terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Presencias y ausencias de Dios

Robert de Langeac
La vida oculta en Dios

La vida espiritual, salvo en su última fase, se desarrolla así: Lo perdemos, lo buscamos y volvemos a encontrarlo: «Estás ahí, Dios mío; soy feliz al saberte presente.»

Sí, Dios obra de ese modo. Viene y luego se va para que lo busquemos de nuevo.

¡Oh, cuándo acabaréis de comprender que hemos de buscarlo por Él sólo y no por el gozo que da su presencia!

Tenemos que recibir las gracias de Dios sin demasiado entusiasmo natural para no sentirnos demasiado abatidos cuando la gracia sensible disminuya. Conservad siempre una gran calma. Dios no actúa sino en la calma.

Cuando Jesús se esconde, nos tenemos que poner a buscarlo con todo nuestro corazón. No podemos vivir sin Él. Sin embargo, no podemos poseerlo siempre.

Tenemos, pues, que buscarlo, pero que buscarlo sin tregua.

Lo encontraremos en esa alma entenebrecida a la que iluminamos, en esa alma entristecida a la que consolamos, en esa alma abatida a la que alentamos, o en esa alma dichosa de Dios a la que admiramos y a la que envidiamos.

Lo encontraremos también en el Tabernáculo, en donde se esconde y en donde se da. Lo encontraremos en nosotros mismos, en el fondo nuestro propio corazón.

Dios es quien la escoge y quien la atrae

Robert de Langeac
La vida oculta en Dios

Eres Tú quien escoges libremente las almas a quienes quieres convertir en tu morada permanente, a las que quieres separar de todo, purificar, enriquecer, elevar, recibir en Ti, dentro de Ti, para que te contemplen, en cierto modo como Tú te contemplas, para que te amen del modo como Tú te amas, y para que vivan -imperfecta sin duda, pero realmente - de tu vida trinitaria. «No me habéis elegido vosotros a mí, sino que yo os elegí a vosotros...».

Sí, sólo Tú, Dios mío, eres el que empiezas, continúas y acabas esta hermosa labor. Sin duda que pides el consentimiento y, cuando ha lugar el concurso del alma. Pero eres Tú quien primero le enseñas que posee en el fondo de sí misma esa perla preciosa, ese tesoro oculto del Evangelio. Pues ella ignoraba su verdadera riqueza.

Doutrina Cristã - Parte 7

Nota do blogue: Acompanhar esse Especial AQUI.

Monsenhor Francisco Pascucci, 1935, Doutrina Cristã
tradução por Padre Armando Guerrazzi, 2.ª Edição, biblioteca Anchieta.


CREDO

Art. V. - Desceu aos infernos, ao terceiro dia ressuscitou dos mortos.

A descida ao Limbo

36. - A alma divina de Jesus, separada de Seu corpo divino, desceu ad inferos, aos lugares inferiores. Acha-se indicado com estas palavras o Limbo, isto é, o lugar, onde se encontravam as almas dos justos do antigo pacto. Esperavam a Redenção, para poderem entrar no Céu. A presença do Redentor difundiu alegria infinda àquelas almas justas e lhes fez gozar da essencial bem-aventurança, que é a visão de Deus. Verificou-se então a promessa feita por Jesus ao bom ladrão: "Em verdade te digo, hoje estarás comigo no Paraíso".

A Ressurreição

37.- Ao alvorecer do terceiro dia, que era o primeiro da semana, a alma de Jesus se Lhe reuniu ao corpo, e Jesus ressuscitou. Do sepulcro ainda fechado, saiu Ele glorioso e triunfante, para não morrer mais. Forte terremoto sacudiu a terra a Anjo do Senhor derrubou a pedra que fechava o sepulcro.
A ressurreição de Jesus é em si o maior dos milagres, porque Jesus ressuscitara por virtude própria, - e é a maior prova de Sua divindade assim como da verdade de Sua doutrina. O corpo ressuscitado de Jesus possuía todas as atualidades dos corpos gloriosos, isto é, a agilidade, a impassibilidade, a subtileza, o esplendor: - conservou as cicatrizes das cinco chagas para maior conforto dos bons, para maior confusão dos ímpios no dia do juízo e para melhor demonstrar aos discípulos a Sua real ressurreição.

Aparições

38. - Jesus ressuscitado quis ficar por quarenta dias na terra:

a) para mostrar que verdadeiramente ressuscitara. Apareceu, de fato, muitas vezes em vários lugares, a muitas pessoas e em tempos diversos: - apareceu a São Pedro, à Madalena, às pias senhoras, aos apóstolos no Cenáculo, comendo com eles e fazendo-Se tocar por Santo Tomé, que não queria crer na Ressurreição;
b) para confirmar na fé a Seus discípulos e instruí-los mais profundamente em Sua doutrina. Naqueles dias perfez a instituição dos sacramentos e conferiu a São Pedro o primado, constituindo-o chefe.

Art. VI. Subiu ao céu, está sentado à mão direita de Deus Padre Onipotente.

Ascensão e glória no Céu

39. - Passados quarenta dias, o Redentor convidou os Seus discípulos a irem ao monte das Oliveiras, e, ali, erguidas as mãos, os abençoou; acompanhado das almas dos justos, partiu do meio deles, elevando-Se ao céu. Subira ao céu por virtude própria, não como Deus, porque já o era, mas como Homem-Deus.
E foi tomar posse, como homem também, da eterna gloria, para Ele preparada pelo Padre em premio de quanto fizera e sofrera em obediência á sua santa vontade.
Desde aquele dia, a humanidade de Jesus deixou de estar neste mundo com presença visível: ficou, porém, entre os homens com presença invisível no augusto Sacramento do Altar. Como Deus, Jesus está em todos os lugares; como Deus e homem, está no céu e no Santíssimo Sacramento do Altar.
No céu, fica sentado à direita de Deus Padre Onipotente. A Escritura se adapta com essas palavras à nossa linguagem; quer significar que, assim como nós damos à direita ao personagem mais digno, assim também no céu a humanidade santíssima de Jesus Cristo tem o primeiro lugar de honra e de poder após a Divindade.

Art. VII. - Donde há de julgar os vivos e os mortos

Juízo particular e universal

40. - No fim do mundo, Jesus Cristo voltará, visivelmente, à nossa terra, com grande poder e majestade, para julgar os vivos e os mortos, isto é, a todos os bons e maus, segundo as obras deles. Não deveremos esperar pelo fim do mundo para sermos julgados, porquanto haverá dois juízos: - um particular ou individual, logo após a morte; outro, universal, no fim do mundo.
Este segundo juízo não reformará a sentença do primeiro, mas o confirmará com maior solenidade:
a) para a glória de Deus, para que todos conheçam e sejam constrangidos a confessar que Deus fez bem todas as coisas e assim justificada seja a Sua Providência;
b) para a glória de Jesus, condenado e desprezado pelos homens, para que todos O reconheçam por Deus e soberano Juiz;
c) para a glória dos santos, afim de que sejam exaltados diante de todos, os que viveram cá na humildade e, não raro, padeceram perseguições;
d) para confusão dos maus, afim de que sejam envergonhados diante de todos e desmascarada a hipocrisia dos perversos.
Nada sabemos do lugar e do tempo, onde se fará o juízo universal. Jesus Cristo, no Santo Evangelho, nos fala somente dos sinais precursores do juízo e do modo como se desenrola. Far-se-á num instante: Deus iluminará todas as consciências: não haverá necessidade de exames nem de interrogações, as ações de cada um todos as verão como queridas e realizadas. A sentença, dá-la-á Jesus, que chamara para o céu os justos, com as palavras: "Vinde, benditos de meu Pai, tomai posse do reino preparado para vós desde a fundação do mundo" e condenara os maus com a sentença: "Apartai-vos de mim malditos, para o fogo eterno, que está preparado para o demônio e para os seus anjos". (Mat. XXV, 34-41.)

Art. VIII. - Creio no Espírito Santo
            O Espírito Santo

41. - Professamos crer no Espírito Santo, terceira pessoa da SSma. Trindade, procedente do Pai e do Filho por via de amor.
Macedônio negou a divindade do Espírito Santo; pelo que a Igreja, no Concilio Constantinopolitano do ano 381, juntou ao Símbolo Niceno uma afirmação explícita contra essa heresia. Focio negou que o Espírito Santo procedesse também do Filho, e a Igreja contra esse erro ajuntou ao símbolo Niceno-Constantinopolitano a afirmação explícita: "qui ex Patre Filio - que procedit - que procede do Padre e do Filho".

Manifestações

42. - O Espírito Santo Se manifestou no Batismo de Jesus em forma de pomba, e é a forma em que vem comumente figurado; no dia de Pentecostes, desceu sobre Maria Santíssima e os Apóstolos, no Cenáculo, em forma de línguas de fogo - símbolo da chama purificadora e transformadora do Evangelho.

Obras atribuídas ao Espírito Santo. - Dons e efeitos

43. - Ao Espírito Santo se atribui particularmente a santificação das almas, obra de amor: comunica invisivelmente a graça às nossas almas, santificando-as; opera em todos os sacramentos, mas em dois de modo especial e eficaz: na Crisma, isto é, quando se recebe a abundância dos sete dons, e na Ordem, em que o ministro de Jesus Cristo recebe, com o caráter, uma plenitude de luz, força e santidade, como a tiveram os apóstolos, para cumprirem bem os próprios deveres e fazerem dignamente as obras de Deus. Ao Espírito Santo se recorre para se Lhe implorar luz, força e consolação.
Os sete dons do Espírito Santo são: - sabedoria, inteligência, conselho, fortaleza, ciência, piedade e temor de Deus.

Art. IX. - A Santa Igreja Católica, a comunhão dos Santos.

Origem e definição da Igreja.

44. - Jesus Cristo veio à terra para salvar a todos os homens.

A esse fim duas coisas seriam necessárias: ensinar-lhes a verdade e infundir-lhes, na vontade, a força para praticá-la. A obra de Jesus Cristo devia perpetuar-se na terra: nesse objetivo quis Ele instituir uma sociedade, onde precisamente pudessem os homens encontrar os meios de conseguirem a salvação eterna. A tal sociedade chamou-lhe Igreja, palavra grega que equivale a assembléia, reunião. Jesus, realmente, entre os que O seguiam, a doze escolhidos, que chamou Apóstolos, lhes deu o poder de ensinar, santificar e reger; e aos fiéis incumbiu-lhes o de crerem naqueles e lhes obedecerem. À testa dos doze, pôs São Pedro; tudo para a glória de Deus e salvação das almas. Temos, pois, todos os elementos de uma sociedade, isto é, cabeça, membros, fim e meios.
Tal sociedade fora prenunciada pelos profetas. E Jesus Cristo dele falou frequentemente em Suas parábolas, quando assemelhava "o reino dos céus" a um campo, em que vai semeada a boa semente de par com a cizânia; a uma rede, onde há bons e maus peixes; a um celeiro, em que há grão e palha, etc.
A Igreja é, portanto, a sociedade dos verdadeiros cristãos, isto é, dos batizados, que professam a fé e doutrina de Jesus Cristo, participam dos seus sacramentos e obedecem aos pastores por Ele estabelecidos.
Note-se a expressão "verdadeiros cristãos", porque não basta ser batizado para se pertencer verdadeiramente à Igreja; faz-se mister ainda professem a verdadeira fé, frequentem os sacramentos e obedeçam aos legítimos pastores. Jesus Cristo fundou uma sociedade: a) visível, que possa facilmente ser reconhecida, e não uma sociedade de espíritos; b) religiosa, sobrenatural no fim a colimar, que é a vida eterna, e nos meios que conferem a graça; c) necessária, enquanto fora dela se não pode obter a salvação; d) perfeita, enquanto possui fim e meios próprios e é independente de qualquer outra sociedade; e) desigual e hierárquica, pois nela há quem governa e quem deve obedecer.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

O Coração de Jesus pede reparação


(Cristo Rei e Salvador, práticas sobre a pessoa de Nosso Senhor
e o Seu amantíssimo Coração 
por Mariófilo, 1937)

O Coração de Jesus pede reparação.
Não podemos negar que a santa Igreja cerca o tabernáculo de todo o carinho[1]. O que ela possui de mais rico em cerimônias, de mais belo em poesia e música, coloca-o ao serviço do Santíssimo Sacramento. Com Santo Tomás de Aquino, diz aos seus filhos:

Quanto podes, tanto o louva;
pois Ele excede o louvor,
nem tu bem louvá-lO podes.

Grande é o numero de fiéis que, obedientes à santa Igreja, tocados pelo amor excessivo do amantíssimo Coração de Jesus, cercam o tabernáculo com toda a atenção, fé e amor. É, entretanto, verdade também que o amantíssimo Coração de Jesus é profunda e frequentemente ofendido e magoado neste Seu Sacramento de amor. Não lembramos os infiéis, que nem O conhecem; não lembramos os protestantes, que O negam; nem os maus católicos, que abandonaram a sua religião; nem quero chamar a vossa atenção para o afastamento da recepção deste Sacramento por parte de tanta gente ignorante. Fora disto, quantas ofensas ao divino Coração da parte dos fiéis que lhe deviam consagrar todo o amor. Estas irreverências na igreja, em particular por ocasião de casamentos e batizados! Não somente da parte das pessoas que, raras vezes, e só por ocasião de uma cerimônia extraordinária, entram na igreja; não; infelizmente, de muitos que conhecem a sua religião, que frequentam sempre a igreja; oh! como esquecem a santidade do lugar e a presença de Jesus!
Quantos há que entram na igreja como se entra em um teatro ou no cinema! Mais triste ainda: moços e mocinhas há que escolhem a igreja para os seus namoros; entram na igreja de braço dado, rindo e conversando, prouvera a Deus não fossem conversas indignas; sem compostura, sem modéstia, sem reverência ao lugar, magoam o Coração de Jesus, que, entretanto arde em desejos de lhes lançar a benção.
Que dizer da assistência à santa Missa? dessas tantas irreverências, distrações, vaidade e falta de atenção?
E as nossas comunhões? Não deviam ser o maior consolo para Jesus? Mas, como Lhe dói esta frieza; esta falta de preparação, a pressa de sair e a pressa de esquecê-lO.
Emocionantes são as queixas que o Coração de Jesus dirigiu a santa Margarida Maria. "Eis - diz Ele - eis aqui o Coração que tanto amou aos homens, que nada poupou até se esgotar e consumir, para lhes testemunhar seu amor, e, em lugar de agradecimento, só recebe ingratidões da maior parte deles pelas irreverências e sacrilégios, pelas friezas e desprezos com que me tratam neste meu Sacramento de amor... e, o que me é mais sensível, é ser Eu assim tratado por corações que me são consagrados!"
Qual o Coração que ouve tão magoadas queixas sem sentir grande compaixão por este Coração? Quem não deseja consolar este Coração amantíssimo? Quem não se sente humilhado, lembrando as próprias ingratidões que ofenderam o Seu amorosíssimo Coração?
Prestemos-lhe a reparação que Ele pede a santa Margarida: "Por isto - continua Jesus, - por isto te peço que a primeira sexta-feira depois da oitava do SS. Sacramento seja dedicada a uma festa particular em honra do Meu Coração, para lhe darem reparação pelos indignos tratamentos que tem recebido, fazendo-se para este fim atos de desagravo e comunhões reparadoras".
Também o papa Leão XIII ensina que "o fim do culto ao Sagrado Coração de Jesus consiste em reparar, por meio de atos de adoração, amor e devoção, a ingratidão tão comum entre os homens, e, pelo Santíssimo Coração de Jesus reconciliar o gênero humano com Deus".
Vamos, pois, atender ao pedido tão insistente de Jesus, desagravando o Seu Coração ofendido pelas ingratidões dos homens. Prestemos-lhe a devida reparação. Consolemo-lo com a nossa fidelidade. Reparemos as irreverências pela nossa piedade e nosso respeito diante do tabernáculo. Reparemos a falta de devoção de tantos fiéis em assistir à santa Missa, pela nossa atenção, fé e devoção.
Visitando-O no Seu Sacramento e adorando-O com fé e respeito, reparemos a indiferença de tantos cristãos, que não O visitam, que O esquecem e abandonam. Reparemos as irreverências nas igrejas pelas conversas e maneiras menos respeitosas, mormente da parte da mocidade, edificando o próximo com o nosso modo respeitoso e devoto. Reparemos as comunhões recebidas sem preparação, maquinalmente, com frieza e sentimentos profanos, fazendo a nossa comunhão com todo o fervor possível. Reparemos, enfim, todas as ofensas que o Seu Coração recebe dos fieis ingratos, consolando-o pelo nosso amor, gratidão, adoração e fidelidade. Seja o nosso sentir o que cantamos:

Seja amado e louvado
De Jesus o Coração;
Adoremos e lhe demos
Glória, amor, reparação.



[1] Nota do blogue: Tristemente é possível constatar nos tempos atuais e já de algumas décadas (piorando a cada dia) que o Santíssimo Sacramento já não é mais tratado com o carinho e zelo que os Seus “guardiões” (aqui menciono guardiões referindo-me ao clero) deveriam tratá-lO. É posto de lado nas igrejas, retirado do altar [altar trocado por uma mesa]; segurado por mãos indignas (ministros e em especial ministras da Eucaristia [que não têm mãos consagradas para isso]); recebido não de joelhos, como se Ele não fosse o Rei dos reis... e se realmente Cristo Eucarístico está presente nessas igrejas é de temer e tremer o grande silêncio da IRA de Deus. Que Deus se apiede de nós e que seja feita justiça! 

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

XIII - A morte (Sacerdote)

Nota do blogue: Meus agradecimentos para uma bela alma pela transcrição desse capítulo. Deus lhe pague, querida de Deus.

Indigna escrava do Crucificado e da SS. Virgem,
Letícia de Paula

(Jesus Cristo falando ao coração do Sacerdote, ou meditações eclesiásticas para todos os dias do mês, escritas em italiano pelo Missionário e doutor Bartholomeu do Monte traduzidas pelo Pe. Francisco José Duarte de Macedo, ano de 1910)


I. – Lembra-te, filho, que hás de morrer.
Tu agora vês moribundos, assistes a funerais e exéquias, celebras Missa por defuntos; e não consideras que brevemente por ti se hão de fazer os mesmos Ofícios?
Passado pouco tempo, teu corpo será depositado na igreja com aquelas vestes com que todos os dias sobes ao altar, e será enterrado naquela sepultura de sacerdotes, sobre a qual passas tantas vezes. Dir-se-á: Morreu aquele sacerdote mundano...; depois com o melancólico som dos sinos acabará tua memória.
De quem serão as tuas dignidades, as riquezas, as comodidades, que com tanto afã procuraste gozará delas quem menos pensas. Se, passados poucos meses, poderás levantar da sepultura a cabeça, verias talvez tudo dissipado em loucuras e pecados.
Tua carne tão delicadamente tratada, será pasto de vermes; e tornar-se-á tão disforme teu corpo, que teu maior amigo não teria coragem de dormir uma noite, nem ainda estar poucas horas com ele, cerrado no mesmo aposento.
E que será feito da tua alma?...

II.- Reduzido ao triste espaço de uma cama, acabado para ti o mundo, acabará com ele também a ilusão. Então, à luz da vela benta, quão diferente juízo formarás das riquezas, dos prazeres, das honras, dos negócios do mundo, dos respeitos humanos, que tanto dominaram o teu coração? Confessarás que tudo era vaidade e aflição de espírito.
Valer-te-á então a ciência vã, a ociosidade, as palavras e maneiras estudadas; ou as boas obras e trabalhos, sofridos pela salvação do próximo? Escarnecerás da vida bem regulada dos sacerdotes mais exemplares; ou invejá-las-ás com a maior ânsia? Consolar-te-á o ter vivido uma vida mundana e inquieta; ou ter procurado a perfeição do teu estado?
Quantos sacerdotes de espírito vão e soberbo, conhecendo, naquele momento extremo, a grandeza das luzes e graças que receberam, dos deveres que não cumpriram e dos pecados que cometeram, se deram ao desespero por se não terem santificado!
Naquele momento, filho, não poderás emendar o passado; morrerás miseravelmente, como Anfioxo e Judas![1] Acabará o erro e a ilusão; mas também acabará o tempo!...

III. – Num instante te verás às portas da eternidade.
Oh! Quanto maior seria então o teu contentamento, se tiveras gastado o tempo, não na ociosidade ou divertimentos profanos, em ajuntamentos e conversações inúteis, e ocupado em negócios alheios a um eclesiástico; mas sim procurando a salvação das almas e fazendo dignos frutos de penitência!
Oh! Se naquele transe poderás haver um só de tantos dias perdidos, ou ainda uma só hora para alcançar perdão, graças e coroas de glória! Mas não, filho, não te será concedido mais nem um instante de tempo; não gastarás mal quando era teu! Então não sabias em que matar o tempo; os dias te pareciam anos; nunca chegava a noite. Eis de todo acabado o tempo: estarás satisfeito?!...[2]
Considera por um pouco qual o estado em que te acharias, se agora te colhesse a morte! E porque não te resolves já a fazer o que naquela hora quiseras ter feito?
Fui Eu que disse, filho, e te repito ainda como bom pai: - Faze o bem enquanto é tempo, antes que te surpreenda a eternidade; porque então principiam as trevas da noite, em que já não é possível trabalhar!...[3]

Fruto. – Reflete bem se, sendo agora assaltado pela morte, tua consciência estaria tranqüila; senão, tranquiliza-a sem demora. Paga dívidas, corta pela raiz o mal, fugindo da ociosidade, daquela ocasião, daquela companhia, daquela casa, reconciliando-te com aquelas pessoas, etc.
Confessa-te, como se fora a última confissão que houveras de fazer; celebra o santo sacrifício da Missa, comungando nele como se fora por viático; recita a ti mesmo as orações Commendationis animae, que se acham no fim do Breviário.
Em tuas obras e resoluções pergunta a ti mesmo: se eu agora tivesse de morrer, faria isto?
Santo EDMUNDO, arcebispo de Cantuária, estando no leito da morte, quando avistou o SS. Viático, que tinha pedido com grande instância, exclamou com grande afeto, estendendo-lhe os braços: Sois Vós, Senhor, aquele em que tenho crido sempre, e quem tenho pregado: Vós sois testemunha de que só a Vós tenho buscado em toda a minha vida. Eu não tenho desejado outra coisa, nem desejo senão fazer a Vossa santa vontade. 



[1] ...Plaga divina admonitus,... Antiochus  aiebat: Reminiscor malorum, quae feci;... et propterea invenerunt me mala: justum est subditum esse Deo. Pollicebatur autem Templum sanctum optimis se donis ornaturum... super haec, in omnem terrae locum praedicaturum Dei potestatem,... Orabat autem scelestus ille Dominum, a quo non esset misericordiam consecuturus. (1.° MACHAR., VI, 12 e seg.; e 2.°, IX, 13.)

[2] Amittere tempora tanta, perdere tanta lucra! Nihil pretiosius tempore: sed heu! nihil hodie vilius aestimatur. Transeunt dies salutis, et nemo cogitat: nemo sibi non redditura momenta periisse causatur. (BERNARD., Declam. 16.)

[3] Quia igitur momentis suis horae fugiunt, agamus, ut in boni operis mercede teneantur. Audiamus quid sapiens Salomon dicat: Quodcumque potest manus tua facere, instanter operare; quia nec scientia, nec ratio, nec sapientia erunt apud inferos, quo tu properas. Eccles., IX, 10. (S.GREG., Homil. 13.)

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Cristianismo e Natalidade


Porque é que sou católico,
Jean Guiraud
redator chefe de "La Croix"
1930

Aí está como estabelece o cristianismo o problema da natalidade, dando-lhe uma solução clara e inelutável.
Fácil é de ver-se que é a única eficaz, comparada às que nos apresentam economistas e moralistas leigos.
Os economistas vêem na natalidade um fato de observação. Induzem-nos as suas estatísticas a acompanharem a marcha ascendente ou descendente dos nascimentos, e dos seus resultados tiram eles conclusões de ordem utilitária que longe estão os de desprezar ou rejeitar.
Há superpopulação? Preconizam a emigração, a criação de colônias de povoamento destinadas a receber os enxames da mãe pátria. Outras vezes, são os primeiros a pregar, eles também a restrição voluntária da população, com todas as desordens físicas ou morais que daí provém.
Há decrescimento de população? É, desgraçadamente, em proporções funestas, o caso da França - excogitam eles meios puramente materiais para compelir à natalidade. Ensinar-se-á a higiene aos esposos, como ensinada já foi aos rapazinhos da escola e aos moços do quartel, fora de qualquer idéia moral e sobrenatural. Multiplicar-se-ão as leis em favor das mulheres grávidas e das puerperais, bem como socorros médicos gratuitos para elas em casa e na fábrica. Além disso, subvenções que as ajudem a criar os filhos, prêmios para cada um deles, afim de que os haja em quantidade. Esses prêmios elas os conservarão enquanto tiverem filhos a seu cargo e serão completados para as famílias numerosas com isenções parciais de impostos, abatimento nos preços de viagens e outros proventos materiais. Enfim, para maior honra e glória das mães fecundas, medalhas e condecorações. Os moralistas leigos ou neutros - por esses últimos entendo aqueles que, sendo católicos por conta própria, não ousam declarar-se tais na vida política e social - acrescentam a essas vantagens materiais considerações de ordem moral. A restrição da natalidade é antipatriótica; priva de soldados a defesa nacional e de braços a lavoura. Mister se torna chamar à vida filhos numerosos para que possua a França um poderoso exército e contenha as fábricas operários em abundância. Proclama-se então que se os casais não se derem por achados com semelhantes advertências que lhes chovem dos congressos e reuniões acadêmicas, adeus França! - ultrapassada pela concorrência, e brutal ou pacificamente invadida pelos países de mais forte natalidade.
Não contradigo em nada a essas estatísticas, a essas reformas e a essas exortações; tudo isso é a pura verdade. Pensam, porém, que esses prêmios todos e esses sermões leigos e patrióticos farão nascer uma criança, - sejamos largos! - muitas crianças mais?
Minha fé me deu a resposta. Criei dez filhos, um dos quais morreu pela França; ora, nunca, ao chamar um deles à vida, ao saudar jubiloso o seu nascimento, me passaram pela cabeça prêmios que me poderiam caber ou rebate de preço a que teria direito quando viajasse. Nem sequer pensei eu no aumento do nosso exército ou da nossa classe operária, porquanto alguma unidade a mais no meu lar não lhe teria feito crescer sensivelmente o número. Uma consideração, uma só me fez aceitar o encargo, os cuidados, as responsabilidades de uma família numerosa, como os fez aceitar também aquela que mais pesadamente ainda os deveria sentir: a consideração desses dois preceitos divinos: Crescite et multiplicamini. Crescei e multiplicai-vos. Não farás do casamento uma devassidão: non moechaberis. Foi a certeza de que se violasse eu esses artigos certos de uma lei moral indiscutível, mentiria à minha fé e me excluiria eu próprio de toda a vida cristã.
O mesmo se diga da maior parte dos pais e mães de famílias numerosas. Não lhes é mister larga e profunda reflexão para reconhecerem que uma subvenção, uma isenção fiscal não representam mais que uma ínfima parte das despesas que ocasiona a vinda de um filho, a sua mantença, a sua educação, o seu estabelecimento na vida, e ainda quando exonerados fossemos de todas as despesas que acarreta, quem nos pagaria a nós os cuidados de toda a sorte que nos traz: cuidados de saúde que debruçam a mãe à beira de um bercinho donde uma frágil vida ameaça evadir-se, cuidados de educação, cuidados da formação do caráter, cuidados da orientação material e moral, que a gente lhes quer dar a vida. Nada disso pode ser representado por uma soma em dinheiro nada, e havemos de chegar a essa conclusão que as vantagens materiais que se oferecem com razão aos lares fecundos, ajudam-nos, é certo, no seu pesado encargo, mas criar esses lares, não os criam.
Certo universitário que consagrou toda a vida a causa das famílias numerosas, e que o fazia como estatístico e moralista leigo, Rossignol, reconheceu-o com lealdade que lhe é honrosa, mas que lhe valeu, da parte de Herriot, a cassação do seu título de professor honorário. Proclamou assim que o problema da natalidade é antes de tudo um problema religioso e que é a fé, com a sua moral sobrenatural, que povoa os lares. Confirmam-no as estatísticas, a seu modo, uma vez que constatam que os países de forte densidade são os crentes, os que põem os atos de acordo com as crenças, ao passo que os países que se despovoam são aqueles que perderam a fé ou se acham prestes a perdê-la. Assim, a vida da natureza brota da vida sobrenatural!
“Nem sempre quem faz a festa paga o pato”, - dizem às vezes os nossos adversários, exprobrando à moral que aconselha tão energicamente a natalidade, não dar também à família os meios de lhe suportar os encargos.
Erro proveniente de uma visão superficial desse grave problema! O que traz a depopulação é um certo grau de civilização em que o amor do prazer e a procura de gozos materiais se estenderam a todas as classes da sociedade. Nesse caso, o materialismo suprimiu ou singularmente enfraqueceu todo ideal e os sacrifícios que ele impõe. A esse ponto chegaram a maior parte dos países, mas obrigam-nos as estatísticas a reconhecer que, mais do que qualquer outro, está a França alcançada nas próprias fontes da vida por essa sede do prazer e essa preamar do materialismo.
Escutai-me só essa jovem noiva, a declarar cinicamente tanto ao noivo como aos pais que filhos ela não os quer! Não é lá para isso que se casa, senão para gozar a mais ampla independência. Levar a sua vidinha como ela muito bem o entende, ir aos lugares, aliás já muito raros, aonde não põe ainda os pés uma moça solteira, music-halls, bailes sugestivos. Quer levar vida mundana, matinês, soirées, receber, ser recebida; levar vida esportiva, andar de auto, guiar, viajar, caçar no outono, partir para o Carnaval de Nice, fazer cruzeiros. Que sei eu ainda? A mulher moderna quer ter todos os prazeres do homem, sem abrir mão está claro, dos que lhe eram, até hoje, particularmente reservados. Ora, não é nada fácil praticar tudo isso, quando a gravidez desmancha a cintura, embaraça os movimentos e condena por vezes à imobilidade essa juvenil criaturinha que vive a sonhar com a agitação e o bulício. Um filho em perspectiva, mas que calamidade!...

Se lhe é mister que tenha um, para satisfazer uma necessidade todo material de afeição, brincar com ele de boneca arrebicando-o como um animalzinho de luxo vá lá mas quando se tiverem esgotados todos os outros prazeres! Muitas jovens senhoras se tornam mães, como muitos rapazes se casam, para, porem um paradeiro e recolher-se à invalidez; mas ainda assim com a condição de não recomeçar. Uma vez, a gente ainda tolera, por uma necessidade de afeto e para alegrar a casa com um pimpolhinho engraçado - contanto, já se entende, que não venha dar por aí muito trabalho.
Prestai agora atento ouvido a essa mulherzinha do comércio. Filhos, meu caro senhor, como quer que os tenha? Meu marido necessita de distrações, depois da faina diária. Quem passou horas e horas na loja a aturar fregueses, pode lá suportar, à noite, choradeira de criança? Aos domingos, sente ele falta do seu girozinho de automóvel, da sua excursão, ou então do seu teatro ou do seu cinema; e eu tenho de acompanhá-lo, senão toca-se para os clubes e aí temos, já se sabe, antigos hábitos, antigas relações que reaparecem. Como fazer tudo isso com um filho pequeno? Para ser verdadeiramente companheira do homem, deve a mulher renunciar à maternidade, ou não aceitá-la senão tardiamente... uma única vez.
E, depois, filhos custam dinheiro. Têm de andar vestidos direitinho, precisam de nurses e amas secas, que estão pela hora da morte. A sua formação física e a sua educação eis aí o pior dos cativeiros. Quem quiser, verdadeiramente, ocupar-se disso, deverá renunciar a tudo mais, como uma moça que se mete a freira. Basta alterar um nada algumas palavras e aí teremos a linguagem do marido, fazendo eco à da mulher. E, quanto mais rico mais quer gozar e mais se quer desvencilhar do que seria para ele um obstáculo permanente ao gozo: um filho.
Assim é que, cada vez mais, as mais abominadas práticas vão tornando infecundos numerosos lares, onde reina a abastança, não só, mas a riqueza e o luxo.
O aborto - já que é mister chamá-lo pelo nome - o aborto está hoje espalhadíssimo nas altas classes sociais e certa “faiseuse d’anges" só não foi processada porque viria, com suas revelações, comprometer e lançar ao descrédito público damas da alta sociedade, quiçá esposas dos próprios juízes encarregados de a julgar. Fácil nos fora um rol de nomes, em abono dessa afirmativa.
Quando semelhantes espetáculos de desmoralização são dados por esposos que, dispondo embora de todos os recursos materiais para educarem numerosos filhos, preferem reservá-los para a exclusiva satisfação dos seus prazeres egoísticos, que dizer dos que devem dia e noite labutar para o granjeio do pão quotidiano? Esses, antigamente, não, eram calculistas, e ainda hoje em dia, nos países que conservaram com a fé cristã as antigas tradições, dizem eles que Deus abençoa as famílias numerosas; mas, com Deus, eliminadas foram as Suas bênçãos e nada mais resta senão o calculo egoístico, o interesse pessoal.
Escutemos, pois, aquela operária que não quer saber de filhos, aquele operário que se tornou pai, mal grado seu, porque se "enganou"! "Como quer o senhor que tenhamos filhos? Cá a mulher tem de trabalhar como eu para ganhar a vida. Se agora me vai ficar como um estafermo em casa, nos 4 meses que antecedem um nascimento e se o pimpolho lhe consome o tempo, aí estão outros tantos recursos que se vão, justamente quando a presença do recém-chegado nos vem aumentar as despesas! Além disso, o jovem trabalhador "consciente", não dispensa também as suas distrações do domingo: o cinema, a pesca, o esporte, o futebol, o passeio ao campo, o pic-nic, e a mulher, naturalmente, quer acompanhá-lo. Acaso não tem ela os mesmos direitos que o marido? Porque então, enquanto se põe ele ao fresco iria ela ficar aferrolhada em casa diante de um berço? O homem é fraco e mister se torna guardá-lo, mormente hoje em dia, quando as relações são tão fáceis e as ligações também.
Aí tendes as razões pelas quais, nos meios populares, se declara impossível ao "trabalhador" ter filhos e educá-los e são olhados com tamanho desprezo os que dão prova de imprevidência, encarregando-se de uma prole mormente quando numerosa. Aí também, nesse meio, se vão multiplicando, cada vez mais, as práticas nefandas que atiram muitas vezes a mulher ao hospital e dali ao cemitério e seus cúmplices à barra dos tribunais, que as mais das vezes, os absolvem. Seria preciso punir tanta gente que quase já não há mais a audácia de processar!
A moral católica não se contenta com a condenação de semelhantes extravios, mas trata ainda de preveni-los, extirpando o mal pela raiz. No fundo de todos esses raciocínios malthusianos, lá está sempre a ânsia dos prazeres e o desejo de alcançá-los a todo o transe. Mostrar a vaidade desses prazeres que entre tantas outras penas, custam, na idade madura, a mágoa de um lar sem filhos; provar que a maior parte das exigências que se julgam de primeira necessidade são apenas fictícias, mero resultado de seduções, às quais não tivemos coragem de resistir, e que, afinal, vivia a gente, e até com grande sossego de alma e de coração, quando não havia nem auto, nem cinema, nem corsos, nem matches, nem rubgy, nem tênis; capacitar-se um homem de que as alegrias domésticas são muito mais profundas, para quem as sabe apreciar, do que esses prazeres em voga, produtos quase sempre da pedanteria e do esnobismo, aí estão alguns do pensamentos da Igreja.
Mas, sobretudo, por sua doutrina, suas práticas religiosas, seus sacramentos, opõe a Igreja, como um dique, a essa vaga de sensualismo grosseiro, o espírito de sacrifício e a confiança em Deus.
Se há uma Providência que nutre as avezinhas do céu, como deixaria de havê-la para as famílias que têm a galhardia de assumirem o encargo de filhos numerosos?
Não se contenta ela com distribuir-lhes o sustento quotidiano, tal como, outrora, a São Bento, no seu ermo, fazia chegar, por meio de um corvo, um pão, todos os dias; ascende no coração dos pais e das mães a coragem, a energia para o trabalho, a privação e o sofrimento, se mister for, para assegurar aos filhos o necessário à própria subsistência. Ensina-lhes o espírito de sacrifício e de devotamento, mostrando-lhes que neste mundo estamos não para gozar e corromper pelo prazer e o egoísmo o nosso coração, mas para nos dedicarmos aos outros e, sobretudo àqueles que são o fruto de nossas mais caras afeições, os filhos.
Aos olhos dos pais ainda expõe, com a Imagem do Crucificado, os sublimes exemplos e ensinamentos d'Aquele, cuja vida inteira não foi mais que um sacrifício continuado que teve por termo o mais doloroso de todos: o sacrifício do Calvário. As resoluções que assim inspira, ela as sustenta, dia a dia, mediante a prática desses socorros divinos que se chamam os Sacramentos, com esse manjar celeste que se chama o Pão dos fortes, o pão vivo que dá a vida ao homem “parus vivus vitam praestans homini"
Aí está como não se contenta a fé cristã com apresentar aos lares cristãos a lei da natalidade; combate ainda todos os maus sentimentos todas as paixões más que a ela se opõem e desperta na alma dos esposos santas energias que lhes dão força para executá-la, mal grado todos os óbices materiais.
Fato surpreendente e que deve provocar as reflexões de todo homem que pensa: promovendo assim o bem moral e sobrenatural da família, promove-lhe a fé, muitas vezes, o próprio bem estar material. As energias que nela desenvolve, couraçando-a para as lutas da vida e para o trabalho, sustentam-lhe a coragem, em meio das dificuldades e das decepções, sugerem-lhe felizes iniciativas, prosseguidas com confiança e tenacidade, e de tudo isso sai muitas vezes a prosperidade e até mesmo a riqueza. Não estará aí o segredo dessa potência econômica que ostentam as famílias numerosas do Norte da França? Favoreceu-as, dir-se-á, um conjunto de circunstâncias, tiveram o gênio do comércio e da indústria. Que dúvida! Mas aqueles que as fundaram e levaram a sua prosperidade tão alto que se espalha hoje pelo país inteiro, esses tiveram, primeiro que tudo, confiança na Providência, amor ao trabalho, o senso do esforço, qualidades todas que hauriram da sua fé, dia por dia, nas práticas religiosas, que lhes comunicaram a um tempo a força de fundar um lar fecundo e de lhe proporcionar quanto era necessário, com superabundância. 

Doutrina Cristã - Parte 6

Monsenhor Francisco Pascucci, 1935, Doutrina Cristã
tradução por Padre Armando Guerrazzi, 2.ª Edição, biblioteca Anchieta.

 CREDO
Art. IV. - Padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado.

Os Inimigos de Jesus

31. - Jesus era o Messias prometido. Devia resgatar os homens da escravidão do pecado e do demônio, reconciliá-los com Deus, ensinar-lhes o caminho do céu e os meios para consegui-lo. Os Hebreus esperavam também pelo Messias, mas faziam dele uma idéia errada, supondo que os devesse libertar do jugo dos Romanos e restabelecer um reino terreno mais esplendoroso que o de Salomão.
Jesus com a Sua pregação não deixava de combater fortemente o vício e desmascarar a hipocrisia das várias seitas, que dominavam na Judéia, e especialmente a dos fariseus (separados). Enquanto aparentavam estes o máximo respeito à lei, eram, no coração, cheios de vícios, de tal modo que o Senhor os chamava sepulcros caiados.
Foram eles precisamente, que, aliados aos grandes da nação - sacerdotes e escribas - decidiram matar a Jesus; e o povo, fácil em deixar-se arrastar e mui débil, embora amasse e seguisse a Jesus, de quem fora tão beneficiado - deixou-se vencer e chegou a pedir a morte de seu benfeitor.
O Filho de Deus Se encarnara para sofrer e morrer pelos homens, a fim de satisfazer à divina justiça, ofendida pelo pecado e de par em par nos reabrir as portas do céu. Como chegara o tempo estabelecido pelo Padre, deixou que a malvadeza dos inimigos, a que outras vezes se subtraíra, tivesse livre curso contra Ele.

Oração no Horto

32. - Depois da última ceia, celebrada por Jesus com os Apóstolos, na quinta feira antes da festa de Páscoa, após a instituição da Eucaristia, começou o drama da Paixão.
Jesus, retirado em oração ao horto do Getsêmani, em face dos tormentos que entrevia num futuro próximo e, sobretudo em face dos pecados, qual responsabilidade tomava sobre Si, sofre por várias horas terrível agonia, e, não obstante o conforto trazido do céu por um anjo, espadana-Lhe do corpo santíssimo abundante suor de sangue.

A condenação

33. - Uma turba de soldados e ministros do templo, guiada pelo Apóstolo traidor, Judas Iscariotes, veio capturá-lO. Um beijo do traidor hipócrita dá a conhecer o Mestre aos soldados, que se apoderam d’Ele, O ligam e O conduzem ao tribunal de Anás, antigo sumo sacerdote, e dali ao tribunal do sumo sacerdote Caifás, onde se reunira todo o Sinédrio. Mal ouvidas umas poucas testemunhas de acusação, Caifás conjura a Jesus, em nome de Deus vivo, lhe diga se Ele é o Cristo Filho de Deus. Jesus responde: "Tu o disseste". A essa explícita declaração, o sumo sacerdote e todo o Sinédrio o declaram réu de morte. Como, porém, após a ocupação romana, não tivessem mais os Judeus direito de vida e de morte, Jesus Cristo foi entregue às mãos de Pôncio Pilatos, que, em caráter de Presidente, governava a Judéia em nome do Imperador Romano.
Pilatos mais de uma feita interroga a Jesus, e nada Lhe encontra para condená-lO à morte: procura libertá-lO; mas, finalmente, atemorizado pelas ameaças e pelos gritos do povo, que os grandes da nação instigavam, O condena a morte de cruz. Manda primeiro flagelar a Jesus Cristo, e, após ter lavado as mãos para declarar-se inocente daquele sangue a derramar, entrega-O aos soldados, para que O crucifiquem.

Caminho do Calvário. - Agonia e Morte

34. - Carregado do pesado madeiro da cruz, entre dois ladrões, condenados também à crucificação, Jesus foi conduzido ao Calvário, pequena eminência fora das muralhas da cidade, e, nesse local, O despojaram das vestes e O afixaram a uma cruz com duros pregos. Ergueram a cruz à vista de todos. E, nela, passadas três horas de sufocante agonia, Jesus, inclinando a cabeça, rendeu o espírito ao Padre, em presença de Sua Mãe santíssima, que, de par com o predileto discípulo João, se achava ao pé da cruz. Quando Jesus esteve a morrer, o sol se obscureceu, houve um terremoto fortíssimo e cindiu-se em duas partes o véu que encerrava o Santo dos Santos no templo de Jerusalém.
Consumava-se desse modo a Redenção do mundo, pela qual Jesus quisera suportar tantos sofrimentos, embora Lhe bastasse e fosse até superabundante um só suspiro Seu, por ser um ato de Deus e, por isso mesmo, de valor infinito.

Sepultura

35. O corpo exânime de Jesus, transpassou-O barbaramente ao costado a lança do soldado Longino, e, deposto da cruz por José de Arimatéia, foi sepultado num sepulcro novo, de pedra, que José de Arimatéia construíra para si no horto, junto ao Calvário. Por temerem os Judeus que os discípulos de Jesus lhe furtassem os despojos e proclamassem depois que Ele ressuscitara - obtiveram de Pilatos colocasse esbirros em guarda ao sepulcro, cuja pedra foi selada.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

As colunas de tua casa - Primeira coluna: a Fé!

As colunas de tua casa
um plano para a felicidade da família
pelo 


À luz da fé vêm os pais sua dignidade. Deus uniu-os. Cooperadores do Altíssimo na obra da criação, devem ser na terra Seus representantes perante os jovens filhos dos homens.
Sobre a cabeça lhes brilha a coroa que a mão de Deus lhes impôs, como diz tão lindamente Leo Sternberg a respeito de sua saudosa mãe, na poesia: Após a morte!
Quero ver minha mãe, uma vez ainda!

- Então a morte vem descobrir-lhe o semblante...

Mas como? Uma coroa cintilante.

A fronte lhe cingia?

E eu, cego, não a via?

Uma coroa de ouro no cabelo tinha?
- Não sabias então que era rainha? 
Sim, na verdade! Os pais - Deus fê-los reis. Dotou-os de um direito divino e por uma lei própria lhes protege a autoridade: "Honrarás pai e mãe!”.
À luz da fé o matrimônio se reveste de dignidade e santidade. Ela garante a fidelidade dos esposos até a morte; com força sobrenatural sustem a família e ergue-a do pó da terra e da esfera terrena ao periélio divino. Eis o triunfo da família; a santa fé!
Com a fé ela vence tudo, mesmo o mais penoso sofrimento e a mais dura provação.
É preciso renová-la. Há homens que esperam da fé despropósitos. Em sua opinião devia ser uma espécie de polícia de segurança contra toda a infelicidade, até contra suas próprias tolices e as misérias de que são culpados!
Uma religião, sem sexta-feira da Paixão! Se, entretanto, os atinge uma infidelidade ou qualquer dor dessa espécie, o Senhor Deus é simplesmente despachado e a fé como um lastro sem valor, atirado ao mar.
Como poderia também haver um Deus bondoso, que permitisse contrariedades?
Sempre somente céu sereno, nuvens jamais! "Sonnenschein" disse uma vez em suas  “Notícias" que essa espécie de gente trata Nosso Senhor como a Companhia Telefônica a seu assinantes: Se não pagam, a ligação é cortada. E quando se quer chamar, dizem: "A linha está interrompida".
Assim é de fato. Um triste papel reservam para Deus. Fazem-nO de criado, que só se pode reger pelos desejos e vistas curtas do patrão, exatamente como aquele general romano, que atirava sumariamente seus deuses no mar, quando não lhe faziam a vontade. 
Deus não é nosso servo obediente, que tenha de esperar e aguardar pacientemente atrás da porta os nossos acenos, até que o mandemos entrar: Temos de segui-lO, Ele jamais nos prometeu afastar de nós todo o mal, nem mesmo do mais piedoso casal e da família mais temente a Deus.
Ao contrário: - as palavras de Cristo hão de permanecer sempre integralmente:
"Quem quiser ser meu discípulo, tome sua cruz e siga-me!"
Primeiramente a sexta-feira da Paixão, depois então a Páscoa! À frente de todos, que carregam a cruz, segue Ele próprio, o inocente Filho de Deus e, com profunda mágoa, a Mãe Dolorosa. Mais de uma vez tive de lembrá-lO a algum pobre mortal desanimado e alquebrado, sob o peso da cruz, para revigorar-lhe o ânimo abatido.
O cristianismo e a graça de Deus não afastam o sofrimento. Porque também? - Acaso o sol dourado afasta da natureza as tempestades? Elas têm de vir, para que a vida não morra. Assim fica o sofrimento. Por causa do céu é necessário. Deve ser a escada, pela qual subamos, o fogo que separa do ouro a escória.
O matrimônio especialmente há de ser sempre, - como diz, na sua linguagem original, o celebre Abraão de Santa Clara, - uma procissão, na qual vão de certo os estandartes, mas a cruz vai à frente.
Que mal faz? Para quem com fé firme e filial confiança se abandona ao Deus fiel e bondoso, todas as coisas se tornam um bem.
Tudo o que lhe sucede, mesmo de adverso, é, entretanto no magnífico tapete, que a mão de Deus tece, de fios claros e escuros.