sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Por que choras, Menino bom?

Por São João de Ávila, sermão de Natal. 
Pregado no dia de Santo Estevão (26 de dezembro)



O Menino chora na estreiteza do estábulo. Por que choras, Menino bom? Estará aqui presente algum grande pecador que trema quando Deus lhe disser: - "Onde estás?"? Que grande mal tê-lo ofendido muito, lembrar-se de vinte anos de grandes ofensas! Que resposta darás quando Deus te interpelar? 

Assim como tu tremes, tremiam os irmãos de José quando este lhes disse: "Eu sou José, vosso irmão, que vós vendestes (Gên 45, 4). E eles pensaram: "Infelizes de nós! Ele agora é Rei. Há de querer matar-nos, tem motivos e pode fazê-lo". Tremiam. É o pecador que treme por ter ofendido a Deus. Ofendestes a Deus e por isso tendes razão em tremer. Convido os que estão em erro, os que têm a consciência pesada e os grandes pecadores a ir até à manjedoura ver o Menino chorar. 

Por que chorais, Senhor? Os irmãos daquele José não ousavam aproximar-se dele, até que o viram chorar: "Eu sou vosso irmão, aproximai-vos, não tenhais medo. José levanta a voz, chora e, não contente com isso, conforme diz a Sagrada Escritura, beijou em seguida a cada um dos seus irmãos, chorando com todos eles (Gên 45, 15), e os irmãos pediram-lhe perdão. - "Não tenhais receio (Gên 45, 5)" - dizia-lhes ele -, "vendestes-me por maldade, mas, seu não tivesse vindo para cá, todos morreríeis de fome. Deus tira dos males o bem".

Menino, por que chorais? - "Para que os pecadores compreendam que, embora tenham pecado, devem aproximar-se de Mim sem temor, se se arrependerem de ter-Me ofendido". O Menino chora de ternura e amor. Bendito Menino! Quem Vos colocou nessa manjedoura senão o amor que tendes por mim? Fomos maus e ingratos, como contra o nosso irmão José. Vendemo-lO. Um disse: - "Prefiro cometer uma maldade a ficar com Cristo". Outro disse: - "Prefiro um prazer da carne a Ele". Vendemos o nosso Irmão, traí-mo-lO.

E José, o santo, convida-nos a aproximar-nos da manjedoura e a ouvir esse choro causado por cada um de nós. Se olhásseis para esse Menino com os olhos limpos, se adentrásseis na Sua alma, encontraríeis uma inscrição que vos diria: "Estou chorando por ti", pois desde a concepção Ele teve conhecimento divino e conhecia todos os nosso pecados e chorava por eles. E se está chorando pelos nossos pecados, que pecador não sentirá confiança, se quiser corrigir-se? Há algo no mundo que inspire mais confiança do que ver Cristo numa manjedoura, chorando pelos nossos pecados? 

Por que chorais? Que fazeis, Senhor? - "Começo a fazer penitência pelo que tu fizeste". Pois bem, que fará um cristão que olhe com olhos de fé para Cristo que chora pelos seus pecados? Ai de mim, porque tarde Vos conheci, Senhor! Ai de mim por tantos anos perdidos sem Vos conhecer! Quem se deixará dominar pela tibieza ao ver Deus humanado chorar? 

Fonte: O Mistério do Natal, São João de Ávila. 

XIX- Acerca da esperança temerária da salvação

Nota do blogue: Muito obrigada por essa transcrição, querida irmã Débora, tem me ajudado muito. Deus lhe pague!

Indigna escrava do Crucificado e da SS. Virgem,
Letícia de Paula

Maria falando ao coração das donzelas
pelo Abade A. Bayle, 1917




I. Como podes tu, Minha filha, esperar salvar-te enquanto não cessares de seguir o caminho que te conduz à perdição? Entre esse grande número de jovens cristãs que agora estão no inferno nenhuma queria ir para lá; pelo contrário, esperavam o paraíso. Mas uma foi surpreendida repentinamente pela morte em estado de pecado; outra por causa das suas grandes iniqüidades, muitas vezes renovadas, privada justamente dessas graças particulares tão necessárias para uma verdadeira conversão; aquela cativada pelo prazer criminoso que o pecado apresenta, não tendo sabido nem querido retirar-se da senda da perdição para onde corria dizendo: Ainda mais esta vez, ainda esta vez, depois cessarei: - aquela outra, deixando-se cegar pelo demônio a ponto de se persuadir que no momento da morte poderia reparar tudo por uma boa confissão. Ei-las todas precipitadas nos abismos onde são, para Deus, e para Mim, objeto de uma eterna inimizade. São inumeráveis, ó Minha querida filha, as ciladas armadas pelo inimigo, e desgraçado de quem se não aplica a evitá-las. São terríveis os julgamentos de Deus, e desgraçado de quem abusa da Sua bondade para ofender com mais audácia. Se para a salvação, ó Minha filha, fosse suficiente o desejo dela ninguém iria para o inferno, por que ninguém é tão louco que queira condenar-se. Mas o desejo não basta, se se não vive de modo a merecer o céu. Portanto quem te tornará digna dele, ó Minha filha? Será a dissipação, as vaidades, as imodéstias, as conversações livres? Serão a tua alegria folgada, a tua língua desenfreada, a tua desobediência, a tua indocilidade, a tua indevoção? Ah! Eis-aí o caminho que conduz à perdição! Tu segue-o, corres nele e queres gabar-te de te salvares! Caminhando para o inferno as piras chegar ao céu. Que loucura e que cegueira!

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Do repouso da alma recolhida em seu bem-amado

São Francisco de Sales

O Tratado do Amor de Deus
Livro sexto - Capítulo VIII


Estando, pois, assim recolhida dentro de si mesma em Deus ou diante de Deus, a alma torna-se às vezes tão docemente atenta à bondade do seu bem-amado, que lhe parece que a sua atenção quase não seja atenção, tão simples e delicadamente é exercida: como sucede em certos rios que correm tão doce e igualmente, que, aos que os olham ou que sobre eles navegam, parece não verem nem sentirem nenhum movimento, porque absolutamente não se vêem tais rios ondular nem crispar-se. E é a esse amável repouso da alma que a bem-aventurada virgem Teresa de Jesus chama oração de quietude, quase não diferente daquilo que ela mesma denomina sono das potências, se todavia bem o entendo.
De certo, os amantes humanos contentam-se às vezes com estar junto ou à vista da pessoa a quem amam, sem lhe falarem, e sem discorrerem consigo mesmos nem sobre ela nem sobre as suas perfeições, saciados, ao que parece, e satisfeitos de saborearem essa bem-amada presença, não por qualquer consideração que sobre ela façam, mas por um certo aplacamento e repouso que seu espírito haure nela. Meu bem-amado me é um ramalhete de mirra, ficará sobre meu seio (Cânt 1, 12). Meu bem-amado é meu, e eu sou dele, que se apascenta entre os lírios, enquanto o dia ascende e as sombras se inclinam (Cânt 2, 16-17). Mostrai-me, pois, ó amigo de minha alma, onde pasceis, onde vos deitais ao meio-dia (Cânt 1, 6). Estais vendo, Teótimo, como a santa Sulamita se contenta com saber que seu bem-amado esteja com ela, ou no seu parque, ou noutro lugar, desde que saiba onde ele está: por isso ela a Sulamita está bem calma, bem tranquila e em repouso.
Ora, esse repouso passa algumas vezes tão adiante na sua tranquilidade, que toda a alma e todas as potências desta ficam como que adormecidas, sem fazerem nenhum movimento nem ação qualquer, exceto a vontade; a qual aliás não faz nenhuma outra coisa senão receber o contentamento e a satisfação que a presença do bem-amado lhe dá. E o que é ainda mais admirável é que a vontade não percebe essa satisfação e esse contentamento que ela recebe, fruindo insensivelmente dele, visto que não pensa em si, mas naquele cuja presença lhe dá esse prazer; como múltiplas vezes sucede que, surpreendidos por um sono leve, nós apenas entrevemos aquilo que nossos amigos dizem ao redor de nós, ou quase imperceptivelmente sentimos as carícias que eles nos fazem, sem sentirmos que sentimos.
Não obstante, a alma que nesse doce repouso goza desse delicado sentimento da presença divina, embora não perceba esse gozo, testemunha todavia claramente o quanto essa felicidade lhe é preciosa e amável, quando lha querem tirar, ou quando alguma coisa a desvia dela: porque então a pobre alma faz queixas, grita, às vezes até chora como uma criancinha a quem acordaram antes de haver dormido e bastante, a qual, pela dor que sente com o seu despertar, bem mostra a satisfação que tinha no seu sono. Pelo que o divino pastor adjura as filhas de Sião, pelos corços e veados das campinas, a que não acordem a sua bem-amada até que ela o queira (Cânt 8, 4), isto é, até que ela acorde por si mesma. Não, Teótimo, a alma assim tranquila em seu Deus não deixaria esse repouso por todos os maiores bens do mundo.
Tal foi quase a quietude da santíssima Madalena quando, sentada aos pés de seu Mestre, escutava a sua santa palavra (Lc 10, 39). Vede-a, rogo-vos: ela está sentada numa profunda tranquilidade, não diz palavra, não chora, não soluça, não suspira, não se mexe, não ora. Marta, azafamada, passa e terna a passar por dentre da saleta; Maria não pensa nisso. E que faz então? Não faz nada, mas escuta. E que quer dizer escuta? Quer dizer está ali como um vaso de honra a receber gota a gota a mirra de suavidade que os lábios de seu bem-amado destilavam no seu coração (Cânt 5, 13); e esse divina amante, cioso do amoroso sono e repouso daquela bem-amada, repreendeu Marta, que queria acordá-la: Marta, Marta, estás muita atarefada, e te perturbas com muitas coisas: uma só entretanto é necessária: Maria escolheu a melhor parte, que lhe não será tirada (Lc 10, 41-42). Qual foi, porém, a parte ou porção de Maria? Ficar em paz, em repouso, em quietude ao pé do seu doce Jesus.
Os pintores pintam ordinariamente e dileto São João na ceia, não somente repousando, mas dormindo sobre o peito de seu Mestre, porque ele ali esteve sentado à maneira dos Levantinos, de modo que a sua cabeça tendia para a seio de seu caro Mestre; e como ele não dormia sobre este de sono corporal, não havendo nenhuma verossimilhança nisto, assim também não duvido que, achando-se tão perto da fonte das doçuras eternas, ele ali não tivesse um profundo, místico e doce sono, como um filho de amor que, agarrado ao seio de sua mãe, mama dormindo, e dorme mamando. Ó Deus! que delícias para aquele Benjamim, filho da alegria de Salvador, de dormir assim nos braços de seu Pai, que, no dia seguinte, como o Benoni, filho de dor, o recomendou aos doces seios de sua mãe! Nada é mais desejável à criancinha, quer esteja acordada quer durma, do que o peito de seu pai e o seio de sua mãe.
Quando, pois, estiverdes nessa simples e pura confiança filial junto a Nosso Senhor, ficai nela, meu caro Teótimo, sem absolutamente vos mexerdes para fazerdes atos sensíveis, nem do entendimento nem da vontade; porque esse amor de simples confiança e esse adormecimento amoroso de vosso espírito nos braços de Salvador abrange por excelência tudo e que aqui e acolá ides procurando para vosso gosto. É melhor dormir sobre esse sagrado peito, da que velar alhures onde quer que seja. 

Johann Friedrich Fasch: Lute Concerto in D Minor: Andante


quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Pequeno especial sobre a família e filhos!

Nota do blogue: Segue um pequeno especial com alguns textos interessantes quanto a formação de uma família. Como já dito anteriormente, a Igreja que é Mãe e Mestra, sabe o sofrimento daquelas famílias que não puderam ter filhos (ou muitos filhos) ou por privação divina (esterilidade) ou por uma extrema necessidade financeira ou de risco (exceção), mas ela nunca deixou de ensinar a regra e isso se comprova pelos textos abaixo que apesar das diversidades em estilo mantém a regra em sua integridade.

Indigna escrava do Crucificado e da SS. Virgem,
Letícia de Paula


1- Encíclica Casti Connubbi, Pio XI (grifos meus)

"No momento em que nos preparamos para expor quais e quão grandes sejam estes bens divinamente concedidos ao verdadeiro matrimônio, acodem-Nos à mente, Veneráveis Irmãos, as palavras daquele preclaríssimo doutor da Igreja, que recentemente comemoramos com a Encíclica Ad salutem, no XV centenário de sua morte [Enc. Ad salutem, 20 de abril de 1930]: “São todos estes os bens”, diz Santo Agostinho, “por causa dos quais as núpcias são boas: a prole, a fidelidade, o sacramento” (Santo Agost. De bono conj. c. XXIV, n. 32).” (S. Agost. De Gen. ad lit., livro IX., cap. VII; n. 12)." 

"Entre os benefícios do matrimônio ocupa, portanto, o primeiro lugar a prole. Em verdade, o próprio Criador do gênero humano, o qual, em sua bondade, quis servir-se do ministério dos homens para a propagação da vida, nos deu este ensino quando, no paraíso terrestre, instituindo o matrimônio, disse aos nossos primeiros pais e, neles, a todos os futuros esposos: “crescei a multiplicai-vos e enchei a terra”. (Gen 1, 28). Esta mesma verdade a deduz brilhantemente Santo Agostinho das palavras do Apóstolo S. Paulo a Timóteo (1 Tim 5, 14), dizendo: “que a procriação dos filhos seja a razão do matrimônio o Apóstolo o testemunha nestes termos: eu quero que as jovens se casem. E, como se lhe dissessem: mas por quê?, logo acrescenta: para procriarem filhos, para serem mães de família”. (S. Agost. De bono conj. cap. XXIV, n. 32).

"54. Mas, para tratarmos agora, Veneráveis Irmãos, de cada um dos pontos que se opõem aos diversos bens do matrimônio, falemos primeiro da prole, que muitos ousam chamar molesto encargo do casamento e afirmam dever ser evitada cuidadosamente pelos cônjuges, não pela honesta continência (permitida até no matrimônio, pelo consentimento de ambos os cônjuges), mas viciando o ato natural. Alguns reclamam para si esta liberdade criminosa, porque, aborrecendo os cuidados da prole, desejam somente satisfazer a sua voluptuosidade, sem nenhum encargo; outros porque, dizem, não podem observar a continência nem permitir a prole, por causa das dificuldades quer pessoais, quer da mãe, quer da economia doméstica.

"55. Mas nenhuma razão, sem dúvida, embora gravíssima, pode tornar conforme com à natureza e honesto aquilo que intrinsecamente é contra a natureza. Sendo o ato conjugal, por sua própria natureza, destinado à geração da prole, aqueles que, exercendo-a, deliberadamente o destituem da sua força e da sua eficácia natural procedem contra a natureza e praticam um ato torpe e intrinsecamente desonesto."

"qualquer uso do matrimônio em que, pela malícia humana, o ato seja destituído da sua natural força procriadora infringe a lei de Deus e da natureza, e aqueles que ousarem cometer tais ações se tornam réus de culpa grave."

"58. Por isso, em virtude da Nossa suprema autoridade e do cuidado da salvação de todas as almas, advertimos aos sacerdotes que se entregam ao Ministério de ouvir confissões, e todos os outros curas de almas, que não deixem errar os fiéis que lhes foram confiados em ponto tão grave da lei de Deus, e muito mais que se conservem eles próprios imunes dessas perniciosas doutrinas e que, de nenhum modo, sejam coniventes com elas. Se, porém, algum confessor ou pastor de almas, o que Deus não permita, induzir ele próprio nestes erros os fiéis que lhe foram confiados, ou ao menos, quer aprovando, quer se calando culposamente, neles os confirmar, saiba que tem de dar contas severas a Deus, Supremo Juiz, de ter traído a sua missão, e considere que lhe são dirigidas aquelas palavras de Cristo: “São cegos e guias de cegos; e, se o cego serve de guia ao cego, ambos cairão no abismo” (Mt 15, 14; Santo Ofício, 22 de novembro 1922)."

"Exageros - 59. As causas por que se defende o mau uso do matrimônio são, não raras vezes, imaginárias ou exageradas, para não falarmos nas que são vergonhosas. A Igreja, todavia, como piedosa Mãe, conhece e sente admiravelmente tudo o que se diz a respeito da saúde da mãe e do perigo da sua vida. E quem poderá considerar esses perigos sem viva comiseração? Quem não sentirá a maior admiração ao ver a mãe oferecer-se, com heróica fortaleza, a uma morte quase certa, para conservar a vida ao filho que concebeu? Tudo o que ela tiver sofrido para cumprir plenamente o dever natural, só Deus, riquíssimo e misericordiosíssimo, lho poderá retribuir e lho dará certamente não só em medida cheia mas superabundante (Lc 6, 38).

"O pretexto econômico - 61. Penetram igualmente no íntimo do Nosso espírito os lamentos daqueles cônjuges que, oprimidos duramente pela falta de meios, têm gravíssima dificuldade para alimentar os seus filhos. 62. Mas devemo-nos acautelar cuidadosamente de que as deploráveis condições das coisas naturais dêem ocasião a erro muito mais funesto. Nenhumas dificuldades podem surgir que sejam capazes de levar à obrigação de derrogar os mandamentos de Deus, os quais proíbem os atos intrinsecamente maus, pois em todas as conjunturas sempre podem os cônjuges, com o auxílio da graça de Deus, desempenhar-se fielmente em sua missão e conservar no matrimônio a castidade, ilibada de tal mácula vergonhosa; porque é incontestável a verdade da fé cristã expressa pelo magistério do Concílio de Trento: “Ninguém deve pronunciar estas palavras temerárias, condenadas pelos padres com anátema: é impossível o homem justificado observar os preceitos de Deus — porque Deus não ordena coisas impossíveis, mas quando ordena adverte que faças o que possas e peças o que não possas e ajuda a poder” (Conc. Trid., Ses. VI, Cap. 11). Esta mesma doutrina foi pela Igreja solenemente repetida e confirmada na condenação da heresia jansenista, que tinha ousado proferir contra a bondade de Deus esta blasfêmia: “Alguns preceitos de Deus são impossíveis aos homens justos que queiram e procurem observá-los, segundo as forças que presentemente têm; e falta-lhes a graça que os torne possíveis” (Const. Apost. Cum occasione, 31 maio 1653, prop. 1).

2- O valor do filhos na família (Monsenhor Tihamér Tóth)

3- Neo-maltusianismo - Um grande golpe do inimigo (Pe. Álvaro Negromonte)

4- Falsos motivos (Pe. Álvaro Negromonte)

5- Casal sem filho (Monsenhor Tihamér Tóth)


7- O golpe profundo (Pe. Álvaro Negromonte)

8- Muitos filhos: confiança em Deus (Pe. Álvaro Negromonte)

9 -Muitos filhos e muitos netos (Monsenhor Tihamér Tóth)

10- Filho não é doença (Pe. Geraldo Pires de Souza)

11-A mulher e o divórcio (Pe. Leonel Franca)

12- Doutrinas anticoncepcionais -STOP (Cônego Jean Viollet)


14- O divórcio e a prole (Pe. Leonel Franca)

15- O filho único e a família numerosa (Cônego Jean Viollet )

O mal menor visto como bem!

“Crescei e multiplicai-vos e enchei a terra.”
Gênesis 1,28


Uma ordem estabelecida por Deus mais clara que essa é impossível. Objetiva e simples como as coisas de Deus são. Frase que causa horror ao mundo, incômodo aos egoístas e impacta aqueles casais ditos “católicos” que ainda não compreenderam bem o sentido do Sacramento.  Uma frase que deveria estar na ponta da língua de todo aquele que almeja o matrimônio como estado de vida ou ensinar e encaminhar nesse estado de vida seus filhos.
Que hoje a nossa cultura – paganizada – prega normas hedonistas que tentam destruir essa ordem divina, isso é fato; que inúmeros padres (por má formação ou não) por medo de serem devorados pelo mundo, por status ou por qualquer outra razão pouco católica e covarde deixaram de pregar o que é simples, como as coisas de Deus são, isso é fato; que tudo a nossa volta corrobora para que essa ordem estabelecida por Deus aos casais seja esquecida e vista como algo ultrapassado, inviável e impossível, isso também é fato, mas comprovar (com fatos) o erro disseminado entre nós, católicos, não nos dá o direito de tentarmos combatê-lo com outros erros ou com duplicidades ou ensinamentos ambíguos, não! A ordem estabelecida por Deus é simples, como as coisas de Deus são simples.
Se a Igreja, por ser Mãe e Mestra, permite (não aprova) o espaçamento de filhos por métodos naturais, num caso de EXTREMA necessidade (algo a ser analisado entre o casal com reta intenção e com o acompanhamento de um sacerdote CATÓLICO), eu não posso pegar esse mal menor (pois não deixa de ser um mal; um espaçamento de filhos é a ausência do bem [fim primeiro do matrimônio] por um determinado tempo) e utilizá-lo como uma solução para aqueles que estão perdidos entre os métodos artificiais (mal maior) que além de ir de encontro com a ordem estabelecida por Deus (“Crescei e multiplicai-vos e enchei a terra.”) é abortiva. O raciocínio é falho e as consequências são perigosíssimas, pois não se mudará aqui a mentalidade maculada e sim apenas a suavizará e o que é pior fará com os demais vejam um mal (mesmo que menor não deixa de ser um mal) como um bem e quem faz isso é a serpente... eu não posso lidar com esse assunto (primordial) como eu trato uma recuperação de um acidentado que precisa passar por etapas de recuperação, não! O fato de um caso ou outro ser permitido o uso de veneno (cobra) para a recuperação de um picado, não me permite indicar veneno de cobra para todos os casos, não deixa de ser veneno, ou seja, se a Igreja, permite (não aceita, que fique bem claro) que um ou outro casal, por um determinado tempo e por motivos justos e reais espacem os filhos, ela como que utiliza de um tratamento (para a picada da cobra) para aquele caso específico, mas isso não significa que o remédio para o grande mal desse catolicismo atual cômodo, ignorante, egoísta, hedonista esteja nisso. Quer curar essa grande ferida existente entre nós, ensine a Verdade (o bem), a ordem estabelecida por Deus e que não deve (por nós leigos) ser acrescida independente se o resultado primeiro possa parecer positivo, não, o mal maior não se cura com o mal menor e sim com o bem.
"A opinião de São Paulo é que as núpcias devem ser contraídas por motivo da prole. Quero, continua o bispo de Hipona, quero que as moças se casem, para procriarem os filhos e serem boas mães de família". (A Igreja e seus mandamentos e sacramentos por Monsenhor Henrique Magalhães). E sabemos que essa ordem estabelecida por Deus traz consigo outra responsabilidade que é a educação da prole, não basta tê-los é necessário tê-los e educá-los para pertencerem e amarem a Deus, mas isso fica para outra oportunidade, se necessário.

Indigna escrava do Crucificado e da SS. Virgem,
Letícia de Paula

Em tempo:

1 - O Método de Ovulação Billings tem sido divulgado como um mal menor, mas aos que não têm base moral, encararão esse permissão (e não aceitação) como um bem e que "pode" ser praticado como regra e não como exceção (sic).

2- Não estou a julgar se o método citado tem outros benefícios, o que digo é que ele sendo usado como método natural contraceptivo (mal menor) não pode ser tido em alta valia como o bem (procriação).

3- O mal só é combatido com o bem (na regra), e não com sua parcela menor (em alguns casos, por exceção), portanto, não me venham dizer que é possível salvar a humanidade com um mal menor, quando a verdade está disponível com o simples e imutável. Quer fazer um bem aos casais ou futuros casais? Simples, uma frase curta e profunda! “Crescei e multiplicai-vos e enchei a terra.”

VIII - O Julgamento Particular

Nota do blogue: Muito obrigada por essa transcrição, grande Alexandria Católica e parabéns pelo edificante blogue!

Maria falando ao coração das donzelas
pelo Abade A. Bayle, 1917



I. A morte afrontosa do pecador, ó Minha filha, horroriza todas as almas que têm fé, temor de Deus e desejo da sua eterna salvação; mas o julgamento que segue imediatamente à morte, não é menos temível nem medonho. Medita-o, pois e aprenderás o que deves temer, se não és fiel às obrigações contraídas com teu Deus. Que horrível surpresa para uma alma culpada, ver-se transportada; num momento ao meio do imenso oceano da eternidade, pobre, nua, abandonada de tudo, exceto dos seus pecados; forçada a apresentar-se perante o tribunal de Deus Todo Poderoso, onde as intrigas, as mentiras, o embuste e a fraude nada podem, de onde são excluídas as proteções e as considerações humanas, onde tudo é punido ou recompensado conforme os rigores da justiça, onde é preciso prestar conta mesmo de uma palavra inútil, onde nada pode escapar ao olhar penetrante de Deus! De que terror ela será atacada vendo-se de repente perante um Deus irritado por tantas culpas, prestes a pronunciar a sentença que vai decidir da sua sorte durante toda a duração dos séculos eternos! Todos os seus crimes, todos os seus erros, se lhe apresentarão no pensamento e não lhe permitirão defender-se, desculpar-se ou escusar-se. Presentemente a mocidade desenfreada vive loucamente, ri-se de Deus, não teme as suas ameaças, não se assusta dos seus castigos, não se espanta dos seus julgamentos; mas nessa terrível transformação de cena, a ilusão desaparece, e não lhes resta mais que o terror e o desespero. A alma então amaldiçoa os seus vícios, as incredulidades, a libertinagem, os prazeres, Oh! Como ela quereria voltar à terra para reparar o mal feito! Mas todo o desejo do ímpio expiraria nesse momento. É tempo ainda, Minha filha, prepara-te de modo a não teres de corar nesse dia de pavor por tua eterna e irreparável condenação.

Novembro - Mês das Almas do Purgatório - 30 e Dia Seguinte

Fonte: Almas devotas

Retirado do livro
Mês das Almas do Purgatório
Mons. José Basílio Pereira
 livro de 1943 
(Transcrito por Carlos A. R. Júnior)


DIA 30
III. Evitar também o pecado venial

Ainda uma lição só, uma das mais úteis para minha alma.
É a queixa que se ouve de quase todas as almas do Purgatório, pois quase todas sofrem por não terem compreendido bas­tante o alcance do pecado venial.
«Nós dizíamos na terra: É um simples pecado venial, e nos deixávamos levar por esse pendor de nosso coração, nos deixávamos ganhar por essa pequena sa­tisfação dos sentidos. Mas, como se dis­sipou essa ilusão, quando, à hora da mor­te, vimos, na luz do Senhor, as lamentá­veis consequências dessas faltas!
Felizes, todavia, por não nos terem sido de mais terríveis consequências! Sim, esses pecados veniais podiam nos conduzir ao inferno.
Os pecados veniais não condenam, é certo, mas, com inteligência, com malícia, em grande número e sem que se os apa­gue com a devida penitência, conduzem pouco a pouco, por um declive insensível, mas resvaladiço, ao pecado mortal que condena.
Conduzem a esse termo fatal pelo en­fraquecimento progressivo de todas as forças vivas da alma:
Pela diminuição do horror do mal;
Pela excitação e desenvolvimento das paixões;
Pela subtração de certas graças espe­ciais de distinção;
Por mil caminhos a um tempo.
E quando a alma, neste estado, não se converte, muitas vezes só a morte, vindo-lhe ao encontro, pode livrá-la de rolar até o fundo do abismo: porém, oh! Deus nem sempre usa a misericórdia de enviar a morte bastante cedo para prevenir que o homem nessa voluntária cegueira consu­ma a sua desgraça!
Deus nos fez esta graça: deu-nos a morte em hora oportuna; mas, terrível castigo o nosso! que dura expiação a que sofremos!

Novembro - Mês das Almas do Purgatório - 29

Fonte: Almas devotas
Retirado do livro
Mês das Almas do Purgatório
Mons. José Basílio Pereira
 livro de 1943 
(Transcrito por Carlos A. R. Júnior)



DIA 29
II. Reparar os pecados pela penitência

Santa Brígida viu, um dia, ante o So­berano Juiz, uma alma do Purgatório, que estava trêmula e confusa e a quem era intimada que declarasse publicamente os pecados que não tinham sido seguidos de penitência suficiente e que lhe haviam me­recido a punição que sofria.
A alma exclamava com uma voz que cortava o coração: Infeliz de mim, infeliz! — e em soluços, fazia a enumeração de tudo o que a manchava e prendia tão longe do Céu.
Não reproduziremos essa visão, mas dela extrataremos a relação das principais faltas que, como vermes roedores, torturam uma pobre alma do Purgatório.
«Perdi meu tempo, esse tempo bem pre­cioso do qual todos os momentos podiam servir para expiar meus pecados, praticar uma virtude, merecer o Céu: eu o perdi em conversações fúteis, em ocupações banais e sem objeto, em leituras recrea­tivas demasiado prolongadas; — é por isso que sofro!
Esqueci por negligência minhas penitên­cias sacramentais: as fiz mal por dissipação, e aceitei-as sem espírito de fé: — é por isso que sofro!
Caí em murmurações contra meus supe­riores, meu confessor, meus parentes; mur­murações leves, sem dúvida, mas partidas do amor próprio magoado, da falta de res­peito, do ciúme; — é por isso que sofro!
Consenti em pensamentos de vaidade a respeito do trajar, sobre os acessórios da casa, acerca de predicados de família; vesti-me com orgulho, segui as modas com ostentação, afetei um asseio exagerado; — é por isso que sofro.

Novembro - Mês das Almas do Purgatório - 28

Fonte: Almas devotas
Retirado do livro
Mês das Almas do Purgatório
Mons. José Basílio Pereira
 livro de 1943 
(Transcrito por Carlos A. R. Júnior)


LIÇÕES DADAS PELAS ALMAS DO PURGATÓRIO

DIA 28
I. Horror ao pecado

Que boas lições, diz o Padre Faber, po­demos retirar da meditação do Purgatório!
A primeira, a que domina todas as ou traz, é o amor da pureza, em geral, e como consequência, o temor de ofender a Deus, a fuga das ocasiões do pecado, — o desejo de mortificar-se para expiar as próprias faltas, — o zelo em ganhar as indulgências.
Apenas desprende-se do corpo, a alma se encontra, sem poder explicar como se dá isto em face de Deus, a quem vê, a quem conhece… e sente-se naturalmente atraída a ele com uma violência que nada tem de comparável na terra… Mas, de re­pente, revela-se-lhe a pureza de Deus, — essa pureza que é alguma coisa de indizível em linguagem humana, e, conhecendo-se ainda maculada, embora levemente, concebe tal horror de seu estado e logo tal desejo de se purificar para se unir a Deus, que se precipita incontinente nas chamas do Purgatório onde espera a sua purificação.
Assim entende Santa Catarina de Gê­nova, a qual acrescenta: «Se esta alma conhecesse outro Purgatório mais terrível, em que se purificasse mais depressa, aí é que ela se arrojaria na veemência de seu amor por Deus. Havia de preferir mil vezes cair no inferno a comparecer ante a Divina Majestade com a mais ligeira mancha.»
E, no Purgatório, essa alma justa e amante deixa de olhar tudo o mais para fixar duas coisas: a pureza de Deus a quem ama, e a necessidade de se tornar digna dessa pureza.
Entretanto, sofre, e sua dor é tanto mais viva quanto ela ignora completamente quando cessará o exílio que a tem longe de Deus! Diz ainda Santa Catarina: «É tão cruciante a pena, que a língua não pode exprimi-la, nem a inteligência con­ceber-lhe o rigor. Conquanto Deus em sua bondade me tenha permitido entrevê-la um instante, não a posso descrever… Todavia, se uma alma, que ainda não está purificada, fosse admitida à visão de Deus, sofreria dez vezes mais do que no Purga­tório; porque não estaria em condições de acolher os efeitos dessa bondade ex­trema e misericordiosa justiça. »
Não é verdade que tal doutrina nos faz temer a menor falta e amar cada vez mais a pureza? Roguemos às almas do Purgatório que nos alcancem o horror do pecado.


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Trecho extraído do livro - Mês das Almas do Purgatório - Mons José Basílio Pereira - 10.ª Edição - 1943 - Editora Mensageiro da Fé Ltda. - Salvador - Bahia.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Por que numa manjedoura?

Por São João de Ávila, Sermão de Natal. 
Pregado no dia de Santo Estevão (26 de dezembro)


E o reclinou numa manjedoura (Lc 2, 7).


Por que numa manjedoura? Precisamos da luz de Deus para compreendê-lo. 

Minha Mãe, mais terna que todas as mães, por que tiraste o Menino dos Vossos braços e O colocaste na manjedoura? Não vês que aí não há almofadas? Senhora, não estava mais quente e mais aconchegante nos Vossos braços do que na dura manjedoura? Então por que O colocaste aí? Porque não havia lugar para eles na estalagem (Lc 2, 7). Que condenação das minhas riquezas, dos meus prazeres e dos meus desvarios! 

Senhor, Vós que dais morada aos homens e ninhos às aves, Vós que a todos recebeis, não tendes um lugar para Vós mesmo? Se não havia lugar na hospedaria, não haveria lugar no Vosso regaço, Senhora? Vós valeis mais que os palácios, que os homens e os anjos; mais contente está Ele nos Vossos braços do que em palácios ou mesmo nos céus. Não havia lugar no Vosso colo? Dizei-nos, pelo amor que tens ao Vosso Filho, por que O tirastes do Vosso regaço e O colocaste na manjedoura.

Grave-se isto nos vossos corações: tudo o que a Virgem Maria fez com o Seu Filho foi por graça e iluminação do Espírito Santo. Assim como o concebeu pelo Espírito Santo, assim também aprendeu d'Ele a cuidar do Seu Filho. Essa mesma graça nos é necessária, tanto para que Cristo entre nas nossas almas como para que possamos conservá-lO e não O percamos. Mas continuamos a perguntar: Senhora, por que o tiraste dos Vossos braços e O colocaste na manjedoura? 

Para me curar. 

O próprio Filho, pela ação do Espírito Santo, A inspirou a colocá-lO na manjedoura. E já que foi Ele quem A inspirou, perguntemos-Lhe: - "Por que quereis, Menino, sair dos braços da Vossa Mãe e colocar-Vos na manjedoura?" - "Para dar uma grande bofetada na vossa tibieza e frouxidão!"

Não o fez sem causa, e praza a Deus que, tendo agido assim, alcance de nós o que deseja. - "Senhor, por que na manjedoura?" - "Porque Adão, ao pecar, foi jogado no lugar dos animais. O homem que vive da opulência e não reflete é semelhante ao gado que se abate (Sl 48, 21)". Seu criou este mundo para os animais e o paraíso terrestre para os homens. Adão pecou, e por isso vive no lugar dos animais. E porque este Menino veio pagar o mal que Adão cometera, sai do lugar onde estava tão feliz, o ventre de Sua Mãe bendita, e é desterrado para o lugar dos animais. 

Dizei-me: há lugar mais desprezível para um recém-nascido do que uma manjedoura e, depois de crescido, do que uma cruz? Senhor, sabíeis que o homem tem o coração empedernido, e por isso o Alto teve de descer tão baixo, a fim de dizer aos homens que eles se enganam ao procurar riquezas, honras e deleites na terra: "Ou Cristo está enganado" - diz São Bernardo - "ou os homens mentem e se enganam com as suas riquezas e deleites. Ora, é impossível que Cristo se engane, mas os homens enganam-se facilmente"* .

Como podes, homem regalado, continuar a viver entre molícies e deleites, vendo Cristo numa manjedoura?Não te envergonhas, tu que só buscas honrarias? Como podes suportá-lo? Se te lembrares de que Cristo está numa manjedoura, não sentirás vergonha de tanto te enalteceres neste mundo? Ele é o Filho muito amado de Deus Pai, mas quando nasce é numa manjedoura, quando morre é numa cruz! 

In Nativ. Domini sermo, 3, 1; ML 183, 123. 

Livro: O Mistério do Natal, São João de Ávila.

XVII- Acerca da confissão sacrílega

Nota do blogue: Meu agradecimento à Débora por essa transcrição. Deus lhe pague, minha irmã.

Indigna escrava do Crucificado e da SS. Virgem,
Letícia de Paula

P.S: Especial, em andamento formiguinha, AQUI.

Maria falando ao coração das donzelas
pelo Abade A. Bayle, 1917


I. Considera, ó Minha filha, o grande mal que se comete ocultando as culpas em confissão. De quantos infelizes se ri o demônio que põe em campo todas as manhas para os perder eternamente! O temor e a vergonha que experimenta naturalmente aquele de que a consciência não está pervertida, tendo de abandonar-se ao pecado, inspira-lha Deus para a impedir de ceder à tentação. Mas a sede ímpia do prazer, a confiança de que facilmente se poderá fazer penitência, que facilmente se obterá o perdão de Deus, são artifícios diabólicos pelos quais o demônio se aplica a dissimular o horror do pecado e impelir as almas para o precipício. Num tal perigo, que fazem tantas desgraçadas? Atraídas e seduzidas pela enganadora suavidade que lhes apresenta, desprezam a voz de Deus. Fazem calar a consciência, e aproximando dos seus lábios a taça envenenada, fogem das mãos de Deus para se lançarem nos braços do espírito maligno que as seduziu. A conveniência, a ordem de seus pais, o respeito humano, obriga-as a confessarem-se; fazem-o, mas, ó Deus! Não é de modo nenhum para se purificarem de suas culpas, é para cometê-las maiores. Um pecado já cometido leva-as a outro, e o abismo arrasta-as para outro abismo mais profundo. Então, essa vergonha que devia ser-vir-lhes de freio, inspira-lha o demônio a fim de que ela seja para estas desgraçadas um obstáculo invencível que as impeça de declararem as suas culpas, cometidas com a esperança de confessarem-se delas. Daí provém que muitas vezes, são inúteis os esforços do ministro sagrado para levá-las a uma confissão sincera; inúteis são os remorsos e as luzes que lhes comunica o Seu divino Filho; inúteis são os incentivos da graça divina. Teimam no silêncio, e depois de estarem tornadas rebeldes pelo pecado, tornam-se sacrílegas profanando o sacramento da penitência. Oh! Minha filha, quantas cristãs indignas não tenho visto que, por esta mal entendida vergonha, tem trocado em instrumento de condenação um sacramento instituído para a sua salvação. Será tu do número? Pensa nisso detidamente.

II. Considera além disso, ó Minha filha! O precipício cada vez maior onde as arrasta o demônio depois de lhe ter feito cometer esse sacrilégio. Persuadindo-as que confessar então um pouco mais ou menos as culpas é a mesma coisa, excita-as a enodoarem-se sempre de novos pecados. As desgraçadas caem demasiadamente neste laço. Mas quando poderão realizar a sua esperança? Será quando as suas iniqüidades tenham crescido sem medida? Quando a alma estiver incapaz de se pôr a caminho da salvação? Quando o excesso das suas culpas lhes cegar a inteligência, endurecer o coração e perverter a vontade? Ai! As desgraçadas não refletem que a vergonha aumenta à maneira que aumentam os pecados, que talvez então lhes falte a graça de que carecem para bem se confessarem, que Deus lha recusaria indignado pelo desprezo que por ela tiveram quando lha oferecia: que, cortando-lhes dum golpe o fio da vida, as precipitará na perdição. Ó Minha querida filha, quantas têm sido arrastadas ao inferno por essa falsa confiança! Esperavam poder vencer um dia a vergonha de se confessar, mas esse dia não chegou. Em seu lugar veio o dia do Senhor para as punir como merecia o seu horrível sacrilégio. Algumas lisonjeavam-se de obter misericórdia por meio de grandes penitências sem passar pela dura obrigação de confessar os pecados de que tinham tanta vergonha; mas Deus é constante nos Seus decretos, ó Minha filha! Quem quer alcançar o perdão das suas culpas, deve-as confessar; tal é a Sua lei. Não quiseram observá-la e condenaram-se. Por seu exemplo, ó Minha filha, aprende o que te espera, se como elas te deixares enganar pelo demônio.