segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Para quem deseja seguir a vida religiosa!

Fonte: Escravas de Maria


Quando nasce uma obra

Cor unum et anima una.
Um coração e uma alma.

O que é vocação?

É um chamado de Deus para alcançar uma vida consagrada totalmente a Ele.
É um chamado à união divina e esforçando-se para alcançar a perfeição religiosa.
É um desejo persistente ou ao menos periódico de dar-se generosamente a Deus e à Sua Igreja. Se Deus e Maria a chama a esta vocação de escravidão total venha conhecer a Sociedade Religiosa Regina Pacis/Escravas de Maria Rainha da Paz e depois, se assim for da vontade de Deus e da Santíssima Virgem Maria, consagre-se neste estado de vida.

Somos religiosas, Escravas de Maria Rainha da Paz, de voto simples e vida ativa, vivemos a escravidão a Jesus por Maria (Ad Jesum per Mariam).

Fundada pela reverenda Madre Jeanne d'Arc na cidade Campo Grande, Mato Grosso do Sul Centro-Oeste do Brasil, as Escravas de Maria perpetuam a vida religiosa tradicional, pela vivência e observância da escravidão à Santíssima Virgem sob o título de Maria Rainha da Paz. Este Convento possui uma vida apostólica externa e uma vida silenciosa de oração e trabalhos manuais dentro do convento. Em nosso santo hábito é incluído o escapulário creme. As Escravas de Maria guardam a liturgia tradicional, com o Ofício Divino e o Santo Sacrifício da Missa rezados em latim, com um pouco de canto gregoriano, segundo nossas possibilidades, silêncio, recolhimento, penitência, reparação e sacrifício e a reza diária do Santíssimo Rosário. 

Dom Tomás de Aquino, OSB, Prior do Mosteiro Beneditino da Santa Cruz, é o nosso diretor espiritual.

Nossos padroeiros são:

Maria Rainha da Paz; festa dia 31 de maio.
Santa Teresinha do Menino Jesus; festa dia 03 de outubro.
São Luís Grignion de Montfort; festa dia 28 de abril.  

Primeiros passos para quem quiser ser Escravas de Maria. É necessário:

Ter entre 17 a 30 anos de idade (existem exceções de idade para ser admitida). Vontade, caráter, sólidos princípios morais e amar a tradição da Santa Igreja Católica Apostólica Romana. Aptidão à oração, ao silêncio, penitência e desejar a união divina por meio à escravidão ao Nosso Senhor pelas mãos da Santíssima Virgem Maria na vida apostólica. Observâncias do horário de nossa Congregação e na formação.    
                                                                                     
Horário para alma que quer ser tornar perfeita nesta Congregação

05:30 Levantar: Consagração ao São Luís Maria Grignion de Montfort
06:00 Angelus
06:02 Prima
06:15 Meditação
06:45 Santa Missa
07:30 Café da manhã
08:00 Estudo e Formação
08:40 Trabalho
11:00 Lectio Divina
11:30 Sexta
11:40 Terço (gozosos)
12:00 Angelus
12:05 Almoço
12:35 Recreio
13:30 Descanso ou leitura espiritual
14:00 Trabalho
15:00 Terço (dolorosos)
15:20 Trabalho
18:30 Terço (gloriosos)
19:00 Angelus
19:05 Jantar
19:45 Recreio
20:45 Completas
21:00 Grande silêncio
21:30 Apagar todos as luzes e descanso

O apostolado interno e fora do Convento se faz como a Madre designar.

Postulantado

São de seis meses a um ano, durante o qual a candidata aprende e experimenta a vida da escravidão na clausura do nosso Convento. No postulantado terá a recepção e imposição dos escapulários de Nosso Senhora do Carmo, São Miguel Arcanjo e da medalha milagrosa.  O postulantado se faz na clausura, numa vida dedicada à oração.


Noviciado

Dois anos de duração, iniciando-se com a recepção do hábito das Escravas de Maria.
O primeiro ano do Noviciado é o Canônico e neste dia ocorre a Consagração a Nossa Senhora pelo método de São Luís Maria Grignion de Montfort e também a assinatura do documento onde está escrito a escravidão. Os dois anos de noviciado são na clausura numa vida dedicada a oração e ao trabalho interno. 


Profissão temporária  
                                                                                                         
Renovado a cada um ano os votos religiosos de pobreza, castidade e obediência.
Neste dia terá recepção do anel na mão direita em sinal externo de escravidão. 



Anel na mão direita (dezena do terço) este sinal representa as correntes do Santo Rosário ao qual nos há de salvar e sinal externo da escravidão.

Profissão perpétua             
                                                                                                   
Os votos perpétuos serão feitos com 35 anos de idade. Neste dia haverá recepção do anel na mão esquerda... uma esposa de Cristo para sempre! Se estiver com 30 anos (ou mais) depois do noviciado terá que fazer 10 anos de renovação dos votos temporários e depois sim os votos perpétuos.


Anel na mão esquerda (anel com uma pequena cruz) esta cruz sobre o anel representa que a paz só vem pelas cruzes carregadas e aceitas a cada dia com resignação. 


Esposas de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Oração

Reza do Santo Terço diante do Santíssimo


Ofício Divino


Trabalho apostólico
Confecções de Sacramentais 



Na formação das almas 

Catequeses 


Formação:
Edições de livros

       
Deo gratias et Mariae.

Convento Domina Nostra Regina Pacis 
Capela Santa Teresinha do Menino Jesus da Sagrada Face.
Endereço: Rua José Luiz Carneiro Camargo nº 83 Jardim Auxiliadora,
CEP: 79051-710.
Telefones: +55 (67) 3349-0278 ou +55 (67) 9984-1335 (Vivo)                                                   
E-mail escravasdemaria@hotmail.com

A perfeita casada (XV) - Frei Luís de León

Muitas filhas alegaram riquezas,
mas tu superaste a todas elas.


O hebreu chama de filhas todas as mulheres. Por riquezas haveremos de entender, não só os bens materiais mas também os da alma, como são o valor, a fortaleza, o trabalho, cumprir com seu ofício, com tudo o demais que pertence à perfeição desta virtude. Diz Salomão que os filhos da perfeita mulher casada, louvando-a, a elevam sobre todas, e dizem que das boas ela é a melhor. Salomão escreve que dirão conforme o costume dos que louvam, que é comum que o que é louvado fique fora de toda comparação. Em verdade, tudo que é perfeito em seu gênero tem isso que, se olharmos com atenção, enche a vista de quem olha, que o faz pensar que não há nada igual.
Dizendo de outra maneira, não é que se faz comparação com outras casadas que foram perfeitas, e sim com as que pareceram querer sê-lo. E isso se encaixa muito bem, porque esta mulher que é louvada aqui, não e nenhuma em particular que foi como dissemos, e sim o modelo; e não é uma perfeita, mas todas as perfeitas, ou melhor, a própria perfeição; e assim não se compara com outra perfeição de seu gênero, porque não há outra. Porque a cada virtude segue outra, que não é ela nem virtude; como a ousadia parece fortaleza, e não é, e o despachado não é liberal, mesmo que pareça.
Do mesmo modo há mulheres casadas que querem se mostrar completas e perfeitas em seu ofício, e quem não prestar atenção pensará que são, mas na verdade não o são. E isso por diferentes motivos: porque algumas se são caseiras, são avarentas; umas criam os filhos e não se preocupam com os criados; outras porque mimam a família e se unem em bando contra o marido. E porque todas elas têm algo dessa perfeição, parece que a tem toda, e de fato carecem dela, porque não é coisa que se vende por partes. Ainda há algumas que se esforçam, mas não por razão, mas por inclinação ou por desejo; e assim são volúveis e não conservam sempre um teor nem têm a verdadeira virtude, mesmo chegando bem perto. Porque esta virtude como as outras, não é planta que cresce em qualquer terreno, nem é fruta de toda a árvore, mas que quer seu próprio tronco e raiz e não nasce nem brota se não for de uma fonte que é a que se declara a seguir:
Engano é a graça, e zombaria,
a beleza; a mulher que teme a Deus 
é digna de louvor.

O Apóstolo I - Parte 3

Padre Emmanuel de Gibergues



A vida inútil é condenada pela razão.
A razão diz-nos que uma vida tal faz injúria a Deus, lesando todos os Seus direitos.
Deus é criador, e, por conseguinte, soberano Senhor do homem e de sua vida. Será necessário prová-lo?
Qual é para o homem, a operação análoga à ação criadora? É o trabalho.
E que lhe confere o trabalho? O direito de propriedade. O que o homem fez com as suas mãos, com a sua indústria, com o seu gênio, pertence-lhe, e pertence-lhe em absoluto. Pode dar o produto do seu trabalho, vendê-lo, destruí-lo, que não tem que dar contas a ninguém. Ainda com mais razão, Deus tem os mesmos direitos sobre a Sua criatura; porque o homem não deu senão a forma aos objetos saídos de suas mãos; não criou a sua matéria primordial; operou somente uma transformação; mas Deus tirou-nos do nada. Nada havia; só Deus é que existia.
Sem obrigação alguma, sem interesse, sem nenhuma necessidade, tendo, em Si mesmo, tudo, Deus criou-nos por um ato soberanamente livre e gratuito de Sua vontade. Somos inteira e totalmente de Deus, portanto; somos inteira e totalmente para Deus; somos o Seu bem, a Sua propriedade, a Sua obra, a Sua obra prima. Deus, por direito de criação, é soberano Senhor do homem.
Ainda mais: a obra saída de nossas mãos subsiste por si mesmo, pelo menos por um tempo mais ou menos longo, segundo a sua natureza.
Os que construíram as nossas belas catedrais da Idade-Média morreram há muito tempo, e esses monumentos, obra deles, subsistem ainda... Nós não podemos subsistir um instante sem Deus, nem mesmo agir sem Ele. Criador do nosso ser, é o seu conservador necessário, e como uma pedra não pode equilibrar-se no espaço, sem que a nossa mão a sustente, nós não podemos subsistir no ser, senão mantidos por Deus; diz São Paulo, nós somos n’Ele. Não podemos agir e viver senão com o Seu auxílio, in ipso vivimus e movemur.[1]
Como o ar, que respiramos, nos envolve, nos penetra, regenera o nosso sangue, renova e entretém a nossa vida, o poder de Deus envolve-nos, sustenta-nos, dá-nos o ser, o movimento e a vida. O direito de Deus conservador do nosso ser, não é menos absoluto do que o direito de Deus criador.
Somos, a todo o instante da duração, por Deus; portanto, somos, a todo o instante, de Deus.
Ainda não é tudo. A vida sobrenatural da graça, que nos foi dada no batismo, essa vida maravilhosa, que é a própria vida de Deus em nós, divinae consortes naturae[2], é, em realidade, uma segunda criação, bem mais admirável do que a primeira, e que confere a Deus, sobre nós, novos direitos, que excedem aos primeiros como o infinito excede ao finito. Sobrenaturalmente, bem mais ainda do que naturalmente, somos de Deus, e por Deus; portanto, para Deus. Os direitos de Deus, o Seu domínio soberano sobre o cristão, aumentam na proporção de toda a extensão do dom que ele recebeu o dom da vida divina.
Neste novo dom, que liberalidade!
Tinhamo-los perdido pelo pecado; Deus no-lo deu de novo. Tornou a dá-lo à humanidade pela Redenção: dá-o de novo a cada um de nós, pelo Batismo e pela Providência. Torna a dá-lo, até aos pagãos, se seguem a luz natural da sua consciência, pelo desejo do batismo.
Como torna Ele a dá-lo? Superabundavit[3], com superabundância. E à custa do que? Será sem esforço, sem sofrimento da Sua parte? Podia fazê-lo: um só ato da humanidade do Verbo teria sido suficiente para resgatar milhares de mundos...
Não o quis. Para fazer-nos apreciar mais a Sua grandeza, e para tocar mais o nosso coração endurecido, foi por Sua pobreza, por Sua humildade, pelo Seu trabalho, pela Sua obediência, pelos Seus sofrimentos, pela Sua morte, pelo Seu sangue e pela Sua vida, que no-lo deu novamente, que nos resgatou: pretioso sanguine redemisti[4].
Se a justiça consiste em dar a cada um o que lhe é devido, o que devemos a Deus, sendo infinito, pois que o valor é infinito, e o preço pelo qual o recuperamos infinito também, a justiça confere a Deus, sobre nós, direitos infinitos, direitos absolutos.  
Eis o que nos diz a razão.
E que o homem não nos venha dizer: Não pedi para nascer, tivessem-me deixado no nada... Objeção insensata, que limita o supremo poder de Deus, tirando-Lhe o direito de criar; objeção que dá direitos ao nada, o direito de recusar-se ao ser, objeção que põe em paralelo o nada com Deus! – O que? Deus não teria o direito de dar, o direito de ser bom, o direito que vós tendes, sim, vós, o direito de serdes pai? Deus não teria o direito de criar? Deus deveria pedir licença ao nada, antes de produzir o ser? Não, mil vezes não!
Pelo Seu amor e a Sua onipotência, Deus cria o homem, eleva-o ao estado sobrenatural, resgata-o e salva-o. Estes atos de Deus constituem o homem na dependência e no dever, conferindo-lhe, ao mesmo tempo, os direitos necessários para cumprir o seu dever e alcançar o seu duplo fim: a glória de Deus e a sua própria felicidade.
“O homem foi criado para Deus”, diz santo Inácio, resumindo tudo nestas três palavras. Para Deus, isto é, para reconhecer os Seus direitos, para submeter-se a Ele, para glorificá-lO.



[1] Atos dos Apóstolos, XVII, 28.
[2] Segunda Epístola de São Pedro I, 4. “Participantes da natureza divina”.
[3] Epístola aos Romanos V, 20.
[4] Te-Deum.

domingo, 28 de outubro de 2012

Mortificación del corazón

Robert de Langeac
La vida oculta en Dios



Dad vuestro corazón a Jesús cada vez más. No esperéis para eso a ser perfectos.

No, dádselo ahora. No busquéis voluntariamente ningún consuelo. Dios, que os conoce y que vela sobre vosotros, os dará los que necesitéis in tempore oportuno.

Dios no quiere que procuréis el ser amado y el saberlo. Os lo concederá por añadidura, pero cuando ya no lo deseéis. Mientras tanto, quiere que lo busquéis a Él sólo, siempre por todas partes, en todo, especialmente en la humillación.

No busquéis nada sensible; no es sólido. Estamos compuestos de una parte espiritual y de una parte sensible; pero lo que sucede en la segunda es de orden absoluta. No debe contar prácticamente. Dios es espíritu. Solo importa, pues, lo espiritual. Si lo que le decís nada os dice, no importa. Continuad, con tal de que Él esté contento.

Más bien es, preciso temer las emociones sensibles en la vid espiritual, porque son emociones agradables.  Se cree uno virtuoso. Se apega uno a ellas, porque son emociones agradables. No las pidáis, no las deseéis. No os adhiráis a ellas nunca.

El amor sensible proviene del conocimiento sensible. ¡Si pudierais comprender la diferencia que hay entre el mismo amor natural de Jesús y el amor sobrenatural, el verdadero amor de caridad! Suponed un alma que, sin haber recibido la Gracia, hubiese amado a Nuestro Señor sobra la tierra únicamente porque Él era hermoso y bueno... Es algo de orden absolutamente distinto. Lo sensible debe ser mortificado, eliminado, para dejar sitio a lo espiritual. Fijaos en San Juan de la Cruz: no sólo quiere que se renuncie a lo sensible, sino, incluso, en los afectos espirituales, a la alegría sentida por si misma. Sobre la tierra, no hay proporción entre nuestro conocimiento y nuestro amor. Por eso es por lo que se puede amar más de lo que se conoce. Debe bastarnos con saber que Dios es Infinitamente amable y que se le ama cumpliendo su voluntad. El conocimiento sensible es secundario, pero podemos figurarnos a Nuestro Señor de tal o de cual manera; depende de las imaginaciones. En cuanto al conocimiento intelectual, San Juan de la Cruz dice, y es verdad, que no tenemos sobre Dios más que unas ideas toscas, pero mientras Dios no nos dé luces infusas, tenemos que servirnos de ellas aunque sepamos sobradamente que son toscas. Pues nosotros no somos espíritus puros.

Rostropovich -- Bach, as 6 Suítes para Violoncelo (Completo)

Nota do blogue: Indicação do blogue A Boa Música.


As sete portas do inferno - terceira porta: profanação do dia do Senhor

Fonte: Fiéis Católicos de Ribeirão Preto


A santificação do domingo comporta duas coisas: a cessação do trabalho e a oração.
Aos domingos não se pode trabalhar sem necessidade ou por motivo justo: “Trabalhareis durante seis dias, disse outrora Deus aos israelitas, mas ao sétimo dia não fareis nenhum trabalho, nem vós nem vossos servos”. Trabalhar aos domingos é, pois, uma desobediência formal a Deus.

O trabalho do domingo é um desastre para o corpo, para a alma e mesmo para a fortuna.
As máquinas de bronze e de aço não podem trabalhar semanas e meses seguidos. Forçosamente, de quando em vez, é preciso pararem, repousarem, senão arrebentam. Não somos de bronze nem de aço, somos de carne. Sem o repouso de oito em oito dias, dizem os sábios, os homens abreviam consideravelmente sua vida.
Quereis ver um povo sadio, forte, alegre? Vede as nações que respeitam o domingo. Quereis ver um povo doentio, fraco? Considerai os países em que o dia do Senhor é profanado.
Quanto à alma, o trabalho ao domingo faz que o homem nem se lembre dela. Quem trabalha sem cessar torna-se material como a terra que cultiva, como as máquinas que maneja, torna-se um animal, um bruto.
Notou-se que os revolucionários, os criminosos têm-se recrutado principalmente entre os profanadores do domingo.
Afinal nossos interesses temporais pedem que santifiquemos o domingo.
Se Deus não constrói a casa, diz o profeta, em vão trabalham os que a edificam.
O trabalho ao domingo é como o bem mal adquirido, atrasa. Deus não engana. Ora, disse aos judeus: “Guardareis o dia do Senhor e respeitareis meu santuário: se fizerdes estas coisas, eu vos darei as vossas chuvas a seu tempo e a terra e as árvores darão o seu fruto; comereis o vosso pão a fartar e habitareis seguros em vossa terra. Se, pelo contrário, rejeitardes meus mandamentos, visitar-vos-ei em minha cólera, vossas árvores, vossos campos, não darão seu fruto, farei que o céu seja como ferro e a terra como bronze, plantareis debalde a vossa semente e vossos inimigos a comerão, as feras devorarão vosso gado, mandarei a peste, a guerra, a fome”. Repousemos, pois, ao domingo e santifiquemos este dia pela oração.
A oração obrigatória é a Santa Missa, para quem não tem um motivo justo de dispensa. Estes motivos são os seguintes: doenças, cuidados de crianças ou de doentes, grande distância da igreja (mais de uma hora de caminho, a pé), falta de companhia para senhoras, pobreza tal que a gente não possa se apresentar na igreja sem se envergonhar.
As mães que têm crianças pequenas, procurem alguém que possa substituí-las, para que, pelo menos de vez em quando, possam ouvir a Santa Missa.
Não esqueçamos que faltar à Missa por descuido, por preguiça, é pecado grave. Mau sinal, péssimo sinal, perder a Missa aos domingos. Enquanto o homem aos domingos veste a roupa limpa, toma o caminho da igreja, assiste ao santo sacrifício, ouve a palavra de Deus, há esperança. Embora este homem se tenha desviado de Deus, um dia voltará para ele.
Mas, quando o homem chegou a este ponto de embrutecimento que não faz mais distinção entre dia de serviço e dia de domingo, não há mais esperança. Não é mais cristão, não é mais homem, é animal. É a perda da alma, é o inferno.
Que dizer agora dos que não só profanam o dia do Senhor pelo trabalho e a perda de Missa, senão pelo pecado propriamente dito. Infelizmente, para muitos, o domingo é o dia do pecado, da embriaguez, do jogo, do escândalo.
Que crime! Roubar a Deus o dia que ele reservou para sua glória e para nossa salvação, e consagrá-lo a Satanás pelo pecado!
O que digo do domingo, digo-o das festas que, muitas vezes, em lugar de serem festas dos santos, são festas do demônio, pela devassidão. Assim é que outrora os judeus celebravam os domingos e as festas e por isso Deus lhes disse: “Eu tenho horror de vossas festas, lançar-vos-ei em rosto as imundícies de vossas solenidades”. O que Nossa Senhora e os santos esperam de nós nos seus dias de festas não são músicas, foguetes, danças, jogos, orgias, mas orações fervorosas, confissão, comunhão. Só assim nos tornamos merecedores de seus favores.

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Continua com a quarta porta: A Embriaguez

As 7 Portas do Inferno: Introdução

Primeira porta: A Impureza

Segunda Porta: O Furto

Trecho do Livro: O Pequeno Missionário - Manual de Instruções, Orações e Cânticos coordenado pelo Pe. Guilherme Vaessen, Missionário da Congregação da Missão - 6a. Edição, Editora Vozes, 1953.

sábado, 27 de outubro de 2012

O Apóstolo I - Parte 2

Padre Emmanuel de Gibergues


A vida inútil é condenada por Deus.
Sempre o foi, desde a origem, pela lei do trabalho, imposta ao homem, mesmo antes do pecado. Deus, diz a Escritura Sagrada, havia colocado o nosso primeiro pai no Paraíso terrestre “para trabalhar, ut operaretur”[1].
A lei do trabalho foi renovada ainda mais formalmente, depois do pecado. Já obrigatório, mas alegremente aceito, como desabrochamento necessário da atividade livre, o trabalho tomou, desde então, um caráter novo de expiação, de castigo e reparação: In sudore vultus tui, vesceris pane[2].
Nenhuma exceção, aliás, foi feita, nem por direito de nascimento, nem por direito de fortuna, nem por direito de superioridade alguma, intelectual ou moral. Os príncipes como os vassalos, os reis corno os povos, os senhores como os servos, os ricos como os pobres, os que possuem o necessário ou o supérfluo como os que nada têm, a todos toca a lei, pois a lei foi feita pelo Criador do universo e Senhor do mundo.
Os escritores sagrados não cessaram de lembrá-la à humanidade decaída “O homem, dizem eles, é feito para trabalhar, como o pássaro para voar”[3]. “Aquele que não trabalha não é digno de comer”[4].
Levantam-se indignados contra a preguiça, e forçam o inútil a corar, indicando-lhe a formiga como exemplo do trabalho, e com quem póde aprender. Vade ad formicum, opiger[5].
Não se trata, todavia, só do trabalho material, do trabalho do corpo. O trabalho do espírito está compreendido na lei, e não é menos doloroso: o Padre Lacordaire dizia, com razão, que se “crucificava à sua pena”. Trata-se de todo o trabalho útil, de todo o emprego do corpo ou da alma, para o bem e a felicidade dos outros. É a lei de Deus; condena o inútil.
O inútil é condenado pelo Evangelho. São os exemplos e as palavras de Jesus Cristo que o condenam. Jesus Cristo sujeitou-Se a trabalhar numa humilde oficina durante trinta anos, para honrar o trabalho, para nos mostrar evidentemente a necessidade de trabalhar, para ter o direito de dizer-nos, como o fez no fim de Sua vida: dei-vos o exemplo: exemplum dedi vobis[6].
Jesus Cristo, nos Seus ensinamentos, levantou-Se, com toda a Sua força, contra os inúteis.
Que imagem maravilhosa dá-nos do inútil, a árvore que, embora plantada em terreno fértil e, não obstante ter sido objeto de todos os cuidados, não produz fruto, no primeiro, no segundo, nem no terceiro ano.
Ut quid terram occupat?[7] que faz ela sobre a terra? Porque toma o lugar que poderia ser tão utilmente ocupado por outras? Para que, esses bens de que goza e gasta em seu próprio beneficio, sem dar nada nem produzir nada para os outros? Mas cautela, que a cólera do Salvador póde explodir!
Primeiro que tudo, é uma ameaça: excidetur, et ignem mittetur[8] será cortada e lançada ao fogo. Mas não, isto não basta! Para que esperar mais? A paciência divina está cansada: succidite[9] cortai-a imediatamente!
Que retrato mais frisante pode haver do inútil, do que o desse servo que recebe do seu senhor certo talento, e, em vez de fazê-lo prosperar, o esconde, o enterra? Recebeu de Deus muitos dons: dons da situação e da fortuna, dons da inteligência e do coração, dons da natureza e dons da graça. Esteriliza tudo; sepulta tudo, no seu egoísmo e na sua inação.
Que fará o seu Senhor, que fará Jesus Cristo? Indignar-Se-á contra ele; dar-lhe-á justas repreensões; tirar-lhe-á o que lhe deu; repudiá-lo-á; amaldiçoá-lo-á; Servum inutilem ejicite in tenebras exteriores[10], repudiai este servo inútil!
E Jesus Cristo acrescenta: que pedirá mais aquele que tiver recebido mais: cui plus datum est, plus datum est, plus quaeretur ab eo[11]... Oh, vós a quem Deus encheu de favores, compreendei a grandeza de vossas obrigações!
A medida de vossa responsabilidade é a medida dos benefícios que tiverdes recebido; e se fordes infiéis, o castigo será proporcional às graças que houverdes desprezado: potenter potenier tormenta sustinebunt[12].



[1] Genesis, II, 15.
[2] Genesis, III, 19. “Comerás o pó com o suor de teu rosto.”
[3] Jó, V, 7.
[4] São Lucas, X, 7, 1ª epístola aos Coríntios, III, 8.
[5] Provérbios, VI, 6.
[6] São João, XIII, 15.
[7] São Lucas, XIII, 7.
[8] São Mateus, VII, 19.
[9] São Lucas, XIII, 7.
[10] São Matheus, XXV, 18.
[11] São Lucas, XII, 48.
[12] Sabedoria, VI, 7. “Os pecadores serão poderosamente torturados”.