quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Rodolfo Komórek - O "Padre Santo"


Ébion de Lima


 Quando vem uma criança ao mundo, vem dizer-nos, segundo o poeta Kipling, que Deus ainda não se enfarou dos homens.
E quando nasce um santo, ele vem dizer mais. Ele vem dizer que Deus, apesar de tudo está presenteando a humanidade.
No dia 11 de outubro de 1890, o presente de Deus aos homens chamou-se Rodolfo Komórek.
Nasceu na cidade de Bielsko, segundo a denominação polonesa, ou Bielitz, em língua alemã. Esta cidade, de uns 30.000 habitantes, está na Silésia, um dos pedaços de terra da Europa Central mais maltratados pelos... tratados.
Retalhada e distribuída ora à Polônia, ora à Prússia, ora à Checoslováquia, era da Áustria quando nasceu Rodolfo.
Em 1919 uma parte retomou à Polônia. Em 1945 o restante. Agora, infelizmente, é uma das tantas fatias mal digeridas no bojo do imperialismo soviético.
O pai de Rodolfo chamava-se João.
Um ferreiro de físico arrojado. Semblante severo e franco, rabiscado por um exuberante bigode retorcido que lhe acentuava a personalidade respeitável de pai de família à moda antiga. 
Afeito ao trabalho, assíduo e pesado. Tirava biblicamente do suor de seu rosto à beira da forja, o pão para os filhos. E eram sete!
Uma das suas ambições consistia em querer decididamente resgatar a sua descendência daquela condição humilde de vida esfalfante; subtrair os filhos à obscuridade mediante educação esmerada e instrução superior, "para que, dizia, não tenham que mourejar assim tão duramente como eu".
E seus esforços, parece que não iludiram as suas esperanças, aliás justas.
Sem contar Maria que foi apenas uma boa dona de casa, dos outros cinco filhos que chegaram à idade adulta, Wanda se fez professora, Roberto tornou-se engenheiro, assim como João que depois se tornou artista cantor. Leopoldo, o mais jovem, seguiu o curso de indústria e comércio. Enfim, Rodolfo que era o terceiro filho, subindo os degraus do altar, abraçou a carreira que está mais perto de Deus.

II

Quando Rodolfo tinha 6 anos, já passava pelas ruas de Bielsko com livro debaixo do braço e sacolinha de "lanche" a tiracolo. Era tão novo e a matemática já lhe insidiava a alegria de viver. O curso primário constava de 5 anos.
Na cidade predominava o elemento alemão: 80 por cento! E era nessa língua que as aulas se ministravam. Em casa se falava o polonês. Nas paróquias pregava-se nas duas línguas. Havia na população um contingente de 25 por cento de protestantes, A praça era forte na indústria têxtil, especialidade da região. Contava cerca de 60 fábricas de tecelagem. 
Por aquela altura, conforme as aspirações do pai, os três primeiros filhos já estavam na escola. 
D. Inês, mãe infatigável e pia, abriu uma sala de costura nos seus humildes aposentos, ao rés do chão; no pátio também o ferreiro montara a sua tenda, e ali, moldava a sua felicidade doméstica ao golpe estrídulo do martelo. 
Com 11 anos Rodolfo começou a frequentar o ginásio passando ao depois, para o Liceu clássico alemão de sua cidade natal.
Dava um exemplo inédito de piedade e aplicação. Madrugava para o estudo, em caminho para a escola, entrava primeiro na igreja paroquial a fim de assistir à Santa Missa, lá no fundo da nave, de joelhos, com edificante fervor.
Era, desde então, muito devoto da Virgem levava no bolso, inseparável, o seu terço. Manifestou-se logo um rapaz resoluto e coerente. Com uma seriedade precoce, quase taciturno. Concentrado no seu dever, talvez já preocupado com o ideal elevado que Deus lhe preparava.
Era de uma tenacidade invejável e de grande força de vontade. 
João seu irmãozinho mais novo, tinha outro estilo. Malandro e traquinas, ia-se endereçando por um caminho escorregadio.
Não valeram nem as súplicas dos irmãos mais velhos nem as ameaças dos pais. 
Certa vez, porém, o maroto, ao levantar-se, rezou apressadamente as orações e com a toalha ao ombro dirigiu-se à pia, Rodolfo já sentado à mesa, estudava, ali perto, o grego. Tendo observado as preces mal feitas do mano, com acento fraterno, inspirado em senso verdadeiramente cristão, admoestou-o dizendo: João, você poderá tudo se realmente quer e reza como deve.
Querer e rezar, um conselho que foi como um programa. Impressionado vivamente, o maninho começou, daquele dia, a ser melhor. 
Wanda nos dá o seguinte perfil deste período da infância do mano extraordinário:
"Era humilde, falava pouco, rezava e era muito diligente, pois estudava até tarde da noite. Muitas vezes adormeceu por cima dos livros. Nunca fez mal a nenhum de nós, antes, uma vez ou outra, tomou o castigo em nosso lugar. Seu boletim escolar foi sempre o melhor de todos".
Era, pois natural que, em 1909, terminado o curso secundário de 8 anos, em sua terra natal, passasse nos exames de madureza com distinção.

III

Naquele mesmo ano Rodolfo entrou para o Seminário em Weidenau, arquidiocese de Breslau, ali perto de sua cidade natal. 
Edificante a seriedade com que iniciou a carreira eclesiástica. Tinha 19 anos. Apresentava-se alto e impressionantemente magro.
O ardor de sua preparação ao sacerdócio levou-o bem cedo a extraordinárias mortificações, especialmente durante a quaresma, na qual somente por obediência ao Diretor, resignava-se a comer carne.
O Seminário de Rodolfo era então uma filial da Faculdade de Teologia da Universidade de Breslau, e o arcebispo, cardeal Kopp, freqüentemente lá comparecia para presidir aos exames.
Pelo Natal, pela Páscoa e nas férias, os seminaristas retornavam ao convívio com os seus.
Causa admiração a todos os conterrâneos, a atitude humilde e recatada do seminarista Komórek. Durante a Santa Missa e as funções de Igreja, reparavam-no todos, imóvel em seu lugar, dentro do presbitério, com as mãos juntas e as faces pálidas, ainda mais pálidas pelo realce da cor negra da batina e a magreza ascética do semblante compenetrado.
O currículo dos seus estudos teológicos foi brilhante, conforme se pode verificar no boletim de notas finais.
Segundo usança do Seminário, as ordens sacras se recebiam todas no último ano de Teologia. Para Rodolfo foi em 1913.
A 22 de julho daquele ano era ordenado de sacerdote. A primeira Missa solene foi em Weidenau. Compareceram os parentes, a chamado do Reitor, pois Rodolfo planejava para aquele grande dia, sumo recolhimento, na solidão do Seminário.
Depois, a primeira Missa solene, na paróquia de Bielsko, sua terra natal. A igreja, repleta de fiéis: Nos primeiros bancos seus pais, irmãos, e amigos. Há ainda quem se recorda da fisionomia devota e recolhida daquele neo-sacerdote irradiante de íntimo regozijo, mas esmagado ao fardo de tanta responsabilidade: ministro de Deus! 
No domingo seguinte, sua primeira pregação. Firme, com as mãos grudadas no púlpito. A voz não muito forte; e parecia tímido. Mas o seu aspeto concentrado e convicto era de uma eloquência inobjetável.
Dez dias depois da ordenação, o Padre Rodolfo já estava no campo destinado ao exercício de seu sagrado ministério.
Inicialmente desenvolveu um apostolado meio nômade pois dentro do espaço de um ano esteve em três paróquias diversas, pequenos aglomerados urbanos nos arredores de Bielsko.
Já desde esse tempo aparecia aos olhos dos paroquianos como um perfeito homem de Deus. Inteiramente e heroicamente dedicado às almas confiadas à sua solicitude apostólica.
Contam que era paupérrimo. Dava tudo aos pobres. Vivia como um ermitão, na oração, na penitência, nas obras de caridade, sobretudo para com os pobres que mereciam dele um carinho singular.
Moço e mortificado, chamavam-no um "S. Luís".
Tratava rapidamente com senhoras e só em força de seu sagrado ministério. 
Dormia no duro chão, coberto apenas com o próprio sobretudo.
Por algum tempo teve consigo sua mãe, colaborando com ele.
Mas eis que os clarins da guerra de 1914, com o perfilar sinistro das mobilizações, marcaram para os destinos do Pe. Rodolfo outro rumo de áspero caminhar.

IV

"Falava alemão e polaco e era alto um metro e setenta e seis!"
Eis os primeiros e mais importantes dados que a informação militar nos pôde fornecer da vida do Pe. Rodolfo, quando entrou para a guerra. Sabia, pois, duas línguas; quem sabe prestaria seus serviços como intérprete; e tinha estatura para arrostar com os embates nas marchas forçadas das grandes jornadas de refrega. Ali estavam aos olhos do exército as suas habilidades: possuía duas línguas, avantajado no físico!
É que em fevereiro de 1914 chegou ao Ministério da Guerra da Áustria uma carta assinada pelo sacerdote Komórek, escrita de próprio punho e endereçada ao imperial e real ministro.
Quando terminara o ginásio, como era candidato ao estado eclesiástico, fora registrado na reserva, por 12 anos, segundo a lei e elencado então no Regimento, de Infantaria n.º 100.
Agora arregimentado no começo do conflito solicitava a nomeação como capelão do exército: Foi deferido o seu requerimento, por um decreto que, traz a firma do próprio Imperador Francisco Jose I, nomeando-o efetivamente capelão da Reserva em grau de oficial.
Até 1916 exerceu o sagrado ministério no Hospital da Fortaleza n.º 3 da guarnição nº 15 de Cracóvia.
Nesta data o zeloso capelão Komórek dirigiu-se novamente ao Ministério da Guerra pedindo que o agregassem na marcha para o "front". Queria o sacrifício até o heroísmo. Queria amparar nos braços os soldados feridos ou consolá-los no supremo instante do qual depende a eternidade. E foi atendido.
Arrolaram-no numa companhia mobilizada de Roziatow. Desta fase em diante o Ministério da Guerra austríaco não possui ulteriores documentações. Mas nos adverte que há nos arquivos, diários do Regimento "Von Steimberg" nº 100, ao qual pertencia o Pe. Rodolfo; e, se os incêndios de Cracóvia nesta última guerra não atingiram a documentação do hospital da Fortaleza nº 3, não é difícil que se encontre a narração dos feitos desse famoso capelão que tão profundamente participou das vicissitudes espirituais do exército naquela contingência angustiosa da pátria polonesa.
Porém, o irmão, Roberto Komórek, que também fora chamado às armas na primeira conflagração mundial, completa sucintamente os informes sobre a carreira militar do mano, e escreve: 
"Visitei-o uma vez no hospital de Cracóvia, quando do meu licenciamento do "front". Os doentes o amavam muito. Estava sempre no meio deles, procurando lenir-lhes os sofrimentos. Nos meados de 1918, partiu ele com um destacamento destinado ao "front" italiano no Tirol. No fim da guerra ficou prisioneiro da Itália. E da Itália retornou à sua mãe". 
Não é difícil imaginar os gestos espetaculares que o humilde capelão terá desenvolvido nos campos de luta, em prol dos soldados que tombaram. 
A autoridade eclesiástica, pelo vigário apostólico militar de Viena, Paulinowski, resume neste elogio, toda a atividade daquele extraordínário sacerdote-soldado: "Satisfez perfeitamente aos seus deveres de capelão militar".
Mas a oficialidade do exército que viu mais de perto a dedicação inaudita daquele companheiro de batalha, humilde e grande ao mesmo tempo, condecorou-o em 1916, com a cruz espiritual de mérito; e propondo-o para esta honraria, deu a seguinte motivação, que vale por um perfil brilhantemente traçado com eloquente laconismo: "Excelente e sacrificado serviço diante do inimigo. Desde o início da guerra, como capelão do Hospital de guarnição, desempenhou ele os seus deveres com zelo verdadeiramente fora do comum, pronto dia e noite para dispensar aos feridos e doentes o conforto espiritual. Raro exemplo de sacerdote que se consume de modo ideal pelos compromissos da própria vocação. Merece ser condecorado pela suprema Autoridade". Assinados: Carlo Kuk, chefe da provisão. Francisco Kanik, Marechal.
Além disso foi agraciado com a medalha de mérito pela Cruz Vermelha.
É bom notar que, enquanto viveu, ninguém soube jamais destes triunfos diante dos olhos dos homens. Ficaram todos sepultados no escrínio delicado de sua impermeável modéstia. 

Novembro - Mês das Almas do Purgatório - 15

Fonte: Almas devotas

Retirado do livro
Mês das Almas do Purgatório
Mons. José Basílio Pereira
 livro de 1943 
(Transcrito por Carlos A. R. Júnior)



DIA 15
3º sofrimento — Impotência de se acudirem a si próprias
O estado das almas do Purgatório, diz o Pe. Faber, é a impotência absoluta.
Não podem nem fazer penitência, nem merecer, nem satisfazer, nem ganhar uma indulgência, nem receber os sacramentos. Alguns teólogos asseguram que elas não podem nem orar por si. Estão mergulha­das nessa noite profunda de que fala S. João, durante a qual ninguém pode mais trabalhar.
Foram lançadas, nessas trevas exterio­res, em que só há lágrimas e gemidos.
Parecem-se com esse paralítico estendido à beira da fonte de Siloé, que não pôde fazer o menor movimento para ter um alívio… e ainda o paralítico podia chamar em seu socorro e tinha a esperança de ser ouvido. Mas, vós, pobres almas do Purgatório, vossa triste voz não pode chegar até nós sem uma permissão especial de Deus… e quando chega, por­ventura é sempre ouvida?
Elas veem na terra uma infinidade de graças, das quais uma só as aliviaria, as libertaria talvez, e não podem se aprovei­tar delas para si. É o suplício contínuo do faminto preso à pouca distância de uma mesa lauta, para a qual se dirige sem nunca chegar a alcançá-la. Na terra, quan­tas orações se dizem, quantas comunhões se fazem, quantas missas se celebram, quantas indulgências se ganham! Filhos pródigos, expiando sua fuga da casa pa­terna, dizem elas em pranto: Quantas ri­quezas na casa de nosso pai! e nós aqui transidas de fome!
Isto é talvez uma punição especial de Deus: esqueceram as almas do Purgatório enquanto viviam sobre a terra. — Deus permite que também sejam esquecidas.
Veem suas companheiras de infortúnio aliviadas, de tempos a tempos, recebendo os frutos de uma comunhão, o valor do sangue de Jesus Cristo, e elas… ficam esquecidas…
Vós que viveis na terra e que tão facil­mente vos comoveis ante o sofrimento e a ideia do abandono, ouvi as almas do Purgatório pedindo-vos uma migalha desse Pão dos Anjos que Deus vos dá com tanta abundância e generosidade, uma pequena parte de vossas orações, de vossas boas obras, de vossos sofrimentos!
__________
Trecho extraído do livro - Mês das Almas do Purgatório - Mons José Basílio Pereira - 10a. Edição - 1943 - Editora Mensageiro da Fé Ltda. - Salvador - Bahia.

Novembro - Mês das Almas do Purgatório - 14

Fonte: Almas devotas

Retirado do livro
Mês das Almas do Purgatório
Mons. José Basílio Pereira
 livro de 1943


DIA 14
2.º sofrimento — Pena do dano
A pena mais terrível do Purgatório é certamente a pena do dano, isto é, a se­paração forçada de Deus ou uma força irresistível que a cada instante afasta brus­camente de Deus a alma que a todo mo­mento; por instinto de sua natureza, corre a se unir com ele.
Pode-se fazer uma ideia dela pelo su­plício de uma mãe que, chamada pelo filho prestes a ser devorado por uma fera, fosse retida por uma força invencível no momento em que se precipitasse em seu socorro, e isso não uma só vez, porém dez, cem vezes.
Há neste suplício, dizem os santos, uma angústia mais sensível, de certo modo, que a do inferno. Os míseros condenados não amam a Deus, seu desejo insaciável e sem­pre renascente é ver a Deus aniquilado.

Novembro - Mês das Almas do Purgatório - 13

Fonte: Almas devotas

Retirado do livro
Mês das Almas do Purgatório
Mons. José Basílio Pereira
 livro de 1943 
(Transcrito por Carlos A. R. Júnior)


SOFRIMENTO DAS ALMAS DO PURGATÓRIO
DIA 13
1.º sofrimento — Pena dos sentidos
Ó meus caros mortos, se para meu coração toda a pena fosse a da separação, seria cruel, por certo; mas o pensamento de comunicar convosco pela oração, e ainda mais a ideia de vos tornar a ver no Céu, e de vos tornar a ver mais santos e mais amantes, aliviaria esta dor; mas, ah! este mesmo pensamento que me dá a es­perança de vos tornar a ver, leva-me a contemplar-vos nas chamas do Purgatório, sofrendo e consternados.
Não escutarei a imaginação, que poderia levar-me além da realidade; quero ouvir os santos, e o que me dizem eles acerca do que vós sofreis, é bastante para excitar a minha compaixão, e obrigar-me a so­correr-vos.
«Reuni, diz Santa Catarina de Gênova, todas as penas que os homens têm sofri­do, sofrem e sofrerão, desde o principio do mundo até o fim dos tempos; juntai todos os tormentos que os tiranos e os algozes têm feito sofrer aos mártires; será uma pálida imagem dos tormentos do Purgatório; e, se às pobres encarceradas fosse permitida a escolha, prefeririam aqueles suplícios durante mil anos a fica­rem no Purgatório mais um dia; porque, diz S. Tomás, o fogo que os envolve é o mesmo que atormenta os condenados no inferno, e esse fogo, oh, é terrível!»
Deus, escolhendo o fogo, soube achar um reparador digno de sua justiça!
Não há dor, dizem os que têm estudado a natureza desse elemento, que iguale a que ele causa.
Não objeteis que o corpo não está no Purgatório: a dor, diz S. Tomás, não é o golpe que se recebe, mas a sensação dolorosa desse golpe. Quanto mais delicadeza há nessa sensação, mais viva é a dor, e a alma, ainda sendo ferida, ela so­zinha experimenta ao mesmo tempo a aflição que lhe fariam sofrer todos os membros do corpo atacados separada­mente.
Esse fogo do Purgatório, cuja natureza não conhecemos, dotado por Deus de uma espécie de inteligência para esmerilhar nos recessos da alma e consumir todas as manchas que lhe deixou o pecado, obra ao mesmo tempo sobre a imaginação e a memória, sobre o juízo e a vontade…
Não aprofundemos mais este ponto; po­rém, fixando a atenção, escutemos o grito pungente que, do fundo desse abismo de fogo, vem até nós: Eu sofro, sofro muito no meio destas chamas: uma gota d’água! uma prece, por piedade!


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Trecho extraído do livro - Mês das Almas do Purgatório - Mons José Basílio Pereira - 10a. Edição - 1943 - Editora Mensageiro da Fé Ltda. - Salvador - Bahia.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Fim primordial do matrimônio

A Igreja e seus mandamentos e sacramentos
por Monsenhor Henrique Magalhães

O fim principal do matrimônio é a geração e a educação da prole.
Recordemos a lição que, a este respeito, nos deu o Santo Padre Pio XI, na sua célebre encíclica - "Casti Connubii" de 31 de Dezembro de 1930.[1]
Deus Criador, na Sua infinita bondade, quis servir-Se dos homens, como cooperadores, para propagar a vida. É o que se depreende das mesmas palavras da Bíblia Sagrada, descrevendo a maravilhosa cena da Criação dos nossos primeiros pais: "crescei e multiplicai-vos e enchei a terra".
Note-se, porém, que esta ordem divina foi dada muito antes do primeiro pecado.
Santo Agostinho, comentando - com a habitual elegância dos seus escritos - as palavras do apóstolo São Paulo a Timóteo, diz: "A opinião de São Paulo é que as núpcias devem ser contraídas por motivo da prole. Quero, continua o bispo de Hipona, quero que as moças se casem, para procriarem os filhos e serem boas mães de família".
Quem reflete seriamente sobre a dignidade humana, quem crê na vida futura e espera que Deus recompense abundantemente o bem praticado no mundo; quem não vê no homem apenas um ser que, de qualquer maneira, há de se esforçar por gozar a vida, mas um futuro cidadão da eternidade, um discípulo de Jesus Cristo que deve sofrer, como seu Mestre, para merecer; quem considera a criatura racional como composta de alma e corpo - o corpo, templo da alma, e a alma, templo de Deus; quem foi educado na verdadeira escola espiritualista católica, ou ao menos crê na imortalidade da alma - não pode deixar de ver na procriação uma bênção de Deus, em favor da humanidade; uma honra insigne para as famílias, que são chamadas a desempenhar a missão de colaboradores do mesmo Criador!
A criatura racional pela excelência da sua natureza, está acima de todos os outros seres da terra. Mais ainda: Deus quer a geração dos homens não só para que eles encham o mundo, mas para que conheçam o seu Eterno Senhor, e O amem, e pratiquem o bem, especialmente a verdadeira caridade que é puro amor e finalmente sejam, pelo mesmo Deus, recebidos em Seu Reino eterno.
Não basta, porém, colaborar na continuidade da espécie. É preciso educar a prole. E essa educação há de ter por base a Religião.
Quantas mães andam esquecidas da grave obrigação que lhes é imposta: encaminhar, desde cedo desde tenra infância, seus filhinhos para, Deus! Quadros de beleza incomparável - tão comuns antigamente é hoje escasseando: as mães, juntando as mãozinhas do seu filho, ensinando-lhe as primeiras orações, traçando com o pequenino o sinal da Cruz, que há de mostrar-lhe sempre a sua dignidade de cristão!
Se a prole, no começo, não se pode prover a si mesma do necessário para a vida física, nem para a vida intelectual - nada pode certamente quanto à vida espiritual. Da grande responsabilidade dos pais. Responsabilidade que não se pode admitir desprezada, quando se trata de cristãos e muito mais ainda de católicos.



[1] As citações estão de acordo com a Encíclica.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

É permitido fazer tatuagem?

Fonte: Maria Rosa
Por Pe. Peter R. Scott
Traduzido por Andrea Patrícia


O uso de tatuagens não é algo novo na história da humanidade. A destruição de um corpo é vista em muitas sociedades primitivas como um sinal de bravura e conquista, um verdadeiro sinal de honra.
A prática moderna de tatuagens é comparável a isso? Tatuagens estão sob a categoria de automutilação. A automutilação é certamente permissível quando realizada para o bem de todo o corpo, de acordo com o princípio da totalidade, que a parte é para o todo. Isso serve de base para a compreensão do sentido comum destas palavras do Senhor:
“Se teu olho direito é uma ocasião de pecado para ti, arranca-o e lança-o de ti, porque é melhor para ti que um dos teus membros se perca do que todo o teu corpo seja lançado no inferno”. (Mt. 5,29)
Consequentemente ninguém contesta a excisão de órgãos ou mutilação da aparência externa, que vem do tratamento de doenças graves e potencialmente fatais, como o câncer. Mas as tatuagens são uma desfiguração do corpo que não é dirigida a qualquer bem, seja do corpo ou da alma. É permitido realizar tal deformidade estética, sem qualquer finalidade objetiva, simplesmente porque se quer?
A moralidade depende da autoridade que um homem tem sobre o seu corpo. De acordo com a maneira moderna de pensar, um homem tem autoridade absoluta sobre seu corpo, para fazer com ele o que quiser. No entanto, tal não é o ensinamento da Igreja. Somos apenas administradores de nossos corpos, pois nós pertencemos a Deus Todo-Poderoso. O nosso domínio sobre o nosso corpo está limitado a usá-lo para o fim para o qual foi criado. Isto foi claramente ensinado pelo Papa Pio XI em sua encíclica sobre o casamento cristão, condenando a automutilação da esterilização:
“A doutrina cristã estabeleceu, e é de todo evidente pela luz da razão humana, que o homem não tem o direito de destruir ou mutilar seus membros ou torná-los de qualquer forma incapazes de alcançar sua finalidade natural”.
À objeção de que tatuagens não fazem mal para o funcionamento do corpo deve ser respondido que toda ação humana tem que ter um propósito, sobre o qual sua moralidade se baseia. Não existe ação indiferente na prática. Uma ação que não é boa é necessariamente má. Se não há propósito para uma tatuagem, então é no mínimo vaidade ou respeito humano, o desejo de chamar a atenção para si ou chocar os outros. Mas todos estes são motivos desordenados. Se tatuagem não é algo virtuoso e razoável, então é errado, ofensivo e pecaminoso. Este pecado pode ser venial se a tatuagem não é um ataque a Deus ou a religião, nem imoral em seu simbolismo, e se é feita por vaidade, por si só uma desordem venial. No entanto, pode ser mortal, se a tatuagem é uma blasfêmia ou irreligiosa, ou aplicada como um ataque direto ao domínio de Deus sobre o corpo.
Às vezes, é objetado que alguns católicos fervorosos têm se tatuado com cruzes e símbolos sagrados. Em tal caso, uma tatuagem pode ter como objetivo professar a fé e demonstrar exteriormente a sacralidade do corpo, consagrado a Deus Todo-Poderoso por meio do batismo. Assim, lemos na vida de Santa Joana Francisca Fremiot de Chantal que ela esculpiu o santíssimo nome de Jesus Cristo em seu peito com um ferro em brasa. No entanto, esta é a inspiração excepcional de uma santa. Em nosso tempo, muitas vezes esses símbolos são aplicados zombeteiramente, e são mais um sinal da profanação do templo de Deus que somos (I Coríntios 3,16-17) do que o contrário. Eles se referem a uma subcultura que é ateia e por vezes pagã. Eles são uma degradação do homem ao nível dos animais, que são marcados para que seus corpos tenham uma finalidade puramente utilitária.
Aqui reside a real moralidade das tatuagens. Elas são aplicadas em um espírito de rebelião e, geralmente, representam um aspecto ou outro dessa rebelião, muitas vezes impuro, bruto, violento, feio, assustador, repulsivo, se não francamente blasfemo e diabólico. É precisamente essa rebelião contra a ordem natural, essa rejeição da submissão do homem ao seu Criador, que é simbolizada pelas tatuagens, pelas quais o homem finge ter poder total sobre seu corpo, desfigurando o corpo que Deus, em sua bondade, deu a ele. É uma rebelião contra o protocolo, contra a decência, uma rebelião contra todas as expectativas sociais, contra o caráter social do homem. É por conta dessa oposição à ordem natural que as tatuagens foram proibidas nos preceitos judiciais da lei antiga:
“Você não devem fazer cortes em sua carne, para os mortos, nem devem fazer em vocês mesmos quaisquer números ou marcas: Eu sou o Senhor”. (Levítico 19,28).
Embora esses preceitos, certamente em si não obriguem em consciência, no entanto, eles não eram, em geral, totalmente arbitrários, e o mandamento de não cortar a própria carne é listado juntamente com aqueles que proíbem a consulta a bruxos e adivinhos, a adivinhação de sonhos e o de fazer da filha de alguém “uma prostituta”.
É também uma rebelião contra a ordem sobrenatural, pois a tatuagem simboliza um homem insistindo em seu direito de fazer o que quiser, sem prestar contas ao seu Redentor, mesmo até a automutilação e a autoprofanação. Ela simboliza a rejeição da sacralidade do corpo humano. É um sinal do desespero final que é tão característico da sociedade moderna: a nossa vida corpórea é um fim em si e não há nada além disso. 
Original aqui.

Novembro - Mês das Almas do Purgatório - 12

Fonte: Almas devotas

Retirado do livro
Mês das Almas do Purgatório
Mons. José Basílio Pereira
 livro de 1943 
(Transcrito por Carlos A. R. Júnior)



DIA 12
Esperança
 «Oh! Como desconhecemos nós o coração de Deus! Quando o homem está pres­tes a morrer, o homem que ele criou por suas mãos, sobre quem velou com ternura durante a vida, a quem seguiu passo a passo, a quem tocou e iluminou para chamá-lo a si e que não atendeu a nada disto; quando está à morte, Deus se pre­para para dar-lhe o derradeiro combate, o combate do amor, o combate supremo de uma mãe que, vendo o filho quase arre­batado, fica louca, terrível, chega ao paroxismo da indignação e do amor. Desce, por isso, esse Deus de bondade; inclina-se esse pai inquieto, para o leito de dor em que vai morrer um de seus filhos.
Apela para tudo o que havia já empre­gado com o fim de o vencer, luzes, graças, ternuras, benefícios: Eu vo-los dei às mãos cheias, tê-los-eis sem medida!
Se o enfermo rende-se aos primeiros as­saltos, vê-se o triunfo, e a religião ganha a conversão de um pecador. Mas, se o homem resiste e, antes de ter cedido, cai nas sombras que precedem a morte, nem por isso termina o combate. Ao contrario, redobra de esforço, e a vitória pode ainda ser de Deus, mesmo quando não há mais para os homens nenhum meio de o saber. Quando os olhos do enfermo ficam turba­dos; quando as extremidades ficam frias; quando para verificar se ainda vive precisa-se pôr a mão sobre seu coração: se a mão do homem fosse mais sensível, sentiria a luta que continua, a luta suprema. Trata-se de obter uma palavra, nada mais do que uma simples palavra, um alento, um leve movimento! Deus trabalha para isso com a obstinação do amor: e quem não com­preende que Deus, lutador hábil, há de consegui-lo muitas vezes?

Novembro - Mês das Almas do Purgatório - 11

Fonte: Almas devotas

Retirado do livro
Mês das Almas do Purgatório
Mons. José Basílio Pereira
 livro de 1943 
(Transcrito por Carlos A. R. Júnior)


DIA 11
Esperança

Ainda algumas palavras de esperança sobre as almas de nossos mortos. Fala o padre Bougaud em sua obra: O Cristia­nismo e os tempos presentes.
«Quem poderá narrar as misericórdias de Deus no leito de morte de seus filhos? Aí nessas sombras confusas da hora úl­tima, em que o olhar do homem nada mais distingue, quem pode saber o que se passa entre Deus e uma alma? Quando o espí­rito paira nos lábios como um ligeiro so­pro, já não mais da terra, nem ainda do Céu: no momento: em que Deus se inclina para recolher essa alma, quem poderá di­zer o que se passa? Uma mãe repeliria seu filho, ainda mesmo sendo um ingra­to? não tentará ela por todos os meios trazê-lo de novo a si? Não irá sempre ao seu encontro, até o fim? Não esgotará todos os recursos para salvá-lo, a despeito de toda a obstinação dele em fugir-lhe? Ora, Deus é mais do que a mãe.

Novembro - Mês das Almas do Purgatório - 10

Fonte: Almas devotas
Retirado do livro
Mês das Almas do Purgatório
Mons. José Basílio Pereira
 livro de 1943 
(Transcrito por Carlos A. R. Júnior)



DIA 10
Esperança
Um pensamento sombrio vem, talvez, lançar o terror na alma à hora em que evo­ca a lembrança de seus mortos.
«Ah! diz ela, eu me tranquilizaria, fica­ria em paz e me julgaria feliz, se pudesse contá-lo no Céu, se houvesse falecido cer­cado das preces da Igreja e purificado pe­los últimos sacramentos, Mas ah! morreu de repente, morreu longe do bom Deus a quem tinha esquecido em sua vida inteira!»
Pobre coração aflito, eu vos responderei a isto com as palavras que a Igreja me au­toriza a dizer-vos:
A Igreja não condena definitivamente a ninguém. Baixa decretos para declarações de que uma alma está no Céu e assim po­de ter culto, mas nunca expede nenhum, publicando que uma alma esteja no inferno.
São Francisco de Sales não queria que se desesperasse nunca da conversão dos pecadores até seu último suspiro, e, ainda depois de mortos, não admitia que se jul­gasse mal mesmo dos que tinham levado uma vida irregular, a não ser daqueles cuja condenação consta da Escritura. Alegava como razão disso que nem a primeira gra­ça nem a derradeira, que é a perseverança, se dá por mérito, isto é, ambas são de todo gratuitas. Entendia, portanto, que se devia presumir sempre bem da pessoa que ex­pirava, ainda não sendo sua morte edifi­cante, porque todas as nossas conjecturas só se podem firmar sobre as aparências, e essas, muitas vezes, iludem ainda os mais experientes.
«Entre o último suspiro do moribundo e a eternidade, há um abismo de miseri­córdia, » disse um bispo ilustre. — Passam- se entre Deus e a alma certos mistérios de amor que nós só conheceremos no Céu.
Que precisa este agonizante para obter o perdão? Uma luz que lhe mostre a jus­tiça e a misericórdia divinas; uma luz, ainda rápida como um relâmpago; essa luz pode produzir um sentimento de con­trição e de amor, este sentimento basta para lhe fechar o inferno e abrir o Pur­gatório.
Esta luz é Jesus, apresentando-se àquela alma e dizendo-lhe com um olhar ligeiro como o pensamento: É a mim ou ao demônio que tu queres? e a alma dizendo com a mesma rapidez: A vós, a vós, Se­nhor! e a misericórdia triunfa! Esperai pois, esperai sempre; dirigi vossas pre­ces constantes por esses mortos que vos fazem estar inquietos: ninguém pode cal­cular até que ponto essas preces podem ser atendidas.

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Trecho extraído do livro - Mês das Almas do Purgatório - Mons José Basílio Pereira - 10a. Edição - 1943 - Editora Mensageiro da Fé Ltda. - Salvador - Bahia.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Novembro - Mês das Almas do Purgatório - 9

Fonte: Almas devotas

Retirado do livro
Mês das Almas do Purgatório
Mons. José Basílio Pereira
 livro de 1943 
(Transcrito por Carlos A. R. Júnior)


DIA 9
Felicidade de ser útil aos mortos

«Oh, se tudo estivesse acabado para sempre, se eu não pudesse me ocupar mais dele, se não tivesse mais o prazer, não digo só, de torná-lo a ver no Céu, mas de lhe ser ainda útil durante o resto de minha vida, como seria isto cruel!» dizia uma pobre mãe junto ao corpo inanimado de seu filho.
Deveria ser muito doloroso, sim; mas consolai-vos, pobres filhos, vós podereis ainda ser úteis àqueles que a morte vos roubou, podeis ajudá-los a mais depressa ganhar o Céu! A Igreja compreendeu essa necessidade de vosso coração e deu ali­mento a vosso amor.
A morte separa: parte os laços mate­riais que nos prendiam uns aos outros; não dissolve os laços imateriais que liga­vam uma alma a outra alma, um coração a outro coração.

Novembro - Mês das Almas do Purgatório - 8

Fonte: Almas devotas

Retirado do livro
Mês das Almas do Purgatório
Mons. José Basílio Pereira
 livro de 1943 
(Transcrito por Carlos A. R. Júnior)


DIA 8
Consolação
Nosso Senhor Jesus Cristo quis para nossa consolação experimentar as amarguras que causa ao coração humano a perda daqueles a quem ama.
«Lázaro era apenas seu amigo, diz Mon­senhor Segur; Jesus ia cientemente res­suscitá-lo, e, todavia, quis chorar, quis sofrer, para santificar as dolorosas emo­ções da separação.
A morte dos que nos são intimamente caros é, pode-se dizer, a dor das dores».
«Vedes este esquife? dizia-me um dia um pobre operário que seguia, soluçando, o préstito de seu filho único: é minha vida que se vai!»
Para essas torturas, para tais dores que, com toda a verdade, se tem chamado uma dor louca, só há uma consolação: a que Vós dispensais, ó meu Deus! Perto de Vós, sob vossa mão paternal, que fere e que cura, o pobre coração recobra a paz, a própria felicidade, não a da terra, mas a do Céu: a felicidade da terra cessou para ele.

Novembro - Mês das Almas do Purgatório - 7

Fonte: Almas devotas
Retirado do livro
Mês das Almas do Purgatório
Mons. José Basílio Pereira
 livro de 1943 
(Transcrito por Carlos A. R. Júnior)


DIA 7
Consolação
Serve a todos a página seguinte, em­bora escrita expressamente para a con­solação de um só.
Todos aqueles que amavam e a quem a morte arrebatou o objeto do seu amor, todos carecem das mesmas palavras que levantam o espírito e que o tranquilizam.
«Não podeis habituar-vos à ideia de não achar mais em parte alguma, sobre a terra, o ente a quem parecia ligada vossa vida. É dolorosa, muito dolorosa a separação que vos feriu, mas lembrai-vos de que nossos laços só se quebram na aparên­cia… Deus, que os formou na terra, trans­porta aos Céus aqueles a quem prezamos, para nos forçar a erguer os olhos até sua mansão eterna.
A vista do cristão fixa o outro mundo, mas o olhar do coração encontra um vá­cuo desolador. Vós, principalmente, que podeis esperar a salvação de vossa irmã, não lastimeis sua sorte que é a convi­vência com os anjos, a vida piedosa, a morte edificante que teve, fazem crer que sua alma está gozando de uma felicidade que vós não podeis prometer-lhe nem dar-lhe. Dizei antes, pensando em sua au­sência: Nós nos tornaremos a ver bem cedo, e então nada mais nos há de se­parar!