sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Preservação da fé

Cônego Júlio Antônio dos Santos
O Crucifixo, meu livro de estudos - 1950


6 - Preservação da fé

Devemos preservar a nossa fé

Devemos, pois evitar os perigos das conversas e leituras contra a religião e contra a moral.
O seu efeito pernicioso não se manifesta, muitas vezes, senão mais tarde. Há bombas que demoram a explodir.
Os alimentos pouco sadios com o uso prolongado vêm a destruir a mais robusta saúde corporal: é impossível que as más conversas e leituras, não produzam o mesmo efeito na alma.
“Metei-vos no fogo, diz santo Isidoro, e, de ferro que sejais, acabareis por vos fundir.”
Ninguém diga: Não tenho receio das tentações contra a fé; Jesus Cristo orou a fim de que a fé de Pedro não desfalecesse. Ora se era possível a Pedro vacilar na sua fé, a nós poderia acontecer-nos o mesmo.

7. - Profissão da Fé

1 - Devemos professar a nossa fé

1.º Deus exige que professemos a nossa fé.

1.º “Fazei brilhar a vossa luz diante dos homens, diz Jesus Cristo, a fim de que eles vejam as vossas boas obras, e dêem glória a vosso Pai que está nos Céus.”
2.º A nossa salvação exige que professemos a nossa fé.  - Àquele que me confessa diante dos homens, diz ainda Jesus Cristo eu o confessarei também diante de meu Pai que está nos Céus. Todo aquele que me renegar diante dos homens, eu renegarei também diante de meu Pai que está nos Céus.” (Mat. X, 32 e 33). “Se alguém se envergonhar de mim e das minhas palavras, o Filho do Homem se envergonhará dele também, quando vier na sua glória.” (Luc. IX, 26).

2.º Modo de professar a fé

Vejamos a maneira de professar a fé.

1.º Assistindo aos atos de culto, sobretudo na igreja paroquial aos domingos e dias festivos; obedecendo a todas as leis da Igreja; praticando publicamente obras de caridade.
2.º Não nos envergonhando de praticar um ato de religião quando é necessário afirmar a nossa fé; não o fazendo perante os tribunais seria uma apostasia ou renúncia à fé; e não o fazendo também diante das pessoas ímpias ou indiferentes com receio de ser escarnecido, seria respeito humano.
3.º Não renegando a fé, nem diretamente por atos ou por palavras; nem indiretamente pelo silêncio, quando era preciso falar, nem pela abstenção quando era preciso operar.
4.º Não alterando a fé com superstições.
5.º Não abandonando a fé para se filiar em associações condenadas pela Igreja.


Conservação da fé


Cônego Júlio Antônio dos Santos
O Crucifixo, meu livro de estudos - 1950


5 - Conservação da fé

1 - Devemos manter a nossa fé

A fé é uma luz que Deus pôs na nossa inteligência para nos mostrar de uma maneira clara e segura, o que devemos crer e praticar.

2 - Porque devemos manter a nossa fé

Esta luz é inalterável em si mesma, mas o demônio e as nossas paixões tendem a obscurecê-la, apresentando-nos razões com aparências de verdade para assim rejeitarmos a nossa fé.
Assim o nosso orgulho diz-nos que as verdades de fé são contra a razão e, por isso, não devemos acreditar nelas; a nossa sensualidade diz-nos que os ensinamentos da fé são impraticáveis por causa da nossa fraqueza.

3 - Como devemos manter a nossa fé
Devemos manter a fé:

1.º fazendo atos interiores e exteriores de fé;
2.º lendo e meditando a Sagrada Escritura;
3.º ouvindo a pregação da palavra de Deus e fazendo reflexões sobre ela;
4.º finalmente, fazendo boas obras. A fé é uma árvore que produz frutos e que se alimenta desses mesmos frutos, que são as boas obras.

Santos Inocentes, Mártires século I.

Fonte: Escravas de Maria

28/12 Sexta-feira

Festa de Primeira Classe
Paramentos Vermelhos


A Santa Igreja honra como mártires este coro de crianças, vítimas do terrível e sanguinário rei Herodes, arrancadas dos braços das suas mães para escrever com o seu próprio sangue a primeira página do álbum de ouro dos mártires cristãos e merecer a glória eterna, segundo a promessa de Nosso Senhor Jesus Cristo: “Quem perder a vida por amor a mim há-de encontrará-la.” Para eles a liturgia repete hoje as palavras do poeta Prudêncio: “Salve, ó flores dos mártires, que na alvorada do cristianismo fostes massacrados pelo perseguidor de Jesus, como um violento furacão arranca as rosas apenas desabrochadas! Vós fostes as primeiras vítimas, a tenra grei imolada, num mesmo altar recebestes a palma e a coroa.” O episódio é narrado somente pelo evangelista São Mateus, que se dirigia principalmente aos leitores hebreus e, portanto, tencionava demonstrar a messianidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, no qual se realizaram as antigas profecias: “Quando Herodes descobriu que os sábios o tinham enganado ficou furioso. Mandou matar em Belém e nos arredores todos os meninos de dois anos para baixo, conforme o tempo que ele tinha apurado pelas palavras dos sábios. Foi assim que se cumpriu o que o profeta São Jeremias tinha profetizado: Em Ramá se ouviu um grito: coro amargo, imensa dor. É Raquel a chorar seus filhos; e não quer ser consolada, porque eles já não existem” (Jer. 31, 15).Costumes medievais, que celebravam nestas circunstâncias a festa dos meninos do coro e do serviço do altar. Entre as curiosas manifestações temos aquela de fazer descer os cônegos dos seus lugares ao canto do versículo: “Depôs os poderosos do trono e exaltou os humildes.” Deste momento em diante, os meninos, revestidos das insígnias dos cônegos  dirigiam todo o ofício do dia. A Liturgia, embora não querendo ressaltar o dia teve no curso da história, e quis manter esta celebração, elevada ao grau de festa por São Pio V, muito próxima da festa do Natal. Assim colocou as vítimas inocentes entre os companheiros de Cristo, para circundar o berço de Jesus Menino de um coro gracioso de crianças, vestidas com as cândidas vestes da inocência, pequena vanguarda do exército de mártires que testemunharão, com o sangue, a sua pertença a Cristo.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Doutrina Cristã - Parte 1 (ESPECIAL)

Nota do blogue: Iniciarei hoje a transcrição de um ótimo catecismo escrito por Monsenhor Francisco Pascucci, 1935, Doutrina Cristã, tradução por Padre Armando Guerrazzi, 2.ª Edição, biblioteca Anchieta.

Que a leitura desse Catecismo nos ajude na busca por santidade, ao conhecermos mais e assim, amarmos mais a Deus e a Sua santa doutrina! 

Indigna escrava do Crucificado e da SS. Virgem,
Letícia de Paula


Prefácio do Autor

A publicação presente quer vir ao encontro de um desejo, várias vezes manifestado, mesmo por pessoas autorizadas, acerca de um texto que, breve e claro, desenvolvesse o programa proposto pela Comunhão catequística diocesana de Roma para o curso médio-inferior. 
É fruto de longa e madura experiência.
Há muitos anos que o ensino da doutrina cristã vem sendo o assunto preferido de nossa atividade sacerdotal, no vivo desejo de que as almas juvenis encontrem o caminho, a verdade; a vida no conhecimento de Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador.
Ousamos, pois, esperar não seja vã esta humilde fadiga.
Para colimar o seu escopo, não podia o texto ser mais breve.
Quanto à ordem e clareza, di-lo-ão aqueles a quem é destinado o livro. Pelo que nos toca, pusemos-lhe amorosamente o máximo cuidado, no intuito de sermos úteis aos que seguem o programa do curso médio inferior nas escolas secundárias, mas particularmente aos alunos desejosos de participarem das disputações diocesanas, assim como aos que se preparam para conseguir o diploma do ensino de religião no curso elementar.
Encontrarão aqui os professores a ordem a seguir nas lições e em gérmen as questões que lograrão desenvolver conforme a capacidade dos ouvintes; os discípulos terão um processo para mais facilmente fixarem os pontos fundamentais do programa desenvolvido no decurso do ano.
Não nos resta senão solicitar de Jesus, divino Mestre, que tem por sobremodo caros os meninos, uma grande bênção para ser fecunda a nossa boa vontade, afim de que, pelo assíduo estudo do catecismo, inúmeras almas de adolescentes saibam conhecer, amar e fielmente servir ao Senhor.

Mons. Francisco Pascucci

PARTE I
I. - RELIGIAO

1. - O cristão, isto é, aquele que, batizado, deseja seguir verdadeiramente a Jesus Cristo, professar-Lhe a fé e praticar-Lhe a santa lei, deve conhecer o necessário para conseguir o seu fim, isto é a vida eterna. Tudo isso, ele o aprende pelo estudo da Religião.
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A palavra Religião, segundo alguns, deriva de relégere, isto é, tratar com cuidado, porque o homem religioso cuidadosamente trata das coisas de Deus; segundo outros, vem de religare, ligar, porque tem por fundamento o vínculo que liga o homem a Deus.
Esse termo, que pode oferecer vários sentidos, define-se em geral: "O complexo das relações que, ligam o homem a Deus".
Tais relações podem referir-se à vontade e à inteligência: - pela inteligência, temos as verdades a crer: pela vontade - a moral - isto é, as leis a observar.
De dois modos é possível adquirir-se o conhecimento dessas verdades e dessas leis: - simplesmente, como faz qualquer bom cristão, pelo estudo elementar do catecismo; cientificamente, apresentando as provas do que se deve crer e do que se deve praticar.
O estudo científico da Religião diz-se Apologética. É necessário ao cristão para dar a razão da sua fé e das suas práticas religiosas, assim como para saber responder aos contraditores da Religião.
A Apologética apresenta-nos a demonstração dos fundamentos da nossa fé e, especialmente, da existência de Deus.

II. EXISTENCIA DE DEUS

2. Muitos argumentos poderiam ser aduzidos para demonstrar a existência de Deus: - nós, pelo caráter do nosso tratado, nos limitaremos apenas a dois argumentos, dos mais fáceis, deduzidos da ordem do universo e dá existência da lei moral, reforçados pelo argumento do consenso universal do gênero humano.

1. - A ordem do universo

Todo efeito exige uma causa proporcionada a si mesma. Conseguintemente, onde houver ordem, há de ter havido um ordenador, isto é, uma inteligência que tenha ideado essa ordem e uma vontade que a haja querido assim.
Ora, há, no universo, uma admirável ordem, seja na estrutura íntima de cada ser, seja no conjunto das várias coisas harmonizadas entre si.
Logo, o universo é obra de um supremo ordenador, a quem chamamos - Deus.
Assim raciocina a própria criança, ao ver ordenados ao fim de marcar horas os maquinismos de um relógio: - não pode supôr que o relógio se haja formado por si ou como um efeito do acaso, mas o atribui a um relojoeiro.

2. - A existência da: lei moral

Todo homem sente em sua consciência uma lei que lhe impõe fazer o bem e fugir ao mal.
Toda lei supõe um legislador.
Ora, esse legislador não podemos ser nós mesmos, porque observamos que, pelo contrário, a nossa natureza mal suporta essa lei e quisera, antes, que tal lei não existisse; - não a sociedade, porque todos os homens, superiores ou súbditos, sentem em si tal lei.
Por ser, pois, lei universal, deve provir de um legislador acima e fora de toda a humanidade: - esse legislador é Deus.

3. - Consenso universal dos povos

Atesta-nos claramente a História que a existência de Deus foi admitida em todos os países e em todos os tempos. Os homens terão podido talvez errar quanto ao modo como formarem um conceito da divindade! mas foram sempre acordes em admitirei a existência.
Essa crença não pôde derivar do temor, porque se não teme um ser, cujo atributo principal é a bondade; - não da ignorância, porque a professam e comumente a admitem doutos e ignorantes; - não das paixões, porque a existência de Deus é, para elas, antes um incômodo.
Logo, urge concluir que foi imposta pela evidência objetiva, percebida pela razão.
O consenso universal dos povos vem, assim, dar uma conformação aos dois argumentos precedentes e constitui uma demonstração indireta da existência de Deus.
Aos argumentos da razão ajunta-se o argumento da fé por quanto o próprio Deus Se revelou ao homem de modo sobrenatural, Ele que Se revelara já ao homem por meio de Suas obras naturais.

III- A REVELAÇÃO

Definição. - Possibilidade. - Necessidade

3. - A Revelação é a manifestação de algumas verdades, feita por Deus à criatura inteligente.
A revelação é possível,
quer por parte de Deus, por que Ele é a Bondade infinita, sequiosa de comunicar-Se a criatura;
quer por parte do homem, por ser o homem inteligente, e, por isso mesmo, capaz de recebê-la.
Era necessária a revelação? Convém distinguir duas espécies de necessidades e duas espécies de verdades.
A necessidade pode ser absoluta ou física, ou pode ser necessidade moral.
Uma coisa é necessária de necessidade absoluta ou física, quando, sem ela, absolutamente se não pode conseguir o fim; por exemplo, a luz nos é absolutamente necessária para vermos os objetos.         
Uma coisa é necessária de necessidade moral, quando, sem ela, poderia conseguir-se o fim, mas imperfeita e dificilmente; por exemplo, a instrução, dada pelo professor, é necessária para eu aprender, embora por mim mesmo eu pudesse estudar.
Além disso, cumpre distinguir entre verdades de ordem natural, que formam a Religião natural, e verdades de ordem sobrenatural, que formam a Religião revelada.
No que respeita às verdades de ordem natural, que o homem, com suas forças naturais, lograria conhecer (existência de Deus, alma, eternidade, modo de honrar a Deus, etc.), a revelação só era necessária moralmente, enquanto a razão humana teria, sim, podido, sem ela, conhecer essas verdades, mas com dificuldade, muito imperfeitamente e exposta a muitos erros. Porque não possuem todos engenho suficiente, nem terão todos vontade e tempo de se aplicarem a estudá-las; e todos nós somos sujeitos a errar.
No que, porém, se refere às verdades de ordem sobrenatural, a revelação foi necessária absolutamente, porque o homem, munido apenas das forças naturais, não poderia conhecê-las, e, por outro lado, tal conhecimento lhe era necessário para obter o fim sobrenatural a que Deus, por bondade, o elevara.

4. - Períodos da Revelação

4. - Deus não revelou de uma só vez ao homem todas as verdades religiosas; mas fê-lo gradativamente.
Daí, três períodos na divina revelação: - primitivo ou patriarcal, mosaico e cristão.
O período primitivo ou patriarcal vai da criação a Moisés: - nele, falou Deus aos patriarcas revelando-lhes algumas verdades e vários preceitos, entre os quais os da lei natural.
A revelação, deviam conservá-la na consciência e passá-la de geração a geração, para o que sobremaneira contribuía a longevidade dos Patriarcas.
O período mosaico vai de Moisés à vinda do Redentor, - e, neste, falou Deus ao povo eleito por meio de Moisés e dos profetas, revelando-lhes novas verdades, sobre dar-lhes, em duas tábuas de pedra, a lei escrita.
O período cristão abrange a revelação feita pelo nosso Redentor divino, que aperfeiçoou a revelação primitiva e a revelação mosaica no tocante às verdades ensinadas e aos preceitos da lei natural, e cumpriu as promessas contidas nas revelações precedentes.
Com a morte do último apóstolo, São João Evangelista, encerrou-se a revelação. Depois desta, não há mais verdades novas a revelar.
Quando, pois, a Igreja docente nos define uma verdade de fé, não acrescenta verdade nova ao depósito da revelação, mas apenas define, isto é, declara, de modo a ninguém poder duvidar, que aquela verdade estava já implícita na revelação, e desta lhe deduz as provas.

5. Fontes: Sagrada Escritura e Tradição

5. - São fontes da revelação divina – A Sagrada Escritura e a Tradição.
A Sagrada Escritura ou Bíblia é o complexo dos livros escritos por inspiração de Deus e declarados tais pela Igreja.
A Sagrada Escritura tem por autor primário a Deus, e, como simples instrumento, o escritor.
Deus não ditou uma por uma todas as palavras ao escritor, mas inspirou-o, isto é, iluminou-lhe a mente nas coisas que Ele queria fossem escritas, moveu-lhe a vontade para escrever e assistiu-lhe de tal modo que não errasse em nos comunicar o divino ensinamento.
Além do que os livros da Sagrada Escritura também gozam de autoridade humana: - considerados ótimos documentos históricos, porque são genuínos, isto é, do autor da época a que se atribuem, ou, pelo menos, não publicados como obras de outros autores ou de outras épocas: são verazes, isto é, não enganam e não querem enganar; são íntegros, isto é, chegaram até nos tais quais saíram das mãos de seus autores.
Os livros da Sagrada Escritura dividem-se em Velho e Novo Testamento.
A palavra Testamento significa pacto ou aliança:
o Antigo Testamento é a aliança de Deus com o povo hebreu;
o Novo é a aliança de Deus com a humanidade inteira, aliança selada com o sangue de Jesus Cristo.
Em cada Testamento, dividem-se os livros em históricos, proféticos e sapienciais.
Os principais livros históricos do Novo Testamento são os quatro Evangelhos escritos por São Mateus, São Marcos, São Lucas e São João.
A Igreja, mestra infalível, dá-nos o Canon, a saber - a lista autêntica dos livros divinamente inspirados. Segundo esse Canon, sancionado pelo Concilio Tridentino, compreende a Bíblia 71 livros - 44 pertencentes ao Velho Testamento e 27 ao Novo.      
A Tradição é o ensino de Jesus Cristo e dos Apóstolos, feito de viva voz, e transmitido, sem alteração, até nós, pela Igreja. A Tradição é uma fonte de revelação, anterior e mais vasta que as Escritura, e merece a mesma fé.
Encontra-se a tradição nos símbolos e nas profissões de fé, nos atos dos Concílios, nos escritos dos Padres da Igreja, na prática geral e constante da própria Igreja, na liturgia, etc, Assim como a Sagrada Escritura, a Tradição foi também confiada ao magistério infalível da Igreja.

6. - Caracteres internos e externos

6. - Os caracteres, para se reconhecer se uma verdade ou um complexo de verdades, e, portanto, da religião, são revelados, uns são internos, externos outros.
A. - Os caracteres internos são negativos ou positivos.
Os caracteres negativos consistem em que não pode ser revelada uma doutrina que encerre contradições ou coisas contrárias à reta razão ou aos bons costumes; e, pelo contrário, pode ser revelada, desde que esteja plenamente em harmonia consigo mesma, com a razão e com a regra dos bons costumes.
Os caracteres positivos consistem em santidade, sublimidade e pertinácia de doutrina tais como não as poderia sequer imaginar a mente humana.
B. - Os caracteres externos são os milagres e as profecias, enquanto aqueles e estas somente poderiam provir de Deus; sendo revelada a doutrina à qual Deus apôs tal selo.

Santo Estevão, Mártir.

Fonte: Escravas de Maria

26/12 Quarta-feira
Festa de Primeira Classe Oitava de Natal
Paramentos Vermelhos


Santo Estevão, seu nome vem do grego Στέφανος (Stephanós), o qual se traduz para aramaico como Kelil, significando coroa - e Santo Estêvão é, de resto, representado com a coroa de martírio da cristandade, recordando assim o fato de se tratar do primeiro cristão a morrer pela sua fé - o protomártir. Alguns da sinagoga se levantaram a disputar com Estevão, mas não podiam resistir à sabedoria e ao Espírito que nele falava. Então subornaram alguns homens, que agitaram o povo. Levaram-no ao conselho e apresentaram falsas testemunhas, que disseram: “Este homem não cessa de proferir palavras contra o lugar santo e contra a lei”. (Atos 6,8-13). Ele, porém, disse: “Irmãos e pais, escutai. O Altíssimo não habita em edifícios construídos por mãos de homens, como diz o profeta: “O Céu é o meu trono e a terra o escabelo dos meus pés. Que casa me edificareis?” diz o Senhor, “ou qual é o lugar do meu repouso? Não fez porventura a minha mão todas estas coisas?” Homens de dura cerviz e de corações e ouvidos incircuncisos, vós sempre resistis ao Espírito Santo; assim como agiram vossos pais, assim o fazeis também! A qual dos profetas não perseguiram vossos pais? E mataram até os que anunciavam a vinda do Justo, do qual agora fostes traidores e homicidas, vós que recebestes a lei por ministério dos Anjos e não a guardastes”. Ao ouvir, porém, tais palavras, enraiveceu-se-lhes o coração e rangiam os dentes contra Estevão. Mas como estava cheio de Espírito Santo, olhando para o céu, viu a glória de Deus e Jesus à destra de Deus. E disse: “Eis que estou vendo os céus abertos e o Filho do Homem à direita de Deus”. Então, levantando uma grande gritaria, taparam os ouvidos e, todos juntos, arremeteram com fúria contra o santo diácono e, tendo-o lançado para fora da cidade, apedrejaram-no; e as testemunhas depuseram os mantos aos pés de um moço, que se chamava Saulo.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Da virtude mais necessária aos capitalistas

Nota do blogue: Acompanhe esse Especial AQUI.

Padre Júlio Maria, C.SS.R.
As virtudes, 1936.

Começo pela mesma observação preliminar que fiz na conferência anterior. É livre a quem quer que seja, não obstante a tríplice e magnífica certeza, histórica, experimental e psicológica, da divindade de Jesus Cristo, recusá-la. O que, porém, ninguém pôde fazer, porque isso não permite o senso comum, é aceitar a divindade e recusar o ensino de Jesus Cristo, que, em síntese, quanto ao seu resultado, se resume nesta alternativa oferecida a todos os homens: a vida eterna ou a morte eterna.
A vida eterna reduz-se, como bem demonstrado ficou, a esta tríplice felicidade; plenitude de espírito, plenitude da verdade no espírito, plenitude do amor no coração, plenitude do gozo no corpo.
Todos os homens, porém, conseguem essa felicidade, que será a consumação, para cada homem, do seu destino?           
O ensino de Jesus Cristo, transmitido à humanidade pela Igreja, responde negativamente, isto é, que conseguem a vida eterna os que observam a lei religiosa e perdem-na os que a infringem.
Nada de sensato se pode opôr ao ensino da Igreja, porquanto trata-se de lei religiosa e sua sanção. Ora todas as leis - a lei natural, a lei moral, a lei civil, as próprias leis da matéria têm a sua sanção, que o homem não pode evitar, desde que as infringe. Assim, um homem pode tomar, se lhe apraz, uma porção de veneno, mas não pode deixar de envenenar-se. Pode disparar um tiro sobre o seu semelhante, mas não pode evitar as consequências do ato criminoso. Pode faltar à sua obrigação de cidadão, eximindo-se ao pagamento de imposto, mas não pode evitar a respectiva pena. Como, pois, poderia infringir a lei religiosa, sem ficar sujeito à sanção da mesma lei? Absurdo! A sanção da lei religiosa é proporcional à felicidade perdida. A felicidade perdida é uma vida eterna. A pena, portanto, não pode deixar de ser uma morte eterna. Esta morte Jesus Cristo a proclamou e ensinou.
Nem a leviandade dos homens pode infirmar a palavra de Deus; nem o interesse das paixões pode mudar a natureza das coisas.
O inferno é uma verdade, não só porque Jesus Cristo afirmou, como porque tudo o exige, sob pena de tudo ser uma mentira, uma ilusão. Ele o afirmou, descrevendo-o no Seu Evangelho, como - dores, lágrimas eternas, gemidos eternos; sendo que esta pena, que é dos sentidos, não é a maior, porque a maior é a perda de Deus, a privação da vida beatífica.
Antes de prosseguir, devo observar que, muito de indústria, usa da palavra inferno, não preferindo expressões equivalentes muito usadas; como por exemplo, a eternidade, dores, etc...
A razão é que a palavra inferno vai se tornando, entre nós, uma palavra ridícula, como que significando apenas um espantalho para crianças ou um terror para néscios. Até da pregação - oh que tristeza! - com a palavra, que se teme, desagrade aos ouvintes, vai desaparecendo o ensino que se teme incorra nas zombarias dos incrédulos. É assim que sermões e sermões, homilias e homilias, conferências e conferências se fazem; e o inferno fica escondido para se não ofenderem os melindres da época.
Não admira, pois, que o traço da fisionomia brasileira que devo apontar-vos hoje, seja este – o nenhum temor do inferno.
Uma multidão, de homens vive, ou não, acreditando teoricamente no inferno, ou crendo, mas procedendo de tal maneira que, praticamente é como se o inferno não existisse.
Os capitalistas, por exemplo, expressão genética em que podem ser compreendidos todos os ricos, os proprietários, todos os homens opulentos pelo dinheiro ou por bens equivalentes, esses entendem que a filantropia basta para salvar o homem e que, se ela reveste a forma de esmola aos pobres, então o réu está garantido.
Nem a filantropia, simples madrasta, incapaz de substituir a mãe verdadeira que é a caridade; nem esmola, grande meio de obter graças e favores de Deus basta ao homem para evitar o inferno. A filantropia tem belas obras, e muito para admirar, sem dúvida, são os seus hospitais, os seus asilos, as suas escolas. Mas ela, sem dúvida, não dá ao homem a perdão dos seus pecados graves. A esmola é um sinal de predestinação naquele que tem verdadeiramente o amor dos pobres, dos órfãos, dos desvalidos, dos abandonados; mas a esmola não é um sacramente não tem a virtude de operar a justificação do pecador. Entender-se o contrário é uma ilusão perigosa, que bem se verifica neste fenômeno de atualidade brasileira - a vida sem oração.
Há um verso de Vitor Hugo, em relação à perturbação que causaria no equilíbrio do mundo físico a supressão de um só ninho da floresta; e diz que maior seria a perturbação que traria ao mundo moral a supressão de uma só oração, feita por lábios, humildes, mas que tantas vezes é a causa determinante das maiores misericórdias, para o homem e para os povos. Não; não me objeteis contra a oração o que vós, incrédulos, chamais as leis inflexíveis da natureza. Não há leis inflexíveis ou invariáveis; todas obedecem a Ele, que, aliás ab eterno, antes mesmo da criação do mundo, ouviu a nossa súplica e pode ter disposto, se assim lhe aprouve, todas as coisas de modo a ser satisfeita a nossa oração.
A oração, fiquem sabendo tantos, entre nós, que a desprezam, não é só essa lei de equilíbrio a que acabo de referir-me; é também uma lei universal; a criança pede a sua mãe, o fraco pede ao forte, o pobre pede ao rico, o homem pede a Deus.
Bela, porque é o reconhecimento da nossa indigência, a oração, além disso, é onipotente para obter certos favores de Deus, sucedendo que, mesmo entre os homens, quanto mais fraco é um ser, mais poderosa é a sua súplica, não se podendo supôr que haja um só homem capaz dê não ouvir a súplica de uma criança.
A vida sem oração explica em parte o nenhum temor do inferno, como, por seu turno, este nenhum temor tem uma causa fácil de averiguar-se - a ignorância do catolicismo, do que ele ensina, do que se deve crer, em relação ao inferno.
Trata-se de uma verdade que pode ser provada com todos os gêneros de provas; e, numa vasta exposição, darei o testemunho da história, da filosofia da história, da critica histórica, da psicologia, da metafísica, da moral, do direito natural, do direito criminal, dos atributos de Deus e da economia da redenção.
Da história deduzo que a crença no inferno é universal, não só dos povos cristãos, mas de todos os povos antigos e modernos, judeus ou gentios, bárbaros ou civilizados; sendo certo que o inferno de que nos fala S. Paulo era também afirmado por Cícero, Platão; que a morte eterna de que nos fala Cristianismo era também reconhecida pelo paganismo.
Da filosofia da história deduzo que um fenômeno universal supõe uma causa universal, isto é, o inverno universalmente acreditado, não pode deixar de ser uma revelação de Deus.         
Da critica histórica deduzo que não podia a própria humanidade ser quem inventasse o inferno, porque o homem, cheio de vícios e paixões, não seria capaz de inventar semelhante castigo para si próprio.
Da psicologia, isto é, da analise da alma humana deduz o que o sentimento do inferno está profundamente gravado na nossa natureza, e tanto, que dele diz o celebre teólogo: "é um diamante negro engastado nas profundezas do coração humano”.
Da metafísica deduzo a necessidade de uma conclusão eterna para o destino do homem, porque todas as coisas estão compreendidas entre dois termos: o principio e a conclusão, ambos eternos, porque se o principio não fosse eterno não seria princípio; e conclusão eterna, porque se não fosse eterna não seria conclusão.
Da moral deduzo que, da mesma sorte que duas linhas paralelas, por mais que se prolonguem, não se podem encontrar, assim também o bem e o mal não podem chegar a mesma conclusão: deve chegar à vida eterna, o outro deve chegar à morte eterna.
Do direito natural deduzo que, sendo o homem livre; o próprio Deus, respeitando essa liberdade, não pode conduzir ao céu o homem que recusa a vida.
Do direito criminal deduzo que muito especiosa lê a objeção que opõe, contra o inferno, a suposta crueldade de punir eternamente aos passageiros como os pecados, porquanto a própria criminologia humana nos ensina que a pena se mede, não pelo tempo gasto na perpetração do delito, mas pela intenção do delinquente. É certo que o adultério, o roubo, o homicídio e, em geral, todos os crimes cometem-se em poucos instantes; entretanto a sociedade os pune com muitos anos de prisão, havendo mesmo casos de galés perpétuas, de exílio e de morte civil. Ora, que é que isto mostra? Mostra que, se a própria sociedade existisse eternamente, ela puniria eternamente certos homens. O que a sociedade não pode fazer, fá-lo Deus, que conhece toda a malícia da intenção e dá-lhe, quando é justo, a pena do inferno, infinita na duração, porque na eternidade não há tempo, mas finita na intensidade, porque será proporcionada à malicia da intenção do homem impenitente; e só deste é que se trata, isto é, do homem que no uso de sua liberdade, recusa, pela reparação de seu pecado, a salvação que a todos Deus oferece.
Dos atributos de Deus deduzo que a veracidade, a onipotência, a justiça e a providência de Deus exigem o inferno; a veracidade, porque Deus o revelou em todos os tempos; a justiça, porque sem o inferno o bem e o mal teriam a mesma conclusão; a onipotência, porque sem o inferno Deus não poderia punir eternamente, podendo recompensar eternamente a providência divina, porque, sem ela, sem reparação ficariam todas as desigualdades e dotes e iniquidades humanas.
Eis todos os atributos de Deus exigindo o inferno; e ainda há, não poucos, que aleguem contra o inferno o amor de Deus, como se o amor de Deus pudesse anular todos os outros atributos de Deus e como se o inferno não fosse a recusa do próprio amor.
Chego ao que chamo prova decisiva, definitiva, irrecusável, da existência do inferno. Esta prova é a economia da redenção.         
Que é a redenção? É o mistério de um Deus que se fez homem para salvar o homem. Salvá-la de que? - dos meios temporais, das enfermidades, das dores, da pobreza, da morte física? Não, porque todas estas causas continuam.
Logo Jesus Cristo nos veio salvar do Inferno, como Ele próprio declarou; é certo que Jesus Cristo, sendo Deus, Sua morte é um sacrifício infinito. Ora, um sacrifício infinito, dado como um remédio ao homem para salvar-se, supõe um mal infinito, o inferno. Só o inferno explica a Paixão e a Morte de Jesus Cristo, que supre o que nos falta, mas não nos dispensa de um ato imprescindível aos seres livres: a reparação de seus pecados.
Eis o ensino que a Igreja dá a todos os homens, mas para o qual eu chamo hoje principalmente a atenção dos capitalistas, observando-lhes: não é a riqueza uma coisa má em si, mas ela é das que, mal aplicadas, mais afastam do céu. Não basta a esmola para que coisa tão perigosa se transforme em meio de salvação.
Há só um meio de tirar à riqueza todo o mal. Porque esse meio não só diviniza a esmola, mas leva o homem à pratica de todas as virtudes, inclusive a necessária confissão dos seus pecados.
O meio a que me refiro é a Caridade, que, amor de Deus, não se deve confundir nem com a filantropia, nem com a compaixão natural pelos pobres.
Ouvi o apóstolo S. Paulo: "A mais excelente das virtudes é a caridade. Ela é o resumo de toda a lei. Ela é o laço da perfeição. Ela é tal, que se eu falasse a língua dos homens e dos anjos, mas não tivesse a caridade, eu não seria mais do que um bronze soando.” Se eu possuísse o dom de profecia e se eu penetrasse todos os mistérios, e se eu possuísse toda a ciência, e se eu tivesse uma fé capaz de transportar montanhas, se não tivesse caridade - eu nada seria. E se (ouvi capitalistas)... se eu distribuísse pelos pobres todos os meus bens... sem a caridade isso não me aproveitaria! Para que, pergunto, dizer muitas coisas da caridade, depois de citar esta sublima explosão do apóstolo?
A caridade, direi apenas, é mais que filantrópica; é mais do que a compaixão natural: é o amor de Deus.
É a ultima, a mais alta, a mais divina das virtudes.
Não só a caridade é a consumação de todas as obras de Deus: a criação, a encarnação, a redenção; ela é também a rainha do tempo e da eternidade. Do tempo, porque ela cumpre toda a lei cristã, encerra todos preceitos em um preceito universal, prevalece sobre os dons mais sublimes e as virtudes mais excelentes. Da eternidade – porque ela sobrevive às coisas do tempo, e, quando já a fé tiver desaparecido na visão, quando a esperança tiver já desaparecido na posse, ela – a Caridade – terá no céu todas as suas delícias e todos os seus esplendores.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

9.º Dia - 24 de dezembro

Canta-se o cântico: Puer Natus 

Viagem de São José e de Maria Santíssima a Belém 


Subiu também José para inscrever-se no censo com Maria, 
sua esposa, que estava prestes a dar à luz. 
(Lc. 10,5) 

Tinha Deus decretado que Seu Filho nascesse nem sequer na casa de José, mas numa gruta, num estábulo, do modo mais pobre e penoso que possa nascer uma criança; já para isso dispôs que César Augusto publicasse um édito no qual ordenava que fossem todos recensear-se em sua cidade natal. José, ao ter notícia dessa ordem, certamente hesitou sobre deixar ou levar consigo Maria Santíssima, próxima de dar à luz, uma vez que não tinha riqueza para proporcionar-Lhe uma viagem conveniente, nem queria, por outro lado, deixá-lA sozinha e sem amparo. Sabia, contudo, Maria que, como anunciara o profeta Miquéias, devia o Salvador nascer em Belém; por isso, tomando os panos e roupas que preparara para Seu Filho, partiu Ela com José, pobremente, em tempo de inverno, prestes a dar à luz, para submeter-Se à vontade de Deus. Una-nos a eles, e através das penas e dores da nossa viagem por esta vida, louvemos a Deus, sejamos-Lhe gratos, pedindo-lhe apenas que esteja sempre conosco Nosso Senhor Jesus Cristo. Peçamos a José e a Maria que pelo mérito das penas padecidas em Sua viagem, nos acompanhem na viagem que estamos fazendo para a eternidade. 

Reza-se o Terço e a Ladainha de Nossa Senhora 

Oração: Meu amado Redentor, acompanhado na terra apenas por José e Maria, ao ir a Belém, permiti-me que Vos acompanhe também eu, Vós descestes do céu para ser meu companheiro na terra, e eu tantas vezes já vos abandonei ofendendo-Vos ingratamente. Quando penso que, tantas vezes, para seguir minhas malditas inclinações, separei-me de Vós, renunciando a Vossa amizade, quisera morrer de dor. Vós viestes para perdoar-me; assim, pois, perdoai-me imediatamente, pois com toda a alma me arrependo de os ter dado tantas vezes as costas e abandonado. Proponho e espero, com vossa graça, não Vos deixar mais nem separar-me mais de Vós. Uni-me, estreitai-me com os suaves laços de Vosso santo amor, meu Redentor e meu Deus. Maria Santíssima, venho acompanhar-Vos em Vossa viagem; não deixeis de assistir-me na que estou fazendo para a eternidade. Assisti-me sempre e, especialmente, quando me achar no fim de minha vida, próximo ao instante de que depende estar sempre conVosco para amar a Jesus no paraíso, ou estar sempre longe de Vós, para odiar a Jesus no inferno. Minha Rainha, salvai-me por Vossa intercessão, e seja a minha salvação amar-Vos, a Vós e a Jesus, para sempre, no tempo e na eternidade. Sois minha esperança; em Vós confio. 

Cântico: Adeste, Fideles 

domingo, 23 de dezembro de 2012

Bajo la mirada de Dios


Robert de Langeac
La vida oculta en Dios


Tu mirada, Dios mío, no es sólo agradable, es benéfica. No nos encuentra amables, nos hace amables. Mirar con amor y crear y enriquecer al ser que creaste es una misma cosa para Ti, Dios mío. Que tus miradas se dignen volverse hacia mi alma y posarse dulcemente sobre ella... Nada es tan grato para mí como saber que estoy así siempre bajo tus ojos. Me parece que debo mantenerme en el más profundo respeto y en la más humilde modestia. Pero también, ¡qué luz no encontraré yo en tu mirada! Ilumina mi camino. Me enseña el verdadero valor de las cosas y me hace ver si son para mí obstáculos o medios. Y, a mi vez, me permite iluminar a los demás. Sin ella ya no sería más que tinieblas. ¡Oh mirada de mi Dios, querría fijarte en mí para siempre!

Tu mirada, ¡oh Dios mío!, no es una mirada exterior al alma; es interior, íntima.

El alma tiene la impresión de ser penetrada por ella como desde dentro y hasta el fondo. Esto es certísimo. Esa mirada eres Tú mismo, Dios mío, que vives en el alma y que la iluminas a un mismo tiempo sobre Ti, sobre ella y sobre todas las cosas. El alma tiene conciencia de esa iluminación interior. Se parece a un cristal purísimo que, expuesto directamente al sol, fuese atravesado por sus rayos luminosos, y que lo supiera. Pero ésa es una comparación muy débil. Porque el alma es espíritu. Y Dios es espíritu. Y nada puede dar una idea exacta de lo que sucede en el orden de la luz, cuando Dios invade el alma y la llena de sí mismo. ¡Él, que es la Verdad! ¡Dichosa el alma sin defecto y sin mancha a quien los rayos divinos puedan iluminar plenamente! ¡Es tan dulce ver así a Dios en si mismo!... Es ya un poco de cielo.

Morad en Cristo

Morad en Mí


Robert de Langeac
La vida oculta en Dios



Morad en Mí por el recuerdo y por la mirada de vuestra alma. Vivid en Mí. Alimentaos de Mí. Procurad conocerme, no sólo desde fuera, sino desde dentro.

Leed hasta el fondo de mi Corazón. No os canséis de esta tarea. Que ella sea vuestro único negocio, la ocupación total de vuestra vida. Persistid en ella como fuente de toda luz, de toda energía, de toda alegría. Uníos fuertemente a Mí por el amor.

Seréis así firmes y fuertes con mi firmeza y con mi fuerza. Nada podrá turbaros o agitaros, sino superficialmente y, sobre todo, nada podrá separarnos, salvo el pecado. Y cuando éste os amenace, apretaos más cerca de Mí con un amor más generoso y más ardiente. Y lejos de perjudicaros, esa prueba no habrá hecho más que fortalecer nuestra unión.

Y Yo en vosotros

-¿Cómo moras Tú en nosotros, Jesús?

-Yo estoy en vosotros como un amigo en casa de su amigo, como un huésped en casa de su huésped. Me he adueñado de vuestro corazón. He arrojado de él todo afecto rival del mío. Es mío; es para Mí por quien no cesa de latir. Soy Yo quien lo mueve. Soy el peso que lo arrastra, la fuerza que lo acciona, la luz que lo dirige y le indico el camino por el que debe avanzar. Lo he transformado espiritualmente en mi propio Corazón. Ama lo que Yo amo. Rechaza lo que Yo rechazo. Quiere lo que Yo quiero. Es como mi propio Corazón, y lo es un poco más y un poco mejor cada día. Estoy, pues, dentro de vosotros en lo más íntimo de vosotros mismos. En un cierto y muy verdadero sentido, aún soy Yo más vosotros que vosotros mismos por ese amor que os ha transformado en Mí. Mi apóstol dirá: «Vivo jam non ego...» Es eso exactamente, o también: «Qui adhaeret Domino, unus spiritus est...», un solo espíritu; por consiguiente, un solo corazón, y, si queréis, para siempre. 

8.º Dia - 23 de dezembro

Canta-se o cântico: Puer Natus 

Amor de Deus aos homens no nascimento de Jesus 


Porque apareceu a graça de Deus nosso Salvador a todos os homens, ensinando-nos que 
renunciando à impiedade... vivamos piedosamente no presente século, 
aguardando a esperança bem-aventurada e a vinda gloriosa 
do grande Deus e Salvador Nosso Senhor Jesus Cristo. 
(Tit. 2, 12-14) 

Consideremos que a graça salvadora de Deus que Se manifestou a todos os homens foi o profundíssimo amor de Jesus Cristo aos homens. Esse amor, embora tenha sido da parte de Deus sempre idêntico, nem sempre foi igualmente manifesto. 

Antes fora prometido muitas profecias e encoberto sob o véu de muitas figuras. Mas, no nascimento do Redentor, deixou-se ver claramente, aparecendo aos homens o Verbo eterno como menino deitado sobre o feno, gemendo e tremendo de frio, começando já assim a satisfazer pelas penas que merecíamos e dando-nos a conhecer o afeto que nos tinha, sacrificando por nós a vida: "Nisto conhecemos a caridade de Deus, porque Ele deu sua vida por nós". Manifestou-Se, pois, a graça salvadora de Deus, e manifestou-Se a todos os homens. Mas porque não O conheceram todos e ainda hoje há tantos que, podendo, não O conhecem? Porque "a luz veio ao mundo e os homens amaram mais as trevas que a luz" (Jo. 3,19). Não O conheceram nem O conhecem porque não querem conhecê-lO e amam mais as trevas do pecado do que a luz da graça. Não pertençamos ao número desses infelizes. Se até aqui temos fechado os olhos à luz, pensando pouco no amor de Jesus Cristo, procuremos, até o fim de nossa vida, ter sempre ante os olhos os sofrimentos e a morte de nosso Redentor, para amar a quem tanto nos amou: "Aguardando a bem-aventurada esperança e a vinda gloriosa do grande Deus e Salvador Nosso Jesus Cristo" (Tit. 2,13).

sábado, 22 de dezembro de 2012

7.º Dia da Novena - 22 de dezembro

Canta-se o cântico: Puer Natus 

Dor que causou a Jesus Cristo a ingratidão dos homens 
Veio para os que eram Seus e os Seus não O receberam. 
(Jo. 1,11) 



Em certo Natal andava São Francisco pela floresta e pelos caminhos gemendo e suspirando, e, ao perguntarem-lhe a causa de sua tristeza, respondeu: "Como quereis que não chore vendo que o amor não é amado? Vejo Deus inebriado de amor pelos homens e os homens tão ingratos para com esse Deus". Se tanto afligia essa ingratidão dos homens a São Francisco, consideremos quanto mais afligirão ao Coração de Jesus. Tão logo foi concebido no seio de Maria viu a cruel correspondência que havia de receber dos homens. Tinha vindo do céu para atear o fogo do amor divino, e esse desejo O tinha feito descer à terra e sofrer um abismo de penas e ignomínias: "Vim trazer o fogo à terra e que quero senão que se ateie?" (Lc. 12,49). E depois via o abismo de pecados que cometeriam os homens apesar de terem sido testemunhas de tantas provas de Seu amor. Esse foi, disse São Bernardino de Sena, o que Lhe fez padecer uma dor infinita. 

Ainda entre nós, quando alguém se vê tratado ingratamente por outro é uma dor insuportável, pois a ingratidão freqüentemente aflige a alma mais que outra dor ao corpo. Que dor, pois, ocasionaria a Jesus, que era nosso Deus, ver que, por nossa ingratidão, Seus benefícios e Seu amor seriam pagos com desgostos e injúrias? "Deram-me males em troca de bens e ódio em troca do amor que eu lhes tinha". (Ps. 108,5). E ainda hoje se lamenta Jesus Cristo: "Fui um estrangeiro para meus irmãos" (Ps. 68,9), pois vê que não é amado nem conhecido de muitos, como se não lhes tivesse feito bem nenhum nem tivesse sofrido nada por seu amor. 

Ó meu Deus, que caso fazemos, mesmo os cristãos, do amor de Jesus Cristo? 

Apareceu um dia Ele ao Beato Henrique Suso como um peregrino que mendigava de porta em porta, sendo sempre posto fora com injúrias. Quantos são semelhantes àqueles de quem falou Jó: "Eles diziam a Deus: Retira-te de nós, e julgavam o Onipotente, como se não pudesse fazer nada; sendo que ele cumulou de bens as suas casas "(Job, 22,17). Nós, ainda que no passado nos tenhamos unido a esses ingratos, queremos continuar com nossa ingratidão no futuro? Não, porque não o merece aquele amável Menino que veio do céu padecer e morrer por nós para que O amássemos. 

Reza-se o Terço e a Ladainha de Nossa Senhora 

Oração: Senhor Jesus, que descestes do céu para que nós Vos amássemos, tomando uma vida cheia de trabalho e a morte numa cruz, como pudemos tantas vezes dizer-Vos: "Retirai-Vos de nós", não Vos queremos, ó nosso Deus, se não fôsseis bondade infinita nem tivésseis dado a vida para perdoar-nos, não nos atreveríamos a pedir-Vos perdão; mas sabemos que Vós mesmo nos quereis dar a paz: "Convertei-Vos a mim, diz o Senhor Deus dos exércitos e eu me voltarei para Vós" (Zach. 1,3). Vós mesmo, Jesus, que Sois o ofendido, intercedeis por nós. Não queremos, pois, ofender-Vos ainda uma vez, desconfiados de Vossa misericórdia. 

Arrependemo-nos com toda a alma de Vos ter desprezado, meu sumo Bem. Dignai-Vos receber-nos em Vossa graça pelo sangue derramado por Vós. "Pai, não sou digno de ser chamado teu filho" (Lc. 15,21). Não, nosso Redentor e Pai, não somos dignos de ser Vossos filhos, porque tantas vezes renunciamos ao Vosso amor; mas Vós nos tornais dignos com Vossos merecimentos. 

Que só o pensamento da paciência com que suportastes nossos pecados durante tantos anos e das graças que nos concedestes, depois de todas as injúrias que Vos fizemos, faça-nos viver ardendo nas chamas de Vosso amor. Vinde, pois, Senhor, que não Vos expulsaremos mais, vinde habitar nosso pobre coração. Amamo-Vos e queremos amar-Vos para sempre, e Vós abrasai-nos sempre mais, com a lembrança do amor que nos tivestes. 

Canta-se o cântico: Adeste, Fideles