. Lo encontraremos en nosotros mismos, en el fondo nuestro propio corazón.

Dios es quien la escoge y quien la atrae

Robert de Langeac
La vida oculta en Dios

Eres Tú quien escoges libremente las almas a quienes quieres convertir en tu morada permanente, a las que quieres separar de todo, purificar, enriquecer, elevar, recibir en Ti, dentro de Ti, para que te contemplen, en cierto modo como Tú te contemplas, para que te amen del modo como Tú te amas, y para que vivan -imperfecta sin duda, pero realmente - de tu vida trinitaria. «No me habéis elegido vosotros a mí, sino que yo os elegí a vosotros...».

Sí, sólo Tú, Dios mío, eres el que empiezas, continúas y acabas esta hermosa labor. Sin duda que pides el consentimiento y, cuando ha lugar el concurso del alma. Pero eres Tú quien primero le enseñas que posee en el fondo de sí misma esa perla preciosa, ese tesoro oculto del Evangelio. Pues ella ignoraba su verdadera riqueza.

Doutrina Cristã - Parte 7

Nota do blogue: Acompanhar esse Especial AQUI.

Monsenhor Francisco Pascucci, 1935, Doutrina Cristã
tradução por Padre Armando Guerrazzi, 2.ª Edição, biblioteca Anchieta.


CREDO

Art. V. - Desceu aos infernos, ao terceiro dia ressuscitou dos mortos.

A descida ao Limbo

36. - A alma divina de Jesus, separada de Seu corpo divino, desceu ad inferos, aos lugares inferiores. Acha-se indicado com estas palavras o Limbo, isto é, o lugar, onde se encontravam as almas dos justos do antigo pacto. Esperavam a Redenção, para poderem entrar no Céu. A presença do Redentor difundiu alegria infinda àquelas almas justas e lhes fez gozar da essencial bem-aventurança, que é a visão de Deus. Verificou-se então a promessa feita por Jesus ao bom ladrão: "Em verdade te digo, hoje estarás comigo no Paraíso".

A Ressurreição

37.- Ao alvorecer do terceiro dia, que era o primeiro da semana, a alma de Jesus se Lhe reuniu ao corpo, e Jesus ressuscitou. Do sepulcro ainda fechado, saiu Ele glorioso e triunfante, para não morrer mais. Forte terremoto sacudiu a terra a Anjo do Senhor derrubou a pedra que fechava o sepulcro.
A ressurreição de Jesus é em si o maior dos milagres, porque Jesus ressuscitara por virtude própria, - e é a maior prova de Sua divindade assim como da verdade de Sua doutrina. O corpo ressuscitado de Jesus possuía todas as atualidades dos corpos gloriosos, isto é, a agilidade, a impassibilidade, a subtileza, o esplendor: - conservou as cicatrizes das cinco chagas para maior conforto dos bons, para maior confusão dos ímpios no dia do juízo e para melhor demonstrar aos discípulos a Sua real ressurreição.

Aparições

38. - Jesus ressuscitado quis ficar por quarenta dias na terra:

a) para mostrar que verdadeiramente ressuscitara. Apareceu, de fato, muitas vezes em vários lugares, a muitas pessoas e em tempos diversos: - apareceu a São Pedro, à Madalena, às pias senhoras, aos apóstolos no Cenáculo, comendo com eles e fazendo-Se tocar por Santo Tomé, que não queria crer na Ressurreição;
b) para confirmar na fé a Seus discípulos e instruí-los mais profundamente em Sua doutrina. Naqueles dias perfez a instituição dos sacramentos e conferiu a São Pedro o primado, constituindo-o chefe.

Art. VI. Subiu ao céu, está sentado à mão direita de Deus Padre Onipotente.

Ascensão e glória no Céu

39. - Passados quarenta dias, o Redentor convidou os Seus discípulos a irem ao monte das Oliveiras, e, ali, erguidas as mãos, os abençoou; acompanhado das almas dos justos, partiu do meio deles, elevando-Se ao céu. Subira ao céu por virtude própria, não como Deus, porque já o era, mas como Homem-Deus.
E foi tomar posse, como homem também, da eterna gloria, para Ele preparada pelo Padre em premio de quanto fizera e sofrera em obediência á sua santa vontade.
Desde aquele dia, a humanidade de Jesus deixou de estar neste mundo com presença visível: ficou, porém, entre os homens com presença invisível no augusto Sacramento do Altar. Como Deus, Jesus está em todos os lugares; como Deus e homem, está no céu e no Santíssimo Sacramento do Altar.
No céu, fica sentado à direita de Deus Padre Onipotente. A Escritura se adapta com essas palavras à nossa linguagem; quer significar que, assim como nós damos à direita ao personagem mais digno, assim também no céu a humanidade santíssima de Jesus Cristo tem o primeiro lugar de honra e de poder após a Divindade.

Art. VII. - Donde há de julgar os vivos e os mortos

Juízo particular e universal

40. - No fim do mundo, Jesus Cristo voltará, visivelmente, à nossa terra, com grande poder e majestade, para julgar os vivos e os mortos, isto é, a todos os bons e maus, segundo as obras deles. Não deveremos esperar pelo fim do mundo para sermos julgados, porquanto haverá dois juízos: - um particular ou individual, logo após a morte; outro, universal, no fim do mundo.
Este segundo juízo não reformará a sentença do primeiro, mas o confirmará com maior solenidade:
a) para a glória de Deus, para que todos conheçam e sejam constrangidos a confessar que Deus fez bem todas as coisas e assim justificada seja a Sua Providência;
b) para a glória de Jesus, condenado e desprezado pelos homens, para que todos O reconheçam por Deus e soberano Juiz;
c) para a glória dos santos, afim de que sejam exaltados diante de todos, os que viveram cá na humildade e, não raro, padeceram perseguições;
d) para confusão dos maus, afim de que sejam envergonhados diante de todos e desmascarada a hipocrisia dos perversos.
Nada sabemos do lugar e do tempo, onde se fará o juízo universal. Jesus Cristo, no Santo Evangelho, nos fala somente dos sinais precursores do juízo e do modo como se desenrola. Far-se-á num instante: Deus iluminará todas as consciências: não haverá necessidade de exames nem de interrogações, as ações de cada um todos as verão como queridas e realizadas. A sentença, dá-la-á Jesus, que chamara para o céu os justos, com as palavras: "Vinde, benditos de meu Pai, tomai posse do reino preparado para vós desde a fundação do mundo" e condenara os maus com a sentença: "Apartai-vos de mim malditos, para o fogo eterno, que está preparado para o demônio e para os seus anjos". (Mat. XXV, 34-41.)

Art. VIII. - Creio no Espírito Santo
            O Espírito Santo

41. - Professamos crer no Espírito Santo, terceira pessoa da SSma. Trindade, procedente do Pai e do Filho por via de amor.
Macedônio negou a divindade do Espírito Santo; pelo que a Igreja, no Concilio Constantinopolitano do ano 381, juntou ao Símbolo Niceno uma afirmação explícita contra essa heresia. Focio negou que o Espírito Santo procedesse também do Filho, e a Igreja contra esse erro ajuntou ao símbolo Niceno-Constantinopolitano a afirmação explícita: "qui ex Patre Filio - que procedit - que procede do Padre e do Filho".

Manifestações

42. - O Espírito Santo Se manifestou no Batismo de Jesus em forma de pomba, e é a forma em que vem comumente figurado; no dia de Pentecostes, desceu sobre Maria Santíssima e os Apóstolos, no Cenáculo, em forma de línguas de fogo - símbolo da chama purificadora e transformadora do Evangelho.

Obras atribuídas ao Espírito Santo. - Dons e efeitos

43. - Ao Espírito Santo se atribui particularmente a santificação das almas, obra de amor: comunica invisivelmente a graça às nossas almas, santificando-as; opera em todos os sacramentos, mas em dois de modo especial e eficaz: na Crisma, isto é, quando se recebe a abundância dos sete dons, e na Ordem, em que o ministro de Jesus Cristo recebe, com o caráter, uma plenitude de luz, força e santidade, como a tiveram os apóstolos, para cumprirem bem os próprios deveres e fazerem dignamente as obras de Deus. Ao Espírito Santo se recorre para se Lhe implorar luz, força e consolação.
Os sete dons do Espírito Santo são: - sabedoria, inteligência, conselho, fortaleza, ciência, piedade e temor de Deus.

Art. IX. - A Santa Igreja Católica, a comunhão dos Santos.

Origem e definição da Igreja.

44. - Jesus Cristo veio à terra para salvar a todos os homens.

A esse fim duas coisas seriam necessárias: ensinar-lhes a verdade e infundir-lhes, na vontade, a força para praticá-la. A obra de Jesus Cristo devia perpetuar-se na terra: nesse objetivo quis Ele instituir uma sociedade, onde precisamente pudessem os homens encontrar os meios de conseguirem a salvação eterna. A tal sociedade chamou-lhe Igreja, palavra grega que equivale a assembléia, reunião. Jesus, realmente, entre os que O seguiam, a doze escolhidos, que chamou Apóstolos, lhes deu o poder de ensinar, santificar e reger; e aos fiéis incumbiu-lhes o de crerem naqueles e lhes obedecerem. À testa dos doze, pôs São Pedro; tudo para a glória de Deus e salvação das almas. Temos, pois, todos os elementos de uma sociedade, isto é, cabeça, membros, fim e meios.
Tal sociedade fora prenunciada pelos profetas. E Jesus Cristo dele falou frequentemente em Suas parábolas, quando assemelhava "o reino dos céus" a um campo, em que vai semeada a boa semente de par com a cizânia; a uma rede, onde há bons e maus peixes; a um celeiro, em que há grão e palha, etc.
A Igreja é, portanto, a sociedade dos verdadeiros cristãos, isto é, dos batizados, que professam a fé e doutrina de Jesus Cristo, participam dos seus sacramentos e obedecem aos pastores por Ele estabelecidos.
Note-se a expressão "verdadeiros cristãos", porque não basta ser batizado para se pertencer verdadeiramente à Igreja; faz-se mister ainda professem a verdadeira fé, frequentem os sacramentos e obedeçam aos legítimos pastores. Jesus Cristo fundou uma sociedade: a) visível, que possa facilmente ser reconhecida, e não uma sociedade de espíritos; b) religiosa, sobrenatural no fim a colimar, que é a vida eterna, e nos meios que conferem a graça; c) necessária, enquanto fora dela se não pode obter a salvação; d) perfeita, enquanto possui fim e meios próprios e é independente de qualquer outra sociedade; e) desigual e hierárquica, pois nela há quem governa e quem deve obedecer.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

O Coração de Jesus pede reparação


(Cristo Rei e Salvador, práticas sobre a pessoa de Nosso Senhor
e o Seu amantíssimo Coração 
por Mariófilo, 1937)

O Coração de Jesus pede reparação.
Não podemos negar que a santa Igreja cerca o tabernáculo de todo o carinho[1]. O que ela possui de mais rico em cerimônias, de mais belo em poesia e música, coloca-o ao serviço do Santíssimo Sacramento. Com Santo Tomás de Aquino, diz aos seus filhos:

Quanto podes, tanto o louva;
pois Ele excede o louvor,
nem tu bem louvá-lO podes.

Grande é o numero de fiéis que, obedientes à santa Igreja, tocados pelo amor excessivo do amantíssimo Coração de Jesus, cercam o tabernáculo com toda a atenção, fé e amor. É, entretanto, verdade também que o amantíssimo Coração de Jesus é profunda e frequentemente ofendido e magoado neste Seu Sacramento de amor. Não lembramos os infiéis, que nem O conhecem; não lembramos os protestantes, que O negam; nem os maus católicos, que abandonaram a sua religião; nem quero chamar a vossa atenção para o afastamento da recepção deste Sacramento por parte de tanta gente ignorante. Fora disto, quantas ofensas ao divino Coração da parte dos fiéis que lhe deviam consagrar todo o amor. Estas irreverências na igreja, em particular por ocasião de casamentos e batizados! Não somente da parte das pessoas que, raras vezes, e só por ocasião de uma cerimônia extraordinária, entram na igreja; não; infelizmente, de muitos que conhecem a sua religião, que frequentam sempre a igreja; oh! como esquecem a santidade do lugar e a presença de Jesus!
Quantos há que entram na igreja como se entra em um teatro ou no cinema! Mais triste ainda: moços e mocinhas há que escolhem a igreja para os seus namoros; entram na igreja de braço dado, rindo e conversando, prouvera a Deus não fossem conversas indignas; sem compostura, sem modéstia, sem reverência ao lugar, magoam o Coração de Jesus, que, entretanto arde em desejos de lhes lançar a benção.
Que dizer da assistência à santa Missa? dessas tantas irreverências, distrações, vaidade e falta de atenção?
E as nossas comunhões? Não deviam ser o maior consolo para Jesus? Mas, como Lhe dói esta frieza; esta falta de preparação, a pressa de sair e a pressa de esquecê-lO.
Emocionantes são as queixas que o Coração de Jesus dirigiu a santa Margarida Maria. "Eis - diz Ele - eis aqui o Coração que tanto amou aos homens, que nada poupou até se esgotar e consumir, para lhes testemunhar seu amor, e, em lugar de agradecimento, só recebe ingratidões da maior parte deles pelas irreverências e sacrilégios, pelas friezas e desprezos com que me tratam neste meu Sacramento de amor... e, o que me é mais sensível, é ser Eu assim tratado por corações que me são consagrados!"
Qual o Coração que ouve tão magoadas queixas sem sentir grande compaixão por este Coração? Quem não deseja consolar este Coração amantíssimo? Quem não se sente humilhado, lembrando as próprias ingratidões que ofenderam o Seu amorosíssimo Coração?
Prestemos-lhe a reparação que Ele pede a santa Margarida: "Por isto - continua Jesus, - por isto te peço que a primeira sexta-feira depois da oitava do SS. Sacramento seja dedicada a uma festa particular em honra do Meu Coração, para lhe darem reparação pelos indignos tratamentos que tem recebido, fazendo-se para este fim atos de desagravo e comunhões reparadoras".
Também o papa Leão XIII ensina que "o fim do culto ao Sagrado Coração de Jesus consiste em reparar, por meio de atos de adoração, amor e devoção, a ingratidão tão comum entre os homens, e, pelo Santíssimo Coração de Jesus reconciliar o gênero humano com Deus".
Vamos, pois, atender ao pedido tão insistente de Jesus, desagravando o Seu Coração ofendido pelas ingratidões dos homens. Prestemos-lhe a devida reparação. Consolemo-lo com a nossa fidelidade. Reparemos as irreverências pela nossa piedade e nosso respeito diante do tabernáculo. Reparemos a falta de devoção de tantos fiéis em assistir à santa Missa, pela nossa atenção, fé e devoção.
Visitando-O no Seu Sacramento e adorando-O com fé e respeito, reparemos a indiferença de tantos cristãos, que não O visitam, que O esquecem e abandonam. Reparemos as irreverências nas igrejas pelas conversas e maneiras menos respeitosas, mormente da parte da mocidade, edificando o próximo com o nosso modo respeitoso e devoto. Reparemos as comunhões recebidas sem preparação, maquinalmente, com frieza e sentimentos profanos, fazendo a nossa comunhão com todo o fervor possível. Reparemos, enfim, todas as ofensas que o Seu Coração recebe dos fieis ingratos, consolando-o pelo nosso amor, gratidão, adoração e fidelidade. Seja o nosso sentir o que cantamos:

Seja amado e louvado
De Jesus o Coração;
Adoremos e lhe demos
Glória, amor, reparação.



[1] Nota do blogue: Tristemente é possível constatar nos tempos atuais e já de algumas décadas (piorando a cada dia) que o Santíssimo Sacramento já não é mais tratado com o carinho e zelo que os Seus “guardiões” (aqui menciono guardiões referindo-me ao clero) deveriam tratá-lO. É posto de lado nas igrejas, retirado do altar [altar trocado por uma mesa]; segurado por mãos indignas (ministros e em especial ministras da Eucaristia [que não têm mãos consagradas para isso]); recebido não de joelhos, como se Ele não fosse o Rei dos reis... e se realmente Cristo Eucarístico está presente nessas igrejas é de temer e tremer o grande silêncio da IRA de Deus. Que Deus se apiede de nós e que seja feita justiça!