segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

9.º Dia - 24 de dezembro

Canta-se o cântico: Puer Natus 

Viagem de São José e de Maria Santíssima a Belém 


Subiu também José para inscrever-se no censo com Maria, 
sua esposa, que estava prestes a dar à luz. 
(Lc. 10,5) 

Tinha Deus decretado que Seu Filho nascesse nem sequer na casa de José, mas numa gruta, num estábulo, do modo mais pobre e penoso que possa nascer uma criança; já para isso dispôs que César Augusto publicasse um édito no qual ordenava que fossem todos recensear-se em sua cidade natal. José, ao ter notícia dessa ordem, certamente hesitou sobre deixar ou levar consigo Maria Santíssima, próxima de dar à luz, uma vez que não tinha riqueza para proporcionar-Lhe uma viagem conveniente, nem queria, por outro lado, deixá-lA sozinha e sem amparo. Sabia, contudo, Maria que, como anunciara o profeta Miquéias, devia o Salvador nascer em Belém; por isso, tomando os panos e roupas que preparara para Seu Filho, partiu Ela com José, pobremente, em tempo de inverno, prestes a dar à luz, para submeter-Se à vontade de Deus. Una-nos a eles, e através das penas e dores da nossa viagem por esta vida, louvemos a Deus, sejamos-Lhe gratos, pedindo-lhe apenas que esteja sempre conosco Nosso Senhor Jesus Cristo. Peçamos a José e a Maria que pelo mérito das penas padecidas em Sua viagem, nos acompanhem na viagem que estamos fazendo para a eternidade. 

Reza-se o Terço e a Ladainha de Nossa Senhora 

Oração: Meu amado Redentor, acompanhado na terra apenas por José e Maria, ao ir a Belém, permiti-me que Vos acompanhe também eu, Vós descestes do céu para ser meu companheiro na terra, e eu tantas vezes já vos abandonei ofendendo-Vos ingratamente. Quando penso que, tantas vezes, para seguir minhas malditas inclinações, separei-me de Vós, renunciando a Vossa amizade, quisera morrer de dor. Vós viestes para perdoar-me; assim, pois, perdoai-me imediatamente, pois com toda a alma me arrependo de os ter dado tantas vezes as costas e abandonado. Proponho e espero, com vossa graça, não Vos deixar mais nem separar-me mais de Vós. Uni-me, estreitai-me com os suaves laços de Vosso santo amor, meu Redentor e meu Deus. Maria Santíssima, venho acompanhar-Vos em Vossa viagem; não deixeis de assistir-me na que estou fazendo para a eternidade. Assisti-me sempre e, especialmente, quando me achar no fim de minha vida, próximo ao instante de que depende estar sempre conVosco para amar a Jesus no paraíso, ou estar sempre longe de Vós, para odiar a Jesus no inferno. Minha Rainha, salvai-me por Vossa intercessão, e seja a minha salvação amar-Vos, a Vós e a Jesus, para sempre, no tempo e na eternidade. Sois minha esperança; em Vós confio. 

Cântico: Adeste, Fideles 

domingo, 23 de dezembro de 2012

Bajo la mirada de Dios


Robert de Langeac
La vida oculta en Dios


Tu mirada, Dios mío, no es sólo agradable, es benéfica. No nos encuentra amables, nos hace amables. Mirar con amor y crear y enriquecer al ser que creaste es una misma cosa para Ti, Dios mío. Que tus miradas se dignen volverse hacia mi alma y posarse dulcemente sobre ella... Nada es tan grato para mí como saber que estoy así siempre bajo tus ojos. Me parece que debo mantenerme en el más profundo respeto y en la más humilde modestia. Pero también, ¡qué luz no encontraré yo en tu mirada! Ilumina mi camino. Me enseña el verdadero valor de las cosas y me hace ver si son para mí obstáculos o medios. Y, a mi vez, me permite iluminar a los demás. Sin ella ya no sería más que tinieblas. ¡Oh mirada de mi Dios, querría fijarte en mí para siempre!

Tu mirada, ¡oh Dios mío!, no es una mirada exterior al alma; es interior, íntima.

El alma tiene la impresión de ser penetrada por ella como desde dentro y hasta el fondo. Esto es certísimo. Esa mirada eres Tú mismo, Dios mío, que vives en el alma y que la iluminas a un mismo tiempo sobre Ti, sobre ella y sobre todas las cosas. El alma tiene conciencia de esa iluminación interior. Se parece a un cristal purísimo que, expuesto directamente al sol, fuese atravesado por sus rayos luminosos, y que lo supiera. Pero ésa es una comparación muy débil. Porque el alma es espíritu. Y Dios es espíritu. Y nada puede dar una idea exacta de lo que sucede en el orden de la luz, cuando Dios invade el alma y la llena de sí mismo. ¡Él, que es la Verdad! ¡Dichosa el alma sin defecto y sin mancha a quien los rayos divinos puedan iluminar plenamente! ¡Es tan dulce ver así a Dios en si mismo!... Es ya un poco de cielo.

Morad en Cristo

Morad en Mí


Robert de Langeac
La vida oculta en Dios



Morad en Mí por el recuerdo y por la mirada de vuestra alma. Vivid en Mí. Alimentaos de Mí. Procurad conocerme, no sólo desde fuera, sino desde dentro.

Leed hasta el fondo de mi Corazón. No os canséis de esta tarea. Que ella sea vuestro único negocio, la ocupación total de vuestra vida. Persistid en ella como fuente de toda luz, de toda energía, de toda alegría. Uníos fuertemente a Mí por el amor.

Seréis así firmes y fuertes con mi firmeza y con mi fuerza. Nada podrá turbaros o agitaros, sino superficialmente y, sobre todo, nada podrá separarnos, salvo el pecado. Y cuando éste os amenace, apretaos más cerca de Mí con un amor más generoso y más ardiente. Y lejos de perjudicaros, esa prueba no habrá hecho más que fortalecer nuestra unión.

Y Yo en vosotros

-¿Cómo moras Tú en nosotros, Jesús?

-Yo estoy en vosotros como un amigo en casa de su amigo, como un huésped en casa de su huésped. Me he adueñado de vuestro corazón. He arrojado de él todo afecto rival del mío. Es mío; es para Mí por quien no cesa de latir. Soy Yo quien lo mueve. Soy el peso que lo arrastra, la fuerza que lo acciona, la luz que lo dirige y le indico el camino por el que debe avanzar. Lo he transformado espiritualmente en mi propio Corazón. Ama lo que Yo amo. Rechaza lo que Yo rechazo. Quiere lo que Yo quiero. Es como mi propio Corazón, y lo es un poco más y un poco mejor cada día. Estoy, pues, dentro de vosotros en lo más íntimo de vosotros mismos. En un cierto y muy verdadero sentido, aún soy Yo más vosotros que vosotros mismos por ese amor que os ha transformado en Mí. Mi apóstol dirá: «Vivo jam non ego...» Es eso exactamente, o también: «Qui adhaeret Domino, unus spiritus est...», un solo espíritu; por consiguiente, un solo corazón, y, si queréis, para siempre. 

8.º Dia - 23 de dezembro

Canta-se o cântico: Puer Natus 

Amor de Deus aos homens no nascimento de Jesus 


Porque apareceu a graça de Deus nosso Salvador a todos os homens, ensinando-nos que 
renunciando à impiedade... vivamos piedosamente no presente século, 
aguardando a esperança bem-aventurada e a vinda gloriosa 
do grande Deus e Salvador Nosso Senhor Jesus Cristo. 
(Tit. 2, 12-14) 

Consideremos que a graça salvadora de Deus que Se manifestou a todos os homens foi o profundíssimo amor de Jesus Cristo aos homens. Esse amor, embora tenha sido da parte de Deus sempre idêntico, nem sempre foi igualmente manifesto. 

Antes fora prometido muitas profecias e encoberto sob o véu de muitas figuras. Mas, no nascimento do Redentor, deixou-se ver claramente, aparecendo aos homens o Verbo eterno como menino deitado sobre o feno, gemendo e tremendo de frio, começando já assim a satisfazer pelas penas que merecíamos e dando-nos a conhecer o afeto que nos tinha, sacrificando por nós a vida: "Nisto conhecemos a caridade de Deus, porque Ele deu sua vida por nós". Manifestou-Se, pois, a graça salvadora de Deus, e manifestou-Se a todos os homens. Mas porque não O conheceram todos e ainda hoje há tantos que, podendo, não O conhecem? Porque "a luz veio ao mundo e os homens amaram mais as trevas que a luz" (Jo. 3,19). Não O conheceram nem O conhecem porque não querem conhecê-lO e amam mais as trevas do pecado do que a luz da graça. Não pertençamos ao número desses infelizes. Se até aqui temos fechado os olhos à luz, pensando pouco no amor de Jesus Cristo, procuremos, até o fim de nossa vida, ter sempre ante os olhos os sofrimentos e a morte de nosso Redentor, para amar a quem tanto nos amou: "Aguardando a bem-aventurada esperança e a vinda gloriosa do grande Deus e Salvador Nosso Jesus Cristo" (Tit. 2,13).

sábado, 22 de dezembro de 2012

7.º Dia da Novena - 22 de dezembro

Canta-se o cântico: Puer Natus 

Dor que causou a Jesus Cristo a ingratidão dos homens 
Veio para os que eram Seus e os Seus não O receberam. 
(Jo. 1,11) 



Em certo Natal andava São Francisco pela floresta e pelos caminhos gemendo e suspirando, e, ao perguntarem-lhe a causa de sua tristeza, respondeu: "Como quereis que não chore vendo que o amor não é amado? Vejo Deus inebriado de amor pelos homens e os homens tão ingratos para com esse Deus". Se tanto afligia essa ingratidão dos homens a São Francisco, consideremos quanto mais afligirão ao Coração de Jesus. Tão logo foi concebido no seio de Maria viu a cruel correspondência que havia de receber dos homens. Tinha vindo do céu para atear o fogo do amor divino, e esse desejo O tinha feito descer à terra e sofrer um abismo de penas e ignomínias: "Vim trazer o fogo à terra e que quero senão que se ateie?" (Lc. 12,49). E depois via o abismo de pecados que cometeriam os homens apesar de terem sido testemunhas de tantas provas de Seu amor. Esse foi, disse São Bernardino de Sena, o que Lhe fez padecer uma dor infinita. 

Ainda entre nós, quando alguém se vê tratado ingratamente por outro é uma dor insuportável, pois a ingratidão freqüentemente aflige a alma mais que outra dor ao corpo. Que dor, pois, ocasionaria a Jesus, que era nosso Deus, ver que, por nossa ingratidão, Seus benefícios e Seu amor seriam pagos com desgostos e injúrias? "Deram-me males em troca de bens e ódio em troca do amor que eu lhes tinha". (Ps. 108,5). E ainda hoje se lamenta Jesus Cristo: "Fui um estrangeiro para meus irmãos" (Ps. 68,9), pois vê que não é amado nem conhecido de muitos, como se não lhes tivesse feito bem nenhum nem tivesse sofrido nada por seu amor. 

Ó meu Deus, que caso fazemos, mesmo os cristãos, do amor de Jesus Cristo? 

Apareceu um dia Ele ao Beato Henrique Suso como um peregrino que mendigava de porta em porta, sendo sempre posto fora com injúrias. Quantos são semelhantes àqueles de quem falou Jó: "Eles diziam a Deus: Retira-te de nós, e julgavam o Onipotente, como se não pudesse fazer nada; sendo que ele cumulou de bens as suas casas "(Job, 22,17). Nós, ainda que no passado nos tenhamos unido a esses ingratos, queremos continuar com nossa ingratidão no futuro? Não, porque não o merece aquele amável Menino que veio do céu padecer e morrer por nós para que O amássemos. 

Reza-se o Terço e a Ladainha de Nossa Senhora 

Oração: Senhor Jesus, que descestes do céu para que nós Vos amássemos, tomando uma vida cheia de trabalho e a morte numa cruz, como pudemos tantas vezes dizer-Vos: "Retirai-Vos de nós", não Vos queremos, ó nosso Deus, se não fôsseis bondade infinita nem tivésseis dado a vida para perdoar-nos, não nos atreveríamos a pedir-Vos perdão; mas sabemos que Vós mesmo nos quereis dar a paz: "Convertei-Vos a mim, diz o Senhor Deus dos exércitos e eu me voltarei para Vós" (Zach. 1,3). Vós mesmo, Jesus, que Sois o ofendido, intercedeis por nós. Não queremos, pois, ofender-Vos ainda uma vez, desconfiados de Vossa misericórdia. 

Arrependemo-nos com toda a alma de Vos ter desprezado, meu sumo Bem. Dignai-Vos receber-nos em Vossa graça pelo sangue derramado por Vós. "Pai, não sou digno de ser chamado teu filho" (Lc. 15,21). Não, nosso Redentor e Pai, não somos dignos de ser Vossos filhos, porque tantas vezes renunciamos ao Vosso amor; mas Vós nos tornais dignos com Vossos merecimentos. 

Que só o pensamento da paciência com que suportastes nossos pecados durante tantos anos e das graças que nos concedestes, depois de todas as injúrias que Vos fizemos, faça-nos viver ardendo nas chamas de Vosso amor. Vinde, pois, Senhor, que não Vos expulsaremos mais, vinde habitar nosso pobre coração. Amamo-Vos e queremos amar-Vos para sempre, e Vós abrasai-nos sempre mais, com a lembrança do amor que nos tivestes. 

Canta-se o cântico: Adeste, Fideles

Aquisição da fé

Nota do blogue: Acompanhem esse importante Especial AQUI.

Cônego Júlio Antônio dos Santos
O Crucifixo, meu livro de estudos - 1950


I - Como devemos ir ao encontro da Fé

Jó perguntava um dia: Per quam viam spargitur lux? Em que condições, se derrama a luz da fé nas nossas almas? Como se deve ir ao encontro da fé?

  1. A fé exige a recepção do sacramento do batismo
Deus dá-nos a fé desde o batismo, diz o Concílio de Trento e por isso se chama Sacramento da Fé. Efetivamente, no batismo ao mesmo tempo que nos dá a graça santificante, dá-nos a faculdade de crer ou a virtude da fé. Enquanto o batizado não chega ao uso da razão não pode usar desta faculdade, não pode pôr em prática a sua fé. Esta atividade só se produz na idade da razão sob a influência da graça e da instrução religiosa. Dá-se o mesmo com o sentido da vista, nas crianças recém-nascidos; enquanto os olhos se lhe não abram: a criança, verá, sob a influência da luz, os objetos que estão ao alcance da sua vista.

  1. A fé é uma doutrina, é preciso estudá-la
Devemos estudá-la, aprendê-la bem, tanto no seu motivo e nas suas provas.

- Objeto da fé. A fé abrange tudo o que Deus disse para se crer e a santa Igreja ensina da parte de Deus. Compreende verdades, que se devem acreditar, preceitos que se devem praticar e conselhos que é conveniente seguir. O apóstolo São Paulo chama aos cristãos de seu tempo - iluminai, iluminados nas verdades da fé. Os cristãos de hoje devem ter noções nítidas da fé.

- Motivo da fé. O motivo da fé diz o Concílio do Vaticano, é a própria autoridade de Deus. Todo o ato de fé pode reduzir-se aos seguintes termos: Eu creio porque Deus o revelou e porque Deus é a verdade soberana não pode enganar-Se nem enganar-nos

- Provas da Fé. A fé era tão intensa nos Apóstolos que narrando a vida de Jesus Cristo podiam acrescentar: “Estas palavras ouvi-as dos seus próprios lábios! Porque não acredito eu em Cristo como os seus contemporâneos?” Os argumentos que eles tiveram conservam a mesma força provativa, e há vinte séculos que se vêm juntando novos argumentos.

  1. A fé é uma virtude, exige uma vida pura
Devemos purificar o nosso espírito da soberba, e o nosso coração da impureza.

- Soberba. - A soberba é um vício de tal ordem que se assemelha em muito ao álcool, porque tolda a inteligência impedindo-a de reconhecer a verdade. Um espírito soberbo é um espírito rebelde, isto é disposto a não crer. Como poderá alguém receber o Espírito de Jesus se está cheio do seu próprio espírito? Além disto, a fé é um dom de Deus, diz o Apóstolo São Paulo; ora está escrito que Deus resiste aos soberbos e que só dá a Sua graça aos humildes.

- Impureza. - A fé é incompatível com a impureza; porque o coração impuro perde o amor à verdade e ao bem. Assim o afirmam os santos. “É impossível ter uma vida impura, diz São João Crisóstomo, e não vacilar na fé.” “Quando alguém começa a entregar-se ao pecado da luxúria, diz Santo Ambrósio, começa a perder a fé. - Os próprios incrédulos confirmam esta doutrina. Quando Bourget um douto incrédulo do século XVIII, chamado por D'Alembert, a melhor cabeça da Academia, se preparava para a conversão, disse ao padre Berthonie que o ajudasse na obra da sua conversão: “Meu padre, eu era incrédulo porque era um homem corrompido. Remediemos o mal depressa: preciso mais de curar o meu coração do que o meu espírito: confesse-me.

Uma boa confissão é para a inteligência o que a operação da catarata é para os olhos do cego. Ela restitui num instante a luz da fé. Não é isto um fato que se verifica todos os dias? Perde-se a fé à medida que se afasta da santidade da vida. Com razão dizia Henry Lasserre: “a impiedade é um crime do coração antes de ser um crime da inteligência”.

“Diz o ímpio no seu coração: não há Deus”. Não é necessário talento, nem sabedoria para fazer um incrédulo, basta muita soberba e maldade de costumes. “Bem-aventurados, pois os limpos do coração, porque eles verão a Deus.”

  1. A fé é uma graça, exige a oração
 A fé, como diz São Paulo, é um dom de Deus, uma graça. Ora o meio normal para alcançar a graça é a oração. - Devemos pois, pedir instantemente a fé, ou o aumento da fé. Eu creio Senhor, mas fazei que eu creia com mais firmeza.

II- Como a fé vem ao nosso encontro

A fé vem ao nosso encontro por diversos caminhos.
  1. Pela criação. - A primeira impressão da fé vem-nos do lado da terra. É a voz da natureza criada que nos fala de Deus. Por quem foste criada? Por um ser mais poderoso que eu é que tudo foi criado, porque o operário é sempre mais poderoso que a sua obra. - Para que foste criada? A natureza responde da mesma maneira: para que nas obras reconheçais artista. “Nós vemos a Deus na natureza como num espelho, diz São Paulo, e assim as coisas invisíveis são conhecidas pelas visíveis.”
  1. Por Jesus Cristo. - Na criação conhecemos Deus e os Seus principais atributos; na Revelação de Jesus completa-se o testemunho das criaturas acerca de Deus; na Pessoa de Jesus vemos Deus presente, falando e operando - Jesus é o supremo testemunho de Deus. “Nunca ninguém viu Deus: o Unigênito que está no seio do Pai, dá testemunho de Deus.” (Jo. 1, 18). Jesus Cristo. mesmo o afirma. “Eu falo-vos daquelas coisas que vi no seio de meu Pai.” (Jo VIII, 28). O Pai confirma isto mesmo: “Este é o meu Filho muito amado escute-o.” (Mat. XVII, 5). “Quem me vê a mim, diz Jesus Cristo, vê meu Pai”. É necessário conhecer Jesus Cristo. Este conhecimento é tão necessário à nossa alma, como o ar e o pão para o corpo; é indispensável ao nosso ministério e ao nosso apostolado, que consiste em levar Jesus às almas.

  1. Pela Igreja. - A Igreja é depositária da Doutrina de Jesus Cristo. Depositária única, só a ela foi dito: “Ide e ensinai a toda a criatura”. Depositária infalível, é assistida pelo Espírito Santo, e, por consequência, não se engana nem pode enganar. É pelos ouvidos abertos à voz da Igreja que a fé entra nas nossas almas - fides ex auditu.
  1. Pela família. - A fé vem-nos da família a que pertencemos. Nascemos numa atmosfera impregnada de religião e de piedade. Por isso, podemos dizer com Jó: Desde a infância a piedade cresceu comigo.
  1. Pela sociedade. - Vivemos numa sociedade onde Jesus Cristo é conhecido, amado, servido e respeitado. Participamos dos benefícios da civilização cristã e, por consequência, do Beneficio da fé. 

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

6.º Dia - 21 de dezembro

Cântico: Puer Natus 

Jesus no seio de Maria 

Sou contado entre os que descem à cova, 
tornei-me como um homem sem força. 
(Ps. 87, 5) 


Consideremos a vida penosa por que passou Jesus Cristo no seio de Sua Mãe. Era livre, porque se tinha feito voluntariamente prisioneiro de amor, mas o amor o privava do uso da liberdade e o mantinha em cadeias tão apertadas que não podia mover-Se. Ó grande paciência do Salvador! Ao pensar nas penas de Nosso Senhor ainda no seio de Sua Mãe. 

Vejamos a que Se reduz o Filho de Deus por amor dos homens: priva-Se de Sua liberdade e se encadeia para livrar-nos das cadeias do inferno. Muito, pois, merece ser reconhecida com gratidão e amor a graça de nosso libertador e fiador, que, não por obrigação, mas por afeto, se ofereceu para pagar e pagou nossas dívidas e nossas penas, dando por elas Sua vida: "Não te esqueças do benefício que te fez o que ficou por teu fiador, porque ele expôs a sua vida por ti"(Eccli. 29,20). 

Reza-se o Terço e a Ladainha de Nossa Senhora 

Oração: "Não te esqueças do benefício que te fez o que ficou por teu fiador". Sim, ó Jesus, com razão nos adverte o Profeta de que não nos esqueçamos da imensa graça que nos fizeste. Nós éramos devedores e réus, e, Vós inocente. Vós, nosso Deus, quisestes satisfazer por nossos pecados com Vossas penas e com Vossa morte. 

E depois esquecemos esta graça e Vosso amor e nos atrevemos a voltar-Vos as costas, como se não fosseis nosso Senhor, o Senhor que nos amou tanto. Mas, se no passado O esquecemos, não queremos, Redentor nosso, esquecer-Vos no futuro. Vossas penas e Vossa morte serão nosso contínuo pensamento, e elas nos recordarão sempre o amor que nos tivestes. 

Maldizemos os dias em que, esquecidos de quanto sofrestes por nós, abusamos lamentavelmente da liberdade que nos destes para amar-Vos e empregamos em desprezar-Vos. Essa liberdade que nos destes, hoje vo-la consagramos. Livrai-nos, ó Jesus, da desgraça de ver-nos de novo separados de Vós e feitos escravos do demônio. Prendei a Vossos pés nossas almas a fim de que não nos separemos mais de Vós. 

Padre Eterno, pelo cativeiro que o Menino Jesus padeceu no seio de Maria, livrai-nos das cadeias do demônio e do inferno. 

E Vós, Mãe de Deus, socorrei-nos. Carregai-nos aprisionados e estreitados ao Filho de Deus. Pois, já que Jesus é Vosso prisioneiro, fará tudo o que mandardes. Dizei-Lhe que nos perdoe e que nos faça santo. Ajudai-nos, nossa Mãe, pela graça e honra que Vos fez Jesus Cristo de habitar nove meses em Vosso seio. 

Cântico: Adeste, Fideles 

5.º Dia - 20 de dezembro

Cântico: Puer Natus 

Jesus Cristo se ofereceu desde o princípio por nossa salvação 
Foi imolado, porque Ele mesmo quis. (Is. 53,7) 


O Verbo divino, desde o primeiro instante em que Se viu feito homem e criança no seio de Maria, Se ofereceu por Si mesmo às penas e à morte para resgate do mundo. Sabia que todos os sacrifícios dos cordeiros e dos touros oferecidos a Deus na antigüidade não tinham podido satisfazer pelas culpas dos homens, mas que era necessário que uma pessoa divina satisfizesse por eles o preço de sua redenção. 

Pelo que disse, como afirma o Apóstolo: "Não quiseste hóstia nem oblação, mas me formaste um corpo. 

Então eu disse: Eis-me aqui presente" (Heb. 10,5). Meu Pai, disse Jesus Cristo, todas as vítimas que Vos foram oferecidas até agora não bastam nem bastarão para satisfazer Vossa justiça; destes-me um corpo passível para que com a efusão de meu sangue Vos aplaque e salve os homens: eis-me aqui presente, "ecce venio", tudo aceito e tudo submeto a Vossa vontade. A parte inferior de Sua vontade experimentava, naturalmente, repugnância e recusava-Se a viver e a morrer entre tantas dores e opróbrios, mas venceu a parte racional, que estava completamente subordinada à vontade do Pai, e aceitou tudo, começando Jesus a padecer desde aquele instante, todas as angústias e dores que sofreria nos anos de Sua vida, assim agiu nosso divino Redentor desde os primeiros instantes de Sua entrada no mundo. 

E como nos portamos nós com Jesus Cristo, desde que, chegados ao uso da razão, começamos conhecer, com as luzes da fé, os sagrados mistérios da redenção? Que pensamentos, que desígnios, que bens temos amado? Prazeres, passatempos, soberbas, vinganças, sensualidade, eis os bens que aprisionaram os afetos de nosso coração. Mas, se temos fé, mudemos de vida e de amores; amemos a um Deus que tanto padeceu por nós. Lembremo-nos das penas que o Coração de Jesus padeceu por nós desde criança, e assim não poderemos amar senão esse Coração, que tanto nos amou. 

Reza-se o Terço e a Ladainha de Nossa Senhora 

Oração: Senhor nosso, quereis saber como nos portamos conVosco em nossa vida? Desde que começamos a ter o uso da razão começamos a menosprezar Vossa graça e Vosso amor. Mas melhor que nós o sabeis Vós e, apesar disso, nos suportastes porque nos amais muito. Fugíamos de Vós, e Vós Vos aproximastes chamando-nos. Aquele mesmo amor que Vos fez baixar do céu para buscar as ovelhas perdidas, fez com que nos suportásseis. Jesus, agora nos buscais e nós Vos buscamos. 

Percebemos que Vossa graça nos assiste; assiste-nos com a dor de nossos pecados, que odiamos mais que todos os outros males; assisti-nos com o desejo que temos de Vos amar e de Vos dar gosto. Sim Senhor nosso, queremos amar-Vos e tanto quanto possamos. Certo que tememos por nossa fragilidade e debilidade contraídas por causa de nossos pecados, mas muito amor é a confiança que Vossa graça nos infunde, fazendo-nos esperar em Vossos méritos e dando-nos grande ânimo para exclamar: "Tudo posso naquele que me conforta" (Phil. 4,13). Se somos débeis, Vós nos dareis força contra nossos inimigos; se estamos enfermos, esperamos que Vosso sangue seja nossa medicina; se somos pecadores, confiamos em que nos santificareis. Confessamos que no passado cooperamos com nossa ruína porque deixamos de recorrer a Vós nos perigos. De hoje em diante, Deus e esperança nossa, a Vós queremos recorrer e de Vós esperamos toda ajuda e todo o bem. 

Amamos-Vos sobre todas as coisas e nada queremos amar fora de Vós. Ajudai-nos, por piedade, pelo mérito de tantos sofrimentos que desde o princípio sofrestes por nós. Eterno Pai, por amor de Jesus Cristo, aceitai que Vos amemos. Se  Vos iramos, aplacai-Vos ao ver as lágrimas do menino Jesus, que Vos roga por nós: "Põe teus olhos na face de teu ungido" (Ps. 83,10). Não merecemos graças, mas merece-as esse Filho inocente, que Vos oferece uma vida de penas para que sejais conosco misericordioso. 

E Vós, Maria, Maria, Mãe Misericordiosa, não deixeis de interceder por nós; sabeis quanto confiamos em Vós, e sabemos bem que não abandonais a quem recorre a Vós. 

Cântico: Adeste, Fideles 

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Pensamento da noite de 20/12/2012


Dizia São Francisco de Sales que se caçam mais moscas com uma só colher de mel, que com cem barris de vinagre; e sendo-lhe objetado que São Paulo manda insistir "oportuna e importunamente", respondeu que toda a força deste logar do Apóstolo estava naquelas duas palavras, que se seguem: "com toda paciência e doutrina".

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

XVIII- Acerca da comunhão sacrílega

Nota do blogue: Agradeço a generosidade de uma preciosa alma por essa transcrição. Deus lhe pague, minha irmã. Com esse texto encerramos esse livro faltando apenas as orações finais que estão a ser feitas por outra irmãzinha. 

Indigna escrava do Crucificado e da SS. Virgem,
Letícia de Paula

P.S: Especial, em andamento formiguinha, AQUI.


Maria falando ao coração das donzelas
pelo Abade A. Bayle, 1917


I. Considera, ó Minha filha, que o crime daquele que oculta os seus pecados em confissão, por maior que seja, é sempre maior que o crime que se comete aproximando-se da sagrada mesa em estado de pecado. Ó ingratas criaturas! Na confissão profanam o sacramento das divinas misericórdias; na comunhão profanam o sacramento do amor infinito de Deus para com os homens; insultam o autor dos sacramentos e da graça na Sua própria pessoa, ó Minha filha, o pecado destes indignos excede demasiadamente a atrocidade do crime cometido por aqueles que sacrificaram o Meu divino Filho; porque esses O sacrificaram sobre o Calvário; os sacrilégios sacrificam-nO no coração, onde Lhe erigem um patíbulo bem mais doloroso e cruel. Os judeus crucificaram-nO durante a Sua vida mortal sobre a terra, onde viera morrer para a redenção do mundo; os sacrílegos sacrificam-nO no tempo em que vive glorioso no céu. Os judeus maltrataram-nO, por que O não conheciam, e os sacrílegos tratam-nO indignamente no ato mesmo em que O veneram e recebem como seu bem supremo e seu Deus. Finalmente, os judeus não O crucificaram mais que uma vez e os sacrílegos tantas quantas O recebem indignamente. Tratam-nO como Judas e mais horrivelmente ainda. O discípulo pérfido, com um falso beijo, traiu-O e entregou-O aos judeus a fim de que a sua cólera se saciasse sobre ele; mas os sacrílegos entregam-nO nas mãos do demônio que habita a sua alma, a fim de que Se torne brinquedo dele; ó perfídia! Ó afronta espantosa! A este crime horrível, os anjos que seguem Jesus por toda a parte derramam amargas lágrimas, e todas as criaturas estremecem de indignação.

4.º Dia - 19 de dezembro

Canta-se o cântico: Puer Natus 

A paixão de Jesus Cristo durou toda sua vida
Minha dor está sempre diante de mim. (Ps. 37,18) 


Consideremos como naquele primeiro instante em que foi criada e unida a alma de Jesus Cristo a Seu corpo, no seio de Maria, o Padre Eterno mostrou a Seu Filho Sua vontade de que morresse pela redenção do mundo; e naquele mesmo instante Lhe mostrou todas as penas que devia sofrer até a morte para redimir os homens. Mostrou-Lhe então todos os trabalhos, desprezos e pobreza que devia padecer em Sua vida, tanto em Belém como no Egito e em Nazaré, e depois todas as dores e ignomínias da paixão: açoites, espinhos, cravos e cruz; todos os tédios, tristezas, agonias e abandonos no meio dos quais havia de terminar Sua vida no Calvário. Abraão, conduzindo seu filho à morte, não quis afligi-lo dizendo-lhe antecipadamente que morreria, e isso no pouco tempo que era necessário para chegar ao monte. Mas o Eterno Pai quis que Seu Filho encarnado, destinado como vítima de nossos pecados à Sua justiça, padecesse imediatamente, pelo conhecimento delas, todas as penas a que depois teria que sujeitar-Se durante Sua vida e em Sua morte. Daí, a tristeza padecida por Jesus no Horto, capaz de tirar-Lhe a vida, como Ele declarou: "Minha alma está triste até a morte" (Mt. 26,38), padeceu-a também constantemente desde o primeiro momento em que esteve no seio de Sua Mãe. Assim, desde então sentiu vivamente e sofreu o peso reunido de todas as dores e vitupérios que O esperavam. A vida inteira e todos os anos de nosso Redentor foram cheios de penas e lágrimas: "Na dor se consome minha vida, e em soluços meus anos" (Ps. 30,11). Seu divino Coração não teve um momento livre de sofrimentos; quer vigiasse ou dormisse, quer trabalhasse ou descansasse, rezasse ou falasse, sempre tinha diante dos olhos essa amarga representação, que atormentava mais Sua santíssima Alma do que atormentaram  aos santos mártires todas as suas penas. Eles padeceram, mas, ajudados pela graça divina, padeceram com alegria e fervor. Jesus Cristo sofreu, mas sofreu sempre com o coração cheio de tédio e tristeza, e tudo aceitou por nosso amor. 

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

3.º dia da Novena de Natal - 18 de dezembro

Canta-se o cântico: Puer Natus 

Jesus faz-Se Menino para conquistar nossa confiança e nosso amor 
Um menino nos nasceu, um filho nos foi dado. (Is. 9,6) 


Consideremos como depois de tantos séculos, depois de tantas orações e pedidos, veio, nasceu e Se deu todo a nós o Messias, que não foram dignos de ver os santos patriarcas e profetas; o desejado pelos gentios, o desejado pelas colinas eternas, nosso Salvador: "Um menino nos nasceu, um filho nos foi dado". O Filho de Deus Se fez pequeno para fazer-nos grandes: deu-Se a nós para que nos déssemos a Ele; veio mostrar-nos Seu amor, para que Lhe déssemos o nosso. Recebamo-lO, pois com afeto, amemo-lO e recorramos a Ele em todas as nossas necessidades. As crianças, diz São Bernardo, facilmente concedem o que se lhes pede. Jesus veio como criança, para mostrar-nos que está disposto a dar-nos todos os Seus bens. "No qual se acham todos os tesouros" (Col. 2,3). "O Pai...entregou tudo em suas mãos" (Jo. 3,35).